Agent Hooper
11 Capítulo 10 (Who are you?)
— Vou para o quarto agora. Esse pedacinho de cena do crime serviu para clarear as ideias. Preciso pensar — Sherlock disse ao irmão. Vendo os outros dois, Hooper e Watson, saírem do galpão, Mycroft permaneceu, e estando os três na recepção, aproveitou para pegar um cartão substituto para abrir seu quarto. Acenou com a cabeça para os que ficaram e saiu.
— O bom e velho Sherlock de volta — Molly falou, chamando a atenção de John que olhava na direção por onde o amigo saiu.
— É, ele parecia estranho esses dias. Com a cabeça dividida. É a primeira vez aqui que o vejo agir como antes.
— Como antes?
— É, há uns dois meses eu o vi assim, depois ele voltou ao normal.
— Entendo. Mas sabe, John, acho que não devíamos dormir, e sim resolver esse caso.
— Devíamos? — intrigado ele percebeu que Molly estava entrando em um campo que antes não era o dela.
— Sim.
— Molly, me diga, qual sua relação com esse caso? Digo, com todos que envolvem esse hotel?
— Nenhuma — ela falou séria. Como se realmente não soubesse o que estava acontecendo.
— Você parece saber mais do que diz — ele chegou mais perto dela, falando baixo — Mycroft não teria porque deixá-la na cena do crime. O que está fazendo aqui?
— Se você não acredita em mim, tudo bem. Prefiro voltar a dormir, se não vou poder ajudar vocês. Boa noite, ou melhor, bom resto de noite.
Ignorando a pergunta de John, ela terminou de falar já saindo andando, trilhando o mesmo caminho de Sherlock. Quando viu que Watson já não a seguia com os olhos, entrou em um corredor próximo, se escondendo ao máximo, andando pelo lugar, até chegar a uma porta que levava à praia. E assim, por outro caminho voltar à recepção.
— Olá, estou no quarto 326. Woodhouse — falou, se identificando — Quero saber, caso possam me dizer, se Mycroft Holmes está no quarto dele — ela se aproximou mais do recepcionista. Falando como se confessasse um segredo — Sou amiga dele, mas ele não atende as chamadas, nem a porta, e preciso muito que vocês o localizem pra mim, tenho algo no quarto dele.
— Ah, sim, claro, senhorita Woodhouse. Ele deixou um pedido para que a senhorita tivesse permissão de entrar em seu quarto. Só um minuto enquanto libero uma chave.
O homem se virou, após receber um sorriso simpático dela, mexendo na gaveta com as chaves dos quartos atrás de si. Não percebeu quando ela digitou, sutilmente, “NatD”, usando o computador do hotel para acessar o software interno.
Estas três letras que ela achava que fosse um nome, estavam bordados na manta que encontraram no galpão. Estranhou que Sherlock não tivesse visto, talvez a bebida o tivesse deixado mais lento. Sem falar que estava como as logos normais de marcas de roupa, o que poderia tê-lo confundido.
Ela notou o rosa pink da linha, e que aquela manta também poderia ser um xale, mesmo sendo um bastante grande. E se estivesse certa haveria alguém com o nome com aquelas iniciais no hotel. Bingo! Três homens e uma mulher. Foi fácil descartar e o que sobrou foi: “Natalie Davis, quarto 83, bloco D”
— Obrigada — Ela agradeceu, agitada, mas com sorte, pois o homem não percebeu o teclado ligeiramente virado para o lado dela.
A ruiva fez seu caminho até o próprio quarto. Deixou o cartão do quarto de Mycroft em cima do criado mudo, indo até sua mala, e pegando um calça reta de alfaiataria cinza, camisa polo negra, além de uma necessaire verde. Vestiu rapidamente, calçando uma sandália confortável. Discou do seu celular por Mycroft, colocando no bolso os cartões dos quartos dela e do amigo, saiu do compartimento, sendo atendida logo no telefone.
— Sim?
— Meu amor, estou com saudades, e como não nos vimos direito desde que seu irmão chegou, poderíamos passar a noite juntos.
— Entendi, acha que tem alguém vigiando você? Me fale um lugar para te encontrar.
— Talvez... Deixe-me ver. Me encontre no térreo do bloco D. Leve sua influência, talvez precisemos abrir algum quarto — o homem no outro lado sorriu pela frase estranha da mulher, mas entendeu o recado.
Por ainda estar no galpão pegando amostras com Sherlock ,que ao sair da recepção voltara ao galpão, solicitou ao homem que o acompanhava que terminasse o trabalho com o irmão. Saindo em direção ao bloco D, com seu cartão-chave que destravava qualquer porta dali no bolso, ele apareceu sorridente ao ver a amiga ao longe. Em frente a um quarto. 83.
— Oi — ela disse, com rosto iluminado, o vendo olhar para os lados com um sorriso torto, chegando próximo demais, a beijando delicadamente. Ela tinha se acostumado com aquilo em público. Mas ainda era um pouco estranho. Entretanto, ela fingiu retribuir pelo papel que os dois deviam mostrar, caso algum capanga de Moriarty ainda a estivesse vigiando.
— Escolha um quarto — Demonstrando excitação com a situação, mas totalmente dentro de um personagem, ele falou baixinho para ela.
— Esse está vazio? — ela apontou com a cabeça para o 83.
— Vamos ver — ele segurou com uma das mãos a dela, e com a outra, passou o cartão pelo leitor, destrancando a porta. Revelando um quarto vazio e aparentemente intocado.
Quando entraram, Mycroft desfez seu sorriso, voltando a si. Fechou a porta. Reparando no cartão ainda no leitor magnético do interior do apartamento, como se o dono estivesse ali. Perguntando a Molly o porque daquilo. Ela rapidamente falou da impressão que teve ao ver “NatD” bordado na manta.
— Eu também percebi isso.
— E no hotel, a única hóspede com o nome parecido é Natalie Davis, instalada neste quarto.
— Vamos procurar algo, então.
Ambos se preparam para revirar o quarto em busca de informações sobre Natalie Davis, que no final das contas estava vazio. Conseguiram facilmente encontrar a mala aberta, perceberam como o pano que estava no galpão parecia com outros de cores diferentes. Assim, era visível que não só o quarto parecia intocado, como a mala aparentemente nem tinha sido desfeita ainda. Dando a impressão de sua dona ter acabado de chegar.
— Encontrei um celular. E se essa do plano de fundo for a dona, duvido muito que ela seria do tipo que sai sem ele — Mycroft comentou.
— Encontrei um caderno de anotações. É um agenda — Molly mostrou, sem parar de folhear, vendo um pedaço de papel canson com vários rabiscos, de dois tipos de letras diferentes. Um deles era só um número de celular com código +55 e o resto se tratava de títulos diferentes para algum tipo de livro, história, algo assim. Com a mesma caligrafia, havia outros números. 536 algo bastante riscado entre eles números, assim como 575.
— O que acha que é isso? — Ela perguntou entregando a Mycroft o papel.
— Eu não sei, podem ser milhares de coisas diferentes — Ele devolveu o canson a ela e pegou a agenda — Ela tem o número de muita gente famosa. Muitas agências de modelo. Mas veja só — Ele disse, indicando a ela algo fora do comum. -. “Pin me down”, “Since i met you” “Rashomama” “Way to go” “6x24” e “7x01” dentro de um enorme coração.
— Parece que ela gostava muito desse episódio — Molly sorriu identificando o padrão. — Sim. Sem dúvidas é algum episódio de série. E essas frases não me são estranhas.
— Veja se encontra coisas mais importantes — Mycroft falou impaciente, dando a agenda à ela. Hooper continuou a folheá-la, encontrando “07x01” em várias páginas diferentes, sempre dentro de um desenho de coração.
— CSI! — Ela gritou alegremente lembrando da fonte das frases.
— Como?
— Essas frases são de CSI!
— Isso não quer dizer nada. Só que ela é uma adulta viciada em alguma série estúpida.
Molly deixou a agenda de lado, vendo ao longe a porta de vidro que levava para a sacada do quarto entreaberta. Era o térreo. Então, se a porta estava trancada, com o cartão do lado de dentro e a porta daquela maneira, quem quer que estivesse ali, saiu depressa e logo depois da dona chegar. Provavelmente quem fugia era a própria Natalie.
— Sabia que Natalie tinha um blog secreto? — Ouviu o amigo dizer. Em pé, ela ignorou. Se aproximando na saída de trás.
— Não. Mas acho que isso aqui é mais interessante — Acenou com a cabeça indicando a saída.
— Porta aberta. E cartão magnético no lugar. Interessante. — Holmes se levantou, indo adiante.
Quando ele abriu a porta, tomando cuidado para sobrepor suas impressões digitais com a manga da camisa, avistou um dos vasos de planta da decoração habitual do hotel caído no chão. A areia estava espalhada em torno do local.
— Se ela saiu depressa daqui, faz sentido só ter levado a bolsa com maquiagem. Talvez estivesse se arrumando. Por isso o xale. Mas onde está bolsa e o corpo? — ele perguntou e franziu o cenho, um vinco de dúvida se formou.
— Não é melhor chamar Sherlock para nos ajudar?
— Sim, claro.
Minutos depois, John Watson e Sherlock Holmes estavam no apartamento 83. Molly teve que ir embora para não chamar atenção dos dois. Após o Holmes mais velho mostrar os pertences de Natalie e o estado do quarto, foi fácil ligá-la ao corpo desaparecido.
O que restava era descobrir onde ele estava, e quem era o assassino ou sequestrador por conta própria, já que informações mais completas não chegariam tão rápido pela rede de informação do governo.
— Mycroft, você disse que achava que ela possuía um blog? — Sherlock perguntou, provavelmente formulando teorias.
— Sim. Os títulos e outros rabiscos dão a entender isso. Não sei se conhece essa rede social, Tumblr. — Falou fazendo pouco caso, já imaginando que o irmão não saberia do que se tratava.
— Ouvi falar — o Holmes mais novo falou, sem dar atenção ao tom irônico do irmão — Onde está o link?
— Esse é o problema. Não tenho. Não vi em lugar algum.
— Qual frase você achou?
— Living Dave ou Living Davi.
No mesmo instante Sherlock sacou o celular, digitando sem parar por minutos, abrindo e fechando abas. O silêncio só foi quebrado por Watson que perguntou:
— O que mais você descobriu dela Mycroft?
— Parece ser uma modelo, pelos números na agenda, roupas e por ser muito bonita e alta. Ela também é fã de Csi. Tem trechos da série por toda a agenda. E muitas menções a um episódio específico.
— Qual? — Sherlock saiu do transe, falando sem olhar para nada além do celular.
— 07x01.
— Interessante.
— O quê? — Watson perguntou.
— Living Doll é o nome desse episódio. O mesmo nome ao qual ela faz referência no título do seu tumblr, livingdavis.tumblr.com .No entanto, precisa de uma senha.
— Vou chamar Molly. Talvez ela possa ajudar.
— Não é preciso. — Ele disse, desconsiderando qualquer ajuda — O que ela saberia sobre isso? — quis saber, estudando a reação do irmão para ter ideia da relação dos dois.
— Ela conhece séries. É mulher e pode ajudar. — respondeu como se fosse óbvio.
— Não é necessário. Não deve ser tão difícil — ele voltou seu olhar para a tela — Sabiam que existe uma Natalie Davis em Csi? A assassina das miniaturas. A nossa Natalie devia gostar muito dela para nomear seu blog — disse — Então é só pesquisar “Naturlittlebisquedoll”, o nickname que a assassina usava na internet em fórum de miniaturas — continuou.
Senha incorreta.
— Então deve ser “alvejante”, o gatilho para Davis matar — tentou novamente.
Senha incorreta.
— Appendi-sawdust. A palavra que mais chama atenção na música que a serial killer recita no interrogatório.
Senha incorreta.
— Droga!
— Será mesmo que tem algo a ver com a série?
— Sim, John. Ela faria isso — falou, aborrecido por não conseguir acessar.
— Então chame Molly. Se ela conhece a série, considerando a ligação para descobrir a senha, ela pode ajudar — John finalizou. Mas foi o Holmes mais velho que tomou à frente.
— Eu a chamo — Mycroft se afastou, pegando seu celular e discou o número da moça de cabeça. Algo que não passou despercebido por Sherlock, que fingiu não ter visto e falou na direção do amigo.
— Você tem alguma ideia? Tente também. Vou repetir o link e você tenta ai do seu navegador. www.livingdavis.tumblr.com
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