Agridoce
1 ★ Do outono.
Notas iniciais
Era o primeiro dia em que Sakura pretendia levar sua filha, Sarada, para tomar um ar fresco. Julgou que o doce bebê já poderia passar uma maior quantidade de tempo fora de casa, melhor ainda para conhecer e se acostumar a ambientes novos. E assim ela saiu, carregando a filha que olhava para tudo curiosa e com certa desconfiança. Não que fosse possível ler emoções de bebês, mas às vezes podia inferir o que eles estavam sentindo.
Tomando a brisa de outono, Sakura se dirigiu a um banco qualquer numa pracinha. Acomodou a filha em seu colo, e brincou um pouco com ela, observando a carinha contrair em expressões dignas do pai da criança. Às vezes a mãe achava que Sarada era uma cópia fiel de Sasuke.
Riu com o pensamento imaginando ambos, pai e filha, agindo de forma igual ou falando as mesmas coisas concomitantemente. Seria curioso quando a garotinha crescesse. O temperamento dela penderia mais para o lado de qual dos pais?
Distraída, Sakura mal percebeu que alguém a chamava de longe, só percebendo depois de algum tempo. Desviou seu olhar da filha e logo percebeu se tratar de Hinata, com o pequeno Boruto em suas mãos. Ela sorria enquanto se aproximava, pedindo uma permissão silenciosa para sentar-se ao lado de Sakura. E assim o fez, naquele clima agradável. Logo as duas começaram a jogar conversa fora. Não costumavam ser muito próximas, mas depois de cada uma dar a luz a seus filhos, sentiam-se como se entendessem uma a outra. Sentimentos de mães de primeira viagem, em suma.
Boruto, que até então estava adormecido, abriu seus pequenos olhinhos já tão similares aos do pai. Olhou para sua mãe e então para a mulher de cabelos rosa com quem Hinata conversava, logo a identificando como estranha. Ou como qualquer coisa típica para um bebê.
Depois, os olhinhos ainda sonolentos estacionaram em Sarada. Observou a menina por longos segundos, o suficiente para que ambas as mães percebessem.
— Olha só esses dois! — Sakura riu baixinho, observando Sarada, já com as feições comuns a Sasuke, estender uma mão em direção a Boruto.
Hinata riu também, observando seu filho inclinar-se na direção da filha de Sakura. Ele parecia sorrir, e pareceu estar preses a gargalhar quando sua mão foi de encontro à perna de Sarada, num tapa falso.
Ah, bebês. Sempre tão agradáveis com seus semelhantes.
Sarada começou a grunhir na linguagem específica de bebês — como se estivesse tendo uma discussão séria com o garotinho —, enquanto Boruto parecia rir da cara dela.
A impressão que ficara era que os dois iriam se dar muito bem no futuro, Sakura pensou. Imaginou como seria essa futura dor de cabeça.
Hinata achou aquilo divertido, como toda coisa de criança. Por fim, as mães comentaram a pequena cena e riram.
Mal pensavam em como seria no futuro. Porque se as duas crianças já eram tão parecidas com os pais fisicamente, quem diria se também no gênio? Seria muito duro para elas lidar com isso.
Por ora, divertiam-se enquanto conversavam casualmente. Era melhor que aproveitassem enquanto os filhos estivessem assim, pequenininhos.
Tinham que apreciar muito a calmaria antes que a tempestade chegasse.
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