Ah, se ele me beijasse
1 Capítulo 1
Ela acordou na manhã seguinte ao casamento. As cortinas faziam um barulho discreto, sendo guiadas pelo vento numa dança só deles. O sol aparecia com timidez na parede na frente da cama, mas já era o suficiente pra que todo o quarto pudesse ser visto. Era um quarto em tons pastéis. Quase todos os móveis eram brancos. O chão era de madeira, mas um tapete macio cor de champagne cobria grande parte dele. Na frente, uma lareira agora apagada e acima dela uma sustentação com plantas variadas.
A mulher se mexeu na cama e teve grande satisfação ao sentir o contato da roupa de cama tão macia com a sua pele. Então, repousou o olhar no seu esposo, que ainda se encontrava em sono pacífico. Os cabelos castanhos estavam mais bagunçados do que o costume. Ela fez todo o caminho do seu rosto várias vezes, buscando memorizar um momento de tanta preciosidade. As sobrancelhas, o nariz, a barba que começava a nascer e a fina corrente de ouro que levava no pescoço. O coração da mulher se viu, inevitavelmente, palpitando com uma alegria que só os apaixonados entendem. Quis se achegar a ele. Sentir o seu calor e a textura dos seus lábios na sua pele.
Resistiu ao impulso de acordá-lo. Levantou-se e foi até a pequena varanda, permitindo com que o sol aquecesse a sua pele e o cheiro do mar atingisse as suas narinas. Sentou-se no banco acolchoado e se permitiu sentir a presença do Espírito Santo e a conversar com o Pai.
Quando ele acordou, foi a primeira coisa que viu. Sua esposa. A mulher que despertou a paixão e depois o amor no coração dele, com a cabeça abaixada e os olhos fechados. Sentiu que esse era um dos momentos inesquecíveis da vida. Não lutou contra a lágrima solitária de gratidão que desceu por seu rosto. Ela terminou e olhou pra trás, buscando saber se seu marido estava acordado. Eles trocaram olhares por um breve momento, quando um sorriso brotou em cada um. Ela voltou para o conforto da cama e dos braços do homem que prometeu aliança pra sempre.
Ninguém falou nada por um tempo, mas sentiam um ao outro. As mãos tocavam as mãos, a pele, o cabelo. Beijos eram depositados na bochecha, no pescoço, nos lábios. Começaram então a entrar numa conversa tão sincronizada que qualquer um poderia achar que se conheciam por uma vida inteira. As gargalhadas enchiam o quarto e a paz complementava o êxtase. Eles eram a paixão da vida um do outro, mas Jesus era sua paixão em comum, então esse Nome enchia o quarto. E era adorado e glorificado por todo o favor imerecido que receberam.
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