O celular toca, sua música predileta, ela atende mesmo já sabendo quem é.

- Oi. — Fala tentando soar seca.

- Oi meu amor! Tô chegando agora na casa do Doido, quero te ver.

- Tá. Vou tentar ir.

- Qualquer coisa me liga. Beijos.

"Não deveria nem ir ao teu encontro, mas dessa vez será diferente, eu sei que será!" — Pensou consigo.

- Mãe, estou saindo. — Grita a morena do seu quarto, pegando uma bolsa e enchendo-a de coisas.

- Pra onde mocinha? — Pergunta séria sua mãe.

- Resolver algumas coisinhas. Volto logo. — A morena dá um beijo no rosto de sua mãe e antes de sair do quarto se vira e a fita com intensidade. — Te amo muito mãe. Você foi a melhor mãe que Deus poderia ter me dado. — Ela dá um meio sorriso e sai.

A mãe de Olga não percebeu nada de estranho naquela declaração de amor, a menina vivia enchendo-a de carinho, ela era a filha do meio, um pouco mimada por ter sido a única mulher.

No caminho para mais um encontro, os olhos castanho-claros transmitiam um misto de tristeza e decisão. Seu coração estava em guerra com sua mente, ela era inteligente, sempre tirava as melhores médias na escola, tinha planos, mas algo a deixou tão vazia, e esse algo a matava cada dia um pouquinho mais.

- Oi. — Falou ao chegar na casa de seu amigo, Luiz, mais conhecido como "Doido".

- Oi. — recebeu um selinho de Kirius, um homem um pouco mais alto que ela, olhos castanho-escuros e cabelo baixo e loiro-escuro, seu corpo apesar de ter uma musculatura forte não era nem um pouco atraente e seu hálito de cerveja fazia com que ela tremesse.

- Você já começou a beber? — Perguntou mais como uma acusação que uma indagação.

- Vai começar? — Perguntou com desdém o loiro.

- Já parei. — Respondeu seca. Cumprimentou os outros três rapazes que estavam bebendo também, entre eles estava seu amigo Luiz. Ela nunca compreendera o porquê dele deixar que todos fizessem a casa dele de bar e motel.

O loiro a abraçou, ela deixou-se levar por aquele abraço, se entregou por completo, mesmo sabendo que tudo aquilo era só um jogo de sedução, ela entregava seu coração enquanto ele só queria seu corpo.

Ele fitou-a nos olhos com desejo ardente, urgente e incontrolável, beijou-a e puxou-a para mais perto de si. Seus beijos eram ávidos, sôfregos, impacientes. Ela quase não respirava quando beijavam-se assim. E tiveram que parar, o fôlego começou a faltar, e separaram-se um pouco.

- Senti sua falta. — Olga disse num sorriso contido.

- Também. — Falou Kirius sem emoção. — Vamos para o quarto? Para ficarmos mais à vontade?

- Tá. — Falou com um falso sorriso no rosto, enquanto por dentro desmoronava mais um pedacinho de seu lindo castelinho de areia.

Ao chegarem no quarto, Olga colocou sua bolsa ao alcance de sua mão. Tirou sua própria roupa e deitou-se na cama, esperando-o. Ele deitou-se em cima dela e sem nenhum carinho preliminar começou a penetrá-la. Ela gemia de dor e prazer ao mesmo tempo, ela sabia que era assim, mas gostava dele, e queria saciar seu desejo de vê-lo sorrir, mesmo que para isso precisasse sair machucada, mas aquela seria a última vez, ela havia prometido a si mesma.

- O que você sente por mim? — Saiu da boca dela antes que pudesse evitar.

- Já lhe disse! Você é gostosa e sinto uma atração forte por você. — Falou ele entre uma estocada e outra.

- Eu te entrego meu coração toda vez, e você só quer meu corpo? — Perguntou quase chorando, sem saber se era a dor da transa ou a dor das respostas dele.

- Assim não dá. — Ele saiu de dentro dela e sentou-se na cama. — Você vai começar a chorar ou vai ficar falando, isso faz qualquer cara brochar.

- Desculpe! — Ela pediu com sinceridade. — Mas se é só o meu corpo que você quer, eu tenho um presente pra você.

- Como assim? — Kirius perguntou sem entender.

Olga puxou sua bolsa, tirou de dentro dela uma pequena lâmina e cortou seu pulso, antes que o loiro pudesse ter qualquer reação.

- Você é louca? o que você está fazendo? — Começou a gritar deseperadamente.

- Te dando meu corpo, e levando embora meu coração. Esse é o presente que você sempre quis. — A morena já falava com um fio de voz, seu pulso fora cortado com força, o sangue jorrava e ela estava cada vez mais fraca, já esmorecendo, viu Kirius pegar o celular e ligar pra emergência, o viu chegar perto dela e o viu chorar. Ela tentou falar que o que ele queria estava ali, o corpo dela estava ali, mas sua voz não saiu, e sentiu-se ficar gélida, fria e com frio.

Quebraram a porta do quarto e os outros três homens entraram. Ficaram chocados e sem saber o que fazer.

Kirius correu para perto dela tentou esquentá-la com seu corpo, tentou fazer o sangue parar, ficou desesperado, gritou, ele mandou todos sairem, ficou chorando ao lado do corpo da morena, e quase sem voz gritou:

- Eu sempre te amei, nunca tive coragem para falar, mas eu não quero o teu corpo se ele não tiver o calor do teu coração. Minhas transas contigo nunca são somente transas, com as outras eu poderia fazer sexo, com você sempre foi amor, eu mascarava isso te fazendo sofrer e só agora percebi o quanto te machuquei. Quem me dera voltar no tempo e poder dizer que te amo e ver teus olhos brilharem como no início de tudo. Por que você não me matou no seu lugar?

Ele chorava deseperado, e então o socorro chegou, mas já era tarde. Ele ainda estava nu e não havia nem percebido, ela também estava nua e só quando os policiais chegaram foi que ele entendeu o que realmente havia acontecido, só então ele percebeu que não foi um pesadelo, que foi real, só então ele se deu conta que perdera a mulher que tanto amara.

Notas finais
Eu não sou a favor do suicídio, e acho que quem tira sua própria vida não o faz por amor e sim por egoísmo. Mas a inspiração veio e o que eu queria mostrar é o fato que deixamos de falar coisas que poderiam salvar vidas, que poderiam mudar o curso da história, mudar tudo. Então, se você ama alguém, conte-lhe isso, mesmo que você seja incompreendido, mesmo que a pessoa não valha a pena, não guarde em segredo os seus sentimentos, mesmo que pareça bobo no início, você verá que foi mais que corajoso ao falar o que a maioria esconde.

Ahh, Reviews??? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!