Ago(u)ra
95 Cegos Pulam Poças
Notas iniciais
Não fosse a grama que condensa
Não houvesse dias para sorrir noites
Não bastassem os demônios da manhã fria
Não soubesse que a vida não para no semáforo
Não atravessasse a horda de vozes de escárnio
Não fôssemos cortes do seu olho em mim
Não fosse seu choro o meu consolo, moradia e lamento
Não gastasse e lastimasse os dias chorando luxúrias
Não voltasse atrás na própria trilha
Não apreciasse o som da sua sedosa voz
Não arrepiasse a cada minuto de sussurro seu de morango
Não fosse a morte, mais próxima a cada segundo
Não fossem as palavras, paixonite e paiol do trovador
Cujo amor não voa alto como antes fazia
Esses sons e barulhos e ruídos que jorram do silêncio dos mudos
Não seriam apenas cordas e acordes no vácuo quente da várzea
E o buraco negro que eu atravesso para chegar até você
Seria apenas um fardo, um acaso, um eterno retorno, uma direção sem fim
Não muito diferente da sua risada,
Mas esta... Esta eu escutaria até o último dia
Da minha madrugada infinda (enquanto o Sol não dobra a esquina).
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