Ago(u)ra
114 Trimestre
Notas iniciais
Eu sonhei demais
minha voz se calava para eles
e eu sonhava com o dia do fim
os meus olhos perseguiam a esperança
ela fugia
como galinha do abatedouro
houveram os dias em que não pude mensurar
meu ser
e houveram tardes
em que não me enxergar
ouvia as vozes; escutava os sons
nada mais era o bastante
o vão que se embrenhava em meus pulmões
eu deixei ir
eu deixei que ficassem.
Eles se foram.
As vozes sempre me mostravam o céu
eu nunca soube ver.
Os caminhos que vagueei
as horas que desperdicei
tudo o que eu não gritei
as coisas não culminam
as ondas não sobem mais
o firmamento é cinza
os pássaros permanecem aqui
porque aqui é seguro
aqui, eles não podem nos derrubar
não podemos ser destronados aqui
o recôndito de nós todos
está em superlotação.
Entre tropeços e tropicos:
ela(s).
Eu não pude ver
não pude dizer que sim
não pude contar que era
não pude mostrar que estava
não pude
ela olhou para frente
e eu olhei para ela
o não-cruzar dos olhares
meus pés pediam por misericórdia
e meus olhos me imploraram choro
não há dor
há jugo
pude crescer
pude ver
pude sentir
o que são trezentos e sessenta e cinco dias
para quem já viu a tez ruir?
Eu caí
de quase todas as formas que poderia, caí
ela continuou olhando para frente
e começou a caminhar.
Admirei-a,
Odeio-o;
Deixam-me.
Não sei se eu posso dizer que acabou
porque não sei se é o fim
eu não sei de nada
quer dizer
é tudo tão por-um-triz
e o ano ainda nem acabou.
Os meses se arrastam e repuxam minha pele
eu me lembro de você
eu sei seus caracteres
eu estou bem sem você (?)
não sei do que se trata
o que é ser um amigo
diga-me você,
cara
lembre-se que eu não sei.
É lastimável ter a consciência
do derradeiro destino de nós todos
quando nem se sabe de que tem-se fome
de verdade
mas é como disse um dia a mulher
"o que eu desejo ainda não tem nome."
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