Agridoce
13 Nosso sol
Notas iniciais
AGRIDOCE
Escrita por Coffee
Que tem em simultâneo sabor amargo e doce ou ácido e doce
13. Nosso sol
Demoraram três dias para tentar novamente.
Tentar aquilo.
Sasuke sentia-se ansioso, nervoso e com medo.
Ele engolia em seco quando se lembrava da primeira vez.
Tinha sido... Estranho?
Bom, havia sido diferente de tudo que imaginava, mas ele tinha sentido muito — muito — prazer, embora não pudesse dizer o mesmo de Sakura.
Estar dentro dela era (oh) muito (muito) prazeroso.
Quente, úmido, apertado e desesperador.
Controlou-se o máximo que pode, tentou ser paciente, e tentou dar prazer a ela, embora não soubesse se tinha funcionado. Não tinha nenhuma experiência naquilo, mas ainda sabia que o prazer para as mulheres era diferente do que para os homens.
Era necessário mais calma, mais empenho, mais atenção.
E ele queria tê-lo feito mais, mas se sentia tão perdido, tão incerto, tão inseguro.
Ela não tinha reclamado, tinha até mesmo feito uma piada (embaraçosa) quando terminaram, mas ele sabia e sentia que não tinha a satisfeito completamente, tinha sido rápido demais e inexperiente demais.
No outro dia acordaram lado a lado, com bochechas coradas e sorrisos fugazes.
Não tocaram no assunto. Ela serviu o café da manhã, ele lavou a louça, ela foi para o hospital, ele treinar e os demais dias se passaram assim.
Com alguns beijos, algumas carícias e até mesmo um amasso no sofá, mas nenhum deles teve coragem de levar aquilo adiante.
Precisavam de um tempo para digerir o que tinha acontecido.
Mas ele ainda se sentia quente a cada lembrança.
Droga.
Ele não sabia como satisfazê-la por completo e sentia-se diminuído por isso. O que poderia fazer? Procurar Kakashi ou até mesmo Naruto estava fora de questão. Precisariam resolver aquilo juntos.
Em algum momento.
Foi somente no quarto dia, depois de um dia cansativo para ela no hospital e de uma missão simples para ele, que eles se encontraram no quarto.
Ela saiu do banheiro com um lingerie.
Preto.
Pequeno.
Rendado.
Ela cheirava a hidratante e tinha os cabelos molhados.
Parecia extremamente envergonhada, e estar em um conflito consigo mesma.
Ela coçou a garganta.
— Será que devemos... — Coçou a garganta novamente — Tentar de novo?
Com esse lingerie...
No desespero do início ele não tinha a observado corretamente.
Parecia extremamente mais bonita agora. O corpo curvilíneo e feminino, os seios proporcionais, a pele sedosa.
Ele levantou-se, ansioso por tocar.
Queria aprender mais, enredar-se por aquele corpo, afogar-se nele.
Foi o que fez.
E ela o ajudou.
Com as bochechas coradas, e os olhos em chamas, ela o ajudou a tocá-la, ensinando sobre como e com que intensidade, e o que ele devia fazer para dá-la prazer.
Ele tinha até mesmo posto a boca lá.
Foi uma sensação incrível. Os gemidos de prazer que ela soltou para ele, por ele.
Ainda foi um pouco confuso e embaraçoso, um pouco desconfortável, mas definitivamente muito melhor que a primeira vez.
Sakura tinha razão, eles podiam ficar extremamente bons naquilo.
Ele estava, estranhamente, gostando da convivência. Dos dias que passavam juntos. Por passar muito tempo sozinho, ele pensou que as primeiras semanas seriam difíceis. Sofridas. Mas não, ele pegou-se gostando.
Descobrir as manias de Sakura, o modo como ela se espreguiçava quando acordava, o modo como enfileirava suas roupas por cor e o modo como sorria para si própria quando comia algo muito gostoso.
Seu coração parecia contente com cada nova descoberta.
Parecia, de certo modo, aquecido.
Aos domingos eles costumavam almoçar com os pais dela. Eram almoços embaraçosos no começo, mas que, com o tempo ele passou a gostar. Sentia que eles, a cada dia, o aceitavam mais como parte da família. E ela se sentia acolhido.
Tinha até mesmo rido pelo nariz de duas ou três piadas do pai de Sakura (o que contou muitos pontos em seu favor).
Toda quarta-feira eles jantavam com o time sete, no Ichiraku ou até mesmo na casa de algum dos membros. Os primeiros jantares depois do casamento foram um desastre total, porque Naruto sempre contava uma piadinha infame sobre o porquê deles não terem viajado em lua de mel e até mesmo entrava em assuntos íntimos demais.
E então ele acabava arrastando Sakura para casa, longe dos impropérios do Uzumaki.
Mas tudo era melhor e mais confortável do que ele um dia sequer sonhou imaginar. Eles se entendiam do jeito deles, se amavam do jeito deles e se acostumavam com a rotina do jeito deles.
Aquele sentimento quente no peito, a vontade de estar junto com a outra pessoa...
Isso é amor?
E essa calmaria, essa contemplação, essa leveza inexplicável...
Isso é felicidade?
Ele sabia que sim, e estava adorando desnudá-los.
♥
— Você acha que ele vai gostar?
Ela olhou para Ino. Não fazia ideia do que a loira falava.
A Yamanaka percebeu.
— Onde diabos você está com a cabeça?
— Desculpe, estava distraída.
Pensando nos últimos acontecimentos.
—Aposto que está pensando em Sasuke. E se vocês não fossem tão puritanos, eu diria que está pensando em besteira.
Antes que pudesse se controlar, murmurou baixinho:
— Acho que não somos tão puritanos assim...
A loira gritou tão alto que três enfermeiras se viraram para olhá-las.
— O quê? Você vai ter que me contar tudo!
Fechou os olhos e contou até três.
— Desculpe porca, — Sorriu — meu plantão acaba agora mesmo.
— Sakura! Volte aqui!
Ela andou até o corredor, procurando ficar o mais distante possível da amiga.
Conseguiu, entrou na sua sala e fechou a porta.
Mordeu o lábio inferior.
Estava tão feliz.
Tinha imaginado muito uma vida com Sasuke, de todas as maneiras, mas nenhuma imaginação fazia jus à realidade. Fazia sete meses que estavam juntos, e cada dia era uma descoberta, um aprendizado, um dia novo para viverem juntos.
Ela segurou um papel na mão, observando-o com os olhos clínicos e depois resolveu que era hora de ir para casa. Colocou tudo na bolsa e partiu.
Quando chegou a casa, Sasuke estava lá.
Ela o cumprimentou com um beijo suave e partiu para o andar de cima. Tomou um banho quente e, quando chegou ao andar de baixo, sentiu o cheiro da comida.
Eles costumavam se revezar com os afazeres de casa, e com o preparo das refeições também. Sasuke era um bom cozinheiro, mas sabia apenas cerca de quatro tipos de pratos e todos eles incluíam tomates como ingrediente principal.
Ainda sim, ela gostava.
Sentaram-se e comeram trocando algumas palavras vez ou outra. Ela sentia-se ansiosa, e não foi imediatamente lavar a louça quando acabaram.
Andou até a sala, pegando a bolsa do aparador perto da porta.
— Tá querendo se livrar da louça?
Sasuke falou da cozinha, era raro ele falar algo como aquilo, em tom de brincadeira, mas esses momentos estavam ficando cada vez mais comuns depois que se casaram.
“Você o contagia com a sua alegria, Sakura-chan”.
Foi o que Naruto comentou quando até ele percebeu uma sutil diferença no amigo.
— Não, só quero te mostrar uma coisa.
O marido apareceu no batente da porta da cozinha, curioso.
Ela estendeu a folha para ele e esperou três segundos até perceber que os olhos negros tinham parado de se movimentar pela folha.
— Isso é sério?
Ele a olhou perplexo. Ela pensou ter visto a folha tremer na mão do Uchiha.
— Acho que levamos muito a sério as tentativas de ficarmos bons. E ficamos até demais.
Mordeu o lábio em expectativa. Ele ainda repassou o olhar na folha três ou quatro vezes antes de encará-la novamente.
Parecia petrificado.
— Parabéns, papai.
Foi tudo que ela conseguiu dizer antes de deixar as lágrimas que estava segurando finalmente caírem.
Ele andou até ela sem dizer uma palavra. Passou o único braço pela sua cintura e a puxou para um abraço. A médica passou os braços ao redor dos seus ombros, e eles permaneceram assim, nos braços um do outro, paralisados e em silêncio por muitos minutos.
Vamos ter um bebê.
Vamos ter um bebê.
Ela repetia como forma de acreditar que estava realmente acontecendo.
Nós vamos ter um bebê.
♥
— E eu achando o teme inocente! Foi logo restaurar o clã Uchiha!
Naruto gritou tão alto que ele agradeceu por estarem na casa dos seus pais e não nas ruas de Konoha.
Olhou para sofá.
Os pais de Sakura estavam sentados feito múmias. Não tinham falado nada, nem se movido desde que deram a notícia. Já os amigos eram uma confusão de espanto, comemoração e surpresa.
— Mamãe, papai? Está tudo bem?
Sakura perguntou preocupada ao seu lado. Ainda não dava para ver que estava grávida pelo menos não com roupa. Quando descobriu tinha apenas algumas semanas, e eles esperaram até que ela completasse três meses para contar para a família e amigos.
Sua sogra deixou que as lágrimas pingassem. E seu sogro também.
Os dois começaram a chorar, e Sakura andou até eles desesperada.
— Mamãe, papai, porq—
Eles se levantaram, puxando a filha para um abraço.
— Vamos ter um neto.
— Venha aqui, Sasuke!
Seu sogro gritou, o agarrando pelo ombro e o puxando para o abraço.
Ainda desconfortável, ele se deixou relaxar.
— Vamos ter um neto!
Foi tudo que disseram. O resto do almoço foi assim. Cheio de lágrimas de alegria, parabenizações e felicidade.
Ele ainda não estava totalmente acostumado com o sentimento, e a cada vez que ele o abatia, sentia-se zonzo.
Ainda mais agora.
Vou ser pai.
Vou ser pai.
Ele conseguiria? Um homem como ele? Conseguiria cuidar de um bebê? Criá-lo? Ensiná-lo tudo que precisa ser ensinado a um bebê?
Olhou para o seu lado, onde Sakura se despedia dos amigos e também dos pais.
Sim, eu vou conseguir.
Com Sakura ao lado dele, ele sabia que conseguiria.
Obrigado Sakura, por me fazer uma pessoa melhor.
Por ter lutado tanto para me tirar daquele ciclo de ódio e escuridão.
Por me dar novamente uma família.
Por ter me feito homem.
Por ter me feito pai.
Obrigado.
♥
Ela gritou de dor.
— Vamos, estamos quase lá.
— Você disse isso há seis horas shishou!
Tsunade revirou os olhos e voltou a olhar para baixo.
Fez força novamente.
— Eu não consigo, eu não...
Estava começando a desesperar-se. Mesmo sendo médica, e mesmo já tendo feito inúmeros partos e sabendo que eles eram demorados, ela começava a pensar em todas as possibilidades ruins do que poderia acontecer.
Encontrava-se exausta, suada e irritadiça.
— Eu não vou conseguir.
Duas lágrimas desceram, mas antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, uma mão segurou a sua.
Ela tinha esquecido que Sasuke estava ali, de tão silencioso que ele havia ficado nas últimas horas, fazendo apenas o que Tsunade mandava: trazer água, trazer comida e informar as horas.
A mão dele segurou a sua e a apertou.
Você consegue.
Parecia dizer.
Mais uma dúzia de lágrimas pingaram.
— Vamos tentar novamente Sakura, a dilatação é total.
Ela tentou, um grito rouco escapando da sua garganta.
Apertou com força a mão do marido, e apesar da careta de dor ele não reclamou.
— De novo.
Outro grito.
Mais suor.
— De novo.
— De novo.
— De novo.
Ela já se sentia zonza, as forças praticamente esvaídas.
— De novo. Está quase.
Mais um apertão, mais uma careta.
E um choro.
Sakura tinha se sentido mãe desde que sua menstruação atrasou. Era um sentimento gostoso, gigante, que a tomava por inteiro. Ela conversava com a sua barriga, atenta a cada mudança no seu corpo todos os dias. Passava a mão sobre o ventre, como se acariciasse a vida que crescia dentro dela.
Mas ao ouvir o choro. O choro do seu bebê tudo pareceu mudar.
O sentimento a inundou.
Eu sou mãe.
A partir de hoje minha vida vai mudar para sempre.
Eu sou mãe.
— É uma menina!
Tsunade anunciou, enquanto limpava a criança e a enrolava em uma das mantas especialmente preparadas para esse momento.
Sasuke olhava tudo petrificado. Os olhos arregalados, a mão tremula.
Ele observou a mais velha andar até eles, e depositar o pequeno rolinho nos braços dela.
— É Sarada, Sasuke-kun. A nossa Sarada.
As lágrimas pingaram, assim que ela viu o rostinho pequeno, o tufo de cabelos negros, os olhos levemente abertos, mas desfocados.
— É uma menininha. A nossa menininha.
Ela olhou para o marido em expectativa, e se surpreendeu.
Sasuke está chorando.
Sasuke está chorando.
Três ou quatro lágrimas pingaram do rosto dele, antes que ele se aproximasse mais, e com a mão tremula, tocasse o pequeno embrulho que ela segurava.
— Sarada.
Ele disse suave, eles se olharam, e sorriram.
— A nossa Sarada.
O Uchiha acenou positivamente, limpando as últimas lágrimas com a mão.
— Preciso fazer alguns exames e limpar ela melhor.
Tsunade disse, parecia envergonhada de quebrar o momento.
Mesmo não querendo tirar o bebê de perto de si ela entregou-a para a médica.
— Obrigada shishou. Obrigada por me ajudar a trazer Sarada ao mundo.
A sua mestra piscou para ela, emocionada.
— Sempre que precisar.
♥
Os primeiros dias foram de confusão.
Todos queriam ver Sarada. Sua casa foi tomada por um entre e sai continuo e choros de emoção. De Naruto, dos pais de Sakura e até mesmo de Ino.
Era somente a noite que eles tinham tempo para ficar a sós com ela.
Mas ainda sim, estava feliz.
Descobrir-se pai foi uma das maiores transformações da sua vida.
Algo tinha mudado dentro dele. Um sentimento forte de proteção, cuidado, amor.
Faria o que fosse necessário para manter aquele pequeno serzinho a salvo.
Ele e Sakura a protegeriam com as suas vidas.
E foi exatamente isso que ele lhe sussurrou em uma noite fria enquanto Sakura tomava banho.
— Vamos cuidar de você pequena. Sempre.
♥
Aqueles momentos eram raros. Sasuke passava muito tempo longe em missão, e ela sofria com essa distância. Ainda sim, tentava manter-se inteira e sorrindo para a filha. Mas naquele momento em especial Sasuke estava ali, com elas.
Sarada sorriu para o pai. Dois dentes da frente ainda não tinham crescido fazendo o sorriso parecer ainda mais infantil, único e maravilhoso.
— Venha, Sarada.
Ele repetiu, estendendo a mão para a filha.
A Uchiha sorriu e tentou ficar em pé, apoiando-se no sofá, mas caiu novamente, rindo.
— Você está mimando ela.
— Mimando? Eu não estou fazendo nada.
— Está mimando ela com esse sorriso.
Esse sorriso maravilhoso.
Sasuke ergueu uma sobrancelha.
— Está com ciúmes?
Gargalhou.
— Talvez. Sarada, você não acha que seu pai sorri muito para você? Ainda mais ele, que odeia sorrir.
A pequena olhou para ela em expectativa.
— Bom, acho que você merece cada sorriso, por isso vou deixar que continue.
Andou até a filha, pegando- a no colo.
Era uma sensação incrível ter o corpinho quente entre os seus braços.
Colocou-a novamente no chão, ajudando-a a apoiar os pequenos pés no chão.
Ela deu um passo incerto antes de cair novamente.
Antes que pudesse levantá-la Sasuke estava do outro lado.
Ele segurou a mãozinha pequena entre a sua enorme.
E eles ajudaram que Sarada desse os primeiros passinhos incertos.
Os primeiros de muitos.
Sarada, terá um dia que não vamos mais poder proteger os seus passos. Mas nós vamos ensiná-la a se proteger. Nós vamos te ensinar a ser uma mulher forte.
Mas, por enquanto, vamos apenas te ensinar a andar.
Sarada pareceu entender como se equilibrava, e ela soltou a pequena mãozinha deixando que apenas Sasuke caminhasse com ela pela sala.
A mais nova soltou um gritinho feliz e uma risada desdentada.
Até tentou correr, mas caiu de novo.
Rindo.
Valeu a pena.
Tudo.
Todo o sofrimento, toda luta, toda vergonha, toda descoberta.
Valeu a pena.
Muito.
E eu faria tudo novamente: todos os encontros, os impropérios de Naruto, Sai e Kakashi-sensei. E até mesmo de Ino. A vontade de vomitar, as pernas trêmulas, o nervoso.
Eu passaria por tudo de novo.
A dor de ter Sasuke longe.
A luta para trazê-lo de volta.
Tudo.
Só para ter você aqui conosco, Sarada.
Você é o nosso sol.
Você é o nosso bebê.
E está ensinando muito mais a nós do que nós vamos te ensinar.
Seu pai pode estar constantemente longe, mas ele te ama como nunca o vi amar ninguém (talvez um pouquinho a mim).
E eu te amo. Tanto que esse amor não cabe em mim.
Obrigada Sarada. Por nos tornar pais.
Por me fazer companhia quando seu pai está fora.
Por ter feito tudo valido a pena.
Obrigada por nos guiar.
Obrigada.

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