Agridoce
3 Ponto vital
Notas iniciais
AGRIDOCE
Escrita por Coffee
Que tem em simultâneo sabor amargo e doce ou ácido e doce
3. Ponto vital
Era tarde, e era também o dia de folga de Shizune, por esse motivo ela estava em um plantão há praticamente 24 horas. Suas pálpebras fechavam, e ela queria muito beber outra coisa que não fosse café.
Mas lá estava ela, sentada na praça de alimentação vazia do hospital, porque até a atendente havia ido dormir (e ela não). Então se contentou em sentar na cadeira, com uma mão no rosto e tomar mais café.
A sua mente – ou a parte dela que não estava fadigada – repetia vezes e vezes seguidas as imagens dos dias anteriores. De seus... encontros com Sasuke. O ex-ainda-sempre amor de sua vida.
Sua mente – a traidora — parecia dar mais atenção aos pontos desfavoráveis deles, e então lembrava somente de pontos vergonhosos, como ela errando a boca na hora de comer ou o macarrão que escorreu em seu queixo, ou quando ela perdia o controle com as palavras e gaguejava.
De todo modo ela se sentia insegura. Não importa o quanto Sasuke falasse que estava tudo bem, ou o quanto ele pedisse para que ela relaxasse, ela se sentia envergonhada, e a todo segundo pensava o quão ridícula ele podia estar a achando nesse momento.
Ela o imaginada sentado no sofá, comendo um prato de tomates, e rindo das cenas ridículas das quais ela foi protagonista na frente dele.
Sasuke não ria. Ela se lembrou. E então mudou a cena em sua mente, — essa era ainda mais assustadora – porque Sasuke olhava para o nada – vendo as cenas em sua mente também – e balançava a cabeça negativamente achando-a patética.
Como ela pode durante toda a sua infância, sonhar com ele a beijando, e eles andando por aí de mãos dadas se ela nem ao menos conseguia falar mais de duas frases coerentes perto dele?
Relaxe.
Ela lembrou a si mesma. De todo modo não deveria ser tão ruim, afinal após o primeiro encontro eles já haviam saído em um segundo, mas ela não sabia se teria um terceiro.
Foi aí que ela sentiu o chakra, e isso quase a fez cair para trás. Ela engasgou com o pouco de café – ou talvez fosse só saliva – que estava em sua boca.
Tentando – realmente tentando – parar de tossir, ela o olhou.
Em frente à mesa dela, na praça de alimentação vazia, olhando-a com a cabeça levemente inclinada, como se ela fosse uma espécie de animal novo que precisava de estudos.
Se ela se afundasse na cadeira, talvez, ele achasse que ela tinha sumido e iria embora.
Calma... É só Sasuke... Você pode lidar com isso.
Talvez, se eu acertar um ponto vital, ou um ponto que o faça dormir...
Não. Calma. Você. Pode. Lidar. Com. Isso.
Já havia passado por coisas piores não?
Não...
Nem a lâmina de Sasori parecia ser sequer capaz de competir com aquilo.
— Sasuke!
Ela finalmente disse, após uma séria luta interna.
Depois de um tempo em silêncio que se tocou o lugar onde estavam.
— Está machucado?
Levantou-se tão de pressa que a cadeira tombou para trás. Não se importou.
— Onde? O que aconteceu?
Ela rodeou em volta dele, com seu olho clinico, tentando encontrar o ferimento, o motivo para que ele estivesse ali tão tarde.
— Não estou machucado, Sakura.
Ele disse, depois que provavelmente se divertiu com ela rodando em volta dele.
No fim ela apenas deixou os ombros caírem, desolada.
Quanto menos patética eu tento parecer mais eu fico...
— Passei na sua casa, mas você não estava lá.
Então eu vim aqui.
Ela deduziu que fosse o resto da frase, porque Sasuke parecia ter – desde pequeno – preguiça com as palavras.
— Oh!
Fale algo, idiota.
— Quer um café? A atendente foi dormir, mas eu posso pegar um para você. Eu sei como pegar café na maquina, ela me ensinou um dia desses, porque eu sempre fico aqui até mais tarde. Shizune está de folga, por isso estou fazendo o turno dela, e quer o seu café sem açúcar? Ou talvez com uma colher, ou talvez com duas? Quem sabe três?
Cale a boca, idiota.
Ela riu sem graça e sem humor, amarelo.
Virando as costas e indo para trás do balcão pegar o café, antes que ela falasse mais coisas desconexas e desesperadas, porque ela sempre falava muito quando estava nervosa.
Quando o café estava quase pronto, ela ouviu.
— Sem açúcar.
Ela quis comentar que talvez ele precisasse sair dessa amargura, mas achou que se abrisse a boca não conseguiria fechá-la mais, por isso permaneceu quieta.
Andou até a mesa em que estava, colocando a xícara dele em frente a outra cadeira, e levantando sua cadeira caída, sentou-se.
Ele sentou na cadeira em sua frente, bebeu um ou dois goles de café, e depois a olhou, mas não comentou se estava bom ou ruim.
Beberam o café – ela o resto – em silêncio. Quando ela abriu a boca para falar qualquer coisa – provavelmente algo estúpido – porque ela não aguentava mais aquele silêncio, duas enfermeiras que também estavam de plantão entraram na cafeteria rindo alto.
As duas pararam, com a boca aberta, quando viram os dois sentados lá. A expressão delas era como se eles estivessem se agarrando no meio da cafeteria, embora nem ao menos estivessem conversando.
— Sakura-sama, nós viemos tomar um café, pensamos que não tinha ninguém e-
— Está tudo bem.
Ela olhou para Sasuke e ele parecia tão desconfortável quanto ela.
Era algo estranho ver o grande Uchiha desconfortável, embora ele não se retorcesse nem encolhesse os ombros como ela.
— Sasuke está machucado, estávamos acabando o café antes de ir curá-lo.
Ela se levantou, deixando as duas xícaras ali mesmo, e viu-o fazer o mesmo.
— Fiquem à vontade.
Observou-as acenarem positivamente.
Eles viraram em cinco, talvez seis corredores até chegarem a sua sala.
— Aqui teremos mais privacidade.
Disse, e só depois notou o quão... Erótico soara aquela frase.
— Quer... Dizer... Sem... Elas...
COOOOOOOOMO?
OI?
Balançou a cabeça negativamente, desistindo de tentar consertar as coisas.
Sinto muito Sasuke, mas se for gostar de mim, infelizmente vai ter que gostar de mim assim mesmo.
Encostou a porta, vendo-o observar sua sala, embora ele já tivesse estado ali outras vezes enquanto o curava.
Colocou as mãos dentro do jaleco branco, porque não sabia o que fazer com elas.
Ele deu dois passos em sua direção. E ela resistiu à vontade de dar alguns para trás. Não porque não queria ficar perto dele, mas sim porque a insegurança gritava que não era seguro.
Sasuke pousou a única mão entre seu quadril e sua cintura, firme, como se soubesse da sua vontade de se afastar. Ele deu mais dois pequenos passos, não diminuindo a pressão da mão.
E assim eles ficaram cara a cara.
Pernas não me traiam, não vão falhar agora.
Não ousem dobrar agora.
A mão dele deixou sua cintura, e ela quase reclamou porque de um modo estranho era bom tê-la ali, consigo.
Decida, ou quer aproximação, ou não quer.
Sua mente, aquela mesma, a traidora, gritou.
Excedendo suas expectativas a mão dele entrou por de baixo de seus cabelos, fixando-se em seu pescoço e puxando rapidamente seu rosto em direção ao dele.
Quando suas bocas se encaixaram – um pouco incertas – ela pensou ter sentido a mão dele tremer em sua nuca, mas por falta de evidencias não soube se era somente um delírio.
Seus lábios se acariciaram, e no momento que abriu a boca para que ele fosse mais fundo, tirou as mãos do jaleco, colocando-as no que ela pensou ser o ombro dele, mas errando a conta, e acertando os cabelos dele.
Ele pareceu não se importar, e ela tentou concertar sua gafe – já dava para montar um livro com todas elas (AS 9.826 GAFES DA PATÉTICA HARUNO SAKURA TENTANDO ARRUMAR UM NAMORADO) – massageou os cabelos negros, descendo a mão esquerda para os ombros, e deixando a direita brincar com os fios escuros. Perfeito.
Devia ganhar um prêmio de melhor disfarce.
COMO CONSERTAR SUAS GAFES, OU TERMINAR SEM UM NAMORADO – Seria o nome do volume II.
De todo modo ele pareceu alheio a tudo aquilo, e continuou a beijando, parando somente para que eles tomassem ar e iniciassem mais uma vez. Em algum momento ela notou que eles estavam com os corpos colados – praticamente se fundindo – e que a mão dele estava dentro do seu jaleco, em suas costas, no espaço entre sua calça e sua blusa.
Ela terminou o beijo, de repente, confusa demais. Mas ele apenas subiu um pouco a mão, embora não estivesse nem de perto próximo de algum lugar proibido ou embaraçoso. Estava somente no inicio das suas costas, mas mesmo assim ela tentava lembrar que calcinha e que sutiã ela estava usando.
O conjunto preto? Bege não, bege não.
Ela se alto implorava como se aquilo fosse mudar a cor de suas roupas.
Não conseguindo mais se concentrar em mais nada, nem no beijo que ele parecia querer reatar, ela apenas jogou sua cabeça no peito dele, derrotada.
— Eu realmente não posso fazer isso.
Falou, um tempo depois.
— Isso o que Sakura?
Olhou-o abismada. Sério que ele a faria dizer... A palavra?
— Oh!
Ele pareceu entender. E balançou a cabeça negativamente.
Depois ele soltou o que lhe pareceu uma risada pelo nariz, e se afastou.
— Eu realmente preciso relaxar não é?
Perguntou, após ver a expressão dele.
Sasuke acenou positivamente com a cabeça, e ouviram passos de pessoas de aproximando. Alguém bateu duas vezes na porta.
— Sakura-sama, um paciente.
Uma das enfermeiras chamou.
Ela procurou Sasuke para perguntar o que fariam, mas ele já havia sumido pela janela.
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