Ago(u)ra
104 ¡Calmamor, eu sou só-um-só!
Notas iniciais
Me disseram pra sair desse céu de dores. Sair do Mar de lamentos.
Mas é impossível abandoná-lo quando se apaixona pela ilha que este tem no coração.
Chega um dia em que a sola do pé tem que sentir o fogo em que caminha.
Nem mesmo a areia,
Nem as conchas inertes
Nem mesmo mesmo o albatroz que verte
Ao vento da visão praieira
~
Espio entre as dunas
Um amor não conivente,
Sujo pé na areia afunda
Divagando ardor tão complacente.
~
Muito menos até o céu brilhante
que me vence
Ou o côncavo fugaz
Das costas da morena branca
cabofriense
Nem os olhos;
As pupilas que brilham no sol
Na mesma simetria da pele
envergada em óleo.
~
Ou até a risada do cabelo
a bronzear a derme branca de cal
E as pernas descomunais
a deslizar pelas praias de sal.
Dunas em seu seio
fulminante.
O andar sobre as conchas:
castigante.
Seu umbigo brilha no ferro
inoxidável.
Limpa o biquíni amável e
afável.
~
Meus olhos choram o
inevitável,
Aprumo respiro e o inspiro
Execrável.
Notas finais
Pr'uma menina que pescava meu olhar na praia toda vez que eu decidia encará-la.
E para a personagem Lena Duchannes.
Fale com o autor