Ago(u)ra

87 Terminados


Notas iniciais
Título alternativo: "RÓTULOS SÃO O CARALHO mas corações partidos vencem de lavada"

É aquela coisa, aquilo de "meu Deus, que grande merda"

aquilo de as pessoas destroçarem sua cara só com seiva e baba

às vezes, não destroçam, mas tornam repugnantes

e em algumas vezes, fazem com que nos sintamos bem

falo da saliva, você sabe

é nojento como acontece, mas... estou perdendo o fio da meada

onde é que eu estava?

Sim, o estereótipo, o bicho-de-sete-cabeças

muito ruim como a gente tem que ver as coisas,

como a gente foi obrigado a ver, sem aquela coisa da possibilidade de vê-la de outra forma

tem a chance de existir

como as palavras. Todas elas são o que são, mas se você tentar chamar aquela palavra por outro nome,

por mais que você tente, vai ter aquela palha do significado que sempre conheceu

aquela palavra que você tenta usar pra outra coisa mas você não consegue

mas a exceção são os palavrões.

Você com certeza já ouviu algum antes de saber o que era, e também não via nada de mais em dizê-las

mas aí, uma boa (?) alma te alertou sobre aquela coisa saindo da sua boca.

e você não consegue mais falá-las sem sentir que é algo errado,

ou então se acostuma com elas,

ou então as diz só porque sente a vontade,

ou por rebeldia mesmo.

São essas as formas que eu chamaria de comuns,

mas tem uma outra que eu passei a descobrir tem um ou dois meses.

chama-se quebra de sentimento, ou coração partido, se você assim preferir.

e a gente usa esses rótulos (as palavras, os palavrões) pra ludibriar a nós mesmos a pensar

que talvez essa pessoa seja digna de sofrer de toda sorte de males

e aí você amaldiçoa ela. Com tudo que tem direito de dizer.

Mas então você percebe que isso não vai te ajeitar, nem vai aprumar seu terno, ou vestido, agora amarrotado.

E voltamos ao rótulo, porque é nesse momento que o amor ardente e pulsante é rotulado

ele não é mais o AMOR MAGNÍFICO QUE A TUDO VENCE E TUDO SUPERA

ele se denomina A ROLETA RUSSA, O HOLOCAUSTO, O GÓLGOTA, ou qualquer que seja a sua forma de ver o ruim. Talvez você seja um paradoxo e veja o céu como inferno e vice-versa.

Mas isso não tem importância porque agora, acima de tudo, de tudo, você abomina o amor, e vai abominar até o dia em que esse seu sentimentalismo se supere e levante dessa cadeira elétrica em que você mesmo se colocou.

Eu não estou dizendo que você vai sorrir, ou que você sairá da sua cúpula de solidão à la Billie Holiday

E vai viver normalmente, andando por aí e dizendo oi aos desconhecidos do subúrbio, não.

Eu disse superar.

E reiniciar esse sofrimento em forma de ciclo.

Notas finais
Cadê o sentido? Também não sei.