Aham, é amor
8 Ele confuso, ela irritada
Notas iniciais
PERCY (Point of View)
Acordei e... Wow! Annabeth estava deitada, por cima do meu abdômen, envolvida em meus braços. Nós dormimos abraçados, isso mesmo. E como sempre, ela estava linda. Parecia um anjo, dormindo calmamente. Com certeza, não tem jeito melhor de começar o dia.
Continuei olhando atentamente para aquela linda garota loira que estava deitada sobre mim. Porém, minutos depois ela acordou e...
– AHHHHHH! — gritou ao abrir os olhos, e rapidamente levantou-se, saindo de cima de mim — O QUE VOCÊ... O QUE EU?
Tentei pensar nas coisas que uma garota deveria pensar ao acordar abraçada à um garoto, e sem conhecê-lo direito, sabendo apenas que ele é seu novo vizinho.
Bom, talvez ela tivesse percebido que ontem estava chuvendo, e ter notado que eu deixei-a dormir aqui para que ela não se molhasse, apenas para protegê-la e...
AH PERSEU, COMO VOCÊ É LENTO. CLARO QUE ELA NÃO PENSOU ISSO.
Tem razão, mente. Ela deve ter pensado que eu abusei dela enquanto ela dormia, e esse seria o pensamento mais normal que ela poderia ter. Mas nada disso aconteceu!
– Não é nada disso que você tá pensando. — expliquei rapidamente, levantando e ficando cara-a-cara com Annabeth — Não aconteceu nada entre a gente.
– Então explique o que você estava fazendo comigo deitada em cima de você! — ela gritou. Nossa, eu só queria protegê-la e ganho logo um grito desses pela manhã?
Notei que existem maneiras melhores de acordar, sim.
– Quando o filme acabou, você havia adormecido, e estava chovendo forte lá fora, eu não quis te acordar e te mandar pra casa, você podia pegar um resfriado se a chuva tivesse te molhado! — disse, olhando nos olhos dela. Ela estava com uma expressão facial irritada, e com os braços cruzados.
– Você tem certeza que... — ela começou a falar, mais rapidamente eu a interrompi.
– Não aconteceu nada, tá legal! Nada! — eu falei de novo, dessa vez sentando no sofá e levando as mãos ao rosto.
Ela ficou parada alguns instantes, sem falar nada. Tirei as mãos do rosto e olhei para ela, e pude ver que ela estava olhando para mim, mas parecia estar mais calma e tranquila agora do que antes, mas continuava sem falar nada.
– É sério, acredita em mim! — falei mais uma vez — Eu não sou desse tipo de garoto que espera garotas bonitas e gostosas dormirem em cima dele para se aproveitar delas!
Arrependi-me das últimas palavras que falei, e notei meu rosto esquentar absurdamente. Pensei que Annabeth iria começar a gritar, então abaixei a cabeça, tentando também esconder meu rosto, que à esta altura deveria estar bastante vermelho.
Depois de alguns instantes de silêncio, levantei a cabeça e olhei para ela, que ainda olhava fixamente para mim.
– Olha, me desculpa. Eu não devia ter feito isso! — disse, sinceramente, e ainda parecia estar vermelho — Quem já viu um garoto dormir abraçado com uma garota e... — ela colocou o dedo indicador da mão direita em meus lábios, calando-me. E como sempre, surpreendi-me com o ato daquela linda garota loira.
– Obrigada. — ela disse, por fim, depois de longos minutos de silêncio. Fiquei confuso.
PERSEU, DIGA-NOS UM MOMENTO NO QUAL VOCÊ NÃO ESTÁ CONFUSO? — minha mente se expressou.
Nossa, até eu, que sou eu (!), me zôo pela minha lerdeza.
Mas é sério! Agora há pouco ela parecia estar irritada comigo, e agora ela agradece? As garotas são malucas mesmo!
– Mas... — tentei questionar, e ela tirou o dedo indicador dos meus lábios.
– Você se explicou olhando nos meus olhos. — ela disse, olhando para mim — Quando alguém mente, não olha nos olhos das pessoas. — e por fim, sorriu.
Também sorri. Annabeth! Pensei que você ficaria irritada comigo e...
– Porém... — ela começou, e interrompeu meus pensamentos — Não faça isso de novo, a não ser que nós sejamos mais que amigos.
Meu rosto esquentou novamente, dessa vez com mais intensidade, se isso é possível, e com mais velocidade. Pude perceber que ela também corou, pois rapidamente abaixou a cabeça e pegou o celular dela que estava jogado no sofá. E ela começou a digitar algo nele.
– Que horas são? — perguntei.
– Nove e dezessete. — ela respondeu, sem olhar para mim.
Ah, Annabeth! Não faz assim!
– Tenho que ir agora. — ela disse — Nos vemos depois.
Assenti, e levei-a até a porta. Ela saiu sem dizer mais nada. Suspirei, e andei até o espelho que cobria quase uma parede da sala por completo.
Olhei para minha imagem refletida nesse espelho, e não estava tão ruim quanto pensei que estaria. Só meus cabelos que estavam bagunçados, mas isso já é normal.
Olhei para o relógio da parede, e agora eram nove e vinte da manhã. Subi para o meu quarto. Ao entrar, vi que meu celular estava em cima da minha cama. Balancei a cabeça negativamente, lembrando que ontem eu precisei dele e pensei que estava lá em baixo, na sala, e na verdade eu havia esquecido-o aqui. Dirigi-me ao meu guarda-roupa e peguei uma toalha. Fui até o banheiro e tomei um banho rápido, afinal eu não havia comido nada ainda, e estava com fome.
Ao sair do banheiro, fui novamente ao guarda-roupa, e peguei uma boxer, uma bermuda e uma camisa social branca. Vesti-me e pensei no que Annabeth estaria fazendo nesse momento. Os pais dela também viajaram, e ela também deve estar sozinha em casa, como eu.
Coloquei um pouco de desodorante e desci para cozinha.
*****
ANNABETH
–Narrator-
Ao chegar em casa, Annabeth sentou-se no sofá, e ficou algum tempo parada, apenas refletindo a noite de ontem, e o que aconteceu hoje, há alguns instantes atrás.
Quando lembrou de ter acordado nos braços de Percy, um sorriso bobo formou-se em seus lábios.
Ele era especial para ela, de algum modo. Agora ela tinha mais certeza de que ele não seria apenas um amigo qualquer.
E quando lembrou do que falou para ele momentos antes de deixar aquela casa, ela corou.
"- Porém... Não faça isso de novo, a não ser que nós sejamos mais que amigos."
O que será que ele pensou quando ela falou isso? Annabeth não sabia. Mas, quando ela olhou para o relógio da parede, já eram nove e trinta e cinco. Ela havia passado longos quinze minutos ali, parada, sentada num sofá, lembrando de momentos que passou com Percy, nesses dois únicos dias em que os dois se conheceram.
Annabeth não era assim. Antes de se mudar para Nova York, ela era sensata, inteligente e focada. E ela continuava assim, porém, quando o assunto tratava-se de Percy Jackson, as coisas eram diferentes.
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