Ago(u)ra
98 Legilimens
Notas iniciais
Se a algum lugar
Ela fosse só por estar
Seus olhos as chamas
Do passado
E a vida agora é o
Cão
Que ela disse que não mordia,
Não.
~
E mesmo se ela houvesse
Dito o contrário disto
Certa estou de que
Meus olhos ficariam
Na órbita perfeita.
~
Bem quando ela disse que
Aguardaria no carro
E os meus pés no barro
Tirando sarro
Do que via
E pisava em todo grito
Que ouvia.
Atravessando a pressão
Da velha euforia.
~
E a sua voz se encaminhou
Par ao relento
Após enfim desfazer
Qualquer que pudesse ser
A chance do seu íntimo de
Crescer.
~
E mesmo se ela houvesse tido
Tudo a sua volta
Completamente certa estou de que
Faria melhor para si mesma
Era a única (última) centelha.
~
Mas o nosso amor
Deixou
Que ela escapasse
E pelas minhas falanges vazasse
E os seus olhos azuis brilhantes se afastassem
E, opacos como poeira, falassem
“Desculpe por não ter ficado,
Por não ter contado.
Por não ser a sua confidente.
Por não ter dito.
Desculpe-me pelo meu estado.”
~
Chorosa, fiquei ali, deitada
E o meu amor, lá, ladeando
Enquanto a noite caía,
Ela se ia.
Com sua voz presa e costurada dentro da minha boca fria
A nesga do nosso fervor comprimida em seus olhos esguios.
~
“Say something, Ems.”
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