Agent Hooper
6 Capítulo 5 (Diana, Afrodite Ou Brigite)
— Molly Hooper? — Sherlock chegou na cena do crime, sem sobretudo, vestido apenas da camisa social azul claro e calças que nunca pareceram tão quentes e sufocantes quanto parecia naquele calor.
— Olá, Sherlock. Mycroft — Cumprimentou os irmãos com um largo sorriso, vendo se aproximar John Watson, a quem ela acena.
Percebendo que não seria mais necessário ela continuar ali, já tendo sido entrevistada por policiais, se vira, caminhando na direção oposta a eles. Dando uma melhor visão do seu traje, o mesmo da madrugada, por causa do calor, e no fundo porque gostaria que eles a vissem.
Atrás de si estava o corpo coberto por um plástico negro. Sherlock, é claro, chega perto do cadáver, se abaixando, levantando o plástico e inspecionando cada detalhe. Mycroft segue ele com o olhar, também se aproximando. Já John se permite comentar.
— O que ela está fazendo aqui e o que aconteceu com ela? — É ignorado e recebe das mãos de um perito o laudo feito antes de chegarem. — Enfim, estão esperando para levarem ele. Identificação: Agente Especial Yoichi Asakawa; morte por perfuração do estômago, causando hemorragia interna, entrada e saída, mas sem sinal das balas no local. Hora da morte: Há três horas. Que bom que chegamos rápido! — ironiza.
— Podem retirar. — Sherlock se levanta, olhando ao redor. Piscina, com alguns peritos forenses olhando para os três no centro do local, enquanto conversavam embaixo de um bar com uma cobertura, perto da porta enorme de vidro que dava acesso ao hotel.
— Vou recolher algumas amostras, depois deixo com você, Mycroft, mande para sua equipe de peritos. E vou observar melhor este lugar. Só não acho que ele tenha muito a dizer sobre o que aconteceu antes dele morrer devido a festa que acontecia aqui. E tudo o que posso dizer até agora é que alguém que estava bem próximo a ele foi o responsável, devia ser uma festa com bastante gente para quem ninguém percebesse o que estava acontecendo. A entrada da bala revela que quem atirou era mais baixo, de baixo pra cima, podem ver — ele falou já levantando mais o saco plástico e indicando com o dedo a entrada do projétil — um mulher talvez, o que é estranho pela violência. Aposto que se fizerem testes na roupa da vítima irão achar vestígios de pólvora, revelando que a atiradora estava bastante próxima, é impossível até que ele não tenha visto. Apesar de estavam frente a frente no momento.
Sherlock chamou um dos peritos, que estava a poucos metros de distância deles, e pediu que guardassem a roupa da vítima e enviassem para ele os resultados de balística. Andou ao redor da piscina, não muito distante, dois metros no máximo, sendo seguido por Watson e vendo Mycroft se distanciar, indo na outra direção. Perdendo de vista após ele parar atrás de uma coluna da entrada do hotel.
— O que ele está fazendo aqui? — Molly perguntou séria. Estava a espera de Mycroft atrás da coluna.
— Quem? — Mycroft perguntou, andando com ela ao lado para a recepção do hotel — Sherlock?
— Sim, porque ele está nesse caso?
— Não faça perguntas, é melhor ficar distante agora, é uma testemunha para eles.
— Mas eles não sabem o que estávamos fazendo aqui. Ninguém daqui sabe. Não sei porque você me meteu nisso. Eu não precisava ficar na cena do crime.
— Você estava no lugar certo, no momento certo. Viu alguma coisa antes dele morrer?
— Só uma mulher ao lado dele quando morreu, achei estranho, ele não parecia ter ligação com ninguém daqui além de mim.
— E se fosse uma mulher pra passar a noite ela não ficaria com ele até morrer, já teria fugido. Sabe o nome dela?
— Talvez, ouvi alguém a chamar e usaram Nata.
— Nata. Natalie talvez?
— Provavelmente. Bom, tenho que ir me trocar, perdi meu alvo de vista. Ele era muito covarde, fique sabendo.
— Que bom que estava focada na missão que lhe dei, continue de olho por ai! — Ela sorriu sem jeito, andando rumo ao elevador, piscando para Mycroft enquanto as portas se fechavam a sua frente. Ele sussurrou “Toma jeito, menina”, não percebendo John e Sherlock perto de si.
— Quem deve tomar jeito? — Sherlock perguntou de sobrancelhas arqueadas.
— Não importa. — Sorrindo fraco, como de costume, pouco amigável — Quero repassar os dados mais sigilosos das últimas missões em que o agente trabalhou. Vamos até o quarto.
Chamando o elevador, eles seguiram pelo hotel até chegar ao sexto andar. Mycroft abriu uma porta com um cartão magnético, dando espaço para os outros passarem. Com certeza aquele era o quarto mais luxuoso dali. Algo que claramente Mycroft não dispensaria.
— Sentem-se. Daqui a pouco trazem as coisas de vocês, antes, quero dizer que devem tratar Molly Hooper como uma simples testemunha, acima de tudo.
— Sim, que é o que ela é — Sherlock foi enfático ao localizar o lugar da mulher no caso, sentando no sofá marrom, mas Watson não entendeu bem onde aquilo iria chegar.
— Porém, não a chamem mais de Molly Hooper, a chamem de Emma Woodhouse.
— Sério? Você enviou Molly em uma missão, foi isso o que entendi, Mycroft? — espantando, Watson falou, sendo cortado pelo amigo.
— Ela está usando outro nome por qual motivo? Isso é algum tipo de missão?
— Não exatamente.
— Então me diga o que ela está fazendo na cena de crime de um homicídio de agente com um nome falso, aliás, quem escolheu esse nome ridículo? — Sherlock disse seriamente, e igualmente obteve resposta.
— Ela escolheu — Mycroft sentou-se no sofá oposto ao que os dois estavam. — Estava aqui passando as férias e não quis se identificar com o nome verdadeiro. Qualquer dúvida, vocês mesmos podem perguntar a ela. E como vocês bem sabem, o suspeito do caso da cadeira elétrica em Londres foi solto por falta de provas há dois meses atrás. O fato é que ele veio parar aqui , e Yoichi seguia ele. Foi quando tiramos o nome dele dos suspeitos. Descobrimos novas evidências que não contei a vocês, até agora. — continuou o relato, tendo os dois homens a sua frente em total atenção — Houve um caso há oitenta anos atrás parecido com o de Londres. Na época não pegaram o responsável, mas há muitas semelhanças no modus operandi. E estamos mais perto. O suspeito se chama Michael Clark, 54 anos, médico. Bisneto de uma das vítimas mortas há décadas atrás. Um vingança histórica e de família talvez seja a motivação.
— E onde isso inclui Molly? — John perguntou tomando a atenção dos dois.
— Não inclui, ela se incluiu. Yoichi era o responsável por seguir o médico, mas Molly que já conhecia o agente, um dia o viu seguindo alguém e passou a prestar atenção em Clark também. Por ser mulher e estar hospedada aqui, descobriu que ele sempre passava as noites com mulheres diferentes, exceto uma que o visitava sempre. Yoichi descobriu, pediu que ela parasse, mas esta afirmava que ninguém suspeitaria dela.
— E suspeitaram? — John indagou.
— Na verdade, não. Acabou repassando informações ao agente. Informações substanciais.
Mycroft continuou contando como Molly descobriu mais de Michael vendo o comportamento dele e fazendo amizade. E como com a ajuda dela, descobriram que ele não estava em Londres na época das mortes. Investigaram e prenderam o verdadeiro assassino da cadeira elétrica, que nada mais era que a filha de Michael, Ellen Clark. E seu pai a acobertava, por ser quem incentivara a filha a fazer isso.
— O problema agora é terem matado Yoichi, achamos que foi por vingança.
— Não devia ter envolvido Molly nisso — Concluiu Sherlock, se levantando do sofá, indo até a janela, observando o lado de fora.
— Ela nos ajudou e agora corre certo perigo, eu sei. Por isso vocês estão aqui. Yoichi sempre foi um modelo de agente especial e com essa desculpa, além de sua amiga correr perigo, espero que fique aqui e investigue o caso.
— Porque ela simplesmente não volta pra Londres, ao invés de ficar nessa ilha? — John acompanha o amigo se levantando do sofá, vendo Mycroft repetir o gesto.
— Porque mesmo lá não haveria segurança. E se eles descobrirem que o nome que usa é falso, vai chamar atenção. Caso investiguem o resto vai ser bem pior. — Sherlock afirma e o irmão concorda com um aceno de cabeça.
— Enquanto isso, podem ficar neste hotel com tudo pago. — Mycroft se levantou elegantemente. — Mas resolvam o quanto antes, ela viaja em uma semana de volta a Londres e não quero apavorá-la, nem ela nem ninguém, por ter outro assassino a solta em busca de vingança.
— E se soubessem que meteu uma mulher que nem agente é num caso assim, pode comprometer sua carreira — John completou.
— Se diz tão esperto e fez uma idiotice dessa. Estou surpreso, irmãozinho!
— Não seja irônico, apenas Yoichi não viu nenhum mal em deixá-la fazer amizade com o suspeito e trazer informações. E quando descobri, falei com ela e fui convencido de que nada aconteceria.
Sherlock novamente arqueou as sobrancelhas não acreditando no que o irmão mais velho dizia. Ele não podia ser convencido tão rapidamente assim, estava muito estranho. Deixar assunto de agentes serem tratados por pessoas normais era difícil de engolir.
— Aliás, na recepção terão as chaves dos seus quartos, um a cada lado de Molly. Quero que esteja bem protegida. Há também agentes à paisana pelo hotel, sempre de olho nela. Inclusive, uma conversa entre todos seria algo útil, ela disse ter visto algo estranho enquanto o agente agonizava, melhor vocês saberem de quem se trata — Andou até a porta e a abriu, convidando-os, mesmo sem palavras, a se retirarem do quarto. — Uma equipe forense está a disposição, tudo está em uma agenda nos quartos. Aproveitem a estadia.
Os dois saíram dali, em direção a recepção, John chegou a comentar o quanto Mycroft estava estranho, mas Sherlock só confirmou quando viu ao longe Molly de costas, passar pela porta da frente, indo em direção a eles, com um vestido azul escuro longo de alças, sandálias e bolsa de palha combinando com o material do chapéu que ostentava em sua cabeça.
— Oi, de novo! — Ela se aproximou dos dois, podiam ver os cabelos antes castanhos, agora ruivos, soltos, o batom vermelho e o lindo sorriso.
— Uau, Molly! — John deslumbrado por vê-la daquela maneira soltou — você está linda.
— Obrigada — ela sorriu sem jeito, olhando para a porta do elevador — Bom tenho que ir, foi bom ver vocês- ela olha novamente para o elevador, agora aberto, mostra um homem moreno, Lorenzo — Estou no quarto …
— Emma? — Lorenzo a chamou da recepção, interrompendo sua fala.
— Perguntem ao Mike que ele sabe, até mais! — ela se virou, indo rapidamente até o homem e o abraçando pelo cintura.
— Uau — eles esperaram o casal sair da recepção e foram até lá, pedindo as chaves do quarto. — Você viu aquilo? — Watson exclamou. — E por acaso, Mike é o seu irmão? De qualquer forma essa não parece nada com a mesma Molly de dois meses atrás.
— Absolutamente não.
Ainda olhando para ela, a viu segurando as mãos do moreno, mas também notou como virou para olhar, sorrindo torto na direção deles. Watson se virou para responder à recepcionista e neste exato momento, Molly piscou marota para Sherlock, voltando a posição normal. Agora tendo o amigo de frente para ele, disse:
— Isso vai ser interessante.
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