Aham, é amor
21 Ela disse que me ama!
PERCY (Point of View)
Ela disse que me ama. Ela disse que me ama! A Annabeth! A Annabeth disse que me ama! Ela disse que me ama, caralho! Puta que pariu, ela falou mesmo que me ama. E isso não é apenas mais um sonho! Isso é real! Por que depois que ela falou que me ama, eu a beijei... E ela retribuiu o beijo! Ela me ama! Ela disse que me ama! Ela me ama mesmo! Puta que pariu mais uma vez... Ela disse que me ama!
Aquele foi o nosso terceiro beijo, e pareceu ter sido mais urgente que os outros. Foi como se ela tivesse depositado naquele beijo todo o sentimento que antes estava reprimido, todo o sentimento que estava trancando em seu coração. Agora ela podia fazer isso, já que disse que me ama. Ela disse que me ama!
Eu voltei à sentir o característico sabor de morango que senti nas outras vezes ao beijá-la. Era tão bom sentir aqueles lábios macios encostados nos meus. Nossas línguas procuravam por espaço, travando uma batalha prazerosa. Aquilo era simplesmente sensacional, como se nossos lábios tivessem sido feitos um para o outro. Incrível mesmo.
Mas para acabar com nossa alegria, veio a falta de ar. Separamo-nos ofegantes, e eu encarei aqueles olhos cinzentos, que eram ao mesmo tempo intimidadores e provocantes, além de lindos. Ela também encarava os meus olhos.
Por impulso, nos beijamos novamente. O mesmo beijo urgente, agora mais urgente. Um beijo urgente e desesperado. Meu colega lá de baixo começou à dar sinal de vida, e eu estava louco de vontade de puxar a Annabeth pro meu quarto. Mas não. Ainda não.
Nossa primeira vez não pode ser assim. Tem que ser algo mais especial.
Eu sei, sou um cara muito romântico. Coisas assim, como a vontade de cuidar para ser especial, acontecem quando você encontra a garota perfeita. E eu encontrei a minha garota perfeita. Não queria assustá-la. Nós faríamos aquilo assim que ela estivesse preparada.
O ar voltou à ser um item necessário. Separamo-nos de novo, e eu voltei à encarar os olhos cinzentos da minha loira. Estávamos muito ofegantes. E eu, excitado. Tentei disfarçar aquilo, mas é difícil quando você está usando uma bermuda como a que eu estava usando naquele momento. Pelo menos, eu acho que ela não notou...
Esse deve ter sido o nosso melhor beijo, depois do primeiro. Aquele primeiro foi especial, apenas um beijo apaixonado. Esse foi apaixonado, urgente e desesperado. Continuei encarando aqueles olhos cinzentos.
– Você... – comecei. Queria ouvir aquilo mais uma vez.
– Eu te amo. – ela falou, corada. Para disfarçar, olhou para baixo, tímida. E linda – Mas... E você?
Tentei entender aquela pergunta. Agora, ela não tinha mais o sorriso de antes estampado no rosto.
– Ahn?
– Você... Ainda...
– Se eu ainda te amo? – perguntei, com uma sobrancelha erguida. Ela olhou para mim, e assentiu – É claro que eu te amo! Eu te falei, não foi? Que por você, eu podia esperar? – ela assentiu mais uma vez.
– Desculpa por toda essa confusão. – ela disse – Você deve estar se perguntando do porquê de tudo isso de repente. A verdade é que eu sempre gostei de você, desde o momento em que te vi pela primeira vez, quando você estava na porta da minha casa. Mas eu ainda tenho medo. Como você já deve saber, eu sofri demais antes.
Cerrei os punhos. Como um cara poderia fazer uma garota como a Annabeth sofrer? Ela é perfeita!
– Esse filho da puta só pode ser um idiota, mesmo. – falei, com raiva. Annabeth sorriu.
– Vamos deixar isso para lá. – ela falou, eu assenti – Agora que te encontrei, não quero lembrar mais do passado. Cheguei à uma conclusão, quero ficar com você. Você me faz sentir segura. Você me passa confiança. – sorri com aquilo. Era tudo o que eu queria ouvir.
Incrível como as coisas acontecem. Agora há pouco, eu jurava que a Annabeth estava irritada comigo, por causa do beijo roubado de mais cedo. Agora, soube que ela fez aquilo tudo por medo de sofrer novamente. Imagino como deve ter sido difícil para ela ter que esquecer o que aconteceu depois que algum viado e filho da puta a fez sofrer.
– Me diz. – ela falou, me deixando confuso. Ah velho, quase tudo que ela faz me deixa confuso. Mas eu a amo do mesmo jeito.
– O quê?
– Que me ama. – sorri.
– Eu te amo. – ela também sorriu. Ah, meu Deus. Que menina linda do caralho!
Pensei em pedi-la em namoro naquele momento, mas também pensei no quanto foi difícil ela decidir me dar uma chance. Ela estava me dando uma chance! Eu não poderia desperdiçar. Existiriam momentos melhores, e horas mais adequadas para aquilo.
Abracei-a. Era tão bom estar perto dela. Não queria mais me separar. Acho que ela sentia a mesma coisa, pois retribuiu o abraço. Eu sorri. Ah, que dia sensacional.
– Eu não quero mais ficar longe de você. – falei, enquanto sentia o cheiro de morango nos cabelos da minha loira. Então ela gosta mesmo de morango... – Você gosta mesmo de morango né?
– O que você quer dizer? – ela questionou, confusa. Sorri.
– Seu beijo tem gosto de morango. Seus cabelos têm cheiro de morango. – falei, e ouvi-a sorrindo.
– E você tem cheiro de maresia. – ela falou, eu voltei à sorrir. Muitas pessoas me diziam aquilo, eu não sabia o motivo.
– Isso é bom? – perguntei, esperando pela resposta.
– Eu amo o cheiro da maresia. – ela respondeu, e eu sorri novamente. Incrível como fico feliz perto dessa menina.
Então, um silêncio instalou-se no local. Eu tinha minhas dúvidas: será que ela espera que eu a peça em namoro agora?
– Não vai me perguntar algo, Cabeça de Alga? – ela perguntou, intuitiva. Entendi a mensagem.
Se ela quer, quem sou eu para discordar? Encarei a linda garota à minha frente.
– Annabeth Chase, você quer namorar comigo? – perguntei, e ela me encarou.
– Promete não me trocar por qualquer vadiazinha que aparecer? – minha loira perguntou. Apenas uma pergunta retórica.
– Eu não vou te trocar por ninguém. Eu te amo. – falei, e ficamos em silêncio por alguns instantes.
E então, ela me agarrou de novo. Nosso quarto beijo.
– Eu quero namorar com você, sim. – minha loira sussurrou, depois que nos separamos. Sorri. Esse dia não poderia ficar melhor.
Ficamos ali por mais alguns instantes, enquanto eu admirava a linda garota que estava em minha frente.
– Bom... Vamos voltar para lá, antes que os idiotas que eu chamo de amigos pensem besteira. – falei, e separei o abraço, mesmo sem querer. Ela também pareceu não gostar, e fez biquinho — Não faz assim!
– Assim como? – ela sorriu.
– Quando você faz biquinho, eu fico louco! – ela sorriu mais ainda.
– Vamos logo para lá. – falou segurando minha mão esquerda, e eu assenti, também sorrindo.
E então, deixamos a cozinha e andamos em direção ao quintal.
*****
Antes, eu achava que meus amigos eram idiotas. Agora eu tenho certeza. Quando eu e Annabeth chegamos ao quintal, todos nos olhavam. Sério mesmo, pararam o que estavam fazendo só para olhar para nós.
– Mas... Já? – Andrew perguntou, malicioso.
– Vá se foder, seu viado. – falei irritado, todos riram. Annabeth apertou mais a minha mão, logo me acalmei um pouco.
– Então... – Sophia começou – Podemos interpretar que vocês se acertaram?
– O que quer dizer? – Annabeth questionou, parecia intrigada. Eu também não estava entendendo muito.
E então Nico, o “alegre”, apontou para nossas mãos. Senti meu rosto esquentar. Annabeth também pareceu corar. Mas nem a pau eu soltaria a mão dela.
– E o que tem? – perguntei, irritado.
– Calma! Não tem nada, não! – Leo falou, levantando as mãos em sinal de rendição, e meus “amigos” voltaram à sorrir.
– Mas sério, Perseu... – Silena começou – Vocês estão juntos?
Olhei para minha loira que estava ao meu lado, perguntando com o olhar o que ela gostaria que eu fizesse. Ela apenas sorriu timidamente, e assentiu. Sorri de volta.
– Sim, estamos juntos. – falei, e todos comemoraram. As meninas apenas batiam palmas e sorriam, mas os idiotas, lê-se Nico, Andrew, Jason e Leo, começaram à assoviar. Meu rosto esquentou de novo. Estava sem jeito. Annabeth não parecia diferente.
– Nunca pensei que veria Perseu Jackson, o cara mais popular do colégio, namorando sério. – Samara falou, sorrindo.
– Ah, deixe de drama. – disse, enquanto apertava a mão da loira ao meu lado.
– Mas ele já namorou com a Drew, não foi? – Jason perguntou.
– Todos sabem que ele não gostava dela. – Silena falou, enquanto levantava e ia até a Annabeth, para abraça-la – Vocês com certeza serão felizes! Formam um lindo casal! — Annabeth e eu sorrimos.
– Qual é? Vocês não vão se beijar?! – Andrew perguntou, quando Silena voltou a sentar no banco metálico de jardim.
Olhei para Annabeth novamente, ela estava muito corada. Aproximei-me dela.
– Se você não quiser... – sussurrei em seu ouvido, ela pareceu estremecer.
– É claro que quero... – também sussurrou, e eu sorri.
Encarei-a, ainda sorrindo. Ela sorriu de volta. Aproximei-me dela no mesmo instante em que ela aproximou-se de mim, e selamos nossos lábios de novo. Nosso quinto beijo, foi um beijo longo. Separamo-nos quando, novamente, o oxigênio tornou-se necessário.
– Beijo longo hein! – Piper falou, sorrindo.
– Só não foi mais longo por que nos faltou o oitavo elemento da tabela periódica. – expliquei, e Annabeth sorriu. Serei químico, como já citei antes. Tenho que me adaptar à esse vocabulário científico, ora. Os outros também sorriram – Mas e então, Leo? Temos carne assada ou não?
– É pra já! – o garoto, que ainda tinha sua camisa completamente coberta por poeira de carvão, falou, indo até a churrasqueira mais uma vez enquanto eu voltei à encarar Annabeth, sorrindo.
– Eu te amo. – sussurrei no ouvido dela.
– Eu te amo mais. – ela sussurrou de volta.
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