Agridoce

2 Perigosamente Perto


Notas iniciais
Hohoho mais um!

Eu tenho certeza que o gosto foi tão doce
Mas nunca foi bom o bastante para mim
Eu mordi a lingua atrás dos dentes
Mas nunca foi bom o bastante pra mim


Assim que Ulquiorra deixou o quarto Orihime desabou em lágrimas. As gotas salgadas deslizavam pela face delicada, maculando o rosto perfeito. As mãos apertaram a barra do vestido em uma vã tentativa de aplacar a dor que sentia naquele momento.



Ainda sentada no chão de pedra se perguntava qual a razão de tudo isso. Inoue não entendia como sua vida havia tomado tal rumo – se tornar uma prisioneira em um mundo espiritual.



Fechou os olhos e suspirou. Isso não poderia continuar, não devia ser usada e muito menos controlada de tal maneira. Limpou a face e mirou a porta trancada... Queria sair daquele lugar o mais rápido possível.



Ainda abalada pelos recentes fatos levantou-se e tornou a mirar a lua eterna de Las Noches. Um sorriso despontou na face da menina.


– Eu não irei desistir – os orbes azulados brilhavam determinados – Meus amigos estão lá fora lutando por mim, eu tenho que resistir!



Em meio a um suspiro dirigiu-se até a mesa de canto e passou a analisar a bandeja trazida pelo espada. A mesma refeição de sempre, acompanhada de um copo de água. Sentou-se na pequena cadeira e tomou o talher em mãos, devia comer se quisesse sair viva dali.



Levou o alimento ainda quente até a boca e mastigou a contragosto, o sabor era... – não havia sabor – a comida de Hueco Mundo era tão vazia e sem graça quanto aquele lugar.



A ruiva largou o talher e deixou a bandeja de lado... Realmente estava sem fome e não iria comer porque havia recebido uma ordem de um mero arrancar. Iria provar que era forte, e que não seria controlada por ninguém.



Orihime levantou-se da pequena cadeira e rumou até a cama, iria tirar um cochilo, afinal, não havia nada para fazer naquele maldito lugar.



Fechou os olhos e as recordações dos bons tempos que vivera ao lado de seus amigos invadiram a sua mente... Se Ichigo não tivesse se tornado um shinigami, Inoue não teria recebido poderes*, e muito menos teria sido raptada pelo arrancar pálido a mando de Aizen-sama.



– Tudo poderia ter sido diferente – murmurou para si mesma enquanto mergulhava no mundo dos sonhos.



Alguns minutos após fechar os olhos a porta do aposento abriu-se em um ruído incomodo... Inoue ignorou, sabia que era Ulquiorra.



– Estou entrando mulher – a voz fria murmurou – Vim me certificar de que fez o que mandei



Inoue não se moveu, permaneceu de olhos fechados tentando convencer o espada de que estava dormindo profundamente.



– Eu sei que está acordada – Ulquiorra murmurou em um tom melancólico – Você não me engana mulher



Orihime permaneceu em silencio, Ulquiorra suspirou



– Eu tenho pouca paciência. – o arrancar sibilou – Você está me irritando profundamente – o tom da voz se alterou, o que fez com que Orihime abrisse os olhos e se sentasse na cama instantaneamente



– O que você quer? – a voz feminina estava repleta de irritação – Ulquiorra-kun?



– Já disse para não me tratar como um humano. – o arrancar sibilou – Apenas Ulquiorra



– Que seja – a ruiva murmurou impaciente



– Você não se alimentou mulher – o Quarto afirmou – Sabe o que isso significa?



– Que não estou com fome? – Inoue o desafiou



– Não brinque comigo mulher – o semblante do espada se tornou sombrio – Posso parecer calmo e paciente, mas não se engane... Não sou como seus amiguinhos humanos.



– Eu sei – ela concluiu – Você me mostrou isso há algumas horas quando ameaçou me estrangular.



– Mulher – Ulquiorra ignorou o comentário pretensioso – Coma agora



– Já disse que não tenho fome – a ruiva suspirou



– Coma – o arrancar murmurou tediosamente – É uma ordem



– Você não é a minha mãe – Inoue fez um bico – Não vou comer



– Veremos



Em questão de segundos o arrancar estava diante de Orihime, que tentou recuar, mas ele foi mais veloz e envolveu um de seus pulsos em um aperto firme, retirando-a da cama com certa brutalidade. A ruiva tentou se desvencilhar de Ulquiorra, mas o mesmo intensificou o aperto e a arrastou até a cadeira, jogando-a na mesma.



– Coma – a voz fria soou ameaçadora



– Eu já disse que não quero! – Orihime bradou – Não entende? Não tenho fome!



– Será que terei que te obrigar mulher? – Ulquiorra inquiriu



– Como você se sentiria se fosse forçado a fazer algo? – os orbes azulados estavam se tornando marejados, mas não se intimidaram ao olhar reprovador de Ulquiorra



– Eu não sinto – a resposta do arrancar foi simples e clara



– Oras... Eu...



Os dedos pálidos enroscaram-se no cabelo alaranjado e num movimento brusco puxaram-no para trás, forçando a cabeça de Orihime. Ulquiorra aproximou sua face da de Inoue e pode sentir a respiração acelerada da moça, ela estava nervosa.



– Entenda – os orbes esverdeados do espada possuíam um brilho sombrio – Você não tem opções.



– Eu... Ulquiorra... Eu... Não quero! – os orbes se tornaram mais marejados



– Se você não fizer isso por vontade própria – o aperto se intensificou e o arrancar se aproximou mais, sua respiração tocava a face da ruiva – Farei você engolir pedaço por pedaço, e não serei nem um pouco gentil.


– Eu já disse que não quero! – Orihime bradou e em um gesto desesperado desvencilhou-se de Ulquiorra, empurrando o mesmo com violência.



O arrancar se desequilibrou e caiu sobre a mesa de canto, derrubando a mesma juntamente com a bandeja, talheres e copo, fazendo com que a comida se espalhasse pelo chão do cômodo e se misturasse aos fragmentos das louças recém quebradas.



– Mulher... – o arrancar sibilou enquanto se levantava do chão – Você passou dos limites



– Ulquiorra... Me... Desculpe-me! – Inoue bradou e correu em direção ao banheiro, mas o espada foi mais rápido e a deteve, puxando-a pela cintura fina.



– Você precisa aprender a se colocar em seu lugar – o Quarto murmurou e lançou Inoue contra a cama, o corpo chocou-se contra o colchão macio – Você vai me obedecer mulher



Inoue tremia de pavor, tinha certeza que morreria ali mesmo, pelas mãos do arrancar a sua frente, que aparentemente estava calmo.



Ulquiorra estava parado na beira da cama, suspirando pesadamente. Queria matar a humana insolente, mas isso ia contra os planos de Aizen-sama. Para que tudo desse certo tinha que ter o controle sobre ela, porem até o momento não obteve sucesso.



– Mulher – Ulquiorra mensurou – Porque faz esse tipo de coisa?



– Eu... Eu... – lagrimas escaparam dos orbes de Orihime – Não me mate, por favor



– Sabe que não farei isso, embora esteja tentado – os orbes esverdeados estudaram a face apavorada – Você não tem medo de mim, não é?



– Não – ela concluiu enquanto enxugava as lagrimas teimosas que maculavam sua face



– Devia ter – Ulquiorra murmurou



– Mas eu não tenho!



– Acha que sou inofensivo pelo fato de Aizen-sama ter me ordenado que não faça nada contra você? – o arrancar indagou friamente



– Exatamente – Inoue assentiu



– Resposta errada – Ulquiorra murmurou entediado – Então mulher – o espada caminhou até a beira da cama – Temos que mudar a forma como você me vê.



– O que?



Antes que Inoue pudesse dar continuidade a sentença, sentiu o corpo do arrancar sob o seu, pressionando-o contra a cama com brutalidade. A ruiva estremeceu com o contato repentino e tentou se desvencilhar a todo custo, mas não obteve sucesso, ele era muito mais forte.



As mãos gélidas percorreram a cintura fina da moça e pressionaram um dos seios, o que fez Orihime soltar uma exclamação de surpresa e indignação.



– Me... Solte-me! – o rubor e a confusão tomaram a face da ruiva



Ulquiorra ignorou o pedido e pressionou mais ainda o corpo de Inoue contra o seu, e dessa forma pode sentir o coração dela pulsando acelerado. Iria parar, mas ainda não era suficiente — ela deveria temê-lo mais do que qualquer coisa.



– Pare!



Os orbes esverdeados chocaram-se com os azuis e Ulquiorra concluiu com uma expressão vazia



– Não



Em meio a protestos da ruiva, o arrancar deslizou a lingua quente pelo pescoço feminino, fazendo-a ofegar instantaneamente. As mãos delicadas rumaram até os cabelos negros e lisos do espada e o puxaram violentamente – em uma tentativa de fazê-lo parar



– Isso é inútil – Ulquiorra murmurou contra a pele pálida e Orihime puxou os cabelos negros com mais força



Ulquiorra grunhiu e em resposta a audácia da mulher colocou o joelho entre as pernas dela, pressionando o mesmo contra a intimidade da ruiva.



– Se você continuar tentando escapar, eu vou te ferir – o arrancar sibilou – Entendeu?



Inoue engoliu em seco e parou de se mover, mas Ulquiorra não se afastou.



– Você...



A lingua voltou a percorrer o colo pálido e uma das mãos rumou até a barra da saia da ruiva, puxando-a até a altura das coxas.



– Está com medo? – Ulquiorra indagou



– Não – Inoue afirmou com determinação



– Resposta errada



E num movimento brusco puxou o zíper das vestes de Orihime, deixando seu corpo totalmente exposto aos orbes esverdeados desprovidos de sentimento.





Notas finais
E ai... Gostaram?
* Para quem não sabe, a Orihime ganhou os poderes dela pela convivencia com o Ichigo. De acordo com o databook, ele emanava uma energia espiritual muito forte, que "contaminou" Orihime e fez com que ela despertasse seus poderes. Vai entender