Agilidade
20 Capitulo 20 - Venenum
Sam queria dizer alguma coisa inteligente ou galante para Mary, tipo "Gata, tenho certeza que você não contava com isso", mas a única coisa que ele fez foi gritar. E pior, gritar igual uma criancinha.
Se Mary não tivesse quase morrido sufocada, ele tinha certeza que ela iria rir da cara dele.
Mas se serve de consolo, qualquer um grita quando uma coluna que pesa uns bons quilos caí diretamente no seu pé.
— Isso foi incrível, Sam — Mary falou enquanto se desvencilhava das heras ao seu redor.
A única coisa que ele conseguiu falar foi:
— AIIIIIIII MEU PÉ!
Aquilo foi totalmente indigno e vergonhoso, muito vergonhoso. Mary se levantou e chutou a coluna para o lado e em um instante os pés dele estavam livres. Depois disso, bem, ele caiu de bunda no chão e começou a massagear os pés.
— O que foi incrível nisso? O meu grito histérico?— Ele falou, mau humorado enquanto tirava os tênis e meias.
Mary riu, não era um riso maldoso.
— Você fez ela desmaiar.
Só então Sam reparou na general caída no chão. Agora, ela parecia mais inofensiva. É seria uma boa ideia manter ela assim. Ele se sentiria muito heroico, é claro, se não fosse o pé. Ele cutucou braço da garota caída no chão. Bom, ela não se mexeu, mas ainda estava respirando.
— O que vamos fazer com ela? — Sam perguntou.
Mary hesitou.
— Vamos entregar ela para Ilithya, tenho certeza que ela vai saber o que fazer.
— Tudo bem, mas só tem um problema: a nossa amada diretora está em outra dimensão.
Então a mochila de Sam explodiu. Como se não bastasse estar com o pé roxo, ele tinha que ser lançado de cara em uma parede. A mochila foi despeçada por pequenas garras e com um estralido, um pequeno gato branco com listras pretas como um tigre eclodiu da mochila.
— Surpresa!!! —O gatinho gritou e deu uma cambalhota no ar.
— Mingau? — Mary e Sam falaram ao mesmo tempo.
O gato parecia decepcionado. Mingau normalmente pensa que todos amam ele e que ele é uma espécie de deus felino adorado no mundo inteiro. Ou talvez todos os gatos pensem assim.
— Não estão felizes em me ver?— Ele parecia prestes a chorar ou dilacerar alguém com garras, embora isso dependesse muito do humor.
— Ah, bem...— Sam tentou não ser rude — Estamos felizes, só que você chegou tarde demais. Uma general louca de Trivia nos atacou, mas já resolvemos o problema. Aliás, o que você estava fazendo que não ouviu o barulho?
— Eu estava dormindo— O gato falou como se fosse obvio.
Sam se perguntou que tipo de pessoa — ou felino— que consegue dormir enquanto tem uma louca cantando canções malignas. Mas Mingau é um caso á parte.
— Não era para você ir junto com Christine? — Mary perguntou cautelosamente.
O gato se deitou preguiçosamente no chão e rolou com a típica arrogância que apenas gatos conseguem ter.
— Mas eu estou com vocês.
Uma pequena ideiazinha surgiu na mente de Sam.
— Mingau, você consegue abrir um portal?— ele perguntou.
Mingau olhou para ele como se Sam fosse uma espécie de anta. O que ele, obviamente, pensava que não era.
— Para quê vocês querem um portal se já tem um aberto?— Ele indicou a parede com a patinha.
Um portal? Mas lá só havia uma parede. Não tinha nenhuma estrutura circular semelhante a qual Ilithya tinha passado. Lá só tinha pedra e plantas.
— O portal já desapareceu. Ilithya falou que o portal só abre ás 19:00 — Mary esclareceu.
Mingau riu.
Quando um gato ri da sua cara, você deve realmente parecer idiota.
— O portal está ali. Não existe isso de um portal abrir em um determinado horário, ela enganou vocês para que não a seguissem — O gato encostou a mão na parede e um espiral começou a surgir — Aqui está.
O problema foi convencer Mingau com a ideia de levar a general para Ilithya, o gato queria jogar molho de pimenta em cima e devora-la. Sam se sentiu tentado a deixar ele fazer isso, mas ela poderia saber de algo sobre Trivia e seria perda de informação mata-la. Então Sam tirou suas meias e usou para amordaçar a boca de Akhn, bom, seus poderes não estavam na voz? Então desse modo ela não podia cantar. E usar uma meia de mordaça é uma espécie de tortura.
Mary carregava Mingau no colo, como se ele fosse um bebezinho e para Sam sobrou tentar carregar a general. A garota podia parecer magrinha, mas pesava para caramba, e jeito que ele conseguiu foi arrastar ela. Imaginou por um momento a cara dela ao acordar com uma mordaça na boca e totalmente esfolada.
E ele entrou no portal. E seu corpo pareceu se partir em milhares de pedacinhos.
Perspectiva de Alec
Alexander girou o frasco que continha uma arma biológica em potencial pela milionésima vez.
O liquido através do frasco transparente parecia ser tão claro e limpo quanto água, mas quando o liquido se movimentava, um pequeno brilho avermelhado aparecia nas ondulações. Poderia ser água ou alguma poção.
Mas aquilo era um complexo de enzimas. Enzimas destruidoras.
Então ele se lembrou de como aquele frasco foi para nas suas mãos.
Ele estava no quarto de Vanessa, deitado na cama dela e olhando para o teto. Vanessa tinha sumido nos corredores do Campo de Treinamento e parecia que iria querer falar com a tia, e possivelmente iria demorar. Christine estava na cama dela, com Idia deitado no travesseiro e consequentemente, encima do cabelo dela. Alguns meses atrás, ele não suportaria a ideia de ficar em um quarto com um gato por perto, mas Idia era Idia.
O assunto? Bem, eles estavam discutindo métodos eficientes para matar Trivia.
Idia tinha sugerido que matassem Trivia enquanto ela dormia. Isso poderia funcionar, mas era muito arriscado, tinha grandes chances dela acordar, e eles seriam descobertos no dia seguinte e não teria tempo para arquitetar uma boa fuga e conseguir distância. Mas era uma ideia, caso as coisas ficassem muito, mas muito ruins. Era provável que se fizesse isso, fosse descoberto antes de fugir ou no meio do caminho da fuga.
— Isso não vai dar certo — Christine falou, agradando Idia, e Alec sempre pensou que ela paparicava a gata demais — Pode dar errado, aí você morre.
— Eu sou lindo e inteligente demais para morrer, modéstia á parte — ele objetou.
Christine levantou uma sobrancelha.
— Será que Trivia pensa assim?
Então ele decidiu que não era uma boa ideia.
Quando Alec sugeriu o tópico veneno, os olhos de Christine brilharam. Ele conhecia esse olhar. Era o mesmo olhar que ela tinha antes de colocar pó de mico sobre uma roupa. E olhe, ele viu isso muitas vezes.
— Eu tenho uma excelente ideia.
Existem dois tipos de excelentes ideias de Chrisitne. Uma era sinônimo de suicídio ou morte imediata. Outro, era excelentes ideia, geralmente aquelas que ninguém morre no plano. Alec estava rezando para ser a segunda.
Ela levantou da cama e puxou o colchão. Idia tombou de lado e xingou em grego antigo. Christine puxou uma espécie de frasco que estava debaixo da cama e sorriu angelicalmente. Ele se perguntou como o peso do colchão não esmagou o frasco, mas isso não vinha ao caso.
— Isso é uma espécie de enzima que criei a partir de modificações — ela sorriu novamente —, tinha certeza que aquelas horas a mais no laboratório da faculdade serviria para alguma coisa. Uma gotinha dessa é capaz de destruir milhares e milhares de células. Quase como um câncer, só que reduz ao nada.
Alec poderia ficar chocado ou sair correndo, como pessoas normais fazem, mas ele foi ensinado a duvidar das coisas.
Se inclinou na cama e olhou para a feiticeira.
— Prove— desafiou.
Christine sorriu.
— Quer beber?— Ela chocalhou o vidrinho.
— Não, obrigado.
Mas ela provou mesmo assim. Arrancou uma das folhas de uma planta que Vanessa tinha na escrivaninha antes que ele pudesse protestar. Colocou a folha na mesinha e cuidadosamente, com um conta gotas, ela respingou algo menor que uma gotinha na folha.
— Não aconteceu nada — ele disse.
— Observe, criatura sem fé.
Então a folha começou a murchar lentamente, como um vídeo em câmera lenta. O verde vivo começou a sumir, dando lugar á um amarelado que logo foi substituído por um marrom típico de folhas apodrecendo. A folha se enrugou até virar uma casca, que logo virou pó.
Christine não fez nenhum comentário irônico, apenas olhou para ele triunfante.
— Admita, eu sou um gênio.
— Christine, você é um gênio. E uma criadora de armas biológicas. Deuses,.o que você estava pensando quando criou isso.
Ela apenas pulou na cama novamente e deitou a cabeça nos pelos da gata, fechando os olhos.
— Apenas tinha sonhado, um dia, que estava colocando um liquido parecido este na água de Trivia. E então ela virava cinzas.
Perspectiva de Mikhail
Mikhail estava convencido que precisava dar um jeito na sala de Ilithya.
Agora que Ilithya tinha ido atrás da prisão de Rowena — o que ele achava quera suicídio, mas fazer oquê, ela sempre teve inclinação para tentar se matar —, a sala de Ilithya era para ele, pelo menos até ela voltar.
Mikhail observou a decoração. As paredes sem cor definida, bom, talvez no século passado alguém passou uma segunda mão de tinta ali, isso se tentasse soar promissor. A mesa era antiga... bom, poderia atéser que Ilithya roubou a mesa do Rei Arthur. Os quadros na parede eram de monarcas velhos(do tipo que devia estar morta faz quinhentos anos, não estamos falando da Rainha Elizabeth). E então tinha a cadeira.
Uma cadeira que parecia com uma poltrona. Com estofado vermelho e braçadeiras douradas, parecendo um pequeno trono. Totalmente inofensiva, mas Mikhail odiava aquela cadeira.
Como alguém pode odiar uma cadeira?
Na verdade, ele não odiava a cadeira, mas o antigo dono da cadeira. Sir Laurent. O antigo diretor, um velho patético e fez o máximo possível para infernizar sua vida estudantil por que ele era estrangeiro e gay. Normalmente, descendentes de deuses não envelhecem, mas de Sir. Laurent tinha muitos mortais em sua família, sua mãe era mortal, seus avós, bom, talvez isso anulasse os efeitos de sangue divino ou, como Mikhail preferia acreditar, que o velho era tão ruim que os deuses resolveram castiga-lo com a velhice.
Ah, Sir. Laurent amava aquela cadeira. Sempre nas reuniões estava ali. Aquela cadeira era o mimo dele.
Ilithya devia ter ficado com a cadeira por que achou bonita. Será que ela iria se importar se a cadeira...tipo, desaparecesse?
Ah, provavelmente não.
Mikhail poderia ter incinerado a cadeira, seria rápido, mas não. Foi muito gostoso chutar a cadeira até o estofado esburacar e deixar as braçadeiras douradas totalmente arranhadas. Quando ele percebeu que não conseguiria reduzir a cadeira pó com apenas sua força física — A maldita cadeira era resistia á tudo —, ele incinerou a cadeira.
Foi legal ver a maldita cadeira queimar. Ele gostaria que Sir. Laurent estivesse vivo para poder ver isso.
— Miau?
Sr. Pudim miou e olhou para cara dele com seus olhinhos verdes. O pequeno gato preto devia estar achando que seu dono estava louco.
Mikhail esperou a cadeira parar de queimar e começou a pisotear as cinzas. Ele parou instantaneamente quando ouviu um grito. Droga, algum aluno deveria ter visto a cena e se traumatizado. Mas não era isso, não tinha nenhum aluno por perto.
Então ele percebeu que o grito vinha do lado de fora do Campo de Treinamento. Quando ele abriu a janela, viu um exército abaixo.
Era incrível sua sorte. Ele mal passou uma hora naquele lugar, e já estava sendo atacado.
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