Agencia Passio di Reborn

6 Parede e pinceis - parte 1


Notas iniciais
Capitulo longo de mais, por isso foi dividido em duas partes

Agência Passio di Reborn

Declaração: Katekyo Hitman Reborn não é nosso. Apenas fanfic sem fins lucrativos. Yaoi, Yuri, várias sexualidades. Se não gostar, clica em X.

Sinopse: Agência de Relacionamentos Passio di Reborn! Caso você tenha algum problema de relacionamentos, nossos funcionários ajudarão você! Aliás... Estamos precisando de funcionários. Fichas fechadas Alerta: yaoi, yuri, várias sexualidades.

Parede e Pincéis

Após todos esses meses, uma ideia tinha surgido em torno de todos os integrantes dos times Grace e Rubi, que era: Wanuki e Abel ficariam bem juntos. Os olhos especializados após toda essa experiência praticamente juntaram os dois, só que estavam separados pela regra de ouro da Agência — não se relacionar — e porque ambos eram teimosos.

– Mas que milagre! O que todos estão fazendo, todos juntos? Ah, Harper... até você aqui? — Yui-Tsuki apareceu na varanda mais ampla do prédio da Agência, que ficava a altura da copa de uma árvore em frente a ela, dando certa "privacidade". Também era um ótimo local para comer bentos.

– ... — Harper acenou com a cabeça para a mais velha, enquanto virava mais uma página e comia um bolinho de arroz, no canto com sombra.

– Yui-Tsuki-san!! — Selian praticamente pulou no lugar, abrindo os braços e acenando para ela se juntar a "rodinha". Enquanto terminava de mastigar o peixe, deu tapinhas em um banco de madeira, indicado que era para ela sentar ali. — Estavamos esperando por você!

– Bem, pelo visto... Mas, só por mim? E Wanuki-kun e Abe--

– Shhhh! — Muitos colocaram a mão na frente da boca, pedindo silêncio quanto a esses nomes. Até Harper, a garota de cabelos lilases, colocou um dedo em frente a boca, ainda lendo o livro em mãos.

– E-ehh?! — Ficou tensa; estariam bolando algo que os gerentes não poderiam ouvir? Um tipo de revolução?

– O que... acha sobre aqueles dois, Yui-san? — Selian aproximou o rosto, enquanto levava outro peixe seco para a boca, sério. O jovem aprendiz que estava pegando menos no pé de Wanuki, apesar de ainda gostar dele, porém entre uma fofoca e outra estar namorando uma pessoa parecida com o intocável senpai, ainda não comprovado, estava vestindo um cosplay de aprendiz de bispo, em menção a 07-ghost. Talvez para dar sorte e não serem pegos. Ou porque estava assistindo esse anime agora. Enfim, um aprendiz com orelhinhas de gato.

Kaiwan reconheceu de primeira a fantasia do moreno, ele sempre reconhecia todas as roupas que ele usava, e queria muito conversar com ele sobre aquele anime, mas não podia, já que não queria ser reconhecido como o otaku da turma, fora que não era de seu feito deixar que os outros se metessem em sua vida.

Por outro lado, Yuki parecia o único distante da conversa, estava na cadeira mais afastada jogado nela, e olhando para as arvores que ficavam do lado de fora da agencia. Pensava em como aquela ideia era um absurdo, se aquilo se concretizasse ambos os times perderiam seus gerentes. E não estava muito disposto a aceitar aquilo, não sabia se era seu lado profissional ou qualquer outra coisa.

Talvez por o outro time não conhecer bem o moreno de olhos vermelhos não estranharam a total falta de interesse no assunto discutido, mas um certo ruivo de tapa olhos percebeu, e só opinava quando era necessário. Estava preocupado com seu colega de equipe, assim como a funcionalidade daquele plano e quanto mais se discutia, mais louco parecia.

– ... Enfim, o horário acabou. — A assistente de Wanuki disse, colocando os hashis dentro do bento vazio e dando um fim a discussão do plano, trazendo-os de volta a realidade e que os dois citados poderiam voltar a qualquer momento.

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– Ciaossu! — E no meio da mesa, vestido de porta-canetas, apareceu um bebê com uma chupeta amarela. Do outro lado da mesa de Wanuki, chegando com passos lentos e parando ali, apareceu uma criança de aproximadamente onze anos.

– ... Reborn? — Wanuki ergueu a sobrancelha, para em seguida endireitar a coluna e massagear a testa. Como nunca conseguia ver aquele bebê chegando, sempre caindo naquelas fantasias...? Também colocou o óculos de descanso que usava raramente, para ver se não era uma alucinação por muito papel. — Oh, você é real... E ela também. — Disse, ficando em pé e dando a volta na mesa, chegando perto da menor.

– Ahaha! Mas é claro! Puu! — Tirando a fantasia e mostrando o usual terno preto, o pequeno hitman sentou na mesa, observando Wanuki pegando a criança nos braços e colocando ela sobre o banco com almofada.

– Então, gostaria de saber quem é a senhorita... — O moreno sorriu para ela, ajoelhando-se para ficar no mesmo nível dos olhos dela. Era menor até mesmo que Harper, claro.

A pequenina balançou as pernas assim que se viu sentada na cadeira de luxo, estilo rocócó, parecendo bem relaxada para alguém que estava acompanhando Reborn e acabou parando em um lugar estranho. Ela tinha a pele moreninha, algumas poucas sardas no rosto, um nariz pequeno e vermelhinho, como o cabelo ruivo e liso em destaque. Parecia uma figura saida de algum anime, os cabelos muito compridos, porém, também um tanto desajeitados, como se não tivessem visto uma tesoura há muito tempo. Enfim, Wanuki também notou uma pequena sombra nos olhos azulados dela. Parecia ter passado por coisas que apenas ela e Reborn sabiam, amadurecendo por pressão do meio.

Era como ele, apesar de ter "entrado" naquele mundo da Vongola há cinco anos atrás... com dezenove anos. Não que Wanuki tivesse desistido de seu sonho; ele era praticamente uma criança perdida com uma banda, que foi visto obrigado a fazer parte da Agência por uma burrada que seu irmão mais velho tinha feito, e acabou pedindo para ele ajudá-lo a trabalhar para Reborn, para que a dívida fosse paga. Enfim, hoje em dia, já tinha conseguido estabilidade e confiança do bebê.

– Está tudo bem, me chamo Aoname Wanuki, mas você pode me chamar de Nuki, querida. — Sorriu, tentando amenizar o clima. Talvez a pouca tatuagem que aparecia e o cabelo roxo tivessem assustado ela, para ficar quieta até agora. — Yui-Tsuki, você... ?

Assim que olhou para o lado, viu a menina abraçá-lo no braço, sendo que Wanuki tinha apenas feito menção de afastar. Talvez ela não tivesse assustada com ele.

– Ela se apegou a você, em? Wanuki-kun deve ter realmente um imã de mulheres. — Disse o bebê.

– Isso não é hora de fazer piadas, Reborn...sama. — Disse, engolindo em seco ao ver Leon dançando na mão do bebê. — Enfim, ela é muda? — Segurou a menininha no colo, erguendo-a e deixando a ruiva sentar nos braços, perdendo alguns chinelos bem gastos no chão.

– Não, ela só é timida~ Ao contrário daquela vaca escandalosa ambulante. — Os olhinhos e jabuticaba de Reborn brilharam, de puro ódio ao se lembrar do membro da família Bovino. — Cuide muito bem dela, Wanuki, conto com você. — Disse, transformando Leon em um balão.

– ... Então, vai realmente deixar ela aqui? — Murmurou, fazendo carinho na cabeça da garota, que via Reborn flutuar com o balão verde.

– Claro, você é um adulto agora, não é? Adultos devem fazer coisas de adultos. E o nome dela é Roxa. — E o Arcobaleno desapareceu.

– ... Roxa? — Olhou para ela, erguendo a sobrancelha. Então, levando em conta que o sotaque de Reborn era de um bebê, ele se lembrou de como era vermelho em italiano. — Rosso¹... — Murmurou, e a garota abraçou Wanuki pelo pescoço, mais relaxada. — Oh, então é isso. — Sorriu, salvando o arquivo do computador e fechando o programa, pegando o pendrive e guardando no bolso. — Venha, você precisa de coisas somente suas.

Yui-Tsuki estava de boca aberta, tendo visto a maioria das coisas. Como Wanuki tinha aceitado tudo aquilo, cuidar de uma criança desconhecida... ou ele tinha um coração muito grande ou não tinha uma grande noção de como criar uma criança. Enfim, ela mesma estava muito preocupada.

– Por favor, fale para Abel que vou tirar dois dias de férias, Yui-Tsuki. — Pegou dois rolos de papel de adoção de Rosso, enquanto saia da Agência, pretendendo passar por um cabeleleiro, loja de roupas infantil, e cuidar dela no apartamento.

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Abel estava a mais de 48 horas sem dormir, por causa do trabalho é claro, e a única coisa que comeu foi um café puro na entrada do trabalho, e já era quase hora do fim do expediente, e talvez fosse aquele o motivo do ruivo ter pensado ver o outro gerente carregando uma criança em seus braços.

– Mas o que diabos...?!

Falou baixo, para si próprio e pensou ter sido coisa da sua imaginação e que era hora de comer e dormir, mas ao reparar que não era só ele que olhava a cena assustado, mas sim todo o escritório, teve que suspirar, massagear o rosto, e até bater em sua linda face, para acordar direito.

Levantou-se e tudo se escureceu por um segundo, se apoiou na mesa para não cair e o único que pareceu ter presenciado tal cena de vulnerabilidade foi um certo loiro que estava arrumando suas coisas para ir embora, que parou e caminhou até ele lhe segurando o braço.

– Vem, eu te levo para comer algo.

– Me solta... eu tenho algo para conversar com ele.

– Não vai conseguir falar nada se desmaiar na frente dele!

– Vai procurar o que fazer!

O primeiro passo do ruivo e este praticamente foi ao chão, se não fosse por um certo colega de trabalho que lhe segurou com força o fazendo ficar erguido e escondendo seu corpo, para que mais ninguém o visse naquela situação, sabia o quanto o ruivo odiava parecer frágil, mas uma parte de si sentia ciúmes de outro alguém vê-lo naquela situação.

–Recomponha-se Abel...

E assim o menor respirou fundo e foi andando lentamente com o loiro lhe segurando a cintura, alguns comentários puderam seu ouvido, mas ninguém desconfiou, e era aquilo que importava no momento.

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Após ter voltado dos pequenos dias de férias, Wanuki estava... diferente. Até porque, estava levando consigo a tal garotinha ruiva nos braços, que usava roupas mais adequadas que antes. Uma calça azul jeans bem folgada junto a uma camiseta de manga comprida de listas branca e laranja, junto a uma boina jeans azul também. Parecia até outra moreninha. No entanto, o moreno maior teve sua atenção roubada ao ver Abel. Andou até ele, mas foi pego pela pergunta:

– O que significa isso Watanuki?

– ... Hum, não te avisaram? — Avaliou o ruivo, notando que ele tinha revirado o dia, e suspirou. — Ela é Rosso, uma criança que chegou com Reborn, e ele disse para tomar conta dela. Mas podemos falar disso mais tarde--

– Mais tarde...? O que pensa que eu sou? Sua secretária para encaixar horários para falar com você? Desde quando passou a ser tão importante? Heim? E cuidar dela? Olhe para você Wanuki!


Abel falar o nome correto do moreno podia significar várias coisas, mas a forma como o ruivo falou tudo num folego só, a raiva nos olhos azuis brilhantes, só podia significar uma coisa: ódio. Mortal ainda por cima. Mas ele respirou fundo e balançou a cabeça em negativo.

– Certo... certo... me responda apenas: Por que não atendeu meus telefonemas?

– Estava querendo dizer que irei dar atenção para você, bobo. O que aconteceu? Passou a noite em claro bebendo café de novo? Já não disse que não precisa se esforçar tanto e dar mais atenção a saúde? — Fez carinho na cabeça de Rosso, que parecia ficar assustada com o ruivo, um pouquinho. Porém, encarava-o de volta, quase sem expressão. — Abel, sua saúde... — O moreno suspirou, deixando a garotinha no chão e dizendo para ela ir com Yui-Tsuki. — Eu estava cuidando de uma menina de onze anos, que praticamente não tinha nada e precisava de cuidados... Estava ocupado tomando conta dela.

– Ocupado a ponto de não atender nenhum das minhas ligações e não responder nenhuma das minhas mensagens?! E foda-se a minha saúde, aqui não é lugar de criança, deveria saber disso, ô guardião. – Zombou da última frase, ainda alterado, respirando fundo muitas vezes, para tentar voltar ao normal, mas seu sangue fervia toda vez que via a menina e a ligava imetiatamente ao moreno, talvez fosse a filha verdadeira dele.

Wanuki ficou na frente da menor, ao ver que ela tinha voltado e segurado a perna dele. Suspirou mais uma vez. — Ainda não tive tempo de arrumar uma creché aqui perto, nesses dois dias. Estava mais ocupado com pediatra. E agora... parece que você precisa de um médico, Abel. — Se aproximou dele.

Abel recuou um passo, como um animal assustado e encurralado por seu predador, a respiração foi perdendo a força, já via tudo rodar, mas não daria o braço a torcer. Nunca dava. Respirou fundo mais uma vez e olhou para a garota e depois para o maior.

–Foi um caos esses dias... se for faltar me avise... idiota...

E afastou-se, mas a primeira girada para dar as costas ao dono das madeixas exóticas, foi o bastante para que todo seu corpo cedesse e fosse de encontro ao chão. Os olhos azuis constantemente abriam e se fechavam, e a cada piscada, mais demorava para a cor celeste voltar a aparecer.

Wanuki foi o primeiro a se ajoelhar perto de Abel, pedindo para os outros se afastarem. A pequena olhou para Abel e parecia chocada; em seguida, ela abraçou o corpo do ruivo e começou a chorar alto. Wanuki pegou ela e Abel, ajeitando-o nos braços, enquanto Rosso ainda segurava o desmaiado.

– Rosso, calma, calma, ele vai ficar bem... — Controlava a voz, embora muito preocupado com o colega. Yui-Tsuki se ofereceu para acompanha-los, porém Wanuki disse que alguém teria que cuidar da agência enquanto os gerentes estavam ausentes. Assim, levou os dois ruivinhos para o carro da Agência, dizendo que assim que Abel acordasse, iria ligar para eles.

Dirigindo, logo Wanuki chegou com os dois no hospital. E lá permaneceram por longa duas horas, até que um medico apareceu na frente de Wanuki, ele era baixo, muito baixo, tão baixo quanto um bebe, a mascara de cirurgia só deixava as duas bolas pretas aparecendo e havia um lagarto verde pendurado no avental, como um broxe.

– Olá, eu sou o Doutor Renassenti e vim parabenizar os papais... Parabéns, seu marido está gravido! — Disse o tal "médico".

– ... Como, doutor?! — Wanuki se levantou, surpreso.

– Desmaios, fome, olheiras e mau-humor, tudo isso indica que o paciente está gravido. Está na ficha. Devia cuidar mais dele, sabia?

Rosso, a menina, olhava para o "Doutor Renassenti" e depois para Wanuki... piscando, porém não dizendo nada, ao lado de Abel.

– E-ele não... bem, desculpe! Mas, tem certeza?! — O moreno virou-se para o ruivo, com os olhos úmidos e brilhando ao ouvir a palavra "grávido"... Se Wanuki tinha ficado feliz em cuidar de uma orfã-futura-roqueira, ele iria ficar muito mais feliz em ajudar Abel a cuidar do filho ou filha dele.

Enfim, como todos podiam perceber, Wanuki amava crianças.

–Bem... com licença, preciso atender outros pacientes.

O tal médico se retirou da sala deixando os três para trás, e retirou a mascara falando ao telefone.

–Ciaossu! Fase um completa. – Disse sorrindo de leve com um olho brilhando.

No quarto, os olhos claros foram se abrindo lentamente, a luz incomodava-o, de maneira que tivesse que fazer muitas vezes o mesmo movimento para enfim as esmeraldas fossem expostas e captassem um moreno e uma criança na sala, seu sangue ferveu a principio, mas aquele local tão frio fez com que olhasse ao redor e se deparasse com um hospital.

–Certo, te dou um minuto para me dizer o que eu estou fazendo aqui, no outro eu arranco isso que você chama de cabelo.

–. Você desmaiou e está grávido. — Disse Wanuki sentado, pela emoção, e brincando de lançar Rosso no ar. Então, se aproximou de Abel, segurando a mão dele. — É isso, grávido!

Depois do choque inicial, Abel procurou o botão onde pudesse chamar uma enfermeira. Talvez ainda estivesse sonhando, ou o outro havia batido a cabeça, ou quem sabe andar com crianças não fizesse bem para a saúde mental das pessoas. Tentou ser compreensivo, até olhou com pena para o outro.

–Eu sou homem Watanuki... Caso ainda não tenha percebido.

– Eu sei! Mas você é capaz de ter filhos! Foi o Doutor quem disse! E está grávido! — Rodando Rosso de novo. — Vamos ver, vamos ver... Você será uma boa amiga para o filho ou filha de Abel, não é, Rosso?

– ... — A menina piscava os olhos, curiosa, porém concordou, erguendo os braços também enquanto era rodada.

– ô Deus... enfermeira! – Gritava o ruivo já cansado de tanta insanidade em tão poucos minutos, precisava relaxar, já sentia que teria outro piripaque muito em breve. – O que está fazendo aqui? Se nós dois estamos aqui, quem esta na empresa? – Parou subitamente de gritar pela enfermeira e olhando meio assustado para o moreno.

– Deixei Yui-Tsuki no comando. — Disse, pensando que agora a morena de longos cabelos mandando todos voltarem ao trabalho com mãos de ferro... depois de certa bagunça e estresse dos outros funcionários. Às vezes ela era bem séria, mas no momento que precisava.

– Você... deixou... aquela vaca cuidando da minha equipe?! – Se exaltou, já tirando tudo que estava em cima de si e procurando suas roupas. Não iria ficar ali. Não depois daquela informação. – uma coisa é um dia eu precisar que você olhe se eles estão trabalhando, outra é colocar aquela vaca para olhá-los!

– Não chame ela assim. — O moreno cobria os ouvidos de Rosso. Em seguida, viu enfermeiras chegando e deitando Abel com uma força sobre-humana na cama, amarrando ele.

– Eu chamo aquela vaca do que eu quiser! Saia daqui! Vá cuidar da sua vaquinha sagrada e tire as patas dela dos meus funcionários! – Abel fez muita ênfase na palavra ‘’sua’’ parecia até ciúmes, mesclado com um ódio intenso e uma falha tentativa de se livrar daquele aperto. – Está doendo!

– O paciente que ainda não recebeu alta deve permanecer deitado!

– Devemos seguir o protocolo e quebrar as pernas dele?

– E-espere! Ele tem alta! — Ergueu uma ficha, mostrando para elas. — Só estava esperando acordar...

– Oh, então, nos desculpe! — Desamarraram Abel e deram mais algumas informações, indo embora para ajudar outros.

– ... Bem, vamos então. E não diga isso da Yui-Tsuki. — Ajudou Abel a sair da cama.

E tudo que o ruivo fez foi revirar os olhos e massagear os pulsos que ficaram com marcas roxas, contrastando na pele pálida. – Preciso me trocar... Cadê minhas roupas? E se quiser defender a sua namoradinha, sugiro que faça isso perto dela. – Falou entre dentes empurrando o moreno e indo atrás das suas roupas.

– Ela não é minha namorada, é uma amiga. — Suspirou. — Aliás, aqui estão suas roupas. — Entregou uma bandeja com os pertences de Abel e roupas. — Mas, tem certeza que está bem agora...? Vamos passar em um restaurante... eu pago.

–Vire-se... – Disse e ergueu as sobrancelhas vendo o outro o obedecer. – Você também. – E quando se viu sem nenhum expectador começou a se trocar. – Não preciso de caridade... – Foi o primeiro a se retirar do quarto ajeitando o cabelo. – Ahhh... preciso de um pente... – E tentava desfazer os nós com os dedos, não que tivesse muitos.

Wanuki segurou a mão de Rosso, e seguiram o ruivo, enquanto o moreno retirava um pente do bolso, cutucando a cabeça do outro gerente. — Não é caridade o que está recebendo, é ajuda. E, aliás... o que acha sobre estar grávido? Reborn falou com você, recentemente?

–Mas é claro que você tinha um pente... – Pegou o objeto da mão do maior e começou a escovar os longos fios, e reparou nos olhos da menina grudado em si enquanto fazia aquele ato, a primeira coisa que passou pela cabeça do ruivo foi ela estar imaginando aquelas cenas de filme onde a princesa se penteia, e aquilo lhe fez parar automaticamente, entregando o pertence. – Ainda acho que bateu a cabeça, falei com ele a... não sei, uns dois meses atrás?... acho que foi, por quê?

– Se você nunca percebeu... — Suspira. — Bem, você já ouviu algumas histórias envolvendo ele? Algo como viagem ao passado, ou futuro, certos objetos para mudar o humor da pessoa... Aliás, Reborn-sama também é muito estudado, e gosta de ciência... Talvez ele tenha feito algo sem nós sabermos. Afinal, ele é o rei das surpresas... — Olhou para a menor, que estava bem mais calma, embora demonstrasse medo ao olhar as enfermeiras e médicos. — E assim, você acabou grávido... — Ficou em silêncio. — Um pouco difícil de aceitar, mas Abel, lembre-se que podemos esperar tudo dele.

Abel olhava o maior e parecia muito chateado com aquilo que o outro lhe dissera, era muito estranho ver o gerente de cabelos ruivos triste, de verdade, não fingindo algo, e lá estava ele. Mordeu o lábio inferior e suspirou enquanto abaixava os olhos. – Acha mesmo... que eu estou esperando um filho de um desconhecido? – E novamente seus olhos azuis encararam os castanhos escuros, com certa severidade e melancolia.

– ... Quer procurar o médico e querer mais exames? — Agora que Wanuki estava sério, pensava também que um homem ficar gravido era um tanto arriscado. Até mesmo para Reborn. — Ou ir para um outro hospital? ... Acho que se ligarmos para Reborn-sama, vamos ficar na mesma.

– Vá embora Wanuki... você é pai agora e eu sei me virar. – Disse colocando as mãos no bolso do casaco e se retirando do espaço.

Wanuki pegou Rosso no colo e continuou a andar perto de Abel. — Bem, você é meu amigo e colega de trabalho. Se Reborn fez alguma coisa ou não, se está passando por dificuldades, é de minha preocupação também. .. E é verdade! Eu sou pai, agora! — Olhou para Rosso. — Me chama de papai?

– ... — A menina continuou quieta, piscando os olhinhos.

– ... É, parece que não estou com tanta bola assim para ser papai..

– Me deixa em paz Wanuki... – A fala do menor não era de raiva, ele parecia bem cansado na verdade, entrou no elevador encostando as costas na parede de metal e cruzou os braços enquanto evitava olhar o maior e ferindo o lábio inferior.

– ... — Parou perto de Abel, observando ele, assim como a menor.

As portas de metal se fecharam e os levaram até o terro, onde o ruivo saiu e foi caminhando para a saída e fez sinal para que um taxi parasse. Já era tarde e o tempo havia esfriado um pouco, uma fina garoa caia molhando as flores que se abriam no jardim do hospital e nas calçadas. Era uma bela imagem.

–Ela vai ficar doente se ficar aqui...

O mais velho tinha tirado a blusa e feito de capa para Rosso não se molhar.

– Verdade... E você também. Aliás, o carro está para cá. — Pegou Abel pelo braço e andava na direção do carro da agência. — Você vai passar um tempo com a gente, Abel...

–E por que eu faria isso? – Ele até tentou se soltar, mas o aperto era muito forte, e o menor ainda estava muito fraco pelo recente desmaio.

– Porque você precisa de ajuda; só de olhar para você, nota-se que precisa descansar. — Suspirou, enquanto abria o carro e esperava o ruivo decidir entrar. — Está ficando cada vez mais frio... Melhor entrar.

Abel certamente era teimoso igual uma mula, revirou os olhos, fingiu que o outro não falava consigo, bateu o pé, bufou, relutou até finalmente espirrar e dar-se por vencido, indo para o banco do carona. – Acho que é ilegal carregar uma menina dessa idade sem cadeirinha. – Colocou o cinto e cruzou os braços.

– Será por pouco tempo; como eu disse, ainda não consegui arrumar tudo. Desculpe Rosso... — Colocou ela no banco, ainda com a blusa envolvendo o corpo menor, e colocou o cinto na garota que acabou estendendo parte da blusa para Abel. — ... Olha só, ela também parece se importar com você. — Wanuki acabou sorrindo, tranquilamente e de forma relaxada, quase uma raridade no dia-a-dia.

Se o ruivo fosse um felino, já teria rosnado naquela altura do campeonato, ignorou a blusa estendida para si e ficou olhando pela janela o caminho inteiro, tentando ignorar a existência do homem ao seu lado.

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Kaiwan viu a mesa dos dois gerentes vazias ainda e ficou preocupado com o estado de saúde de seu superior. Parou ao lado da mesa de Yui, logo após atender todos os seus clientes, já era quase a hora do fim do expediente e o time Grace e Rubi haviam combinado uma outra reunião naquela noite.

– Eu acabei tudo, eu vou na frente ou quer que espere?

– Ah, Kaiwan... — Yui-Tsuki estava com alguns papéis em mãos, que tomou algum tempo para bater eles na mesa e guardar em uma pasta. Suspirando, ela esfregou um olho. Tinha feito realmente muita coisa no lugar dos gerentes. — Não, vamos juntos... assim é o melhor... — Levantou-se e olhou para o celular. Nenhuma ligação. — ... Estou ficando preocupada com aqueles dois... embora, Wanuki-kun seja do tipo que esquece de ligar de volta. — Disse, pretendendo falar com ele sobre isso.

Yuki apareceu sorrindo de canto e sentou-se na mesa, pronto para jogar seu veneno, com graça é claro. Olhou para a mulher e lembrou-se das reações de seu gerente.

– Eu duvido muito que o nosso gerente vá te atender.
Kaiwan concordou com a cabeça, sabia que o outro se referia ao fato de Abel ter uma disposição de perder a cabeça quando citavam o nome da mulher a sua frente, mas ela não precisava saber que o ruivo amaldiçoou ela e todas as suas próximas mil gerações.

– Ah, claro, não para Abel-kun. — Ela sorriu um tanto constrangida, já sabendo de toda a história. Fofoqueiras da agência serviam para algo, afinal. — Nem sei se ele está em condições de atender, ou já deve ter acordado... Mas Wanuki-kun, como acompanhante, devia pelo menos nos avisar... Também não ligou para a secretaria, ou deixou mensagem. — Murmurou.

– Ou, ele deve estar muito mal... tanto pelo estresse quanto por ver a irmãzinha com Wanu... — Harper chegou como num passe de mágica ao lado de Kaiwan e Yui-Tsuki.

– H-harper!! — A mais velha se assustou, quase deixando a pasta cair. — E... irmãzinha?!

– ... Rosso-chan... — Disse, esfregando o olho e bocejando, carregando uma revista e um livro nos braços; entre eles, algumas fichas do trabalho.

– É... faz todo o sentido ela chamar aquela menina assim. – Yui comentou cruzando os braços e pensando em como ela se parecia com Wanuki.

Kaiwan permaneceu em silencio até reparar a falta de um integrante para que todos pudessem sair para a reunião, e comer é claro, seu estomago já estava dando voltas.

– Cadê o Selian?

– Perguntando por mim? Que honra! — Disse uma voz que se aproximava, vinda do corredor. Parecia muito coradinho e animado, mesmo não tendo Wanuki por perto... o que era muiiito estranho. Vinha segurando a mochila, tendo demorado talvez para se trocar do cosplay que antes estava usando. — E ai, alguma notícia dos senpais?

– Não, nenhuma... — Murmurou Yui-Tsuki, arrumando a franja e aproveitando para massagear a testa, cansada.

– ... — Harper ficou em silêncio, vendo todos presentes.

– Bem... vamos comer? – Kaiwan disse simplesmente pegando sua mochila e saindo do escritório.

Yuki pegou sua mala e foi seguindo o maior, até que a porta se abriu e seus olhos vermelhos se dirigiram para o chão vendo um bebe com uma chupeta pendurada no pescoço o olhando seriamente.

– Ciaussu~ Podemos conversar Yuki-kun?

– ... Claro...

– Vocês podem ir na frente. – Disse o bebê indo para seu escritório e seguido pelo moreno.

– Ah, Reborn-sama... — Disse a mulher de longos cabelos negros, reconhecendo quem tinha trago Rosso para o gerente. Antes que pudesse perguntar por algo, Harper segurou na mão dela e seguiu com os outros.

– ... — A menina de cabelos lilases trocou um olhar com o bebê, antes de atravessar a porta. E pela primeira vez, deu uma risadinha engraçada, como se tivesse ouvido uma piada. — Talvez o plano não seja tão necessário assim...

– Ei, Yuki! Vamos comer sua parte se demorar muito! Só falando! — Selian sorriu, enquanto tomava a frente, junto com Kaiwan. Apesar disso, olhava sempre para trás, curioso.

Quando o bebê e o moreno estiveram sozinhos ambos se encaravam até o menor tomar a palavra ainda sério e encarando os olhos do outro, como se analisasse qualquer tipo de mentira.

– Serei breve Yuki, se desejar vamos oferecer 30% de desconto para funcionários, você quer ir atrás de Abel ou dará continuidade com o plano?

Os olhos vermelhos se arregalaram e parecia que o chão havia sumido de seus pés. Seu coração se apertou e então pode sorriu de leve enquanto abaixava a cabeça e escondia a face com o véu negro que era seu cabelo. Então era isso que estava sentindo...

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Ao chegarem no apartamento, Wanuki tirou a blusa de Rosso, dizendo que ela poderia tomar um banho antes deles. Entregou uma toalha roxa para ela, e a pequena foi para o banheiro.

– Quer comer alguma coisa, Abel? Aliás, temos duas camas. Desculpe, mas acho que ou vai ter que dormir no sofá, muito provável que não faça, ou vai ter que dormir comigo.

Abel estava analisando a casa quando a voz do outro adentrou em seus ouvidos e se assustou um pouco, lembrando-se que não estava sozinho naquele momento. – Só durmo na mesma cama que alguém se eu for transar com esse alguém, caso contrário esqueça... Quer transar comigo Watanuki? – Olhava para o maior de forma desafiadora, enquanto aproximava os corpos.

Wanuki pegou a cabeça ruiva do outro e sentou ele na cama onde dormia. A outra estava com um ursinho e lençóis roxos e brancos, indicando que era onde a menina estava dormindo. — Não, Abel. Mas vamos ter que dividir, certo?

– Eu já disse as minhas regras, não divido cama nenhuma, e não vou dormir no sofá. Você que me arrastou para cá, dê seu jeito!

Wanuki suspirou, um pouco cansado e não entendendo toda aquela insistência de Abel. — Não pode quebrar elas só hoje? Ou talvez teria sido melhor ter levado você para onde mora...?

O menor ficou encarando o moreno, e olhou para o chão parecendo triste outra vez, como se procurasse as palavras certas, mas acabou desistindo. – É... teria sido melhor... pegou minha bolsa no trabalho?

– ... Hum, não, acabei esquecendo, você tinha desmaiado... Mas, por que está falando da sua bolsa agora?

– Porque todas as minhas coisas estão nela, literalmente.

– ... Como assim? Você não tem casa? .... — Pensou um pouco, até que se lembrou de alguém. — E o seu irmão, Cain?

– ... Está na Itália... – Ficou claro a hesitação do ruivo ao responder a primeira pergunta, a demora, como se pensasse em algo para falar, mas a parte do irmão era verdade, toda sua família estava na Europa.

– ... Oh... Mas então, onde você fica?

– Depende... tem noites que passo no escritório, as vezes em um motel com um estranho, às vezes em algum hotel... por aí... – Suspirou e ficou olhando os próprios pés, sua boca falava como se aquilo não fosse nada, mas seus gestos mostravam o quão envergonhado estava de dizer aquilo para o maior. Se fosse qualquer outro, talvez, só talvez, ele não estivesse se sentindo daquela forma.

– ... Bem, se for algum problema de arranjar algo com um preço acessível, posso conversar com os meus pais... Eles são os donos desse prédio, sabe? — Coçava a cabeça, ingerindo tudo. Apesar de todos esses anos de convivência com o outro, apenas sabia do irmão, que a família de Abel era importante e... só.

Os olhos azuis se encheram de lágrimas, mas este ergueu a cabeça para não derrama-las e riu de forma amarga, como se ouvisse uma piada ruim. – Não é falta de condições... Por que acha que eu durmo com tantas pessoas? Eu quero uma vez na vida não me sentir sozinho, eu quero a droga de uma cama quente quando eu for me deitar, mas eu não quero me apegar a ninguém, por isso eu sempre sumo no dia seguinte e vou atrás de alguém de noite! Me chame do que quiser Wanuki, eu não me importo! Eu só quero dormir tendo alguém me abraçando de noite. – As lágrimas acabaram escorrendo, e o ruivo as limpou rápido, com vergonha destas, era humilhante chorar na frente de outras pessoas.

Wanuki se abaixou, abrindo uma gaveta do criado-mudo entre as camas... E em seguida, empurrou Abel e deitou na cama com ele, enquanto enxugava as lágrimas dele bem de perto. — Não estou te chamando de nada... Nem te criticando. — Ficou pensando no que poderia falar, porém nada parecia ser o suficiente. Então, só ficou quieto. — Aliás, se dormirmos na mesma cama, você vai ficar quente.

Se aquilo não foi o bastante para que o coração do menor parasse, as palavras deste fizeram com que corasse até o ultimo fio de cabelo e parasse de respirar momentaneamente, até gaguejou, coisa que não era do seu feitio. – O-o que quer dizer... com isso...?

– Foi o que ouviu... — Terminando de enxugar o rosto do outro, descansou a cabeça na própria mão. — E isso é meio óbvio. Se dormirmos um ao lado do outro, o calor dos nossos corpos vai aumentar. — Falou tranquilo.

Nisso, Rosso saiu do banheiro, usando um pijama.

Abel certamente contou até um milhão para não arrancar naquela momento a cabeça de Wanuki, mas não contou tanto que não pudesse chutar o outro e o visse cair no chão e dar um belo urro de raiva e entrar no banheiro que agora estava desocupado. Amaldiçoando Wanuki e suas gerações, é claro. Tudo em todas as línguas que conhecia.

– ... — Wanuki permanecia no chão, olhando para o teto.

– ... — Rosso parou de olhar para a porta do banheiro, não entendendo nada que o ruivo estava falando e deitou em cima do moreno, pretendendo dormir.

– Ei, você também não... vá para a cama. — E suspirando, carregou a ruivinha para a cama, cobrindo ela e colocando fones para conseguir dormir. Enquanto isso, o moreno esperava Abel se acalmar novamente.

Certamente a conta de água não sairia barata para Wanuki, e o ruivo só saiu do banho quando o chuveiro fez um barulho estranho e a água começou a ficar fria. Arrepiou completamente e voltou sua ira para a água fria, não mais em um certo moreno de cabelo exótico. Secou-se com a toalha e percebeu enfim que só estava com o uniforme do trabalho, e definitivamente não dormiria com aquilo.

Pé ante pé caminhou até a porta e colocou a cabeça para fora, vendo só um abajur acesso, pensando que aqueles dois já houvesse dormido se retirou do local que parecia uma sauna de tanta fumaça branca e quente que estava, e caminhou enrolado na toalha até o que parecia ser a porta de um closset e ficou vendo o que tinha ali. Era um espaço pequeno, parecia mais um típico closset de um apartamento comum de Nova York.

Retirou a peça branca e deixou esta escorrer até alcançar o chão e continuou sua caça por uma blusa, sem se atentar pelo fato que estava sendo observado.

Wanuki chegou por trás de Abel e ... colocou uma camisa branca que tinha sobre o corpo um tanto seco dele. Também pegou uma blusa que era quase do tamanho dele, de quando era mais jovem. Parecia que não ia precisar de calças. — Faça silêncio, Rosso está dormindo. Sugiro que também se deite; vou concertar o chuveiro, deu para ouvir daqui... — O moreno de cabelos roxos e pretos se virou e andou até o banheiro, lutando contra a fumaça.

Abel reclamou baixo, um tanto vermelho, e começou a se vestir vendo que a camiseta ficou um pouco acima do meio das coxas. – Ótimo... para que calças não é? – suspirou e foi para a cama, fazendo com o cobertor uma espécie de barricada, colocando mais espaço para si é claro, e um pedaço do colchão que certamente o maior teria que se espremer para caber. Uma pequena vingança.

Assim que o problema do chuveiro foi resolvido, Wanuki se trocou rapidamente e desligou todas as luzes restantes. Tateando até a cama, puxou a coberta e se colocou debaixo dela, juntando o corpo com Abel. Nisso, os esforços do outro foram em vão.

E se antes o ruivo estava vermelho, agora ele era um verdadeiro tomate. Seu coração batia rápido e pode jurar que o outro podia ouvir, tentou reclamar baixo para não acordar a menina, mas sua voz saia falha. – Desencosta...

– Boa noite... — Murmurou, puxando a coberta e relaxando.

– Desencosta! – Insistiu o mais novo. – Homens acordam duros, não quero você colado na minha bunda de manhã!

– ... — Suspirando, virou o corpo, satisfazendo a vontade de Abel.

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No dia seguinte, Yui Tsuki carregava um bolo que tinha comprado na padaria, entrando no prédio da agência e falando com a secretária sobre o horário para comparecerem no escritório, para parabenizar Wanuki... Isso porque tinha se lembrado do aniversário dele. Só esperava que Abel e Wanuki viessem para o trabalho naquele dia. Então, quando ela viu Kaiwan no corredor, chamou por ele.

– Bom dia, Kaiwan! Por favor, poderia ver se Wanuki está na sala, já?

– Sim, ele está.. Mas Abel não esta com ele.

Disse simplesmente colocando as mãos no bolso e olhando o que a mulher carregava, retirando apenas uma mão para apontar para o doce.

– Para que isso...?

– Ah, você não sabe, não é? — Riu.

– É o aniversário do senpai! — Selian disse, colocando a mão no ombro de Kaiwan e erguendo o outro braço, comemorando. Dessa vez, estava vestido de Edward Eric. Isso porque sabia que Wanuki gostava do anime. E era bom, o caso para esconder o bolo.

– Então é por isso que o escritório esta um carnaval? – Disse um sorridente Yuki que acabou de descer as escadas e pegou a explicação do colega, tentou passar o dedo no creme do bolo, mas este foi tirado de seu acesso antes que pudesse maculá-lo.

Kaiwan olhava o colega de equipe preocupado, tinha uma leve sugestão sobre o que poderia ser a conversa dele com Reborn, e sentia como se... precisasse dizer alguma coisa, algo de consolo, mas não faria na frente de pessoas que pareciam não saber nem metade da historia, não que ele próprio soubesse de muita coisa.

– Ei, Ei, Yuki, não pode profanar esse bolo. — Falou Selian. — Venha, Yui-san, eu e os rapazes serviremos de distração para Wanuki não perceber a surpresa para o almoço. — Piscou, pegando na mão dos dois do time Rubi e indo na frente. Harper seguiu o grupo, ajudando de alguma forma.

– Você está bem...? – Kaiwan perguntou baixo, preocupado com o colega.

Yuki se surpreendeu com a pergunta, mas acabou dando um sorriso triste. – Eu vou ficar...

– ... — Wanuki então ergueu a cabeça, vendo um grupo um tanto incomum se aproximar de sua mesa, juntos. — Selian, Edward Eric é loiro...

– Sinto muito senpai!! Mas eu não tinha um par de orelhas de gato que combinasse com amarelo! Então, vim de Eric moreno! Não gostou mesmo?

– ... Ficou bem. — Suspirou, olhando então para os outros. — Yuki-kun, parece um pouco abatido também... Tem dormido bem? Se quiser pedir férias, talvez seja o melhor a fazer... não é bom pessoas desmaiarem seguidamente. — Colocou uma mão da testa dele, enquanto Yui-Tsuki tinha chego a cozinha com sucesso.

Yuki acabou, por reflexo, segurando com força a mão do outro, talvez dentro de si ele odiasse o maior, mesmo não querendo admitir aquilo, mas acabou soltando o braço dele pedindo desculpas. Deu meio volta e foi indo para a mesa de seu gerente sentando na cadeira e rodando nela enquanto Kaiwan olhava a cena.

– Por outro lado parece que dormiu muito bem, senpai... – Disse de forma educada o ruivo de tapa olho.

– Hum, na verdade... — Esfregava o braço, curioso quanto a atitude de Yuki. — Foi um tanto problemática minha noite. Mas consegui dormir o suficiente... — Olhou para o lado, vendo Harper e Rosso sentadas lado a lado; como ainda não tinha visto nenhuma creche ou escolinha, a pequena ainda acompanhava-o no trabalho. A menina estava pintando algumas revistas educacionais que tinha comprado na banca. Já Harper, tinha alguns livros de criança que tinha no apartamento cinco estrelas dela, que era de quando tinha a idade de Rosso.

– ... Harper, você tem que trabalhar também. Obrigado pela ajuda, mas você sabe...

– ... — As duas viraram a cabeça para Wanuki, que ficou em desvantagem.

Yuki suspirou vendo a cena e decidiu logo perguntar o que estava lhe atolando a garganta. – E o Abel? Ele está melhor?

– ... De certa forma, ele está. — Disse, lembrando-se do ruivo dando aqueles ataques de teimosia. — Se recuperou bem do desmaio... Mas como estava muito cansado ainda, combinamos que ele iria faltar hoje, voltado para a saúde dele. — Olhou para Yuki, sorrindo para ele. — Vou avisar que estão preocupados também.

– Credo, parece até minha mãe! E olha que ela nem se preocupava tanto. – Disse um divertido gerente parado atrás de Wanuki, os fios já não eram mais ruivos, tampouco cumpridos. Estava bem curto e loiros, estava muito bem por sinal, mas quem conhecia Abel tempo o suficiente, sabia que alguma coisa aconteceu entre ele e o outro gerente de madeixas exóticas para que ele voltasse a ser loiro. – Vocês estão bem? Aquela vaca não machucou vocês? – Perguntou como se falassem com algum cachorro enquanto abraçava seus dois pupilos.

– ... — Wanuki piscou os olhos, surpreso, tendo certeza que tinha deixado uma mensagem falando para ele descansar naquele dia.

– ... Ai, ai. — Yui-Tsuki suspirou, voltando para o escritório e dando bom dia, ignorando aquilo, já acostumada com Abel.

Yuki acabou rindo e retribuiu o abraço, e o ruivo repetiu o gesto, mas não pode evitar de ver a reação de Wanuki sobre o caso. – Ficou bem assim

– Obrigado – Sorriu e soltou seus pupilos. – Ah, antes que eu esqueça~ — Foi até sua mesa e tirou de lá uma caixa vermelha e voltou para frente do outro gerente estendendo-a para ele. – Pra você.

– ... Hum, obrigado... — Aceitou o presente, enquanto murmurava que era para Abel ter descansado aquele dia. — Ah, hoje é meu aniversário... — Acabou se tocando.

Ao ouvir isso, Rosso e Harper abraçaram Wanuki, cercando ele.

Abel ia falar para ele não abrir o embrulho na frente delas, mas deu de ombros e decidiu sair de perto antes que sobrasse para si. – Pense nesse presente como uma ajuda! – Piscou para ele e saiu do escritório.

Yuki olhou curioso para o embrulho, e ficou como um gato querendo ver o que tinha dentro. Kaiwan viu o olhar de seu gerente e achou melhor tirar pelo menos Rosso de perto naquele momento.

– ... — Wanuki acabou abrindo, como se tivesse medo com que aquilo explodisse. Selian olhou Abel emburrado, porém, não parecia tão determinado a brigar com o ex-ruivo... o que era outra raridade vindo dele.

E dentro da caixa não havia nada mais nada menos do que centenas de preservativos, alguns tubos lubrificantes, até algemas. Era a cara do ex-ruivo aquele presente e é claro que quem viu acabou comentando alguma coisa, negativa é claro, sobre o gerente mais novo e como ele deveria procurar ajuda psicológica.

Enquanto o gerente caminhava pelos corredores, um loiro segurou seu ombro fazendo com que parasse de andar, e os olhos claros se cruzaram com os castanhos.

– Preferia o cabelo longo... dá pra puxar. – Sorriu de leve, mas parecia preocupado.

– Eu quis mudar... estava enchendo de pontas...

– E por que voltou a ser loiro?

–... É... é muito trabalhoso ficar retocando toda hora... fora que é caro. – Suspirou o ruivo e quando ouviu vários murmúrios acabou rindo, imaginando a cara de Watanuki ao ter aberto o presente.

– ... — Wanuki suspirou, fechando a caixa rapidamente e amarrando-a bem de volta. Pelo menos não tinha um "brinquedinho" junto também... Colocou na gaveta e fechou com a chave, esperando que aquilo funcionasse para Harper e Rosso não verem ou chegarem perto. A chave voltou para o pescoço do moreno, enquanto dizia que tinha ganho carvão do ex-ruivo, para os outros.

Reborn entrou no escritório vendo os funcionários amontoados em volta do gerente mais velho e limpou a garganta, fazendo com que todos parassem o que faziam e olhassem para si. Encarou Yuki que estava sentado no janela, e desviou o olhar, logo as jabuticabas voltaram a fitar o moreno.

– Ciaoussu... Pode vir ao meu escritório Wanuki-kun?

– Ah, Reborn-sama... — Disse o rapaz, enquanto Selian reclamava, dizendo que mal tinha colocado os pés no escritório e Wanuki já estava saindo de perto dele. Yui-Tsuki então pegou o jovem "alquimista" e deu passagem para Wanuki, que passou a mão na cabeça de Rosso, pedindo para tomarem conta dela.

Subindo as escadas e indo até o escritório do bebê, que não era tão usado assim, porém mantido impecável todos os dias, o moreno de madeixas roxas fechou a porta atrás de si assim que se viu sozinho com o hitman.

– ... O que deseja falar comigo, Reborn-sama?

– Agradecer por cuidar de Rosso, consegui encontrar um lugar para ela ficar. – O bebê sorriu de canto e rodou Leon que estava em forma de pistola. – Fiquei sabendo do que aconteceu com Abel e... talvez tenha sido um descuido meu deixar uma bala tão perigosa como aquela a mercê dos funcionários...

– ... — Wanuki fechou os olhos por um breve momento, sentindo o mundo girar. Assim que abriu os olhos castanhos e enevoados, ele inclinou a cabeça. — É sempre uma honra receber seus elogios. E... eu poderia saber quem irá cuidar dela? — Piscando os olhos, Wanuki então deu um passo para frente, tomando conhecimento da outra parte. — Uma bala com um funcionário?

– Deixei uma bala na minha sala, alguém deve tê-la pego... Mas bem, acho que não preciso lhe dizer o que pretendo fazer. – Escondeu os olhos com a sombra do chapéu e deu um de seus famosos sorrisinho sentando-se na cadeira e deixando os pezinhos em cima da mesa. – Mas uma coisa esta me preocupando, deve ter tomado conhecimento sobre a situação de Abel não é? Fico imaginando como a família dele reagira com a noticia, sendo solteiro e tudo o mais...

Reborn às vezes era cruel, se utilizava de um acontecimento e manipulava toda a situação para que os outros dançassem conforme sua música. Sabia da conversa do moreno com o ex-ruivo, e plantar a semente de que a família do mais novo era um tipo de monstro que não oferecia nem abrigo para este e que não o apoiaria sendo ‘’mãe solteira’’ era uma de suas artimanhas para fazer seu plano funcionar. Não que os outros precisassem saber que quem estava de fato mexendo os pauzinhos era o hitman.

Wanuki buscou novamente da memória o pouco que sabia, ou que o Abel tinha deixado escapar da família dele. Um irmão, uma família bem "poderosa", embora uma simples pessoa como o gerente não soubesse que tipo de poder se aplicaria. Mas para Reborn demonstrar interesse... Bem, ou eram um dos mais poderosos, ou ele apenas estava brincando e colocando lenha na fogueira. Embora, independente de tudo, ter um filho sozinho ... é de abalar qualquer família.

– ... Hum, ou seja... Precisamos arranjar um parceiro para Abel? Logo para ele... — Lembrou-se do problema do parceiro. Não iria ser tão fácil assim. — Ou ir atrás da pessoa que... ah, realmente, ele ESTÁ grávido... hum, fecundou?

Reborn não respondeu, pelo simples motivo que uma bolha enorme saia de seu nariz enquanto estava dormindo. Provavelmente não ouviu meia palavra do que o maior lhe disse, mostrando que o assunto esta encerrado.

– ... Pff, por que sempre caio nessa? — Wanuki suspirou, ficando com mais perguntas do que respostas em mente, enquanto fechava a porta do escritório do bebê e ia em busca de Abel, para informar o que tinha descoberto.

Dobrando a esquina, pegou o alvo pelo braço. — Abel, precisamos conversar... Acabei de descobrir algumas coisas do próprio Reborn sobre você.

O loiro o olhou interrogativo e depois passou os olhos azuis para o braço que era segurado como se mandasse o outro lhe soltar, mas não pode dizer uma única palavra pois outro loiro, mas de olhos castanhos, apareceu carregando uma caixa de papelão.

– Já pegu— Ah, feliz aniversario Wanuki.

– Obrigado. – O mais novo pegou a caixa das mãos do colega de trabalho e deu as costas para os homens caminhando para longe dali.

– Me liga! – Disse o loiro que ficou para traz, recebendo um dedo do meio em resposta.

O moreno foi atrás do ex-ruivo, falando obrigado para o outro funcionário antes disso. — É sério, Abel!

– Não me interessa, caso não tenha reparado estou indo embora então... Qualquer haver com a empresa conte com a sua vaquinha. – Sorriu de maneira cínica parando de andar para encarar o outro.

– ... Você está realmente grávido por conta de uma bala que Reborn esqueceu aqui e alguém usou em você. Logo, não poderá ir para outro lugar... porque você vai precisar, e muito, de ajuda! E não fale da Yui-Tsuki assim, ela é uma funcionária exemplar e amiga. — Cutucou a testa dele. — E Reborn também mencionou sua família...

– O que exatamente você quer que eu faça Wanuki? Que eu te interne em um manicômio? – O loiro suspirou e deu meia volta saindo do prédio finalmente respirando o ar da manhã de primavera.

– Eu quero que você acredite em mim! — Ou então, fale com o Reborn antes! Não pode ir saindo assim, Abel! Ele irá atrás de você, sabe disso.... — Acompanhava o loiro.

– Ele sabe que eu me despedi Wanuki...Ele mesmo disse para que eu retirasse minhas coisas do escritório hoje... Yui ficara no meu lugar então... de uma olhada de vez em quando no Kaiwan e no Yuki. – Olhou o maior sentindo o vento lhe beijar a pele.

– ... — Pegou o celular, enquanto ia para o carro da agência com que tinha em posse as chaves. — Alô, Yui-Tsuki? Ah, sim, sim... é o novo tutor da Rosso, pode confiar. Depois te explico. E peça desculpas ao Selian por mim, por não estar ai e... Diga a Rosso que é para ela crescer feliz. Isso. Depois eu ligo para à agência. — Desligando, deixou Abel dentro do carro. — É tudo isso o que tem?

– Como se você já não soubesse – suspirou deixando a caixa e a mala no banco de tras. – desobedecendo as regras, saindo sem avisar o Reborn... que rebeldia. – Sorriu irônico e debochando da situação.

– Eu irei voltar.... logo. — Disse sem certeza, enquanto ia para o acento do motorista. — ... Você irá ficar no meu apartamento, até eu conseguir fazer o Reborn ajeitar as coisas para você, e te aceitar de volta na agência. Agora... o que me intriga é ele ter falado da reação de sua família quando soubesse de você... solteiro e com uma criança. Eu acho que seus familiares já sabem, conhecendo o Reborn.

– Primeiro: Eu não quero ficar no seu apartamento; Segundo: eu que me demiti, ele disse que quando eu quiser voltar as portas vão estar abertas, terceiro: eu não tenho nenhuma criança! Você que tem, duas pra varias. Não conhece preservativos não? –Suspirou irritado, ciúmes talvez, enquanto corava levemente.

– ... Bem, então, você vai ficar no meu apartamento, até voltar atrás e ir para a agência de novo. — Apertou o volante ao ouvir sobre as duas. — ... Harper não é minha filha, eu teria que ter feito ela com cinco anos de idade para isso acontecer. E Rosso... Reborn disse que encontrou tutores melhores.

– Você pode ser precoce. – Suspirou, mas ao notar como o outro se alterou, mesmo se controlando, ficou em silencio e até se sentiu um pouco mal por ter tocado naquele assunto. – Ele... usou essas palavras? Porque sinceramente... acho que Reborn não conseguiria encontrar ninguém melhor que você –acabou dando um sorriso fraco, tentando animais o mais velho.

– ... Bem, para ter conseguido novos tutores, devem ser melhores. — Voltou a andar, mais controlado, porém ainda triste com toda aquela situação. Rosso saindo da vida dele, ou melhor, ele saindo da vida dela... não iria aguentar ver ela na despedida, então, fosse melhor assim. Abel querendo sair também... — Tudo de ruim está acontecendo, ultimamente... — Parou o carro e virou para Abel. — Por isso, posso estar sendo egoísta... mas não quero te ver longe de mim. Pode até arranjar outro emprego, se é isso o que quer, mas quero que more comigo...

Abel ficou chocado com aquela declaração, mas logo acabou rindo e o riso se tornou uma gargalhada, e dela escorriam algumas lágrimas. – Deus... você precisa MUITO de um psiquiatra Watanuki... e você parece bem triste... falamos coisas solitárias quando estamos assim então... vamos beber. Eu pago. – Piscou para o maior. – Vai, sai dai... eu dirijo... A não ser que diga que conhece um bom bar para irmos.

– Eu não bebo... — Suspirou, saindo do carro e abrindo a porta para Abel. — Vou te dar a cópia do meu apartamento... Mas não é para trazer ninguém. — Passou a mão pelo cabelo, pensando em como lidar com tudo aquilo.

O loiro ficou em silêncio enquanto se retirava do carro e pegava suas coisas, não tinha mesmo um lugar para ficar naquele momento e sentia o peito sendo esmagado pelas palavras do outro ‘’não é para trazer ninguém’’ como se ele pudesse levar alguém uma vez que nem amigos tinham. Não pegou a chave do outro, ficando parado em frente da porta do moreno.

– ... — Fez carinho na cabeça de Abel, suspirando. — Mas se ficar solitário, pode chamar Kaiwan, Yukio e... Ah, sim, o seu irmão está na Itália. — Empurrou o loirinho para dentro do apartamento, enquanto deixava a chave em cima da cabeça dele. — Vem, preciso guardar as coisas de Rosso para dar espaço a você, e poder enviar para ela depois.

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A sala estava em completo silêncio, os tutores de Rosso chegaram e a levaram, Abel se demitiu, Wanuki sumiu e todos pareciam preocupados. O time Grace e Rubi estavam sentados em sofás brancos na hora do almoço, um olhando para o outro sem saber o que dizer. Até que certo moreno de olhos vermelhos tomasse a palavra.

– Sério que ele acreditou na história da bala?

– Wanuki-kun perde a razão quando se trata das pessoas próximas a ele... — Selian disse, enquanto equilibrava um a caneta na mão.

– Bem, com a chegada de Rosso... ele deve ter ficado muito frágil. — Murmurou Yui-Tsuki, vendo que o moreno não tinha atendido o celular.

– ... — Harper olhava pela janela, entre as folhas das árvores, parecendo mais no mundo da lua do que nunca.

– O que vamos fazer? – Kaiwan perguntou enfim olhando os demais. Seria complicado agora que o loiro não estava mais na empresa e com Wanuki tendendo a depressão.

– Sinto como se Reborn estivesse nos escondendo algo. – Comentou o de olhos vermelhos e foi como falar a palavra proibida.

A porta abriu tão bruscamente que fez todos se arrepiarem e olharem para a entrada onde estava o hitman apontando uma arma para eles sorrindo.

– Ciaussu~ Alguém, vá para o aeroporto.

– Aeroporto? – Perguntou curioso o de tapa olhos.

– É, buscar o pai do Abel. – Sorriu e ajeitou a aba do chapéu com a arma.

– ... Hum, certo, eu vou. Acho que sou a única com com carta de motorista. — A morena se levantou, enquanto olhava para todos. — .... Kaiwan, poderia olhar todos, enquanto estou fora?

– Por que logo o senhor fofura? – Perguntou Yuki e aquilo foi a bomba para Kaiwan ficasse bravo e começasse a reclamar e... ficar incrivelmente fofo e deixando o moreno morrendo de rir e apertando as bochechas do ruivo.

– Bem, porque acredito que é quem está mais calmo, entre todos. — Yui virou-se para Reborn, para entrar nos detalhes em como era o pai de Abel.

– Que coincidência o pai dele ter chego logo agora... — Selian disse, olhando para Reborn, com um sorriso no rosto. Nada irônico.

– Claro que não é uma coincidência... — Harper disse, olhando para Reborn e pensando: "É o destino". E o fim do plano.

– Ele é bem visível... – Reborn sorriu e logo transformou o pequeno animal verde em um helicóptero o tirando daquela sala rapidamente.

– ... Hum, certo. — Yui entendeu o que Reborn quis dizer, enquanto caminhava para fora. — Boa sorte, Kaiwan! Qualquer coisa, não se preocupe em ligar para mim! — Avisou a mulher, saindo também.

– Ahhh, todos indo, e nós ficando... — Selian murmurou, abatido também com toda aquela situação envolvendo Wanuki.

– ... Acho melhor nós voltarmos ao trabalho... — Murmurou Harper, levantando-se.

Os dois jovens do time Rubi ainda estavam entretidos em sua ‘’briga’’, o moreno provocava ainda o de tapa olhos enquanto o outro reclamava e assim foram para suas mesas, caminhando no corredor, e só pararam quando as portas de cada uma de suas respectivas salas, onde seus clientes aguardavam, foi fechada.

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Depois de horas, Wanuki já estava com a caixa de Rosso feita, com as coisas que tinha comprado para ela. E claro, trocado a roupa de cama dela por um adulto, para Abel dormir. Enfim... Perto do almoço, o moreno estava então cozinhando a comida para o loiro e para ele.

Abel nada mais fazia do que ficar rolando de um lado para o outro no tapete da sala. Ele estava muito entretido fazendo o movimento repetitivo de um lado para o outro enquanto o maior se mantinha ocupado na cozinha. Seu estômago roncava e toda vez que tentava beliscar algo o moreno lhe batia na mão e o expulsava da cozinha.

– Se quer me matar de fome, me avise...

Comentou manhoso o mais novo parando de rolar no tapete e decidindo ligar a tv e rodar os canais sem ficar mais de 3 segundos em um programa.

– Nossa, se controle... Até parece que não comeu nada faz semanas... — Wanuki dizia, até que ouviu o som da campainha. — ... Hum, o porteiro não avisou... Abel, pode atender para mim?

– A casa é sua.

Disse o menor dando de ombros e nenhum pouco preocupado que o moreno estava tão atarefado e ele quase morrendo de tédio, mas mesmo de costas pode sentir o olhar severo do maior fazendo com que se arrepiasse e acabasse cedendo. Só daquela vez. Jurava a si mesmo e abriu a porta desinteressado e quase morreu do coração com a visão, fechando a porta na mesma hora e voltando para a sala assustado, mas fingindo não ser nada.

– Abel? — Terminando de tirar a panela do fogo, enquanto o arroz cozinhava, Wanuki enxugava as mãos enquanto se aproximava da porta. — Quem era?

– Engano. – Respondeu rápido enquanto se encolhia e a campainha continuava a tocar, contrariando as palavras do loiro.

– ... — O moreno então abriu a porta, vendo Yui-Tsuki e... um desconhecido. — ... Abel, acho que é para você...

Abel xingou o moreno com todas as palavras que conhecia, até inventou uns novos enquanto se arrastava em direção da porta e lá estava diante do homem de mais de dois metros de altura, só a largura de seus ombros cabia três pessoas magras uma do lado da outra. O rosto masculino e muito bonito certamente era muito bem vindo no mundo dos modelos, e aparência jovem negava que fosse pai de um jovem adulto como o ex-ruivo.

E como uma boneca foi parar nos braços do seu genitor e era ali que o mais novo parecia frágil e pequeno e o outro homem maior do que já era. Ele era carinhoso e parecia feliz em ver o filho, e isso acabou rendendo o ex-gerente que retribuiu o abraço ficando feliz.

Yui Tsuki acabou sorrindo, acenando para Wanuki. Este pareceu se lembrar da agência e ficou extremamente mal por ter deixado todos lá, demorando demais. E ao perguntar enquanto os dois estavam se abraçando, confirmou quem o estrageiro era.

– ... Hum, quem diria que iria conhecer a família de Abel tão cedo. — Suspirou, convidando Yui para entrar também.

O homem maior começou a falar em italiano, não estava bravo, mas a forma como ele falava soava bruta, mas que logo parou de falar até uma face inédita aparecer em Abel, os olhos lacrimosos desviando o olhar que não se fixava por muito tempo, o beicinho, as mãos para trás do corpo... E logo o maior de todos ali falava quase desesperado o abraçando, ainda falando em italiano e logo a cara de dissimulado de Abel apareceu enquanto recebia o abraço.

É... alguém foi muito mimado quando criança e sabia o que fazer para continuar sendo.

Wanuki estava servindo chá para Yui Tsuki, assim como colocando outros copos para a visita e o filho deste, caso esses se lembrassem dos outros a volta... Mas o moreno não tinha como interromper tal reunião, visto o longo tempo de separação.

– Animados, não são? — A morena sorria.

– ... Sim... Aliás, quem está tomando conta da agência?

– Kaiwan. — Disse ela, calma.

– ... Um dos novatos?

– Não poderia colocar um peso grande em Selian, não ainda. Kaiwan é calmo, parece mais apto a situação. Selian ainda tem que aprender muito. — Murmurou. — Mas tenho certeza que ele irá ajudar. — Sorriu.

– Que bom. Acho que nem eu teria escolhido melhor. — Sorriu de volta, olhando para os loiros de novo.

A última coisa que Abel disse choroso fez com que o maior lançasse um olhar assassino para Watanuki e beijar a testa do filho voltando a erguer o tronco ainda encarando bravo o gerente.

– Hum, ele parece bravo... — Murmurou Yui-Tsuki, pensando na saúde do gerente do time dela.

– É, mas qual pai não seria tendo um filho com Abel? — Disse, levantando-se e indo para perto dele, estendendo a mão. — [ Olá, eu sou Aomine Wanuki, gerente da Agência di Reborn, colega de seu filho... Prazer em conhecê-lo. ] — Disse em italiano.

– Ele sabe japonês, Wa-ta-nu-ki – Piscou para o maior atrás de seu pai sorrindo.

– Giuliano – aceitou a mão do outro e a apertou, com um pouco mais de força do que deveria, mas nem de perto a força que demonstrava ter. Olhava dentro dos olhos castanhos do gerente como se quisesse ver algo dentro deles. – E... ele disse Wanuki não foi Abel?

– É Watanuki papai

– Hum... certo... – O maior do grupo olhava desconfiado, mas nunca discutia com o loiro menor, então decidiu dar de ombros.

– Ele me chama assim sempre... — Disse calmo, parecendo já acostumado com isso. Então, olhou para Abel, preocupado. Se Reborn tinha a dito para Giuliano sobre a gravidez de Abel... — Gostaria de um pouco de chá, ou quem sabe café? Deve estar com sede, depois da viagem...

– Sabe preparar um bom café? – perguntou sorrindo levemente

– É terrível, mas tem tanta água que da pra matar a sede. – Debochou o recém loiro. – Mas diga... o que faz aqui?

Wanuki acenou com a cabeça, ignorando o comentário de Abel e indo pegar um pouco.

– Recebi uma ligação, me falaram que você tinha uma noticia para me dar... E então, encontrou alguém? – Perguntava sorridente o gigante. – Seu irmão esta quase noivo! – Riu o mais velho, muito feliz, nem parecia tão terrível quando seu físico demonstrava.

– Yui, o que esta fazendo aqui? – Mudou de assunto bruscamente. – Eu deixei meus novatos nas suas mãos! – Enxotava a mulher morena parecendo apreensivo sob o olhar curioso de seu pai.

– Reborn-sama apareceu na agência, pedindo para alguém ir buscar o Sr. Giuliano, e como eu tenho carteira... bem, tive que me candidatar. — Disse, tentando se defender.

– Ela fez bem, Abel. — Serviu o café para o italiano.

– E está de saída, como foi bom te ver Yui querida, volta sempre para uma visita, certo? Uma pena que esta tão atarefada. – Falava enquanto a empurrava para fora. – Tenha um ótimo dia, querida. – Disse simpático e batendo a porta da cara da morena.

Giuliano tomava o café e não era como o de empregado, mas até que era gostosinho e ficou tão distraído com o aroma da bebida que ignorou completamente o teatro que seu filho fazia para expulsar a mulher de lá.

– Abel! — Wanuki gritou, abrindo a porta novamente. — Desculpe, Yui-san...

– Hum, certo, certo... — Disse, desculpando o loiro por conta da fofura de ciúmes dele. Mais uma que caia nas garras do diabinho. — Mas Abel tem razão, eu preciso voltar logo... Então, estou indo, Wanuki-kun. Se puder, passe ainda hoje na agência, senão não vai sobrar nenhum pedaço de bolo para o aniversariante, conhecendo todos... — Riu, voltando para a agência.

Wanuki se desculpou mais uma vez, voltando para dentro do apartamento, sentindo-se mal por não acompanhar Yui até o carro... mas tinha visitas.

– É seu aniversario?

Abel suspirou e se jogou no sofá parecendo exausto, mas quando seus olhos azuis captaram um estojo escrito ‘sexy appeal’ ficou vermelho como um pimentão e ficou fazendo gestos para que o maior tirasse ela dali o mais rápido possível, mas tanta agitação acabou atraindo a atenção do loiro que estava de costas, e como saída sorriu docemente ajoelhando-se no sofá com as mãos na coxa.

– É... Ele está ficando velho. – Riu sem graça e coçando a nuca. — Mas então... Arrumou alguém?

O mais velho voltou a olhar para seu café enquanto o olhar do menor se voltaram desesperados para o dono da casa e já estava suando frio. Wanuki então pegou o estojo e guardou em uma gaveta mais próxima, sentando calmamente.

– Que bom que perguntou papai... Sabe... Eu juro que ia te contar, fazer um jantar e tal só que... – Se levantou caminhando na direção dos outros dois homens. -... Estamos tão apaixonados, mas eu juro que não aconteceu nada! Eu... acabei de me mudar para cá, não é mesmo amor? – Sorriu nervoso e sentou-se ao lado de Wanuki segurando-lhe a mão enquanto entrelaçava os dedos.

– ... — Trocou um olhar com Abel, como se quisesse dizer: "Assuma responsabilidade...", então, voltou-se para o italiano e inclinou a cabeça. — Sim, estamos em um relacionamento... E irei continuar cuidando de Abel daqui em diante. — Olhou sério para Giuliano, parecendo mesmo um exemplo de namorado, apertando a mão de Abel, como se confirmasse tudo.

– ... Morando juntos...? – O mais velho parecia não ter ouvido mais nada depois daquilo, olhando as mãos dadas dos mais jovens.

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– É...

– E não aconteceu nada...?

– Nadinha. – Abel tremia de leve, as pupilas já dilatadas e a respiração descompassada. Seu coração batia tão rápido que sentia que podia morrer a qualquer momento.

– E nem vai acontecer, Abel... Pegue suas coisas!

– O-o quê? – perguntou confuso.

– Vamos, não vou deixar que cometam um pecado, vamos... Vou te levar para morar comigo e vamos aproveitar que vai ter os jogos da família Fluer, assim você o apresenta formalmente, podemos até ver a igreja onde vão se casar.

– ...I-igreja?

– É! Leve muitas mudas de roupas meu jovem, principalmente roupas de treino... vai ser divertido, todos da família vem. – Sorria animado e Abel podia sentir sua alma abandonando o corpo.

OoOoOoOoOoOoO

¹: Rosso significa Vermelho, em Italiano.

Reneev: wooo então, o ultimo capitulo já esta pronto e deu 42 paginas, então como achamos que iria ficar muito cansativo a leitura, decidimos dividir em duas partes =) logo logo postaremos a segunda parte e espero que tenham gostado =Db

Abely: Obrigada por nos acompanharem~ E desculpe estar tendo muito Abel e Wanuki, mas prometemos mais dos outros~