Agradável Ameaça

4 Cap. 4: Trabalho+Instrução


Notas iniciais
Demoro mas ta ia, fresquinho.

Cheguei meio atrasada a aula. Rapidamente segui para o meu
armário, peguei o que iria precisar e segui para a sala. Vendo que o professor já havia começado a aula, bati levemente na porta. Entrei, assim que expliquei o motivo de meu atraso (engarrafamento), e sentei ao fundo. Como era aula de inglês, Daniel não estava lá, mas confesso que sentia falta dele...

Quando a aula acabou, corri para a para a ala de laboratório,
onde finalmente iria encontra-lo. Sentei-me em uma cadeira e esperei. Logo, outros alunos chegaram mas nada de Daniel.

Repentinamente, ele apareceu, acompanhado de outra garota.
Senti uma pontada no peito, mas a ignorei. Assim que ele me viu, sorriu e se dirigiu até mim.

-Oi. – disse

-Bom dia. – respondeu ele, sentando-se ao meu lado. – É hoje
que iremos fazer o trabalho certo?

-É.

Ele fez uma expressão estranha.

-O que? – perguntei, pegando meu livro.

-E só que. Não falei com minha madrasta. – ele respondeu. –
Será, que não podíamos fazer na minha casa? Acho que seria melhor para ela entender.

-Ah, bom... – comecei, mas parei assim que vi uma carta em
meu livro. – Tenho que ir ao banheiro.

Levantei-me e, com a carta no bolso e o consentimento do professor, sai da sala.

Mais uma vez, entrei no Box do banheiro e abri a carta.

Querida Mel,


Sua segunda instrução será vir para casa de Daniel para fazer o trabalho

Irei conferir pessoalmente.


Grata, Medelaine.

Desta vez, não rasguei a carta, nem ao menos a joguei fora.
Pelo contrário, a guardei no bolso e segui para a sala.

-Sabe, acho que seria bom irmos fazer o trabalho em sua casa
mesmo. – disse a Daniel, enquanto sentava-me em minha cadeira.

Ele sorriu e disse:

-Ok. Então, e só eu falar com minha madrasta. Você vai
comigo depois da aula...

-Bem, na verdade, tinha que ir em casa e falar com meu pai.

-Ele é severo?

-Não, nunca. É só para ele não ficar preocupado.

-Porque você não liga para ele?

-Porque,... não temos telefone.

-Ah, desculpe. Bem então passamos lá.

Encarei-o.

-Você, nós vamos ao município 2 de carro? – perguntei.

-Sim. Porque, algum problema? – perguntou ele.

-Não, nenhum.

E assim assistimos mais uma aula sobre tipo sanguíneo.

---------------- No Final das Aulas------------------

-Seu motorista demora muito? – perguntei, impaciente.

A aula já havia acabado a tempos. Meu pai iria ficar muito
preocupado.

-Não calma. Só mais alguns minutos. – falou Daniel,
sorridente.

Passados mais alguns minutos, vi um carro preto com
bandeiras no capo se aproximando. Olhai para Daniel, que assentiu. Aleluia!

O carro, já parado em minha frente, era bem grande. Possui
janelas escuras e uma placa escrita “ASLANI”. Maravilhada, adentrei-o.
Sentei-me naquele confortável banco de couro e logo o carro começou a se movimentar. Assustada com sua rapidez tremi. Senti a mão de Daniel na minha. Corada, olhei-o e vi que este sorria zombeteiramente.

Olhava pela janela a mudança das casas, prédios e comércio.
Sentia raiva, ódio e ao mesmo tempo, orgulho. Orgulho pelas pessoas que construíram aquelas casas simples irregularmente, para terem onde morarem...

Ao meu lado, Daniel também olhava pela sua janela. Não dava
para ver sua expressão, mas acho que já sabia.

Logo chegamos a casa 123 do município 2. Minha casa,
desbotada mas segura. Dei sinal e o carro parou. Com o movimento, Daniel olhou para mim.

-Chegamos? – perguntou.

-Sim.- respondi, simplesmente.

Abri a porta e esperei Daniel. Ao meu lado, ele olhava para
minha casa com uma expressão indefinida no rosto.

-É... acolhedora. – disse.

-Realmente, é. – disse, orgulhosa e abrindo a porta.

Meu pai e meu irmão estavam almoçando. Havia esquecido eles.

-Ah... espera ai. – falei para Daniel. Obediente ele ficou.

Fui a cozinha e deixei minha bolsa no chão, enquanto
dirigia-me a meu pai.

-Ah, pai. Esqueci de lhe falar, mas... – comecei.

-É trabalho? – ele perguntou, ainda olhando para seu prato.

Surpresa, respondi:

-Sim.

-Ótimo, pode ir. Mas volte ás 18:00 hrs, no máximo. Ah, juízo.

-Ok pai.

Peguei minha mochila e sai porta afora, mas não antes de
ouvir as risadas deles.