Agent Hooper
15 Capítulo 15 (... And I'm feeling good)
It's a new dawn
Seis e quarenta da manhã.
Peritos criminalistas no corredor. Uma janela retangular no quarto e a porta aberta eram as únicas fontes de claridade, revelando um sol brilhante no céu. Sherlock, pálido, estava perto de um corpo coberto no chão, ao lado de John, que em pé, falava ao celular com Mary, sua esposa. Mycroft ao terminar de trocar algumas palavras com um especialista forense, prostrou-se ao lado do irmão mais novo, dizendo.
— Sinto muito. Sua Molly está morta.
— O que vocês estão fazendo? — Molly falou chegando perto de Sherlock dentro do quarto. Sua roupa estava avermelhada devido aos respingos de sangue presente ali pouco antes dela tentar lavar para tirar as manchas.
Quase que como uma cena de filme, ela se lembrou.
— Ele quer as armas no chão. Senão atira em mim.
Lucania riu percebendo o poder que mantinha sobre a ela. Só não contava com o que viria a seguir. Molly não desistiria de sair daquela situação tão cedo.
Cheia de coragem, chutou as armas que os homens puseram no chão à frente dela.
Enfurecido, o seu agressor a esmurrou. Doeu tanto que ela foi jogada para o chão, aliada a grande força utilizada por ele para puni-la. Rapidamente os amigos foram para cima de Ulísses, tentando segurar a arma que ele portava, iniciando uma briga.
Enquanto isso, com esforço, e muito discretamente, ela conseguiu erguer a mão, apesar da dor lancinante próximo ao ombro direito, e pegou uma das armas que não foi tão longe quando ela chutou, pouco antes.
Tão rápido quanto um piscar de olhos, empunhou o revólver, mirando cuidadosamente para não acertar John ou Sherlock, que estavam em cima do homem, atirou exatamente contra o peito de Lucania, mas não o acertou na primeira, o viu olhar assustado, no entanto, não parou, com mais um tiro acertou em cheio no meio do torso. Vendo-o tombar para trás, quase que instantaneamente, com uma expressão de terror nos olhos.
— Os federais terminaram de fazer as perguntas para você? — Sherlock questionou, levantando-se, ficando frente a frente com a mulher.
— Sim. Estou liberada. Vamos? — Ela falou, já tomando a frente para sair dali, estancou ao ouvir o amigo perguntar:
— Está tudo bem? — Mycroft se pronunciou, imitando o irmão mais novo e levantando-se.
— Sim, Mycroft. Me sinto estranhamente menos sobrecarregada. — Ela sorriu fraco, virando-se para os três. — Vocês não precisam me olhar assim. Eu estou bem. — Um pouco irritada ela concluiu. — John não me olhe como se não acreditasse no que digo!
— Você matou alguém, Molly. Isso é comum pra você? — Ele falou enquanto desligava a ligação se aproximado dos outros três, segurando firmemente o aparelho com a mão abaixada. Mostrando sua tensão.
— Então eu preciso de um psicólogo, remédios para dormir e me manter tranquila? — Ela viu confusão nas expressões dos rosto ao redor de si. Tentou manter um equilíbrio, ponderou. — Olha, eu aprecio muito a preocupação de vocês. Eu sei que matei alguém. Mas esse tratamento eu já tive: Já usei remédios para dormir, já fiz terapia, embora a ajuda de Mycroft tenha sido muito mais eficaz enquanto eu fugia dele. — ela evitou tocar no nome do falecido Ulísses Lucania. Revelando sua sensibilidade ainda presente, que não passou despercebido pelos irmãos Holmes, nem mesmo por Watson. — E agora, a verdade é que me sinto mais tranquila sabendo que não há mais um louco atrás de mim querendo se vingar de outra pessoa.
— Moriarty ainda está por ai. — Ouviu Sherlock falar convicto de que estava a advertindo, agora que sabia mais sobre o caso — Sim, Mycroft me contou sobre o que aconteceu. — Ele explicou. — Moriarty vai vir cobrá-la. — Apesar de tudo o que aconteceu, ele percebia a coragem dela. Definitivamente Molly Hooper estava morta. A Molly que ele conhecia morreu ao atirar no sequestrador. Isso ele constatou ao ouvi-la dizer:
— Eu sei, e eu estou preparada. — Sua seriedade foi notável ao falar, mesmo os três sabendo que se tratava de algo perigoso, agora a viam como alguém forte, decidida, corajosa e inteligente, não uma simples mulher solitária dedicada ao trabalho, subjugada a um mundo inferior em seus conceitos, por ser comum demais. — Aliás — Ela mudou sua postura junto com o assunto, — acho que resolvi esse caso para vocês. Tenho uma teoria.
— Qual? — John perguntou enquanto enfim guardava o celular que ainda segurava, no bolso da calça social clara que usava no momento.
— Lembram que Lucania e Natalie brigaram? Está escrito no blog. Eu acho que naquela época ela descobriu o trabalho sujo do namorado com o dono da empresa. Mas eles voltaram, e isso explica porque ela estava aqui no dia da morte do guarda-costas que Mycroft mandou para me vigiar. Era ela, a mando do namorado, e isso explicaria a direção da entrada da bala, eu vi os relatórios da balística caso não saibam, e o modo bruto para uma mulher cometer homicídio, foi devido ela ser forçada a isso. Isso explicaria até a reação dela perto do corpo.
— E você não reconheceu antes ao ver as fotos dela? — John questionou.
— Eu teria que dizer qual minha ligação com o agente morto, e o que estava fazendo naquele momento.
— Que seria? — Ele continuou a perguntar. Mas foi Mycroft quem respondeu:
— Ela estava de olho em Lorenzo, o dono da marca de roupas com ligação com Moriarty que estávamos investigando. — De frente para a amiga, continuou — E se estiver certa, o agente morreu por causa de Molly. Isso explicaria plausivelmente o motivo, como e por quem. E depois? — Holmes incita a continuar.
— Ela deve ter surtado. — ela prosseguiu- Provavelmente Natalie quis fugir daqui ou algo parecido, mas o namorado a impediu, ele era bem truculento, vocês viram — ela engoliu seco e continuou.- Talvez a tenha trancado no galpão e depois a matou.
— Pedindo que Lorenzo se livrasse do corpo. — Como se fosse óbvio, Sherlock concluiu o pensamento, ligando os pontos. — Que foi quem nós encontramos no prédio com você, ontem a noite depois de ver o corpo dela jogado na beira da praia.
— Por isso estava lá. Você o levou depois para outro lugar e pouco tempo depois achou Lucania. — John percebeu também que era fácil traçar os fatos.
— Sim, eu o dopei, e foi fácil conseguir respostas com ele assim. Provavelmente vai sentir muita dor de cabeça quando acordar. O rupinol é muito ingrato. — ela mantinha-se mais séria, conforme chegava perto do relato do assassinato que cometeu. — Achar o ... — pausa. — ele, foi fácil depois disso. — ela baixou a cabeça.
— Tudo bem. É melhor descansarmos, Molly precisa mais do que nós. — Mycroft mudou de assunto, já pegando nas costas da amiga, guiando-a para fora daquele lugar.
John e Sherlock permaneceram no lugar. Ficou muito claro que apesar da fachada resistente, Molly estava um pouco abalada. Eles dariam algum tempo a ela.
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Um dia depois, em Londres, Molly Hooper após meses fora de casa, voltava a seu flat. A caminho dali, sua mente refazia seus últimos passos, e principalmente, fazia um balanço de tudo que mudou desde a última vez que esteve naquele lugar.
Sempre foi seu lugar favorito no mundo, agora ele retratava uma pessoa que ficou no passado. Como se sentiria ao ver seus objetos de outra vida? Encheu-se de coragem, respirou fundo ao colocar a chave na fechadura e, esperando encontrar tudo da mesma forma quando se foi, surpreendeu-se ao se deparar com outra cena que chamava mais atenção.
— Vejam só quem está de volta a seu velho, doce e monótono lar — a voz disse com certa ironia. — Parabéns pelo ótimo trabalho nesses últimos meses. Até eu poderia me enganar com você agora, minha querida espiã — e com essa última frase, Molly tivera certeza que podia ver quem falava sorrindo de deleite.
Ela se assustou ao entrar pela porta do seu apartamento ao ouvir a voz que podia ser de um dos Holmes, a esperando para surpreendê-la. No entanto, ela conhecia muito bem aquele tom, entretanto, não por boas lembranças. Foi um gatilho para compreender que seu pensamento anterior estava certo, tudo ali estava como deixou, exceto ela mesmo.
— Quero saber onde está meu dinheiro. — Ela disse altiva. — Já fiz o que pediu.
Deixando calmamente as duas malas que carregava no chão, andou elegantemente em seus saltos finos e pretos, sentou-se no sofá a frente da poltrona de James Moriarty. Cruzando as pernas, com uma postura perfeita, pôs as mão descansando sobre o joelho, esperando uma resposta sem tirar o sorriso atrevido do rosto.
— Com pressa, docinho? — Ele devolveu o sorriso. Não a vendo perder a pose. — Olha, eu devo parabenizá-la. Foi um belo trabalho. Contou tudo ao Mycroft ganhando confiança, se desfez do meu ex-capanga e ainda sim eles possuem uma boa imagem de você. Precisa me ensinar o segredo. — Com a cabeça inclinada para ouvir uma resposta, ele falou despontando um sorriso sarcástico,.
A viu levantar do assento, ajustando o vestido verde esmeralda rodado sem mangas, e sentar em seu colo de lado. Notando ele cinicamente, enroscar os braços em sua cintura.
— E o show? — Tranquilamente ela falou enquanto brincava com o nó da gravata de Moriarty, apertando e soltando.
— Se eu te contar, terei que matá-la, mas nós não queremos que isso aconteça. Não é? — Ela balançou a cabeça lentamente com as sobrancelhas erguidas e um sorriso torto. — Aliás, você tirou a virgindade de Sherlock? — Molly virou o rosto para o outro lado pensativa.
— É, digamos que sim. — ela sorriu o fitando de volta.
— Não vou entrar em detalhes. Mas é bom saber que sua missão foi bem sucedida. O dinheiro já está em uma conta que abri pra você no exterior. Os números para ter acesso estão no seu criado-mudo.
— Eu agradeço. Foi um prazer trabalhar para você. — Molly aproximou o rosto do de Jim, depositando um beijo em sua testa. Levantando em seguida. Dando espaço para ele fazer o mesmo, só que indo em direção a porta.
— Te vejo por ai.
— Tchauzinho.
Ela falou sorridente, o vendo sair de vez. Desfez os botões do vestido, largando pelo chão a roupa, a tirando antes mesmo de chegar ao quarto. Se dirigindo a ele com as roupas de baixo, Molly foi para o banheiro, abriu a torneira da banheira, deixando a água enchê-la enquanto pegava toalhas limpas no armário do quarto.
Fechou a porta, pendurando uma toalha branca em um cabide atrás dela. Ligou o pequeno rádio a prova de água sobre uma mesa no pequeno compartimento, numa estação que tocava uma música conhecida por ela. Aumentou todo o volume, cantando junto enquanto retirava do espaço entre os seios um pequeno aparelho cinza. Com um visor e quatro botões parecido com um bip pequeno. Tudo o que fez foi enviar uma mensagem que já estava engatilhada, entrou na banheira, deixando o aparelho sobre uma mesa e aproveitando a água morna.
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O bip servia para avisar a Mycroft e sua equipe que tudo estava saindo como o plano. Moriarty havia acreditado que Molly tinha feito tudo pelo dinheiro. Reconheceu seu potencial, mas ainda assim a subestimou. Como previsto, ele daria um jeito de encontrar Hooper quando voltasse a cidade. A emboscada não funcionou de primeira quando ele saiu da residência dela, após troca de tiros e algumas mortes — da parte dos agentes do governo e dos capangas de Moriarty tentando protegê-lo — conseguiram prendê-lo.
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It's a new day
Após entregar a carta de demissão, duas semanas depois de voltar da Ilha no Atlântico, Molly dirigiu-se ao laboratório do hospital para pegar seus pertences já embalados e encaixotados. Encontrou Sherlock Holmes a esperando sentado em uma banqueta perto do balcão, folheando algum relatório.
— Molly?
— Sim, Sherlock. — Ela virou-se completamente para ele. Percebeu como ele ficou surpreso, talvez fosse seu novo corte, cabelos curtos assimétricos pretos ou o tempo que não se viam. Pouco ouviu dele nas últimas duas semanas.
— Estava passando por aqui, como está, Molly Hooper?
— Estou ótima.- Molly percebeu como ele parecia um pouco sobressaltado. — E com você, está tudo bem?
— Estou bem, sim. — Ele olhou ao redor. — Eu vi essas caixas de papelão na sua antiga sala. Você vai mudar de laboratório?
— Eu vou sair do Barts, Sherlock.
— Do que está falando? — Obviamente confuso, ele questionou.
— Em sair do Barts, do Hospital. Eu me demiti.
— O quê? Mas… Porque vai fazer isso? — Ele tentou formular melhor a frase — Digo, você vai abandonar sua carreira brilhante aqui por qual motivo?
— Ela não é tão brilhante assim. E eu prefiro não dizer. — Ela disse com a voz firme, e claramente chateado, Sherlock levantou-se aproximando-se dela, falou:
— Moriarty está preso, e você está segura agora. Tem um trabalho estável aqui. Porque você não fica?
— Eu arranjei um outro emprego, é melhor do que esse. E eu particularmente gosto mais.
— Entendo. Está decidido então?
— Sim. Completamente decidido. — Ela virou para o balcão revirando as caixas atrás de algo, e segundo depois ouviu a voz de Sherlock.
— Molly?
— Diga. — Ela deu atenção a ele.
— Você lembra daquela noite?
— Que noite? — Ela perguntou confusa, mas tudo fez sentido quando ele esclareceu.
— Que nós dois… você sabe. — Sherlock falou como se não quisesse dizer a palavra.
— Você está com vergonha de falar que nós dois nos beijamos? — Como uma adulta falando com uma criança, ela disse sem vergonha.
— Sim, e não, digo. É que, quem sabe poderíamos repetir qualquer dia desses. — Se controlando para não fazer mais alto, Molly conteve o riso.
— Sherlock aquela noite, para ser franca, estava apenas me divertindo. Não quero nada sério com você. — Viu ele abrir a boca em um perfeito “o” — Eu te disse, e isso não é apenas porque eu sei que você só está atraído por mim, confuso ou curioso sobre mim, algo do tipo. — ela sorriu, proferindo as palavras sem vacilar. — Anos atrás talvez eu estivesse afim de me sujeitar a isso. Mas não agora, não hoje. Eu sou mais do que isso, mereço mais do que isso. Já sofri antes por você e aprendi. E sabe, — as primeiras lágrimas nos olhos dela já surgiam, mesmo assim, não parou. Recitou as palavras que saíam do fundo da sua alma, presas há muito tempo. — Mesmo que talvez eu chore por estar desperdiçando uma chance que uma Molly do passado daria a vida para ter, não vale a pena. Tenho planos para o futuro, e neles, você pode estar incluído apenas como amigo, se quiser. Essa relação não teria futuro de qualquer forma. Você sempre será Sherlock, e eu não mudarei você. E aqui, dentro, sempre serei a Molly. Meu coração está dando um tempo para mim.
— Se deseja assim. — Cabisbaixo Sherlock soltou as palavras.
— Sim. — Molly tinha a voz embargada, mas manteve-se firme o fitando.
— Até mais. — Ele disse, se retirando do lugar com aspecto deprimido, sem nem notar quando uma lágrima rolou pelo rosto de Molly Hooper. Adeus, pensou.
Ela limpou o rosto com uma mão e voltou a remexer a caixa. Sorriu singelamente ao encontrar o que queria, abrindo uma agenda prateada viu o post-it que continha o endereço do bar que visitou em uma sexta-feira onde era a velha Molly Hooper. O rasgou jogando-o numa lixeira. Tomou a caixa nas mãos e andou calmamente pelo hospital, era um adeus.
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It's a new life...
Molly abandonou o hospital, ninguém mais soube dela. Seu flat foi vendido. Seu nome e sobrenome sumiram dos resultados de pesquisa de todos os bancos de pesquisa da internet. Molly Hooper estava morta.
Uma mulher sem família, sem trabalho, uma desconhecida sem nome, alguém com qualquer profissão, qualquer nome poderia ser o dela. Molly Hooper já não existia mais. A princípio Agente Hooper, depois disso, apenas uma mulher.
MESES DEPOIS
— Olá, aqui é Mycroft Holmes. Liguei para avisar que James Moriarty sumiu. Repetindo, James Moriarty fugiu da prisão. Fuja.
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