Agora É Guerra!

12 Aquele das mochilas esquecidas.


Notas iniciais
Dedicado à Nock, Arqueira Yuuki, Matt, Naah, Dreyar, Guaxinim e todos aqueles que comentaram, favoritaram, leram e ainda não desistiram dessa estoria.

Eu nunca cheguei tão rápido ao meu apartamento. Nem mesmo me incomodei em esperar um ônibus, pulei dentro do primeiro táxi que vi. Assim que paguei pela corrida e entrei no apartamento voei para o meu quarto, dando apenas um olá rápido a minha mãe que preparava algo na cozinha.

Fui em direção ao banheiro deixando um rastro de roupas jogadas pelo quarto.

Eu precisava de um banho. Existia um milhão de pensamentos em minha mente e nenhum que eu realmente conseguisse entender. Afinal, estaria eu atraído pelo Sean? Estaria ele por mim? Por que eu tinha fugido, se no fundo eu desejava por um beijo? Eu estava mesmo admitindo querer mais um beijo?

Mas de todos os pensamentos o que mais me assustava era a pequena probabilidade de estar gostando de alguém, alguém que não fosse o David. Afinal, quando com o loiro, o meu melhor amigo nem sequer passava pela minha cabeça, era como se o brutamontes me eliminasse de todo o mundo exterior, e isso me assustava, muito.

Fui sendo levado pelos meus devaneios durante bastante tempo. Só fui dar-me conta quando meus dedos completamente engelhados, começaram a ficar dormentes. Enrolei-me em uma toalha e sai do boxe. Em frente a um grande espelho fiquei analisando-me. Aquele garoto loiro com tanto dom para decepções.

“Por que você é tão estupido?” Perguntei mentalmente ao meu reflexo, para depois rir um pouco da minha estupidez, por mais que no fundo eu realmente quisesse aquela resposta.

– Daniel, tem um amigo seu na porta! – Ouvi minha mãe gritando do andar de baixo, tirando-me da minha distração. Inicialmente estranhei, o único amigo que sabia o endereço da minha mãe era o David, e ele não se dava mais ao trabalho de anunciar sua presença, simplesmente invadia a casa. – Ele está subindo. – Avisou.

Apressei-me para colocar uma bermuda já que acabara de sair do banho e ainda estava nu. Ouvi três batidas na porta, antes do meu amigo entrar. Arregalei os olhos ao ver quem era.

– Como você sabia onde eu morava? – Indaguei possuído pela curiosidade.

– Achei seu endereço no seu caderno, seus pais me disseram onde estava e aqui estou eu. – Sorriu amarelo explicando-se.

– Aqui está você, mas por que exatamente você está aqui? -

–Você deixou sua mochila na biblioteca. – Ele me estendeu o objeto. – Ou melhor, você esqueceu ela enquanto fugia de mim. – Arqueou uma sobrancelha encarando-me.

–Obrigado. – Agradeci pegando a mochila e jogando-a de qualquer maneira em um canto do quarto. – Mas não entendo o que diz por fugir, eu só lembrei de algo importante e tive que sair correndo. – Menti. – Afinal, qual seria o motivo para eu querer fugir de você? – Sorri com o canto do lábio. O Sean respirou fundo parecendo frustrado.

– Bom, eu não estou aqui só para entregar sua mochila, admito. Eu quero conversar com você. – Assumiu.

– Vá em frente, o que quer falar? – Perguntei.

– Antes de falar qualquer coisa você poderia, pelo amor de Deus, colocar uma camisa? – Pediu passeando os olhos tão rápido pelo meu peitoral para em seguida desviar os olhos para a parede mais próxima. Enrubesci, lembrando só agora estar com o peito desnudo.

– Claro, senta ai. Já volto! – Avisei antes de entrar no closet. O plano era vestir a primeira blusa que visse na frente e voltar logo ao que o Sean tinha a dizer, afinal, eu estava com um misto de ansiedade, curiosidade e nervosismo, difícil de controlar. O plano teria dado certo se a primeira blusa não estivesse rasgada, a segunda ter uma mancha na gola, a terceira me deixar parecendo um palhaço de tão colorida, resumindo, só fui encontrar algo descente lá pela sétima peça de roupa.

– Estava colocando uma blusa ou fabricando uma? – O Sean falou assim que entrei no quarto, jamais perdendo a oportunidade de me provocar. Ele estava sentado na beirada da cama e parecia extremamente desconfortável.

– Desculpa a demora, estava uma bagunça lá dentro, foi difícil achar algo para vestir. – Sorri constrangido indo sentar ao seu lado na cama, perto o suficiente para conversamos, mas longe o bastante para não precisar encostar meu corpo no seu.

Ficamos nos encarando por longos minutos e ele não parecia disposto a iniciar conversa. – Então... O que você gostaria de me falar? – Incentivei-o a começar.

Sean limpou a garganta antes de abrir e fechar a boca repetidas vezes. Acabei por cruzar os braço em sinal de aborrecimento.

– Estou esperando... — Minha voz soara um tanto quanto infantil.

– Desculpe. — Respirou fundo. — Serei direto. -

– É isso que eu quero. — Respondi pouco paciente.

– É que... – murmurou com a voz rouca. – Estou atraído por você. — Completou com um sussurro, que só foi ouvido por conta da minha total atenção.

– Como? — Perguntei entre risos. Eu geralmente começava a rir em momentos inoportunos.

– Eu não to brincando, tá bom? — Sua voz parecia furiosa e aumentou drasticamente de volume, ele agora praticamente gritava. — Eu estou cansado de pensar em você. Eu não sei como e nem sei o porquê, só sei que o que eu mais quero é beijar essa sua maldita boca de língua afiada. — Arregalei os olhos àquela confissão. O Sean parecia estar a beira de um ataque de nervos, tremia e só faltava explodir. Era mais do que visível que não fora assim que ele planejara conversar comigo.

– Er... — Balbuciei. — Você está confundindo tudo. Começamos agora uma relação mais pacífica e isso está mexendo com a sua cabeça. Não existe atração entre nós. — Agradeci por conseguir colocar alguma confiança em meu discurso, por mais que eu não acreditasse em uma palavra sequer do que havia dito. O tão conhecido sorriso prepotente foi desenhando nos lábios rosados do garoto a minha frente.

– Você é um péssimo mentiroso. — Foi tudo que ele disse, antes de finalmente acabar com aquela distancia ente nós.

Agora eu entendia tudo. As brincadeiras que me deixavam tão irritado, aquela mania dele de me provocar, todas as frases de duplo sentido que eu sempre ignorava... Tudo se encaixava perfeitamente à medida que nossos lábios se aproximavam.

E a sensação que tive quando ambos se chocaram foi extasiante. Mesmo sem admitir eu ansiava por aquele momento. Era um desejo que mantinha guardado a sete chaves, e que agora finalmente estava realizando. Finalmente pude sentir seu gosto. Era doce, mas não enjoativo. Era aquele que te fazia querer mais e mais, do qual você nunca se cansava de experimentar. E quando dei por mim, ele já começava a pedir passagem com a língua, que foi concedida de bom grado, fazendo-me estremecer. Podia-o sentir tomar o controle daquela situação enquanto minha boca era preenchida por sua língua tão habilidosa. Uma de suas mãos foram ao meu cabelo, puxando-o, me direcionando para onde ele quisesse. Enquanto a outra passeava desesperada pelo meu dorso. Eu estava simplesmente entregue a esse fogo que queimava dentro da minha alma enquanto seu corpo grande ia cobrindo-me sobre a cama e os beijos se tornavam cada vez mais vorazes que os outros. O Sean havia tirado mais do que o meu folego, eu também dera adeus ao meu bom senso. Suas mãos adentraram minha camisa e tocaram em minha pele, fazendo-me sentir em chamas. O Sean apoiou-se com cada mão em uma lado do meu rosto, admirando-me. Eu pude vê seus olhos passeando pelo meu peitoral até encontrarem os meus, suas orbes azuis brilhavam como a de um predador. Ele ainda lambeu seu lábio superior antes de voltar aos meus com a mesma fúria e necessidade de antes.

– Espera! — Pedi ofegante no espaço entre um dos nossos beijos. Sean murmurou algum barulho inaudível quando os nossos lábios se separaram. -Acho que nós deveríamos ir com mais calma... — Sugeri afastando-me um pouco de si.

– E por quê acha isso? — Perguntou juntando as sobrancelhas.

– Por muitas razões, mas acho que você ser um hétero que me odiava há dois minutos atras já pode ser um bom motivo. — Justifiquei, finalmente recuperando minha capacidade de raciocínio. Sean revirou os olhos antes de sair de cima de mim.

– Verdade. Desculpe quanto a isso, não quero apressar as coisas. Mas é culpa sua, é difícil segurar-me perto de você. — Seu rosto enrubesceu. — Acho melhor eu ir... — Levantou-se.

– Espera! — Segurei seu braço. — Não é porque temos que ir devagar que você deva ir agora. A gente pode só conversar um pouco... — Sugeri.

– Eu adoraria. — Sorriu tímido. — Mas eu realmente tenho que ir, meus pais devem estar se perguntando onde estou. — Sean soltou a mão que o segurava e beijou a palma. — Te vejo depois meu príncipe. — E com um rosto vermelho ele deixou um Daniel completamente sem palavras para trás.

Notas finais
Gente, mil perdões. Obviamente tenho mil desculpas, todas plausíveis mas nenhuma que realmente vá justificar tanto tempo assim sumido. Só agradeço a quem continua e peço perdão por ser uma vadia dessa dimensão. Eu amo essa fic e eu vou dar um prioridade a ela em minha vida tentando postar pelo menos mensalmente. Quanto aos reviews ( se alguém ainda mandar) eu vou sim responder, muita sacanagem eu dar prioridade a novos capítulos quando nem responder aos seus deliciosos comentários eu faço. Não responderei aos antigos pois acho que não fará tanto sentido, mas de agora em diante eu prometo vou responder! Enfim, obrigada aos que entendem, e perdão aos que não :/ Capítulo curtinho só para não deixar vocês morrendo do coração. Será que tudo vai dar certo agora para nossos dois anjinhos?? Ps: Procura-se um beta