Sasuke era um otário.

Ele sabia que era, não pensou duas vezes sobre isso desde o último encontro. Como pode ter sido tão babaca?

Idiota…

Como ele poderia ter pensado que um encontro poderia ser algo tão casual?

Ele estava arrumado, tinha tomado banho no dia. Mas sinceramente levá-la ao mesmo local onde comiam lámen toda vez?

Ele se surpreendeu por Sakura não ter desistido no minuto em que viu onde estavam indo. Na realidade, ele provavelmente desistiria se fosse a Sakura. Depois de todos os anos e tudo o que enfrentaram, juntos e separados, ele poderia ter feito mais. Mas o quê?

Sasuke ponderava sobre os erros em sua vida, e talvez esse tenha sido o pior deles. Estar em missões, conhecer-se, deixar Sakura esperando? Coisas simples, faria tudo de novo sem problemas.

O primeiro encontro com Sakura? Irreparável.

Levar ela no lámen de sempre, sinceramente…

Ao todo o encontro durou dois minutos e meio, porque assim que chegaram ao local uma missão muito importante apareceu e Sasuke se viu obrigado a aceitar. Ele, obviamente, não sabia como se portar com essa despedida, então simplesmente desapareceu.

Agora, porém, ele estava voltando depois de dois meses e não tinha enviado uma carta sequer à Sakura. O que diria? Simplesmente chegaria em Konoha e faria o quê?

Claramente Sakura estava decepcionada com ele. Sabia que não dera o devido valor ao encontro. Ele nunca iria admitir sobre o quanto estava ansioso aquele dia e como esperava que ela se sentisse confortável, por isso tinha ido a um lugar conhecido.

Era óbvio que ela tinha ficado decepcionada. Depois de quase três anos distantes enquanto ele se conhecia e tentava se entender, ele finalmente voltava e dava apenas dois minutos e meio de atenção?

Que idiota.

Ele só não sabia como consertar isso. Adorava Sakura, mas não sabia como agir perto dela. Ela era tão viva, tão fugaz e exalava alegria, como o sol da primavera, que ilumina todo o caminho após um longo e gélido inverno. Por outro lado, ele era fechado e tinha cometido muitos erros, frio e vazio, sem nada a oferecer para Sakura que fosse suficiente. Nada seria, jamais, suficiente para o que Sakura merecia.

Ele sabia que não poderia tentar uma segunda vez. A única chance de Sakura ser, de fato, feliz como merecia, com mais do que o suficiente, seria longe dele.

Ainda assim…

Ainda assim ele gostaria de ter uma chance com Sakura, para ao menos tentar entregar o que ela poderia merecer. Nunca seria o suficiente, jamais. Ele seria, certamente, feliz, mas e ela?

Sasuke estava sendo egoísta ao imaginar uma vida inteira ao lado de Sakura apenas pelo seu prazer. Era preciso pensar na felicidade dela acima de tudo, sabia o que Sakura queria, desde o começo. Isso poderia ter mudado com os anos?

A primeira vez em que ela revelou os seus mais profundos sentimentos era quando ele estava partindo para se juntar ao Orochimaru. Que babaca. Como podia ter feito isso dessa maneira? Obviamente que ele não sabia como responder naquele momento, ainda que os sentimentos fossem recíprocos E também tinha o fato de que ele estava tão fissurado em realizar sua vingança e superar o Naruto. Tão criança.

Agora que Sasuke relembrava seus momentos com Sakura e sabendo que, em seu pior momento, foi atrás dela para acabar com sua vida, envergonhava-se. Ele corou ao pensar nesses momentos, como era embaraçoso o que ele fizera. Ainda assim ela aceitou sair com ele depois de todo o tempo que ficou sumido, depois de tudo o que fez. E ele estragou tudo em dois minutos e meio.

Como resolveria isso?

Aparecer com flores? Não, muito brega.

Chocolates? Pior ainda.

Não sabia como ela poderia esperar por ele, como daria uma nova chance. Ele sabia apenas, sentia, que isso precisava ser resolvido.

Contudo, não poderia ser egoísta. Teria que viver com a dor da rejeição de tudo que ele poderia ter se tivesse feito certo. Se a tivesse levado para um encontro de verdade, não algo confortável. Se ele não tivesse saído. Se ele nunca tivesse partido para se encontrar com Orochimaru.

Como seria se ele tivesse ficado? Ele seria feliz com Sakura? Certamente o seria, por muito tempo. Por outro lado, ele sabia que se sua jornada não tivesse sido esta, se não encontrasse Itachi, se não enfrentasse Naruto, jamais teria sido feliz por completo. Jamais teria se entendido e entendido seus próprios sentimentos.

De uma forma irônica ele só poderia ficar com Sakura naquele momento. E ele estragou tudo.

Mas Sasuke não era de desistir. Ele não deixaria essa história como passado. Talvez ele pudesse fazer Sakura feliz ao jeito dele, e talvez isso fosse o suficiente, talvez fosse o ideal. Quem sabe, se ela o aceitasse depois de tudo o que fizera, quem sabe se não seria o suficiente o que ele poderia oferecer? Quem sabe…



Uma kunai atravessou o ombro de Sakura e ficou presa à árvore em frente a ela. Assustou-se apenas por meio segundo antes de sacar a sua própria e se virar, procurando pelo inimigo.

Quando não encontrou ninguém, voltou-se para a arma que estava à sua frente… Um bilhete?

Olhando rapidamente, não viu nada escrito que indicasse perigo. Parecia um recado qualquer. Um simples recado. De quem?

Sakura pegou o papel e leu com calma, pronta para levar a ameaça ao Hokage. Infelizmente conhecia aquela letra… Sasuke.

Encontre-me onde tudo terminou.

Sem assinaturas, claro. Um mistério, então? Que ele queria? Sasuke tinha voltado de sua missão?

Depois de deixá-la em seu primeiro encontro, depois de tudo o que ela esperou e recebeu. Não sabia se podia seguir em frente com essa ideia. Era Sasuke, seu amor de infância e adolescência. Aquele que esteve ao seu lado, aquele que ela quis matar. Ao mesmo tempo, era aquele que a protegeu e cuidou. Ela era a pessoa para quem ele revelou os seus medos mais profundos, o seu eu mais desconfortável, aquele que nem mesmo ele era capaz de compreender.

E ela foi. Para Sakura, Sasuke nunca oferecia o suficiente de acordo com ele próprio. Sasuke nunca precisou dizer isso, suas ações revelavam o remorso dele. Talvez aquela pequena hesitação antes de aceitar a última missão fosse por causa dela.

Uma esperança que nascia no peito da garota, e acentuava-se conforme pensava nas possibilidades. Ele voltou, e agora?

Iria para a saída de Konoha, onde revelou seus sentimentos pela primeira vez e ali ele a socara e a deixara sozinha? Deveria ir? Ou seguir para o seu encontro real com um garoto da aldeia?

Talvez fosse o momento de superar Sasuke, esperou demais por ele. Implorou demais, procurou em excesso. Era o momento de deixá-lo ir. Deixar que fosse feliz com uma pessoa que estava disposta a receber o que ele tinha a oferecer.

Sasuke oferecia mais do que Sakura poderia receber. Ela sabia que o distanciamento emocional revelavam suas defesas. E sabia quem ele era quando elas não existiam, quando o muro cedia. Era demais para ela.

Talvez seja hora de partir.



Sasuke esperava pela garota no banquinho onde deixou ela adormecida quando fugiu de Konoha. Esperava e esperava, sem ao menos pestanejar pelo atraso dela.

Atraso? Ou seria mais uma desistência completa do que os dois poderiam ter um dia? Talvez fosse hora de Sakura finalmente entender o que ela merecia, finalmente estar nos braços de alguém que pudesse oferecer o suficiente.

Sasuke sentiu algo em seu âmago e começou a se desesperar. Há muito tempo duas almas nasceram e se interligaram, duas almas que já se conheciam de outras vidas. Como o fogo eterno de um amor que brilha sem relutar.

O fio que as ligava sabia quando e onde deveriam estar e por quanto tempo ficariam separados. Há uma lenda muito antiga sobre almas que se interligam por um fio vermelho, almas gêmeas que jamais seriam felizes enquanto estivessem distantes.

Sasuke e Sakura não sabiam que esse fio agora reverberava e balançava de tal maneira que os dois sentiam-se insuficientes um para o outro. Sasuke pensando se poderia fazer tudo certo dessa vez. Sakura esperando pelo devido valor daquele encontro tão esperado.

Porém, Sasuke estava preocupado, ele acendeu uma fogueira na floresta e ela logo apagaria. Queria apenas conversar com Sakura a respeito de tudo, revelar seus planos. revelar quem era e o que queria de verdade.

E se ela aceitasse… Bom, seria ótimo.

Esperou mais um pouco enquanto o fio balançava mais, desesperadamente. Estava irritado. Como poderia esperar por muito mais tempo? Talvez se rompesse finalmente se um deles desistisse. Há certos limites para duas almas, limites que podem suportar até que tudo estoure. E ninguém sabe o que acontece se esse fio finalmente se separar.

Sasuke ouviu passos. Ficou ansioso e atento, talvez fosse Sakura. Mas em nada aqueles passos se pareciam com os dela.

Um mensageiro da aldeia apareceu, tal qual o seu primeiro encontro, e ofereceu uma missão muito importante, com início imediato.

Sasuke ficou perplexo, não podia imaginar que isso ocorreria novamente. Não acreditava na falta de sorte do que estava ocorrendo exatamente nesse momento.

— É muito importante mesmo? — perguntou.

— Sim. Missão classe A. Aos cuidados do próprio Hokage, destinada unicamente para Sasuke Uchiha.

Sasuke ficou quieto. Não poderia negar aquilo ao grande Hokage. Não poderia simplesmente fugir de seus deveres. Sabia exatamente o que precisava fazer e isso significava abrir mão de muitas coisas, muitas oportunidades.

Sasuke pegou o papel. Respirou fundo e disse:

— Diga ao grande Hokage que estou recusando essa missão. Por ora, ao menos. Por uma noite.

O mensageiro olhou para Sasuke e estava pronto para rebater. Mas o olhar do Uchiha era decisivo. Não ia desistir nesse momento.

Não poderia desistir de tudo novamente. Missões sempre apareceriam, mas a chance de Sakura aparecer novamente era só agora. Só aquela noite.

Por mais duas horas o garoto esperou, e esperou e esperou. Sakura não veio. Claro, como poderia?

Ela estava certa em desistir, estava certa em querer uma nova vida, sem ele. Sasuke levantou-se e foi em direção à fogueira, precisava apagar as suas chamas antes que o pior acontecesse.

Silenciosamente ele se aproximou da clareira e percebeu que uma figura estava aninhada junto ao fogo, esquentando-se.

— Uma noite bem fria, hein? — Disse Sakura.

Sasuke mal podia acreditar que realmente ela estava ali. Mesmo depois de tudo, mesmo depois dos dois minutos e meio. Sakura. Sakura Haruno, com o cabelo rosa e tudo. Os olhos mais verdes e brilhantes que em qualquer outro momento. O fio que os ligava desde o nascimento estremecia, não sabia como lidar, nunca estiveram tão próximos.

Porque o fio sabia que não estavam próximos apenas fisicamente, era sentimentalmente. A vibração dos dois, tudo aquilo que sentiam era esperança. Esperança pelas resoluções, esperando por uma vida melhor, que fossem capazes de suprir as necessidades um do outro.

Sasuke mal podia se conter, talvez estragasse tudo quando abrisse a boca. Ele tinha planejado a noite perfeita, mas o aparecimento repentino de Sakura mudou todo o rumo. O fio balançada, estava ensandecido, não sabia, não podia esperar.

Não podia romper agora. Estava em seu limite, podia unir-se ou podia romper-se. E o fio não podia prever o que aconteceria nesse momento, então freneticamente balançava, reverberando sua ansiedade nas duas almas presentes.

De repente o fio parou, ameaçou separar-se por completo. Sasuke começou a falar, mais confiante do que jamais esteve em sua vida.

— Sakura. — ela olhou para o garoto, esperançosa e receosa. Podia sentir a ligação entre eles ameaçada. Agora ou nunca. Era agora ou nunca. O Uchiha continuou. — Sakura, case-se comigo.

O fio enlouqueceu, os dois estavam mais ansiosos do que nunca. Tentavam entender todas as decisões que os levaram até esse momento, tudo aquilo que os unia. Como poderiam lidar com tudo? Como poderiam ser o suficiente? Depois de tudo o que enfrentaram, poderiam lidar com seus próprios sentimentos?

Sakura olhou para Sasuke, talvez uma última vez. Tentando entender tudo aquilo que sentia enquanto o silêncio instalava-se. Um silencioso ansioso, que esperava por algo.

Agora ou nunca.

O fio começou a se acalmar à medida que o coração de Sakura se acalmava. Sasuke também ficava mais calmo, porque o fio que os unia estava mais forte do que nunca. Mais forte, mais sedento, mais vivaz do que nunca.

Sakura sorriu e assentiu.

Era agora.



Notas finais
Espero que tenham gostado! :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!