Ago(u)ra
76 Minha memorável e sublime morte
Notas iniciais
Nasci pela terceira vez.
A dança do sangue que escoa pelas veias,
O pulsar quente como lava do desespero.
Graças a aquele salteador que não conheço
Torno-me vulnerável a amazona que mais me anseia
Minha sombra voa pelo nada como um forasteiro
O tiro que me deu o que mereço.
A chuva escorre, mas eu não a sinto
Meu respirar parece muito limpo
Forço-me a crer, com muito afinco
Que o que eu sou agora é a recompensa do ímpio.
Meu choro não escorre
E eu não sinto o latejar
O sofrer dentro de mim morre
Para o fogo eu estou a despencar.
Esse foi o tempo gasto
A vaca come a relva do pasto
O céu some, o universo é tão vasto.
Minhas correntes, pelo seu quarto, eu arrasto.
Notas finais
Não, eu não morri. Não dessa forma.
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