Agosto

1 não há um ponto final


O branco do papel é o branco da memória que combina
com o branco
que é
da tua pele

Tentei pensar na razão da angústia e da dor no peito que me afunda em apineia, insônia e falta de ar mas
nada e absoluta
e
vagamente
nada

Branco
o fôlego vem e a ideia se desfaz como o tempo que nos pareceu fugaz e se rebateu até nos momentos
finais, que de fato
não são
sinônimos
de paz

É assim sem voz e sem ar que você me deixou nos momentos que não consigo definir como bons ou ruins por causa do branco que me persegue e não permite enxergar o que eu gostaria de ver
e sentir
e pensar
sem gritar
Recuperando
meu lar

Você me roubou de mim e por mais que eu tente me lembrar quem sabe da liberdade ou da facilidade que era lidar com todas as minhas dificuldades em amar me recordo apenas desse ciclo vicioso que foi
perder o ar
sufocar
não poder
falar
culpar
desculpar
caminhar
sem você
me humilhar

Queria poder te amar ou te odiar talvez te dispensar ou esquecer ou quem sabe ter pena ou dó ou relembrar com pesar e saudade senão raiva e futilidade mas a verdade que mais incomoda é nunca saber
exatamente
como conviver
com a dúvida
sobre o que
sentir
e como lembrar
de você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!