Agente Zero
3 Capítulo 3
Notas iniciais
A noite me saudou quando cheguei na fazenda Sutherland. O lugar era feio, cercado de galhos altos, uma grande casa de madeira velha e um celeiro igualmente em estado decrépito. Nada ali fazia sentido para mim. Por que trariam o filho de um Presidente, um homem tão importante, pra um lugar tão desprotegido e visível como esse? Não havia guardas ou qualquer outro tipo de segurança ou vigilância.
Estacionei distante da fazenda, escondendo a moto atrás de algumas árvores, cobrindo-a com folhas secas e arbustos.
Era um mistério pra mim aquele lugar. Talvez pensassem que a localização de um lugar tão simples não levantaria suspeitas, e de fato tinham razão se incompetentes fizessem o trabalho de procurar, mas eu fui treinada para observar além do óbvio.
Todas as missões anteriores que realizei envolviam seguranças armados até os dentes, casas com blindagens de altíssima qualidade e algum esconderijo secreto. Algumas missões eram até em outros países. Confesso que esperava algo mais... perigoso.
Sondei o entorno da fazenda e estranhei sons saindo do celeiro. Não parecia barulho que animais fariam. Agachei atrás da cerca quando ouvi passos e sons de corrente vindos do portão do celeiro.
— Droga, James. No que você foi enfiar a gente? — Era a voz estridente de uma mulher, ela gritava com alguém e parecia com bastante raiva.
— Vic, acalme-se. Isso vai ser por pouco tempo, me avisaram que vão fazer contato logo. Só precisamos manter o carneirinho vivo. — Um homem respondeu, ríspido, e os passos dos dois foram ficando cada vez mais distantes, a briga não sendo mais ouvida.
Isso sim era interessante. Tinha cada vez mais certeza que estava no lugar certo. Me perguntei quem estava por trás disso tudo e afastei os pensamentos, isso não era da minha conta. Meu único objetivo era resgatar o filho do Presidente Cullen, o resto não me interessava. Pulei a cerca de galhos com facilidade e avaliei o celeiro, não era muito grande, não havia janelas e possuía só uma entrada. O portão estava trancado com correntes grossas e cadeado, contornei o celeiro, empurrando algumas ripas de madeira da parede até encontrar alguma bamba. Voilá.
Eu não podia simplesmente dar um chute na ripa e entrar com tudo, eu precisava de uma estratégia mais silenciosa.
Tentei, sem sucesso, retirar os pregos, e mesmo se eu tirasse, duvidei se teria forças suficientes pra mover a madeira grande sem fazer nenhum ruído. Fechei os olhos e avaliei minhas opções. Eu sabia o que tinha que fazer, mesmo sendo arriscado demais.
Eu precisava da chave do cadeado.
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