Ago(u)ra

6 Política


A folha cai, eu observo.

A melodia do relógio distrai-me.

Sinto a brisa em meus braços.

Vejo a gravidade impor sua lei,

Sobre a pequena folha.

~

Indefesa, não pode evitar.

Evitar que o solo a encontre.

O chão, aquele que a observa, lá embaixo

Desde sua criação.

~

Ela agora se lembra de tudo.

Seus meros dias; porém, belos dias.

Mas sabe que é essa sua sina.

E todas as que olham para ela, de cima,

Sofrerão do mesmo destino.

~

Afinal, essa é a política da natureza.

Entretanto, enquanto desce, lentamente,

Ela não esquece, nunca,

Que será insubstituível.

Sempre.

~

O que há lá embaixo? Ela deve se perguntar.

Existem lobos, cobras, ratos.

Nunca estarei em perigo.

Talvez o solo seja meu refúgio e mortalha.

~

Quando o toca,

Sente euforia tamanha,

Capaz de destruir montes.

E durante os segundos de êxtase.

Ela é a dona do mundo.

Está em seu lugar.

~

A folha ouve o silêncio.

Eu ouço o silêncio.

Continuo a observá-lo.

Continuo a ver ser seu fim.