Age of Guilds: Os Contos de Eldor
1 O Jovem da Montanha
Ano 262. Em mais uma noite de uma densa e forte chuva, como já era de costume no pico das íngremes e geladas Montanhas da Chuva e da Noite, aonde as pessoas costumavam evitar, dizendo sobre lá habitarem criaturas e seres sobrenaturais horrendos, mas lá na verdade, habitou um homem que já foi chamado de andarilho pelos leigos, e por Mestre de Runas pelos cultos. O homem de nome Jol, que desbravou os Três Grandes Continentes em busca de escritos antigos, que chamam de Runas, largadas há muito tempo pelos ancestrais dos humanos. E Arryn Raynor, o rapaz que como aprendiz do Jol, tem a missão de continuar a busca por runas jamais vistas por seu mestre. Mas Arryn agora está dando um descanso nesta missão, e sobe calmamente as densas montanhas, para demonstrar respeito à antiga casa de teu mestre.
Com o rosto escondido por um capuz, o rapaz que escondia suas lágrimas, removeu o véu de vergonha e olhou para o alto, para sentir as gotas da chuva em seu rosto, assim como o atravessar delas por seus encaracolados cabelos castanhos. Então, ele tirou de seu casaco, um pequeno e curioso frasco de vidro, que dentro continha um líquido bastante fluido e acinzentado e derramou lenta e pacientemente sobre um pequeno monte de morro, aonde ali habitava o seu mestre para sempre.
Todo ano, o Arryn escalava aquela montanha neste mesmo dia. Vigésimo Terceiro anoitecer da Terceira Nuvem. O dia da morte de Jol. No lugar onde jazia o homem, crescia uma pequena planta, planta esta que Arryn criava com todo o carinho no retorno de suas peregrinações. Nesta jovem árvore, Arryn depositava um dos seus maiores conhecimentos. "Nada se cria, nada se destrói. Tudo se transforma." Deixando então, a nova vida de seu mestre viver a sua vida, e passar por um dos seus pequenos desafios, a chuva. O garoto entra na pequena e confortável cabana de madeira de ferro, que há muito tempo o servia como refúgio dos problemas da vida.
Ao trancar a porta da cabana, observou calma e nostalgicamente aquelas paredes de madeira incrivelmente conservadas, e aquele monte de móveis simples, com os quais ele tanto limpou da poeira que acumulava, estava incrivelmente limpa desta vez. Não que estivesse limpa de verdade, só não estava suja, oque já era motivo de grande satisfação para o senso de estética de Arryn, que saúda o medíocre e o simples. Sentindo aquele clássico, porém incômodo frio da chuva, ele decidiu acender a pequena lareira, que estava infelizmente, cheia de madeira velha e molhada. A única vítima que saciaria a necessidade de calor, era aquele pequeno banquinho aonde ele se sentara quando era um aprendiz, e agora como o "Segundo Mestre de Runas" não faria falta, mas ele não desfaria dele agora, um pouco de frio não faz mal a ninguém.
Bem acomodado agora, no seu antigo banquinho, Arryn agora afiava carinhosamente a sua humilde e rara espada pedra, uma arma a muito tempo abandonada, mas a única arma capaz de sofrer o múltiplo entalhamento de runas, que é a maior arma de Arryn. Tudo estava tão bem, tão calmo, até ele ouvir passos. Quem diabos estaria subindo aquela Montanha em dia de tempestade... O pior não é a insensatez de subir a montanha, e sim a capacidade de alguém passar por todos os desafios daquele lugar, e tudo isso, sem Arryn sem sequer notar... Ele então levanta com sua espada em mãos, e fica extremamente em alerta. Então, ele escuta 3 fortes batidas da porta, que foram seguidas de outras 5 outras fortes batidas. Arryn, aterrorizado, dá um passo para trás, e fica extremamente focado na porta, esperando um embate. Então a pessoa do outro lado dá um grito tão alto, que até um surdo velho que estivesse no fundo de um navio afundado no meio dos Mares Perdidos poderia ter ouvido.
—SENHOR RAYNOR, EU SOU UM MENSAGEIRO, E TENHO ALGO IMPORTANTE DO CONSELHO REAL PARA VOCÊ!
Arryn começa a pensar. "Porquê alguém viria a esta hora, neste lugar, para falar comigo, e não com meu mestre?" Então ele decide abrir a porta e dá de cara com um homem magrelo e alto que praticamente invade a cabana e molha todo o chão da cabana. Arryn olha para o homem e vê que usava o padrão de cores da Guilda representante de Eldor, a Pégaso Dourado. Uma leve camisa amarela com mangas pretas com shorts e botas seguindo o mesmo padrão. Roupas extremamente inapropriadas para uma caminhada pela zona sul do continente, mas aquele homem definitivamente não se importava. Notou então, que o rapaz não era qualquer um quando notou 3 estrelas douradas no peito. Simbolizando que ele era um membro honorário da guilda regente do continente.
—Quem é você? Arryn diz desconfiado.
—Ah, senhor. Sou apenas um humilde mensageiro a serviço do Pégaso Dourado. Responde o homem com um sorriso no rosto.
—Com certeza, um simples mensageiro que escalou 7 mil pés sem nenhum instrumento de alpinista, sem contar que...
—Exatamente! Diz o mensageiro, interrompendo a próxima acusação do rapaz. -Agora que tem seus 16 anos, gostaria que se juntasse ao Pégaso.
Arryn então percebe que aquela era a oportunidade dele honrar o seu mestre. Ele balança vagarosamente a cabeça e diz ao mensageiro: -Eu estarei lá até o final do inverno, sei que na primavera começarão os testes de admissão. O mensageiro dá um sorriso imenso. Naquela área nenhum rapaz ou garota se mostrou interessado pela oferta. O menino da espada de pedra parecia promissor. O mensageiro então acena e some no meio da névoa da montanha. Arryn vai para a cama sabendo que o mundo ao norte irá surpreendê-lo, ele não perde por esperar.
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