Ago(u)ra

21 Puro desleixo


Notas iniciais
Hoje faz um ano que estou nessa bagaça. Viva eu!

A preguiça de abrir os olhos

Encobre-me

E a janela de casa range

Sem parar.

Forçando-me a acordar.

E tirar meus quentes pés

De minha graciosa cama.

O sol me banha.

E eu queimo.

É frio, o dia.

A simples menção à água

Deixa-me aversivo.

Ouço as vozes das pessoas de casa.

Realmente,

Não senti saudades.

Abro minhas pálpebras.

E vejo, fronte à porta de sucupira

(Do guarda-roupa),

Pontos brilhantes, flutuando.

Poeira.

A vizinha da direita reclama

De uma farpa no dedo.

E o vizinho da frente

Coloca sua música preferida pra tocar,

No último volume,

Pela décima vez seguida.

Um dia ele cansa.

Ligaram a televisão.

Minhas irmãs disputam o controle.

Continuo sentado em minha cama.

Provavelmente,

Em dez minutos,

Meu virá me acordar.

Ele adora isso:

Acabar com a calmaria.

Mas eu não reclamo.

Fico de pé e canto.

Vou até a copa e retorno.

Hesito.

O banheiro está ao lado;

O quarto à frente.

Vou para o lado.

Entro.

E o espetáculo se inicia!

Voilà!

Sê bem-vindos ao meu mundo.

Só meu.