Ago(u)ra

102 O Nada-Eventual Louro-Curto-Sorridente


Notas iniciais
I am barely legal, do you know?

Ela me atravessa

Como um disparo da luz solênica nas pedras do cabo

Erra-me com facilidade pelas frestas do litoral

A pele branca como a Vésper a iluminar o aposento

O pomposo olhar caído

Que lhe dá o parecer de uma dama competida

Não me olha nos olhos;

pelo contrário, permanece focada nas nuvens (ou n'algo além delas)

Serpenteio o salão na tentativa de alcançar tua vista

Quero assistir sua respiração sob a pele branco-avermelhada

Estapeio-me por ser tão egoísta

Abraço-a com os olhos por não querer deixar seu sorriso me escapar

Parece-se comigo, de certa forma,

O suéter e o cabelo nos distinguem de nós.

Imagino o orgulho dum pai ao saber o quão bela sua filha é

Decido acalmar meus olhos

Andam inquietos há muito: segurar-se inerte parecia ser impossível com ela ali.

Meu interior me força a olhar para o assento dela

Ela não está lá. Não está!

Corro sem pensar duas vezes.

Pergunto-me:

Como poderia uma chance dessas ser um simplório apertar de areia?

Não. Não, não.

Eu digo não.

Ouço as construções em volta desse novo amor ruírem sem pudor

A cada passo, sinto o suéter rosa sumir da minha memória

Nenhum par de pernas e nenhum bumbum seriam capazes

De ocupar aquele vazio que se iniciava do meu amor de cinco minutos

A dor de cada música é uma nova melodia para o violão.

Antes fosse eu um cabofriense

Pra não merecer essa retirada tão imediata

Da melhor e mais bela atração de todas as noites.

Não sei se devo...

...Mas devo o que sei ao que penso.

E uma voz, no mais profundo de mim-mesmo, grita:

Sara, Sara, Sara.

Estou onde quero viver, todavia não estou onde sei que devo estar

Corro.

Notas finais
SoAnywayWeGoWithNoAlaska?