Agulha

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Esse drabble está mais relacionado ao caminho que Arya AINDA ESTÁ trilhando nos livros do que o rumo já estabelecido na série. Mas esse momento específico, acho que pode ser entendido tanto por leitores quanto pelos seriadores.

A garota olhava pr’aquele objeto tão adorado e não conseguia se desfazer dele. Precisava, ela sabia, se quisesse se unir aos Sem Face e sobreviver. Mas não podia. Não queria.

Porque não era a espada. Era o último pedaço de sua Casa. Lembrança de todas as travessuras da curta infância. Era a eterna implicância com a irmã mais velha. A voz dura e afetuosa da mãe. O sorriso do pai quando desistiu de tentar fazê-la “uma dama”. Era os olhos castanhos iguais aos seus que nunca se importaram com isso, que sempre a amaram e a compreenderam mais do que qualquer outro. Era o fio de esperança que ainda a movia a acreditar que um dia os reencontrariam.

Abrir mão de Agulha seria desistir de um dia voltar pra casa. Pra Winterfell, pro Norte. Pra Jon. Das paredes do palácio gélido ela facilmente abriria mão. Da neve e do frio, das matas fechadas, da vida de ‘lady’, não sentia falta. Mas do abraço do irmão, que nunca foi “bastardo” em seu coração, ela não conseguia esquecer. Seu sorriso aberto, o que mais sentia saudades.

Jon que sempre estava lá pra ela. Que a guiava, aconselhava e consolava. Que a ensinou a cavalgar e atirar com arco e flechas enquanto todos os outros insistiam em lhe obrigar a aprender a costurar vestidos e fazer penteados. O único que como ela, herdou os cabelos escuros do pai, o jeito rústico do Norte e o amor pelas coisas simples.

Aquele que a ensinou a ser resiliente pelo exemplo ao se mostrar sempre disposto a enfrentar o mundo de cabeça erguida; fosse no olhar da madrasta que o desprezava, fosse na batalha. A determinação – ou teimosia, pra alguns — veio dele também. Os sorrisos mais sinceros e momentos mais saudosos... Todos ele. Da espada, do passado, de Arya Stark ela se livraria sem pensar duas vezes. Mas nunca de Jon e por isso, naquele instante, olhando aquele simples objeto, que já ficava até pequeno em suas mãos que cresciam junto com ela, ela não conseguia jogar na água.

Então a embrulhou e guardou num cantinho que ninguém jamais encontraria. Um local que só ela poderia acessar.Guardada pros momentos em que ela mais precisaria de força, ou conforto, ou esperança. Assim como as lembranças do irmão, guardadas nos cantos mais profundos e especiais de sua mente.

Notas finais
Se você chegou até aqui, deixa aquele 'oi' nos comentários. ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!