Ago(u)ra

118 O monge e a Mesquita


O sol lascava e machucava

o som sumia

as vozes espalhavam caos

a poeira levantava

e o céu se abria no azul dos olhos

a garota se dirigiu a ele

e a ele, então, perguntou

"se a vida é essa

e assim devemos nos conformar

por que não tem sentido algum?"

e ele a respondeu

com o rosto virado para os pés cruzados

"a resposta

está no fim da estrada"

em seu franzir do cenho

a menina indagou mais uma vez

"ora, mas por que só lá

tenho a chance

de encontrar a reposta?"

com toda sua tenacidade de anos

e a sagacidade da mente pacífica que tinha

o velho monge

sozinho no mosteiro

não soube

que a estrada terminava

em qualquer lugar.