Ago(u)ra

43 Auto-opressividade


Notas iniciais
É sobre mim esse. Desta vez, é sim.

Ele deu voltas

Voltou para o mesmo lugar,

E o fez de novo, e mais uma vez.

Gastou tanto os pés até se tornar um pequinês.

Trazendo a carcaça esbagaçada

De suas decepções.

Débito com tudo, ainda mais com a Europa

O choro e a depressão vieram em tropas.

Saciando o ódio pela respiração.

Abominando as palpitações do coração.

Vivendo na própria mente por horas

E o rangido a arcata ouvindo enquanto chora.

Vagueando por entre sons e zumbidos.

O perdido não tem rumo e nem caminho.

Mantendo a raiva em si comprimida

Praguejando por horas contra aquilo que chama de vida.

A face deprimida, abandonada pela alegria,

Mantém-se ocupada com o rancor

Junto à dor, trazendo de bônus o desamor.

O futuro e as expectativas estilhaçaram-se,

Como areia em água.

Dificilmente serão refeitos.

Nessa vida agora cheia de fardos e defeitos.

Enquanto caminha, sua ira emerge.

Tudo é merecedor de implosão, ele acredita.

No entanto, respira fundo e continua.

Foi mais um desejo de matar, tomara a Deus que se anua.