Agridoce

8 Um pouco mais abaixo


Notas iniciais
Yo... Me desculpem pela longa demora. Eu devia ter avisado, mas meu tempo simplesmente evaporou. Nunca imaginei que faculdade nos deixasse tão atarefados... Wow, é uma loucura!
Enfim, iniciei a faculdade na semana retrasada, e como pude ver, fiquei em off por um tempo e atrasei a fanfic... Isso não vai mais acontecer. Vou me esforçar para postar todos os fins de semana, sendo que serao dois ou tres capitulos no mesmo.
A fic esta em uma fase de transição, e em minha cabeça esta fervilhando uma ideia muito inusitada em relaçao ao destino da nossa querida Hime, é está tenso... A coisa vai ficar Dark, muito dark.
Enfim... Boa leitura!
E mais uma vez me desculpem pela demora.

Você diz que sempre mantém sua palavra
Mostre-me do que você está atrás
Eu pensei que você tinha me prometido o mundo
Diga-me do que você está atrás
Não quero levar longe demais
Porque aqui estamos, esperando mais uma vez
Você diz que sempre mantém sua palavra
Mostre-me do que você está atrás

Nunca foi bom o bastante pra mim
Mostre-me do que você está atrás
Apenas um pouquinho mais rápido

As horas se arrastavam lenta e dolorosamente para certa ruiva. Os fatos recentes mistos aos sentimentos confusos que inundavam sua mente e coração deixavam-na em um estado de torpor. Primeiro a violação por parte de Ulquiorra, e depois a proposta devassa de Grimmjow. Orihime queria se matar naquele momento.

Afastou os pensamentos negativos e obscuros que pairavam ao redor de sua mente e abriu os olhos, sentando-se na cama, precisa pensar com cautela. Passou a analisar os acontecimentos meticulosamente.

"Ulquiorra... Ele disse que me marcaria de uma maneira que eu jamais esqueceria. Ponto para ele, conseguiu.

Concentra Orihime, concentra.

Porque ele fez aquilo?

De acordo com o próprio foi para me castigar, para fazer com que eu o temesse... Mas mesmo assim, eu não tenho medo dele.

A questão é que... Ele não foi cruel, eu vi algo desconhecido em seus olhos no momento em que ele me possuiu, era como se ele estivesse tentando me agradar, como se aquilo fosse especial.

Acho que a comida daqui esta me fazendo delirar.

Enfim... Em relação ao Grimmjow. Aquele bastardo!

Ele pensa que sou o que? Uma vadia?!

Está muito enganado se acha que oferecerei meu corpo em troca da existência medíocre de um arrancar... E para piorar, um arrancar que me trata como lixo!

Mas... Eu... Ele vai morrer

Ah Kurosaki-kun, me ajude... O que eu devo fazer?

O que eu devo fazer?

O que eu devo fazer?

O QUE EU DEVO FAZER?!"


O som da porta se destrancando fez Orihime sair de seus devaneios, direcionando o olhar a mesma. Não era Grimmjow.

- Estou entrando – a voz costumeira murmurou e o corpo pálido atravessou a porta – Aqui esta a sua refeição – a criatura murmurou enquanto arrastava o carrinho branco

Sem pronunciar qualquer palavra a ruiva levantou-se da cama e rumou até a cadeira, tomando os talheres em mãos e a bandeja logo em seguida.

- Pelo visto está com fome – a voz manifestou-se recheada de sarcasmo – Ou finalmente se colocou em seu lugar, mulher?

Os orbes azulados se levantaram e confrontaram os verdes profundos do arrancar minuciosamente por longos segundos. Ulquiorra não desgrudou os olhos da face inexpressiva da mulher, esperava que ela fosse dizer alguma coisa, o que não ocorreu.

- Mulher? – o Quarto inquiriu – Há algo errado?

Os dedos tamborilavam contra a bandeja freneticamente, a mente de Orihime trabalhava em uma velocidade surpreendente, tal como o seu coração. Queria contar toda a verdade a Ulquiorra.

- Ulquiorra – a voz melodiosa murmurou em um sussurro – Existe algo pelo qual você se sacrificaria?

- Que pergunta sem sentido – o homem pálido sibilou – Tem algo que você quer me dizer mulher?

- Não, é que...

- Porque me perguntou isso?

- Ah... É que... Eu estava pensando – a ruiva fazia de tudo para mascarar o nervosismo – Se algo importa para você, digo, se você tem alguma razão para viver

- Servir a Aizen-sama – o Schiffer concluiu mecanicamente

- Além disso – os olhos azuis estavam repletos de curiosidade

- Eu nunca pensei nisso – Ulquiorra sentou-se na cadeira a frente de Inoue – Porque não faz sentido

- É claro que faz sentido! – Orihime bradou exasperada – Ter uma motivação, proteger alguém. Eu sou exemplo disso – um sorriso amargurado despontou na face rosada – Por isso estou aqui nesse lugar

- Você é tola – os orbes esverdeados brilharam maldosamente – E não vai ganhar nada com isso, apenas irá morrer

- Eu...

- Sim... Você irá morrer – a expressão usual moldava as feições do espada – Viu como nada disso faz sentido? Sacrificar a si mesmo por outro, sem ganhar nada em troca. Isso é idiotice, coisa de seres humanos.

- Você não se sacrificaria para salvar alguém? – a voz feminina tremulou

- É claro que não – Ulquiorra concluiu prontamente

- É se essa pessoa fosse morrer?

- Eu não me importo – Ulquiorra desdenhou – Todos são apenas lixo

- Eu também sou lixo?

- Certamente – o espada fixou os orbes verdes na face confusa – Não estava com fome mulher?

- Você vai ficar aqui me vigiando? – os dedos tomaram o talher e os olhos grudaram na face pálida de Ulquiorra

- E se for? – ele a desafiou

- Eu não irei comer – a ruiva concluiu satisfeita e um brilho assassino se instalou na face do espada

- E aqui vamos nós de novo – o Quarto sibilou – Parece que está me pedindo para ser castigada novamente

- Ah... Você quer dizer ser violada, não é? – um sorriso sarcástico despontou na face feminina, o que gerou certo desconforto no espada. Aquela expressão não combinava com a personalidade doce da ruiva.

Ulquiorra não disse nada, apenas ficou a mirar a face da mulher a sua frente

- Não vai sair? – Inoue indagou com irritação

- Não

- Então ta – ela largou os talheres e cruzou os braços sobre o peito

- Porque me perguntou se eu me sacrificaria por alguém? – os orbes esverdeados demonstravam uma discreta curiosidade

- Não sei – ela mentiu descaradamente

- Que seja – Ulquiorra mirou um ponto qualquer no teto, desviando o olhar da figura ruiva a sua frente – Coma

- Não enquanto você estiver aqui

- Então irei força-la – o espada levantou-se da cadeira e caminhou até a figura ruiva, que levantou-se e manteve-se parada, encarando-o. Ulquiorra não se moveu.

- Vamos... Não vai me forçar? – Orihime concluiu com desdém, os orbes colados aos do espada, estudando-o – Você não vai me amarrar contra a cadeira e apertar a corda até meus pulsos sangrarem Ulquiorra?

- O que está fazendo mulher? – o arrancar permaneceu parado rente a figura ruiva, que o mirava como um igual

- Não vai me fazer engolir pedaço por pedaço da refeição, com gestos brutos? – a jovem caminhou ao redor do arrancar, sem nunca quebrar o contato visual – Não vai me causar dor?

- Mulher...

- Ou ainda... Não vai me despir a força e corromper a minha inocência no chão de um banheiro de forma animalesca, me tratando como uma vadia? – a voz estava repleta de amargura – Não vai me chamar de lixo e dizer que vai me matar?

- Porque está dizendo essas coisas mulher?

- Porque eu preciso – os orbes azulados estavam repletos de lagrimas – Porque eu não suporto toda essa dor! Mas que diabos... Não adianta, estou sendo tola!

- Sim, está

- E sabe porque Ulquiorra? Porque você não entende nada do que estou dizendo, você é vazio. Um mero arrancar, apenas lixo

- Está transpassando os limites mulher – a voz monótona concluiu – O que pensa que está fazendo?

- Sendo exatamente como você – Orihime aproximou-se de Ulquiorra, que afastou alguns passos – Porque você não tenta ser como eu?

- Porque não tem fundamento

Os dedos da mulher enroscaram-se no pescoço do arrancar, que soltou uma exclamação de surpresa

- Imagine que eu sou capaz de esmagar o seu pescoço... Se eu o ameaçasse e infligisse dor a você, como se sentiria? Ou melhor, o que faria?

- Eu te mataria – o espada concluiu rapidamente

- Não responda, apenas pense

- E se eu te ameaçasse a todo momento, e você estivesse sozinho, desprotegido?

Os orbes verdes continuaram a mirar a face contorcida em amargura, os dedos apertaram levemente a carne pálida do pescoço do Quarto

- E se eu te tocasse sem consentimento, explorasse cada parte do seu corpo contra a sua vontade Ulquiorra... Você iria fazer o que, além de me odiar?

- Eu...

- Você suportaria toda a dor? – os dedos subiram até a face do homem e delinearam as lagrimas eternas, estampadas ali – Você iria chorar ou enlouquecer?

- Mulher, você...

- A única pessoa em que você podia confiar te apunhalou pelas costas. Você sabia que ele era um inimigo desde o inicio – os dedos continuaram a contornar a face do homem – Mas você acreditava nele, e sabe porque Ulquiorra?

O arrancar virou a face na direção contraria, desvencilhando-se do toque sutil da ruiva, que enroscou os dedos na mandíbula do homem e a puxou levemente, fazendo-o mira-la novamente

- Porque você sabia, que por mais que um dia ele fosse te matar – a mulher puxou ar para os pulmões ruidosamente – Enquanto você fosse necessária, ele te protegeria a qualquer custo.

- Aonde pretende chegar mulher?

- Agora eu quero saber... Quem vai protegê-lo dele, se você está sozinha? Porque diferente do que você pensava, ele é um monstro.

- Chega – o espada afastou-se da ruiva e caminhou alguns passos em direção a porta

- E se ele precisasse de você – o homem permaneceu de costas, ouvindo a voz transtornada da mulher – Você o salvaria?

- Coma mulher – o Quarto espada concluiu em um sussurro – Eu volto mais tarde

- Espere... Responda!

Antes que a ruiva pudesse alcançar a porta o espada saiu, deixando-a mais confusa e desesperada do que antes.

Sem mais opções, Orihime sentou-se a mesa e se alimentou, o coração martelando contra o peito velozmente e a duvida assombrando a sua mente.

O corpo tombou na cama e o sono apoderou-se da mulher, estava realmente cansada. Sua mente vagava no universo dos sonhos.


"...Orihime corria pelos amplos corredores de Las Noches, as vestes rasgadas e sujas. A ruiva corria contra o tempo. Em passos longos e desesperados chegou a uma grande porta negra de carvalho, e a empurrou velozmente. Um amplo salão se revelou.

- Você me desobedeceu – a voz majestosa e perigosamente doce ecoava no aposento, em uma melodia cruel – O que devo fazer com você?

Diante do homem havia uma figura ajoelhada ao chão, presa ao mesmo por grossas correntes. Os cabelos negros caiam sobre a face, desgrenhados... Estava ainda mais pálido do que antes, a pele maculada por um liquido viscoso e escarlate. Ulquiorra estava sangrando, o peito estava dilacerado, com um ferimento profundo.

- Eu fiz uma pergunta Ulquiorra! – a voz alterou-se e em um gesto de cabeça o soberano de Las Noches inquiriu a presença da figura que estava atrás de si. Um homem com um riso diabolicamente cruel surgiu das sombras. – Grimmjow...

Com um riso satisfeito o azulado golpeou Ulquiorra com um chute no estomago. O corpo do Quarto caiu estendido no chão.

- Perdoe-me Aizen-sama – a voz tremula se fez ouvir pela primeira vez, Orihime arregalou os olhos, nunca viu o espada tão vulnerável

- Ulquiorra...

Sem hesitar a ruiva correu até o homem caído e o amparou nos braços, Aizen e Grimmjow sorriram.

- Orihime Inoue

- Saia daqui... Mulher – o arrancar murmurou com dificuldade

- Eu irei te curar – fechou os olhos e murmurou a magia, mas nada ocorreu

- Procurando por algo? – Sousuke abriu uma das mãos e mostrou as pequenas presilhas que a jovem ganhara de seu irmão

- Seu...

- Ulquiorra terá o que merece – Grimmjow mensurou – E isso tudo é culpa sua Orihime-chan

- Não...

- É tarde demais, querida

- Grimmjow, sabe o que fazer – Aizen sussurrou e levantou uma das mãos na direção de Inoue, que foi arremessada contra uma das paredes e presa a mesma. O shinigami desapareceu, e o azulado alargou o sorriso

- Isso é por você ser fraco Ulquiorra – Grimmjow desdenhou e tomou a Zampakatou em mãos – Isso é por se importar com aquela mulher. Morra! – a espada cortou o ar velozmente e cravou-se na pele pálida do espada, que urrou de dor

- ULQUIORRA!

- Isso é culpa sua – Grimmjow murmurou antes de deixar o salão – É culpa sua

- Não... – lagrimas tomaram os orbes azulados – Não

E antes de tudo mergulhar em um vórtice negro, a ruiva teve um vislumbre do corpo do Quarto estendido no chão, banhado em sangue. E antes que tudo desaparecesse, viu aqueles olhos verdes desfocados sem vida... Tudo por culpa sua..."


O corpo debateu-se mais uma vez, e subitamente a ruiva sentou-se na cama, os orbes arregalados.

- Foi um pesadelo... Apenas um pesadelo

Antes que pudesse formular qualquer frase, a maçaneta da porta girou, mas a figura que entrou pela mesma não era o arrancar que ela esperava ver.

- Você – a ruiva murmurou repleta de asco

- O seu tempo acabou – o pantera sorriu sarcasticamente, exibindo os longos caninos

- Eu...

- Qual a sua resposta Orihime-chan? – ele caminhou até a beira da cama – Aceitou ou não a minha proposta?

- Eu...

- Você vai deixar Ulquiorra morrer ou não? Eu quero saber.

- Eu já tenho a minha resposta, Grimmjow

Continua...

Notas finais
Yo... estou escrevendo o outro. Daqui a pouco tem mais