Ago(u)ra
120 Ladainha No.3
Eu gostaria de poder dizer que não
já são meia-noite e trinta e novee eu continuo sentindocom a força de mil sóisa queimadura do fimum sentimento árduodoentio, arrisco a dizereu não sei como vim parar aquinesse lugar estúpidoe como me expus a tamanho ridículonão há o que eu possa contestarsão as coisas da vida, o leite derramadonão há como evitar um evitar o fim predestinadofoi você que me disse essa máximacada letra pronunciada com todo esmerode uma garota explosiva em seus pueris quinze invernose mesmo assim, eu não pude protestara razão era sua aliada naquelas calendas quentese o suor nada transparecia além de ódioisso me partiu em pedaçospedacinhos bem pequenininhosque não dá pra ver nem apertando o olhoe que, se fossem colados na ordem em que caíram,formariam numa nesga rápida (e quase invisível)a tez suave que eu via quando seu perfume chegavae tocava uma música em mimsempre que eu olhava nos teus olhose sentia tuas mãos no meu ombrome dizendo um oi ecoantesaudando a minha paixão com um beijo fulminantee uma estrela morria em mimpara nascerem trocentas supernovasdo fundo daquilo que eu nem sabia que tinhaque sentiaminha voz vacilava ao olhar teus olhos escurose teu cabelo em cascatabanhando sua face e me tirando da calmariado meu oceanoem direção ao teu vendaval em algazarrauma vez alguém disse que as garotas eram como furacõese que existem bilhões de galáxias nos olhos de alguémolhando pro céu nublado, às 00:55eu sonho em ser — de novo — testemunhado fenômeno natural que um dia você foi,amor.
Notas finais
Gente, Beirut é muito bom, né?
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