Agony
23 Nightmare
Notas iniciais
É que eu fui na casa de uma pessoa muito querida e cheguei tarde,desculpem.
Estou meio desanimada com a falta de muiiiitos leitores que provavelmente pensam que Agony realmente acabou e por mais que eu tenha mandado mensagens para avisar,elas "sumiram"
Fazer o quê?Não se pode ganhar todas...
-Não corra, eu vou te achar...
A voz ecoava sobre as frágeis paredes da casa abandonada, causando uma espécie de ruído incessante nos tímpanos do garoto que corria pelo estreito corredor, mirando portas e janelas com um desespero estampado no pálido rosto. Suas pernas bambeavam e sentia-se enojado com o ar úmido e fétido que pairava por cada rachadura que o acompanhava por cada porta fechada que embalava o ambiente.
Seus cabelos longos e castanhos grudavam como um imã na cascata de suor que descia sobre seu rosto. Enquanto sua corrida e a sensação de perseguição causavam mais e mais seu desespero, viu de relance uma escada. Subiu furiosamente, tropeçando no ultimo degrau e regredindo mais dois. Sentiu sua perna vacilar ao se levantar rapidamente, mas não podia parar.
Ele estava o perseguindo.
Não fazia ideia de como aparecera ali ou de quem estava fugindo, mas algo naquela voz aveludada e perspicaz o causava medo, pavor e uma sensação de periculosidade ao ficar parado por mais de um segundo.
Ao conseguir subir, lágrimas desceram indiscriminadamente de alivio por ver uma porta entreaberta ao chegar ao piso escorregadio de linóleo marrom.
Ouviu o peso dos passos do perseguidor pressionar o piso, como se estivesse afundando. Com um lamurio pesaroso, trancou a porta ainda chorando.
Quem é esse cara?Por que estou aqui?Perguntas transitavam e enevoaram seus pensamentos desorganizados. Uma risada cruel foi ouvida a centímetros de distância e seu desespero aumentou com a possibilidade de que o ser que estava do outro lado pudesse entrar no quarto e matá-lo. Seu coração batia descompassado e pequenos soluços saiam de seus lábios secos e entreabertos.
Quando o barulho de passos e risadas cessou,respirou mais fundo e olhou em volta,levantando-se em seguida. As paredes sujas e destacadas tinham leves espirradas de sangue, que agora, encontrava seco. O ar parecia mais respirável, mas ainda sim sufocante.
Levou uma das mãos ao peito e respirou novamente, percebendo outra porta ao fundo do cômodo sem móveis ou qualquer outro tipo de lugar para escapar. Viu-se andando mais, quase chegando perto da porta entreaberta, que projetava uma espécie de luz que iluminou sua expressão.
Mas algo naquele silêncio inspirava desconfiança e retração. Não havia nada de correto na situação e o desespero em seu rosto antes não poderia ser substituído por nenhum tipo de alivio por estar no quarto ensanguentado.
Um longo arrepio desceu pela espinha ao tocar na maçaneta suja e fraca. Ao abrir cuidadosamente, um grito ficou entalado em sua garganta.
Um corpo retalhado estava a sua frente. Cortes espalhados por toda a extensão do antes fora uma garota era a parte menos cruel do que estava vendo. Uma enorme poça de sangue ainda fresco manchava o chão de ladrilhos branco. Empalideceu instantaneamente ao ver que a garota parecia remexer-se e contorcer-se, erguendo as mãos calejadas e cortadas para sua figura trêmula e horrorizada.
Queria gritar e afastar-se do horror que estava presenciando, mas por algum motivo, suas pernas recusavam-se a cooperar. As lágrimas de pânico e a pavor pintavam seu rosto como uma obra doentia de um mestre insano, e suas pernas bambeavam mais ainda.
Sua voz não queria sair.
Ora a insanidade do momento mais a falta de voz para contemplar!Que crueldade do destino!
Sentiu novamente o arrepio anterior e logo, passos enfeitaram o quarto. Ficou paralisado ao sentir o peso de suas mãos tocarem seu ombro e apertarem quase afavelmente.
-Eu disse que iria te achar...
Despertei assustado, soando como nunca antes. Olhei presunçosamente para o relógio do meu quarto.
03h45min
Olhei para os lados, sentindo falta de uma silhueta ao meu lado. Mas em um pensamento rápido, foi melhor mesmo insistir para que Mello ficasse em casa hoje, visto que a mãe dele está com crises existenciais e precisa do projeto de filho querido para se sentir segura.
Eu me sentia mais seguro com um psicopata do meu lado.
O engraçado é que estou tendo muitos pesadelos ultimamente. E com as aulas se aproximando — Uma semana para ser mais exato, — as coisas ficam mais complicadas de algum tipo de entendimento. Não consigo entender o significado de tantas lágrimas e de tanto sofrimento projetado no que deveria ser um simples sonho e toda vez que desperto assustado, tenho que tomar outro banho para conseguir dormir outra vez.
[...]
-Outro pesadelo?-perguntou minha mãe, segurando uma caneca fumegante de chá. Entregando-a para mim. Assoprei e beberiquei um pouco.
-Nem me fale. –respondi pensativo, olhando para a nuvem fumegante que saia da caneca de porcelana. -Estão ficando cada vez mais frequentes. -observei, pousando a caneca no balcão.
Minha mãe pareceu interessada e sentou-se ao meu lado.
-Desde quando?-perguntou novamente, mas agora, com um tom diferente.
-Desde semana passada. -respondi distraído, olhando para sua face.
-Que coisa. -comentou vagamente, levantando-se em seguida. -Tente parar de ver filmes de terror.
-Mãe...
-O que?
-Não acho que ver filmes de terror seja a explicação para tantos pesadelos.
[...]
Desliguei meu celular após 12 ligações de Mello e 16 de Melissa.
Parece um apelo desesperado por paz pelo menos agora. Não faço a mínima do que os dois querem comigo, mas até de madrugada recebo ligações.
Tenho sérias dúvidas se Mello tem algum problema de memória. Brigamos da ultima vez por causa de seu temperamento possessivo e infantil, e parece que ele não ouviu nada do que falei.
Liguei a TV, procurando um canal decente para aplacar meu tédio. Minha mãe já havia saído para trabalhar e o só o som de gritos histéricos que saiam de “A hora do pesadelo” ecoava pela sala. Sorri minimente a lembrar do conselho que deu antes de desaparecer na estreita cozinha.
A campainha tocou incessantemente, causando uma leve pontada em minha cabeça. Levantei irritado, mas logo desfiz o sorriso ao ver a figura tremula de Melissa a minha frente.
Encarei-a incrédulo por alguns intermináveis segundos, assistindo suas lágrimas silenciosas descerem como cascatas pelo rosto.
Notas finais
+ de 10= Cap postado no dia ^^
+de 5 e - 10=Cap curto e quando eu quiser
- de 5=Dou um tempo
Nenhum=Nem queiram saber...
Capítulo curto,sei,mas estou chateada...
Atualizarei no Sábado.(._.)
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