Agente da Ctu

4 De seis horas da tarde à meia-noite


Notas iniciais
Jack Bauer conhece Capitão Nascimento.

18:00. Sala de Conferências da Casa Branca, Washington DC.



Os repórteres credenciados prepararam-se para o início do comunicado presidencial.

- Senhoras e senhores, o porta-voz da Casa Branca. — O mestre de cerimônias anunciou.

Um sujeito elegante e refinado subiu ao palanque decorado em tons pastel, com flores brancas arranjadas ao fundo, contrastando suavemente com as cortinas escuras. Ele dirigiu-se ao microfone e tirou um documento do bolso interno do paletó.

- Senhoras e Senhores, Senhores correspondentes estrangeiros, estamos atravessando uma situação deveras ameaçadora. Os recentes acontecimentos de natureza terrorista em muito ultrapassam as características de um fato isolado e insano, cometido por um psicopata ou criminoso local. Estamos diante de verdadeira ofensiva à segurança nacional e à integridade física e estrutural desse país. Podemos declarar, Senhoras e Senhores, que estamos diante de uma ofensiva militar, orquestrada por uma mente excepcional e assassina, que nos elegeram, os Estados Unidos da América, como seus inimigos e alvo preferencial. Estamos diante, Senhores correspondentes estrangeiros, de um ato de guerra. Portanto, o Presidente desta nação, visando salvaguardar a soberania nacional, institui de agora em diante, até posterior deliberação, o toque de recolher nas principais metrópoles de nossa nação, e principalmente e mais fortemente, em Washington DC.

Os jornalistas começaram a fazer perguntas descontroladamente, os flashes começaram a pipocar de toda a assistência.

- Por favor cavalheiros, comportem-se ou terão suas credenciais revogadas. — O mestre de cerimônias avisou a multidão pelo alto-falante.

Os repórteres se calaram. Um a um ergueram os braços, pedindo a vez de falar.

- Senhor porta-voz, o presidente já tem idéia de quem é o responsável pelo atentado.

- Sim, senhorita. O Serviço Secreto americano tem razões para acreditar que Osama Bin Laden está por trás desses atentados.

- Que provas vocês tem disso? Quero dizer, Bin Laden reclamou a autoria do atentado?

- Sim, senhorita. O criminoso e terrorista internacional Osama Bin Laden enviou à conhecida rede de televisão árabe, Al Jazeera, um vídeo em que assume a responsabilidade pelos ataques sofridos em nossas cidades, cometidos pelos outrora pacatos cidadãos. Ele se referiu a esse plano sinistro como Operação: “O dia da vingança”.

Mais flashes e burburinho espocaram de todos os lados. Em breve a CNN e outras redes de TV mundiais estavam em cadeia, transmitindo e retransmitindo o comunicado oficial da Casa Branca.

19:00. Aeroporto Internacional Santos Dumont, Rio de Janeiro.



Um sujeito loiro, musculoso, com o rosto já aparentando rugas e entradas na cabeleira, entrou em território brasileiro sem problemas burocráticos, graças à intervenção de uma figura importante nas altas esferas políticas brasileiras. Se não fosse isso, ele provavelmente teria passado horas em filas intermináveis, onde teria que exibir seus documentos, passar por revistas, e explicar ao agente alfandegário o motivo de sua estadia no país. Jack Bauer, o super agente da CTU, foi liberado de tudo isso, sendo tratado como convidado ilustre, e recepcionado pelo Senador Francisco Ornelles, e pelo Capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais, Roberto Nascimento. Graças a eles, uma vez que a embaixada americana era feita refém por marginais do Comando Vermelho, Jack teve acesso a armas, coletes de proteção, carro blindado, além da aparelhagem técnica e contingente policial do BOPE.

Jack ainda estava sob o efeito de analgésicos e suplementos energéticos. Seu ferimento na barriga ainda restringia seus passos, e limitava seu fôlego. Ele tentava manter-se focado, mas estava no limite físico. Temia não só pela sorte dos funcionários da embaixada americana, como por sua própria vida, em solo estrangeiro.

- Senhor Bauer, há um outro agente americano que integrará essa operação. — Avisou-o o Capitão Nascimento.

- Essa é uma operação secreta, Capitão, se mais alguém ficar sabendo disso, seremos entrevistados pela CNN. — Jack reclamou entre dentes. Contudo seu humor melhorou ao ver a figura aproximando-se por trás do baixinho militar brasileiro.

- Bill... Que bom ver você, meu amigo. — Jack exclamou abraçando-se ao velho colega da CTU, Bill Buchanan.

- Como vai, Jack? Eu não poderia deixá-lo divertir-se sozinho. Tinha que vir conhecer o Rio também. — Buchanan gracejou.

- Bill, temos uma situação de refém aqui, mas esses brasileiros não se guiam por ideologias. Acho que eles estão a soldo de outro figurão, que este sim, tem mágoa dos americanos.

- Eu sei, já vi na TV. Está em cadeia mundial de televisão, agora. Todos sabem do envolvimento de Bin Laden.

- O que? Quem foi o idiota que deixou vazar essa informação?

- O Presidente dos Estados Unidos.

- Ahah... Espero que ele não tenha avisado de nossa presença em território brasileiro, senão teremos que aparecer na TV aqui, para darmos entrevistas.

- Ahahah... Ainda estamos incógnitos, mas os estrategistas de Bin Laden já devem esperar por uma ação como essa. Devem ter se precavido com atiradores de elite e bombas.

- Não. Não concordo. Ele preferiu agir com gangues brasileiras. Foram eles que me seqüestraram em Los Angeles. Acredito que há somente criminosos brasileiros atuando aqui.

- Isso é mal. Eles não têm treinamento de guerrilha, nem disciplina militar. Isso tudo pode descambar para selvageria rapidamente.

- Sim, vejo da mesma maneira. Acho que era o que Bin Laden pretendia mesmo.

20:00. Unidade de Contra Terrorismo. Los Angeles.

Chloe O’Brien estava em sua estação de trabalho na CTU, quando percebeu atividades anormais nos registros de acesso aos computadores em rede da CTU. Averiguou as senhas usadas e isso a levou ao perfil do usuário e o histórico de acessos. Levantou-se e resolveu falar com o funcionário. Tinha uma pulga atrás da orelha.

- Surnow? Tem um minuto? Gostaria de tirar umas dúvidas com você.

- Agora não, O’Brien. Estou ocupado. Tente outro analista, que esteja mais acessível.

- Tudo bem. Posso tirar essas dúvidas diretamente com Tony Almeida, e ele mesmo poderá te interrogar sobre essas... dúvidas.

- Ok! Sou todo ouvidos. Do que se trata?

- Tome! Leia! É o seu registro de acesso ao banco de dados do governo federal.

- É o meu serviço. O que tem demais?

- Você acessou os arquivos de endereços dos suspeitos envolvidos nos atentados. E adivinhe só, você os editou. Sorte a minha que tenho sempre um back up a mão para comparar dados. A pergunta é: Por que?

- Recebi instruções para proceder a edição.

- Hahaha! Realmente? E quem te deu as instruções? Bin Laden?

- Não, o chefe da SNA. Ele temia que essa informação fosse confidencial demais para que todos tivessem acesso.

- Sabe que é muito fácil verificar que você está mentindo? Basta um telefonema e você ganha um bilhete só de ida para uma prisão federal.

- O que está insinuando sua doida? O que você pensa que eu sou, hein? — Dizendo isso, ele avançou sobre Chloe, tentando empurrá-la com força.

Ele não contava que ela tivesse treinamento de agente de campo, e que antecipasse seu movimento. Rapidamente o derrubou e o imobilizou com uma chave de braço.

- Chefe da Segurança? Aqui é Chloe O’Brien, Código amarelo. Agente inimigo infiltrado. Ala norte, setor de arquivos de missões. Rápido. — Chloe avisou pelo celular.

Ela não percebeu uma agente escondida, observando toda a movimentação. Ela sacou uma arma e destravou-a, aproximou-se por trás e golpeou Chloe na cabeça, enquanto a outra tentava ligar para Tony Almeida.

O agente Surnow empurrou o corpo de Chloe para o lado e tentou ficar de pé, mas assustou-se ao ver o cano da pistola apontado para sua cabeça. Ele ergueu os olhos para sua colega, em uma pergunta muda de confusão e mágoa. Recebeu um tiro como resposta. O agente duplo tombou sem vida.

Em minutos, a equipe de segurança da CTU encontrou Chloe O’Brien desacordada, com um galo na cabeça, e Joel Surnow, sem vida, executado com um tiro na cabeça.

21:00. Embaixada americana no Rio de janeiro.



O helicóptero do BOPE sobrevoou a embaixada americana no Rio de Janeiro. Jack e Bill saltaram do helicóptero sobre o teto. O Capitão Nascimento ficou no apoio enquanto uma equipe do BOPE ficou de prontidão para invadir a embaixada. A polícia fechou as ruas de acesso, e o público lotou as janelas dos prédios vizinhos. As equipes de Televisão foram proibidas de veicular notícias e imagens, mas não cumpriram a ordem, deixando vazar imagens em programas de variedades, feitos por supostas câmeras de celulares de anônimos.

Jack e Bill entraram no prédio da embaixada pelo teto. Estavam com os uniformes do BOPE, colete a prova de balas e pistolas automáticas. Esgueiraram-se pelas escadas e corredores. Não encontraram nenhuma vigilância ou posto avançado. Aos poucos funcionários que estavam escondidos, aconselharam que permanecessem escondidos, até aquela ação terminar.

Jack sentia as dores crescentes no abdômen. Engoliu um comprimido de analgésico com uma caixinha de isotônico. Ele havia apertado várias bandagens no seu abdômen, para que não arrebentasse os pontos da cirurgia, caso entrasse em ação máxima. Ele temia que aquilo talvez não fosse o suficiente.

- Jack, tudo bem? — Bill inquiriu.

Jack limitou-se a fazer um ok com os dedos da mão. Seguiu adiante, de arma em punho. Chegaram ao corredor que daria no saguão principal, com acesso ao escritório do adido americano. Bill usou um pequeno espelho, para ver o interior da sala. Os reféns estavam amontoados no chão. Os criminosos estavam em pé ou sentados em confortáveis poltronas. Estavam embebedando-se com as garrafas que encontravam. Um deles aproximou-se da pilha humana no chão, e puxou uma mulher pelos cabelos, para longe dos outros reféns.

- O que você vai fazer com ela? — Um homenzinho roliço, de óculos de grau, perguntou.

- Isso não é da sua conta, ó gordinho. Fica na tua que tu vive mais.

- Você está machucando ela assim. — O gordinho insistiu.

O bandido largou a moça chorosa no chão e dirigiu-se ao gordinho, segurando a escopeta em posição de tiro. O gordinho encolheu-se no chão, com as duas mãos sobre a cabeça. O bandido mirou nele e ouviu-se um estampido. Todos gritaram e começaram a chorar. O corpo do marginal caiu sobre as pessoas no chão, sujando todos de sangue, enquanto sua escopeta detonava um tiro em uma estátua decorativa, fazendo-a em pedaços.

Os outros marginais levantaram-se com as armas em punho, dispostos a fuzilar todos que se interpusessem em seu caminho. Passaram a atirar na direção dos reféns.

- Permaneçam no chão. Não se levantem. — Jack gritou.

Jack Bauer saiu de seu esconderijo atirando na direção dos seqüestradores, enquanto movia-se em zig-zag, para esconder-se atrás de um móvel. Bill Buchanan falou pelo comunicador.

- É agora Capitão. Ação agora.

No lado de fora, sobrevoando de helicóptero a embaixada, o Capitão Nascimento deu a ordem da invasão. O pelotão do BOPE arrombou a entrada do prédio e invadiu. Bill e Jack enfrentaram o fogo inimigo praticamente sozinhos, com a munição de que dispunham. Jack resolveu usar uma granada de efeito, para criar uma cortina de fumaça, uma vez que os reféns eram o alvo preferencial dos seqüestradores. Assim ele fez.

Os marginais tentaram aproveitar o tumulto que se seguiu com a fumaça e o brilho no ambiente. Passaram a tatear no escuro, procurando a saída. Um deles sentiu uma mão forte agarrá-lo pelo braço. Ele praticamente detonou o indivíduo descarregando sua metralhadora nele. Somente quando o outro tombou ao chão, foi que percebeu que era seu parceiro de crimes. Os seqüestradores descobriram uma saída de emergência e todos tentaram fugir por ali. Desceram correndo uma escada de serviço, mas depararam-se com o BOPE.

- Perdeu! Perdeu! — O comandante do pelotão gritou para os bandidos.

Eles limitaram-se a largar as armas no chão e a colocar as mãos na cabeça, entregando-se sem resistência. Enquanto isso, a fumaça da granada de efeito desvaneceu, dando chance para Jack e Bill aproximarem-se dos reféns.

- Tudo bem, já acabou. Vocês foram resgatados. — Jack avisou-os.

- Muito obrigado! — O gordinho de óculos fundo de garrafa foi o único a manifestar-se, enquanto olhava de Jack Bauer para o bandido morto no chão. O mesmo que ameaçara matá-lo.

- Vamos Jack. Capitão Nascimento acabou de avisar, que a polícia de elite invadiu a embaixada. Todos os criminosos foram presos. Acabou. Podemos voltar para casa.

- Já não era sem... — Jack não conseguiu concluir. Desmaiou nos braços de Bill Buchanan.

22:00. Unidade de Contra Terrorismo, Los Angeles.



- Tudo bem, Chloe? — Tony Almeida pergunta a sua subordinada na enfermaria da CTU.

- Tudo. Anotou a placa do caminhão que passou por cima de mim?

- Foi só uma coronhada. Você teve sorte. Surnow foi executado. Um outro agente infiltrado fez isso, sem dúvida.

- Um outro? Que bagunça é essa? Eles não averiguam mais a vida dos candidatos a cargos de segurança nacional?

- Sim, é claro. Achamos que o aliciamento de agentes ocorre após a averiguação. Para algumas pessoas, o patriotismo vale menos que uma mala de dinheiro.

- Nojento.

- Concordo. Temos que descobrir quem é o agente infiltrado, e o que ele pretende fazer agora.

- Tony... Surnow mencionou o chefe da SNA. Eu sei, eu sei que ele estava mentindo, mas... Acho que deveríamos dar uma checada nesta história. Pro-forma.

- Ok! Descanse. Quando estiver melhor volte ao serviço.

- Sim, comandante. — Chloe bateu continência, ao que ambos riram.

Tony Almeida saiu do quarto da enfermaria e dirigiu-se calmamente a sua sala no segundo andar, contudo algo o fez parar. No meio do salão da CTU havia uma agente do setor de Análise de sistemas. Ela estava de casaco pesado, que lhe ia até os pés. Estava paralisada como em transe, ou em choque.

- Chefe da Segurança, aqui é Tony Almeida. Há uma situação envolvendo bomba no salão central da CTU. Repito. Situação de bomba.

Tony desligou o celular e chamou um dos funcionários que passava por ali.

- Evacue a área discretamente. Avise a todos no salão que saiam daqui. Mas não fale com Cochran, ali parada. Nem se aproxime dela.

Tony ficou aonde estava, na passagem para o salão Central da CTU, ficou parado enquanto via sua ordem ser cumprida. Sabia pelos relatórios que lera, que os homens bomba agiam como zumbis, detonando quando alguém entrava em contato com eles. Aparentemente, recebiam a ordem por telefone, passando a agir automaticamente, dirigindo-se para o alvo. Chegando lá, ficavam parados, como se esperasse o estímulo para a detonação. O alvo da mulher-bomba e analista de sistemas, Roberta Cochran, era a CTU.

A equipe anti-bomba chegou paramentada. Armaram uma espécie de jaula de contenção e a prenderam no teto, sobre a agente em transe. Todos os setores próximos ao salão principal foram evacuados, mas Tony Almeida continuou na área de risco. Ele comunicou-se com seus superiores e as outras agências, sendo retirado a força pelos agentes da equipe anti-bombas.

A um sinal do chefe, a equipe liberou a jaula de contenção, que caiu pesadamente, confinando a agente paralisada, em uma espécie de caixa. Isso teve o efeito de acordá-la. Ela então abriu seu capote e apertou um botão. A energia equivalente a 10 bombas C4 foi deflagrada, fazendo seu corpo ser reduzido a pó, em segundos. A jaula foi danificada, entortando-se e arrebitando-se, mas a CTU estava intacta.

23:00. Apartamento hospitalar de um Hospital Privado, Rio de Janeiro.



Jack Bauer abriu os olhos e descobriu que estava em um quarto de hospital muito fino e requintado. Ao seu lado estava seu bom amigo Bill Buchanan.

- Ei, Bill!

- Jack!

- Completamos a missão. — Jack falou com a voz fraca, porém seu semblante estava alegre.

- Sim. Os cowboys venceram os bandidos, novamente.

Jack sorriu.

- Onde é... Estamos em casa?

- Não, ainda estamos no Brasil, e pelas leis deles, você não pode ser removido, enquanto correr risco de vida.

- Então... Eu sou um prisioneiro deles?

- Digamos que somos hóspedes da Secretaria de Segurança do Rio. Relaxe amigo. Fizemos nossa parte. O dia da vingança acabou. A SNA, o FBI, e as outras agências assumiram o controle da situação lá em casa. Tony Almeida me disse que houve uma ameaça de bomba na CTU, mas eles conseguiram neutralizá-la. Então tudo está bem agora.

- O mundo só estará bem, quando Bin Laden for pego.

- Ou... Quando não precisarem mais de nossos serviços. Por agora descanse. Aproveite a vista do seu quarto de hospital. — Bill Buchanan puxou as cortinas na parede do apartamento hospitalar de Jack, desvelando uma vista maravilhosa das montanhas, da praia e do mar da Baía da Guanabara.

24:00



Notas finais
Eis o fim. Eu realmente não sei se é crime citar o nome de pessoas reais, e utilizá-las como personagens em obra de ficção. Se for um crime, posso mudar os nomes, mas a história perderia impacto.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!