Agora... Somos Três!
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Pela quinta vez consecutiva a mulher de assustados olhos castanhos checou os três pequenos objetos em suas mãos pra ver se não havia por acaso algum erro. E não havia! Todos mostravam o mesmo resultado: Positivo!
Alarmada e ainda incrédula com aquilo, a mulher sentou-se na cama e largou sobre o colchão os três pequenos bastões dos testes de farmácia que havia feito minutos atrás. Há dias vinha sentindo uns mal-estares que não eram costumeiros de se verem nela. De primeira achou erroneamente que estava pegando um resfriado qualquer. Aí, em seguida cogitou ter pego uma intoxicação alimentar já que tudo o que vinha comendo ultimamente colocava pra fora pouco tempo depois. Mas logo essa possibilidade e outras mais foram descartadas pela morena em virtude de um comentário que sua amiga Catherine fez no turno passado. As palavras da colega de trabalho abriram os olhos da perita morena a respeito de uma possibilidade que até então ela não havia cogitado sobre a razão de seu estado.
"Sara... Se eu não soubesse que você não tem namorado, eu diria que esses seus mal-estares são claros sintomas de gravidez."
E Catherine tinha sido certeira nesse comentário/suposição. Agora, o que Sara se questionava, era: como aquela gravidez podia ser possível se seu namorado e ela sempre se cuidavam e se preveniam pra justamente isso não suceder?
Foi então que ela se recordou da comemoração de dois anos de namoro, fato ocorrido há mais de um mês. Na ocasião ela e Grissom aproveitaram a folga que o supervisor conseguiu de tirarem no mesmo dia, pra comemorarem a data especial. Na ocasião seu namorado preparou um jantar delicioso pra eles, já que suas intenções de saírem pra jantar foram frustradas por um temporal que caiu aquela noite em Vegas. Desse modo a comemoração foi em casa mesmo entre taças e mais taças de um excelente vinho importado, que o casal celebrou o segundo ano do relacionamento deles. Beberam toda a garrafa de vinho e depois mais uma. Por fim a noite acabou com eles bem 'alegrinhos' se amando entre os lençóis de cetim da cama deles.
—Céus! — Sara levou uma das mãos a testa. _A gente não deve ter lembrado de usar camisinha naquela noite! — Concluiu a morena alarmada.
Pensando agora melhor naquela noite, Sara não sabia nem como eles conseguiram fazer amor já que se encontravam pra lá de "alegrinhos" de tanto vinho. Tanto que no dia seguinte estavam de ressaca total e pouco lembravam do final da noite deles. Entretanto, o resultado dela estava ali, crescendo agora na barriga de Sara.
E agora como as coisas ficariam?
Aquele romance que viviam era secreto e uma gravidez exporia a relação deles pra todos. Não que ela não quisesse que aquele romance viesse à tona. Queria! De uns tempos pra cá vinha sentindo essa vontade de escancarar pra todos, que Grissom e ela vinham vivendo uma relação muito além da profissional. E agora mesmo que teriam que fazer isso!
Tinha certeza que essa "novidade" ia deixar a todos estupefatos. Já até podia vislumbrar as caras assustadas que todos exibiriam quando soubessem que Grissom e ela estavam se relacionando, e mais ainda, quando contasse que em sua barriga agora crescia o fruto desse amor. Seu namorado também, certamente, se surpreenderia com aquela notícia.
Essa novidade implicaria em mudanças tanto na vida dela quanto na de Grissom.
Será que eles estavam preparados pra tais mudanças?
Ela não se achava preparada pra isso agora e nem nunca!
Em sua vida não se imaginava em tal papel de mãe. Até porque a única referência de figura materna que tinha, não era das melhores. E não sabia se um dia seria capaz de executar tal papel de uma boa maneira. Além do mais, nunca levou jeito com crianças. Mas agora, diante das circunstâncias, teria que arrumar jeito já que em sua barriga estava seu filho.
Seus olhos se encheram de lágrimas com a menção daquela pequena palavra: filho. Suas mãos instintivamente foram parar ambas sobre a barriga lisa, que em alguns meses estaria volumosa; e então um sorriso feliz e emocionado foi surgindo de maneira lenta e singela.
Mãe!
Ela seria mãe e seu namorado pai!
Alegria maior que essa que sentia agora, após o susto inicial da descoberta da gravidez, certamente, não houvesse nesse mundo. Era uma coisa mágica e inexplicável. Só fazia alguns minutos que havia descoberto aquele fato e já sentia um amor grande e indescritível pelo serzinho em sua barriga, que nesse começo da gestação tinha o tamanho de um grão. Seu grão e de Grissom.
Sorriu deixando duas lágrimas escorrerem por seu rosto.
Uma vida estava sendo gerada dentro dela. Outro coração além do seu agora batia dentro dela. E seu namorado precisava saber disso quando chegasse em casa de volta da viagem que tinha ido fazer.
Há duas semanas Grissom estava fora da cidade. Foi participar de uma Conferência de Entomologia Forense na Universidade da Carolina do Sul, a qual foi convidado a dar algumas palestras. Durante sua ausência não houve um dia em que Sara não sentisse sua falta. E, agora, ansiava mais que tudo por sua chegada pra lhe partilhar essa grande e linda novidade na vida deles. E contar algo assim tinha que ser de maneira especial, tão especial como aquela notícia era pra ela e seria para o pai de seu filho. Desse modo teve a ideia de sair pra comprar um presente que contasse ao futuro papai que a família deles ia aumentar.
Checando as horas no celular que se encontrava sobre o móvel ao lado da cama, Sara viu que eram 15h20min. Seu namorado chegaria lá pelas seis. Tinha tempo de sobra pra ir ao shopping comprar o presente e voltar pra casa para esperar Grissom chegar. Gostaria de ir buscá-lo no aeroporto, mas acharam melhor não pra evitar que alguém os visse juntos.
Trocou de roupa rápido, apanhou a chave do carro, bolsa, o celular e saiu de casa apressada e animada pra comprar o presente da surpresa que acabou de bolar para seu namorado.
****
Sentado numa poltrona do aeroporto a espera do seu vôo que sairia em quarentena minutos, Grissom vire-mexe sorria discretamente do bombardeio curioso e engraçado que um garotinho fazia ao pai. O menino devia ter uns quatro ou cinco anos de idade julgou o supervisor, e ele estava acomodado duas poltronas depois de Grissom, ao lado dele estava o pai do garoto.
Desde que tinha se acomodado ali o pequeno enchia de perguntas o pai, que calmamente lhe respondia a tudo sempre com um sorriso.
Sorriso era também o que Grissom exibia com discrição enquanto vire-mexe observava o garotinho e fazia suas palavras cruzadas pra passar o tempo até o chamado do vôo.
Era impossível não sorrir e se divertir do pequeno falante curioso, que pelo que identificou, iria fazer sua primeira viagem de avião. O garotinho era uma coisa linda, tinha cabelos escuros e lisos, era magro, quase franzino, rosto oval, olhos escuros e trajava bermuda jeans com suspensórios, camisa do homem-aranha e botinas.
—Papai ainda vai demorar muito pra pegar o avião? Faz um tempão que estamos aqui já. Tô cansado. — O garotinho reclamou cruzando os braços e olhando com certa insatisfação para o pai.
O homem sorriu de seu pequeno emburrado e olhou pra Grissom balançando a cabeça.
—Está cansado de quê meu pequeno aranha?
O menino suspirou e disse que já estava cansado de ficar esperando sentado ali naquela cadeira.
—Falta pouquinho, filho. — O homem afagou os cabelos do menino. Depois tirando de uma mochila um tablet, estendeu o aparelho para o filho se distrair brincando no jogo educativo que ele tanto adorava.
Grissom apenas observava os dois. Com o menino já se entretendo com o aparelho eletrônico, o pai dele olhou para Gil e sorriu.
—Filhos! São umas coisinhas adoráveis, mas dão um trabalho e às vezes é tão difícil domá-los e criá-los, né?
Grissom não era a pessoa mais indicada pra opinar àquele respeito, já que não era pai. Desse modo se limitou a apenas dizer:
—Deve ser. Não sei.
—Você não têm filhos?
—Não.
Há muitos meses sua namorada chegou a lhe questionar muito superficialmente sobre esse assunto. Na ocasião ele disse que um dia adoraria, mas a verdade é que já se achava um pouco passado pra tal "posto". Só que ele tinha que admitir que apesar disso, sonhava (ultimamente com certa insistência e frequência) com o dia em que teria em sua vida uma criaturinha que seria a mescla perfeita dele e Sara.
—Pois quando tiver, verá que é difícil, ainda mais quando se é pai solteiro como no meu caso. Mas apesar das dificuldades... — O homem sorriu e lançou um olhar cheio de ternura para seu filho. Grissom o acompanhou no olhar e também fitou o pequeno, que sorrindo passava o dedinho magro pela tela do tablet. _...Você vê que qualquer dificuldade vale muito a pena, quando tem uma dessas coisinhas lindas nos braços e ela diz que te ama. — O sujeito voltou seu olhar a Grissom e então finalizou, dizendo com um sorriso: _Isso é a melhor coisa da vida, senhor.
Vendo o sorriso feliz e emocionado que o estranho estampava e observando por um segundo o pequeno filho dele, Grissom imaginou que devia ser mesmo. E, ali, naquele momento, ele se viu desejando como nunca um filho para o mais breve possível. Não importa que já estivesse um pouco "passado" para o papel de pai ou que uma gravidez de Sara revelasse o relacionamento deles para todos. Tudo o que ele desejava nesse momento era uma família completa! E ia conversar com sua namorada sobre isso novamente.
*****
Quase duas horas após ter saído de casa, Sara retornava toda sorridente e empunhando em uma das mãos a sacola que continha a caixinha com dois presentes devidamente embalado para o futuro papai.
Não imaginava que fosse ser tão difícil de escolher coisas de bebê como foi. Sua intenção inicial era comprar apenas um objeto, mas se encantou também por outro e não resistiu em comprá-lo muito por conta de um detalhe fofo, na verdade se tratava de uma frase linda que tinha certeza que ia deixar seu namorado bobo assim como ela havia ficado.
Sorrindo a mulher foi seguindo pelo corredor de seu apartamento tendo em seu encalço Hank, o cão de raça boxer. Era difícil pra Sara conter o sorriso alegre que facilmente lhe escapava desde a recente descoberta da gravidez. Aquilo ainda lhe parecia um sonho.
Entrando no quarto a morena depositou sobre a cama a sacola do presente. Dirigiu-se ao criado-mudo sempre sendo seguida de perto por Hank. Da gaveta do móvel situado ao lado direito da cama, Sara tirou: um pequeno bloco de papel branco, um envelope da mesma cor e uma caneta azul. Sentou-se na cama e se pôs a escrever algumas palavras ao namorado. No caminho pra casa teve essa ideia como forma de complemento da surpresa.
Não precisou pensar muito nas palavras que colocaria ali, pois estas vieram de maneira fácil e natural. Finalizada sua escrita, dobrou o papel ao meio e guardou-o no envelope. Ainda no verso do mesmo colocou: 1+1=3.
Feito isso, ela tirou da sacola a caixa contendo os dois presentes e depositou-a bem ao centro do móvel onde estava sentada. Por fim sobre a caixa ficou o envelope com os dizeres do verso à vista para que este fosse a primeira coisa que Grissom lesse antes de ler o conteúdo daquele envelope.
Surpresa armada e devidamente pronta! Agora era só esperar pela chegada de Grissom.
—Como será que o seu pai vai reagir quando souber que a nossa família vai aumentar, hein Hank? — Ela acariciou o cão que havia se sentado perto dela e repousado sua cabeça sobre as pernas da mulher. _Acha que ele vai gostar? — O cachorro latiu na mesma hora fazendo a dona sorrir. _Vou considerar isso como um sim. E, eu também concordo com você!... Acho que o papai vai gostar muito de saber que você está aí dentro, viu bebê? — Ela tocou sua barriga com a outra mão livre, repetindo assim a recém-adquirida mania, que certamente se estenderia ao longo da gravidez toda.
*****
Acomodada no sofá com um grosso lençol jogado sobre suas pernas pra aplacar o frio intenso que fazia nesse inverno em Las Vegas, Sara assistia à um documentário na TV tendo a fiel companhia de Hank que estava deitado no tapete, quando ambos escutaram o barulho de chave na porta de entrada do apartamento. Enfim Grissom havia chego!
Virando-se no sofá e ficando de joelhos no mesmo, Sara viu Hank correr rápido pra porta a fim de recepcionar o dono. Tão logo Grissom abriu aquela porta, o cão pulou no supervisor assustando-o e arrancando sorrisos de Sara por isso.
—Ele estava morrendo de saudades de você. — Ela contou ao ver a festa do cão em recepcionar o dono.
—Eu também estava com saudades de você, amigão. — Grissom afagava a cabeça do cão.
Segundos depois de dar a devida atenção a Hank, Grissom empurrou sua mala pra dentro do apartamento e fechou a porta.
—Ei! Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? — Sara notou a mudança brusca no semblante dele ao lhe encarar após fechar a porta. De sorridente seu namorado agora estava sério.
—Me diz você, Sara. — Ele rebateu jogando suas chaves sobre o aparador. _O que está acontecendo com você, honey?
Em alguns passos ele já se aproximava do sofá onde sua namorada estava.
—Comigo?? — Ela franziu a testa em susto. _Como assim, Gil?
—No meu desembarque no aeroporto encontrei a Catherine que estava ali pra apanhar a mãe dela que voltava de uma viagem. — Ele começou contando. _Cath me ofereceu carona e durante o trajeto pra cá comentou comigo que estava preocupada com você, que só passou mal a semana toda. Ela ainda me contou também que mais cedo você até ligou pra ela e pediu hoje dispensa do trabalho alegando que não estava se sentindo bem de novo.
Catherine por que foi contar isso?, Lamentou-se Sara em pensamento. Isso que contou a amiga tinha sido uma pequena mentira. Estava ótima! Mas inventou tal mentira pra ficar em casa e assim contar a boa nova ao namorado. Só não esperava que Catherine lhe dedurasse nisso.
—O que é que você tem, Sara? Por que não me contou nada disso quando eu te ligava pra saber como estava?
Sua cobrança saiu num tom brando, mas seu semblante denotava explicitamente sua preocupação com o estado de saúde de sua namorada. E no fundo o supervisor estava até zangado com essa omissão de Sara. Ela podia ter lhe contado que não passou bem. Agora ele fica sabendo desse fato por intermédio de Catherine. Certamente, se sua amiga não comentasse nada a respeito, sua namorada não lhe diria coisa alguma pra não preocupá-lo.
Diante da cobrança do namorado, Sara ficou momentaneamente sem fala. Tinha sido pega totalmente de surpresa com aquela situação. Não contava em hipótese alguma com esse encontro entre seu namorado e Catherine, muito menos com sua colega de trabalho lhe derrubando para Grissom.
Droga, Cath!
Pra não estragar a surpresa dando explicações que acabariam revelando a boa nova naquele momento, a morena resolveu desconversar o assunto e desviar a atenção de seu preocupado namorado.
—Sério que depois de quinze dias longe, você vai querer ficar brigando comigo, ao invés, de me abraçar e beijar? — Ela fez uma cara de triste pra amolecer Grissom. _Assim como o Hank, eu também morri de saudades de você, sabia?
Essas palavras finais de Sara fizeram a pequena zanga de Grissom com ela cair por terra e ele deixar a cobrança momentaneamente de lado, exatamente como a morena queria.
—Me desculpe. — Ele abraçou a namorada e lhe deu um beijo logo em seguida. Um beijo longo, apaixonado e demorado pra matar a saudade que ambos sentiam do outro. _Eu também morri de saudades de você, honey. — Ele não imaginava que a saudade dela fosse ser tão grande como foi. Em seus últimos dias longe de casa aquele sentimento já era gigantesco. Mas agora estava de volta aos braços e aos lábios que tanto lhe fizeram falta nesses dias todos longe.
—Nem parece, já que estava brigando comigo. — Ela resmungou com uma fingida mágoa. Sabia que o comportamento dele de ainda pouco só era pura preocupação.
—É que fiquei tão preocupado quando a Catherine me informou dos seus constantes maus-estares ao longo da semana, que me portei daquele jeito. Me perdoe.
—Está perdoado. — Ela lhe roubou um beijo rápido.
—Por que não comentou nada comigo sobre seus mal-estares, quando eu te ligava, Sara? — Tornou a cobrar o supervisor, porém sem a mesma zanga de anteriormente.
Vendo que a preocupação do namorado persistia e não acabaria enquanto não lhe desse uma resposta satisfatória, Sara então resolveu dar uma 'desculpa' qualquer.
—Não ia adiantar nada contar, amor.
—Como não?
—Gil, você estava longe e eu sabia que ia só te deixar mais preocupado ainda se contasse o que estava me acontecendo. — Ele fez menção de interromper a fala dela, mas Sara depositou dois dedos sobre os lábios do amado e prosseguiu, sua fala: _Além do mais foram maus-estares passageiros. Depois que eles iam embora, eu ficava ótima, amor. De verdade!
—Ainda assim, eu gostaria que tivesse me contado isso. Não me esconda quando passar mal de novo, Sara. Perto ou longe, eu quero saber. Tá bom?
Se era isso que ele queria assim seria. Até porque quando lhe revelasse sobre a gravidez não teria como lhe ocultar os próximos mal-estares decorrentes desse período.
—Okay! Da próxima vez que eu passar mal, você será informado. — Sorrindo, ela afirmou enquanto deslizava a mão pela lapela do sobretudo escuro que seu namorado usava pra se aquecer do frio lá fora.
—Eu não estou brincando, Sara. — Retrucou o homem sério e entendendo que o sorriso de sua namorada deixou escapar era de brincadeira e não de felicidade com a gravidez que ele até o momento desconhecia.
—Eu sei que não.
—Você por acaso procurou um médico pra saber a razão desses maus-estares?
—Vou procurar depois, okay? — Grissom já ia contestar isso, mas Sara foi rápida em trocar de assunto. Aquele já tinha dado! _Agora me conta como foi lá na conferência. — Ela o puxou pra dar a volta no sofá e vir se acomodar ao seu lado no móvel.
Ciente de que sua namorada só estava fugindo do assunto, Grissom balançou a cabeça e não ousou dizer nada a respeito. Mais tarde eles falariam novamente sobre aquele assunto dela e seus mal-estares. Aquele tema ainda não havia terminado ali pra ele.
—Foi muito bom! — Respondeu o homem após acomoda-se ao sofá. _Muitos alunos ávidos por conhecimento. — Sorriu ao recordar dos jovens nas suas palestras. Todos em sua maioria mostravam-se cheios de curiosidades em aprender e questionar. _Inclusive havia uma moça que me lembrou muito você, pois ela era bem curiosa e fazia muitas perguntas interessantes e bem pertinentes.
—Ah, é? — Sara esboçou um sorriso enquanto seu namorado assentia positivamente em resposta. _E ela depois da palestra, por acaso assim, não foi falar com você, encheu sua bola e te convidou pra um café com a desculpa furada de que esclarecesse mais algumas dúvidas dela sobre entomologia forense, foi?
O homem de olhos claros abriu um sorriso gracioso ao detectar o ciúme implícito naquela pergunta feita por sua linda namorada. Ela e seu ciúme indisfarçável.
—Ela até foi falar comigo, mas estava acompanhada do noivo. — Grissom deu bem ênfase a última palavra.
Sara sorriu satisfeita. Menos mau que havia um noivo. Detestava outras mulheres se assanhando para o lado de seu namorado. Já bastava as do laboratório e algumas outras nas cenas de crime que às vezes investigavam juntos.
—Você me parece tão cansado. — Ela comentou ao notar seu semblante que carregava um abatimento visível assim como as olheiras.
—E eu estou mesmo. — Concordou Grissom dando um suspiro. _Foram dias de uma maratona de palestras. Mas apesar do cansaço, eu gostei da experiência. Só não quero repeti-la tão cedo.
—Por que não se acabou de dizer que gostou?
—É que ficar tantos dias longe de você não é algo que eu queria repetir por um bom par de tempo.
Ela sorriu enternecida com aquela pronta resposta dele. De alguém que tinha dificuldades em externar certas opiniões, sentimentos e afins, seu namorado conseguiu mudar bem isso. Mais "aberto", ele há um bom tempo já não ocultava mais o que pensava ou sentia, muito pelo contrário, botava pra fora. Falava! O que Sara achava muito bom.
—Nem eu também quero ficar longe de você por tantos dias assim. — Ela admitiu com um sorriso.
Até porque precisarei de você por perto pelos próximos nove meses!, Pensou a mulher com alegria.
—Bom saber! — O supervisor deu um beijo em sua namorada. _... Agora eu preciso de uma boa ducha quente e depois ficar bem agarradinho com você nesse sofá já que não irá trabalhar hoje.
Esse último comentário de Grissom deu a Sara a deixa exata pra ela fazê-lo ir de encontro a surpresa que o aguardava no quarto.
—Ótimo! Então vá lá tomar sua ducha que eu te espero aqui.
—Prefiro que venha comigo. Vem? — Ele propôs carinhosamente. Ia aproveitar a oportunidade pra matarem um pouco as saudades e também tocar no assunto do filho.
—Ir tomar banho com você?
—É! — Confirmou o homem escondendo o rosto no pescoço da namorada.
E agora?, Pensou Sara.
Seu namorado tinha que ir sozinho ao quarto e descobrir por si só a surpresa que havia pra ele lá no cômodo. Foi então que ela teve uma ideia pra "escapar" desse convite.
—É que eu pensei em ir preparar duas xícaras de capuccino pra gente enquanto você está no banho.
Grissom afastou o rosto do pescoço de Sara e sorriu.
—Hum... Capuccino! — Resmungou o homem fechando os olhos. _... Adoro o seu. Senti falta dele também. — Admitiu o homem recostando a cabeça no encosto do sofá e abrindo mais ainda o sorriso e com isso deixou em evidência suas covinhas. Covinhas estas que Sara torceria para o bebê deles herdar do pai, bem como também, os olhos cor de mar, o sorriso e mais tantas outras coisas que ela adorava em seu namorado.
—Pois então, senhor... — Sara deslizou carinhosamente a mão pelo rosto barbudo do namorado. _...Você vai tomar sua ducha quente e eu vou providenciar nossas xícaras de capuccino.
—Okay! — Abrindo os olhos o supervisor concordou com a namorada, porém não muito satisfeito com isso, pois queria a companhia de Sara no banho. _Vou tomar a minha ducha... Sozinho, já que me dispensou pra preparar capuccino.
A morena sorriu do charmoso drama que seu namorado acabou de fazer.
—Não conhecia esse seu lado dramático. — Brincou a morena fazendo-o sorrir.
Eles trocaram um novo beijo e na sequência Gil se levantou do sofá, foi apanhar sua mala perto da porta e seguiu em direção a sua suíte para ir cuidar de tomar sua ducha. Sara apenas o acompanhou com o olhar ansiosa pra que ele descubra logo a novidade. Assim que ele sumiu pelo corredor acompanhado de Hank, ela saltou do sofá e foi pra cozinha esperá-lo.
Com Hank em seu encalço, Grissom entrou no quarto puxando sua mala com rodinhas a qual logo já deixava encostada ao lado da cômoda onde ficavam guardadas as roupas de cama.
Enquanto se livrava do sobretudo e era observado por seu fiel amigo Hank, Grissom notou algo na cama. Era uma caixa que parecia ser um presente.
De maneira lenta o supervisor se aproximou em poucos passos do móvel onde o embrulho estava. Tirou o sobretudo juntamente com o palitó e largou ambas as peças sobre o colchão. Ainda encarando o embrulho, o homem afrouxou o nó da gravata e viu Hank saltar na cama.
—Ei! Não, Hank. — Ralhou na mesma hora enquanto afastava o cão de perto do presente o qual Hank já ia abocanhar e certamente, destruir em segundos. _Desce! — Ordenou Grissom e foi prontamente atendido pelo cão, que se acomodou deitado sobre o tapete e ficou a encarar o dono.
Sentando-se na cama o supervisor observou mais atentamente a caixa quadrada sem sequer ainda fazer menção alguma de tocá-la. Desviou o olhar dela pra porta do quarto por um breve instante e sorriu ao entender a razão pela qual sua namorada não quis vir com ele ao quarto. Aquele presente ali era bem uma surpresa pra ele que ela não queria estar junto quando visse.
"Sara... Sara... Você e suas surpresas!", Pensou com o olhar já voltado novamente para o presente. Sua namorada gostava de lhe fazer surpresas, descobriu isso com poucos meses de namoro. Ela sempre dava um jeito de lhe surpreender com pequenos 'mimos'. E aquele ali certamente era mais um pra lista.
Pegou primeiro de cima da caixa lilás clara enfeitada com um laço branco, o envelope de mesma cor do laço. Leu o que havia escrito no verso e franziu a testa sem entender muito bem o que aquilo significava.
"Um mais um é dois, e não três!", pensou o supervisor com um sorriso divertido e balançando a cabeça de um lado para o outro. O que Sara havia tramado já? E o que aqueles dizeres representavam?
Grissom abriu o envelope e de dentro dele puxou um papel que estava dobrado ao meio. Depois de desdobrar o papel, ele leu:
Gil,
Eu já te amava
de verdade
e com muita
intensidade.
Tanto que o nosso amor transbordou
e nossa vida
magicamente mudou.
Aquele amor
mudou de vez
não é mais nós dois,
Agora... Somos Três!
Aquelas três últimas palavras do texto escrito com a caligrafia caprichada de Sara fizeram Grissom franzir a testa e ficar momentaneamente confuso com o significado de tais dizeres finais.
Resolveu então ver o conteúdo daquela caixa. Desfazendo o laço e tirando a tampa da mesma, o supervisor encontrou lá dentro um lindo par de sapatinhos brancos com uma engraçadinha aranha sorridente bordada na lateral de cada par e além disto, ainda havia também um babador onde se lia: "O babador é meu, mas empresto pra você, papai!" .
Essas "evidências" todas imediatamente 'desconfundiram' a cabeça do supervisor e lhe deixaram bem clara a notícia por trás daquilo tudo.
Ele ia ser pai!
Uma bomba de sentimentos explodiu dentro dele no mesmo instante fazendo seu coração acelerar e os olhos encheram-se de lágrimas em frações de segundos. Ainda bem que estava sentado ou do contrário, teria desabado no chão tamanha era sua emoção e alegria por aquela notícia.
Um bebê viria pra aumentar a família deles. De dois, eles passariam a ser três, ou melhor, quatro contando com Hank.
E pensar que ele pretendia ter uma conversa com sua namorada justamente sobre a possibilidade de eles começarem a "trabalhar" nessa questão de um futuro herdeiro. Agora, não seria mais preciso conversar nada, pois o bebê já estava à caminho.
Mas espera... Como isso era possível se eles se preveniam?
Quer saber não importa!
O importante era que seria pai e estava feliz com tal notícia.
Foi inevitável não recordar-se naquele instante das palavras de Irving, o sujeito do aeroporto, que era o pai do pequeno Adam, o garotinho curioso. Em breve, se desse tudo certo e daria, Grissom sentiria na pele as dificuldades e os prazeres de ser pai de uma criaturinha que seria sua e de Sara.
—Um filho!... Sara vai ter um filho meu! — Sorrindo abobalhado e deixando que as lágrimas corressem soltas por seu rosto, o homem murmurou, encarando o babador que ainda segurava.
Precisava falar com Sara e ouvir de sua boca a confirmação daquela notícia. Se levantando da cama, o homem saiu rapidamente do quarto sendo acompanhado de perto por Hank.
Chegou a sala e ali notou a ausência de sua namorada. Deduziu que ela estivesse na cozinha fazendo os capuccinos. Seguiu pra lá no mesmo instante. E, lá ele a encontrou.
*****
Sara já andava de um lado para o outro da cozinha agoniada com a demora de seu namorado em vir atrás dela pra comentar sobre a boa nova.
Céus! Será que ele foi acometido por algum mau súbito ao descobrir a notícia por trás do presente que lhe deixei na cama?
Talvez teria sido melhor tê-lo acompanhado e ter contado ela mesma a notícia, ao invés, de lhe deixar descobrir sozinho aquela novidade através dos presentinhos que lhe comprou com esse intuito.
Longos minutos iam passando e nada dela o vir ou ouvir sua voz ou qualquer sinal seu indicando que já tinha descoberto a boa nova.
—Eu acho melhor ir vê se ele...
Ela nem teve tempo de completar, pois ao virar-se na direção da porta viu seu namorado adentrando a cozinha com uma expressão emocionada e trazendo numa das mãos o babador.
—Isso é sério mesmo, Sara?
Tudo que ela conseguiu fazer em resposta foi balançar a cabeça positivamente. Seus olhos logo já se enchiam mais uma vez de lágrimas de alegria e felicidade, assim como os de Grissom já se encontravam pela mesma razão.
—Eu vou ser pai?!
Ele caminhou se aproximando de sua namorada que estava com os quadris escorados a pia.
—Vai, sim! — Sara confirmou com um sorriso em meio as lágrimas que lhe escapavam aos olhos.
Aquela confirmação dela rendeu a eles um abraço apertado, duradouro e emocionado. Eles riram juntos, choraram e se beijaram em alegria pela boa notícia. Aquela era a melhor notícia da vida de ambos.
—Como? — Ele quis saber.
—Eu não preciso te explicar como se faz um bebê né, Gil? — Ela sorriu e ele também.
—Não. Mas a gente sempre usava proteção.
—Esquecemos de usar na comemoração do nosso aniversário de namoro.
Ele lembrou da ocasião e sorriu ao se dar conta que no estado que estavam era de se esperar que não tivessem lembrado da camisinha.
—Estávamos bêbados.
—Eu diria alegres.
—Também.
—Eu prometo ser um bom pai pra ele ou ela, Sara. — O supervisor segurou com ambas as mãos o rosto de sua amada.
—Não precisa prometer, porque tenho certeza de que você será um excelente pai, Griss.
Ele sorriu com ternura.
—E vou ensinar tudo sobre insetos ao nosso filho.
Agora foi a vez de Sara sorrir ternamente enquanto deslizava a mão pelo rosto de seu namorado pra enxugar suas lágrimas de felicidade.
—Disso eu não tenho dúvidas.
—E também vou ensinar sobre basebol.
Tudo o que ele sabia, ensinaria ao filho(a). Daria o melhor de si para ser um pai que futuramente seu herdeiro se orgulhasse.
—Basebol? O esporte que você acha bonito?
Ambos sorriram felizes e ainda bem emocionados com tudo aquilo.
—Nós vamos ser três. — Grissom murmurou juntando sua testa a de Sara.
—É... Vamos!
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