Against All Odds
12 Capítulo 12 - Imprevistos
Notas iniciais
New York | 31 de dezembro, início da noite.
– MAS PAAAAAAAAAI... – Rachel não estava mais fazendo manha, ela estava gritando ao mesmo tempo que estava emburrada, só não tinha feito uma saída dramática ainda porque se não ela ficaria sem tudo o que queria. – Eu só preciso ir ao meu apartamento pegar umas coisas, ninguém precisa me acompanhar com isso... – Implorou mais uma vez agora colocando as mãos juntas.
– Mais uma vez isso é um não, a neve está caindo lá fora... E se algo acontecer contigo? Ou eu vou contigo, ou Noah, ou alguém! Ponto final! – Leroy estava usando sua voz mais séria e seus braços estavam cruzados sobre o suéter que branco que ele já usava, estava completamente pronto para o ano novo e ao menos desta vez seria uma coisa mais familiar.
– Noah está ocupado com Brody e suas guitarras e banda de rock, Kurt e Brittany estão ocupados terminando de se arrumar, são como noivas... Você e papai tem coisas a fazer aqui e falar com o Fabray. – Rachel apontou, pela milésima vez, o que todos na casa tinham a fazer e desta vez um sorriso passou pelos lábios do mais velho.
– Você esqueceu de alguém que eu posso pedir para te acompanhar, vocês precisam se conhecer melhor, estão se evitando... – Antes mesmo do pai continuar Rachel já tinha enfiado as mãos nas luvas sabendo que ela não ia gostar nada da companhia que lhe seria arranjada, notou isso somente porque só tinha uma pessoa que ela não citara e no momento ela só estava com seus amigos. – Quinn poderia te fazer companhia, aposto que ela não se importaria.
– Não vejo motivos para chamar Lucy para me acompanhar em um passeio de uma hora, eu só vou buscar algumas coisas em meu apartamento e já estarei de volta, pai... – Até mesmo para a pequena diva aquele discurso estava maçante, eles já estavam discutindo a quase uma hora e nada no mundo convencia seu pai, de uma hora para outra Hiram desceu com Quinn apoiada em seu braço.
– Oh, estávamos falando de ti, querida... – Leroy começou e Rach abriu a boca para impor-se, mas foi cortada por um breve aceno de mão do mais velho. – Se importaria em acompanhar minha filha até o apartamento dela pegar algumas coisas? O tempo está mudando e eu não quero que ela vá desacompanhada...
– Ah, achei que ela morasse aqui... Não vejo motivos em não acompanhar minha cunhada até seu apartamento, seria interessante. – A loira sorriu para o agrado dos dois homens que trocavam um olhar cúmplice. – Eu já estou pronta para a festa mais tarde, então não veria problema em irmos agora, Rachel.
– Claro, me acompanhe até o carro, Fabray. – Aquilo vinha completamente forçado para fora, era claro que Rachel não queria companhia e Quinn sabia que aquilo era verdade, mas gostava de passar um tempo com a morena só para provocá-la e agora elas tinham coisas a resolver antes que viesse o ano novo e elas tivessem pendências.
O caminho até o carro fora silencioso e elas já estavam acerca do terceiro cruzamento quando Quinn se irritou com aquele silêncio que ambas estavam fazendo, ela virou-se de forma brusca no banco do carro e assumiu a posição com que foram até o lugar da primeira vez, encostando sua cabeça no ombro da morena que simplesmente endureceu ao seu lado, seus olhos fixos na frente e os nós dos dedos duros, a neve caía e o limpador fazia seu – mal – trabalho.
– Você foi ótima cantando no natal. – Comentou a loira enquanto brincava com a barra do casaco da outra, fingindo que não se importava que a garota parecia ter se tornado uma completa estátua em seu lugar. – Eu juro que achei que você não conseguiria cantar nada depois de tudo que você bebeu.
– Eu não bebi tanto assim e eu acho que você está exagerando. – Murmurou e fez uma curva, a neve começava a cair mais pesado e agora já era praticamente noite, mas não estava tão frio assim com a loira próxima a ela. – Você poderia dar um tempo nisso de fingir ser minha amiga, já que estamos longe de todos. – Estava prezando sua própria sanidade com o corpo da outra tão colado ao seu daquela forma, mais do que qualquer coisa.
– Estou assim justamente porque não estamos na frente de todos, eu não poderia mostrar tanta familiaridade com uma pessoa que aparentemente me odeia. – Explanou e logo viu o prédio em que a morena tinha seu apartamento, só mais algumas quadras. – Me conta porque você tem esse apartamento?
– Meus pais me deram, para as noites que eu passo fora... – A loira arqueou a sobrancelha, mas logo notou que ela também usufruíra do mesmo propósito e seu corpo foi tomado por um arrepio. – Não se preocupe a empregada troca sempre os lençóis depois que eu a aviso que passei a noite, assim como limpa a casa. E depois disso, porque quis vir comigo? – Estacionou o carro e abriu a porta, Quinn se afastou e logo elas cruzavam o frio e tinham que erguer bem os pés para a neve que estava se acumulando rapidamente e era totalmente estranho, mesmo para aquela época do ano.
– Achei que era melhor do que te deixar vir sozinha. – Comentou tirando a neve do cabelo enquanto caminhavam escadas acima, assim que entraram no lugar a loira pode conferir como eram reais as palavras da morena, realmente tudo estava arrumado, diferente de como tinha sido deixado. – E porque precisamos conversar sobre algumas coisas.
Rachel caminhou e ligou o aquecimento, em seguida caminhou até sua improvisada cozinha e começou a esquentar um pouco de água, para fazer um chá e em seguida começou a mexer nos armários, Quinn sentou-se no sofá e deixou-se relaxar um pouco enquanto a morena demorava-se, até que ela voltou com duas xícaras e entregou uma para a outra sentando-se ao seu lado.
– Sobre o que você quer falar? Eu vim para fugir da minha família mesmo, ao menos poderá aproveitar o tempo. – Assoprou levemente a fumaça que saía da xícara e em seguida deu um gole estremecendo com o calor que aquilo trazia. – Sabe, eu tenho essa tradição, eu sempre fujo um pouco antes do ano novo e procuro ficar sozinha, sabe?
– Eu consigo entender o porque, sua família tem isso de ser unida e de estar sempre em comemoração, cantando, dançando e por ai vai indo. – Comentou e cruzou suas pernas, Rachel parecia muito mais tranquila cercada por seu mundo, então ela colocou as pernas sobre seu colo e a loira sorriu. – Andou falando com seus amigos?
– Minha família é complicada, mas eu amo eles, só preciso de um tempo algumas vezes. – Bufou e rolou os olhos, em seguida notou que a loira tomou um gole de seu chá com um sorriso nos lábios, ela parecia contente por ter algo quente. – Eu falei sim, mas vamos direto ao ponto onde você não me enrola e me diz o que tem em mente de uma vez, Lucy.
– Sei que me chama assim para me provocar, mas, por favor, me chame de Quinn. – Pediu encolhendo os ombros, as mãos pousando nas pernas da morena com a xícara entre suas mãos. – Kurt e Brittany te contaram o que fizeram? Sobre nós, Rach?
A morena ficava tranquila quando estava em seu apartamento, levaria uma horinha por ali e logo que fosse nove horas ela já voltaria para casa, com tempo suficiente, enquanto isso ela podia ser ela mesma. Mesmo com a loira de voz rouca passeando por seu mundo como se fosse uma intrusa, não que ela sentisse isso novamente, mas mesmo assim era diferente.
– Como assim sobre nós, o que meus amigos fizeram que te deixaram assim tão assustada? – Inclinou-se e acabou sentada reta, sem tirar as pernas da loira, que não a deixaria ir, de qualquer forma. Elas pareciam amigas.
– Eles criaram um plano para nos deixarem juntas no seu aniversário, para que você me escolhesse para ir até o armário. – Comentou e notou que os olhos da morena caíram em um olhar assassino, como se ela estivesse imaginando a morte de seus amigos em breve. – Eu deveria agradecê-los, sabia?
– Pelo que? Por levar dois tapas na cara? – Perguntou com um tom frio, que não era usado de forma constante, a loira riu e apertou sua perna em resposta, tentando acalmá-la. – Desculpe.
– Tudo bem, mas por terem me dado a chance de te roubar um beijo. – Sua naturalidade foi tão grande que ela simplesmente tomou um gole de sua bebida em seguida.
– Eu ainda quero saber por que me defendeu... Com Finn. – Ela começou e explicou em seguida quando a loira pareceu confusa, mas a sobrancelha já estava arqueada e ela notava que aquilo era uma mania chata da garota. – Noah disse que você saiu depois dele ter me agarrado e separou a briga, além de coloca-lo para fora.
– Ah sim... – A memória voltou a sua mente e aquele sorriso convencido veio com isso. – Ele estava acusando seu amigo loiro pelas marcas em seu pescoço e Noah estava batendo realmente forte. Eu só saí e disse que se ele não podia satisfazer a mulher que tinha, ele deveria parar de gritar e dar a porra de fora de lá.
Assim que as palavras foram ditas Rachel congelou no lugar, por saber que a outra realmente havia defendido sua honra, bem, ignorando o fato que a honra dela havia sido tirada por essa mesma loira, só que isso era assunto para depois e seria discutido, ela tinha certeza. Aquilo soou diferente em seus ouvidos, então ela bebeu totalmente o conteúdo de sua xícara e para seu salvamento o telefone do apartamento tocou.
– Um segundo, por favor. – Levantou-se e caminhou até o objeto escuro em uma mesinha de canto enquanto Quinn começava a andar pelo lugar, como já havia feito antes. – Alô? Ah, oi papai... Sério? Quinn! – Ela chamara a mulher pela outra forma pela primeira vez e teve sua total atenção em segundos que deu um salto. – Vá até a janela e confirme algo para mim. – A loira franziu o cenho e caminhou até a janela, afastou a cortina e engoliu em seco.
– A neve está passando da metade do carro, Rachel. – Comentou com um tom assustado, voltando-se lentamente para a morena, ainda agradecendo pela xícara estar firme em suas mãos, ou ela teria caído. A morena estava ouvindo algo vindo de Hiram, se a loira não se perdia em qual dos homens era quem e ela dirigiu-se para a cozinha.
– Sim, vamos ficar por aqui... Não se preocupe, temos o suficiente para passar um bom tempo por aqui, caso seja preciso. – Comentou e seguiu uma séries de “uhum” somente para deixar a outra mais nervosa. – Feliz ano novo, papai. Mande beijos ao Noah e aos outros ai, diga-lhes que eu e Quinn mandamos felicitações. – E então ela desligou, já enfiando sua cabeça nas mãos.
– Estamos presas aqui, por um bom tempo. Diga-me que tem coisas a fazer e comida aqui, Rachel. – Seu tom de voz tinha um quê de desespero, aquela voz rouca estava mais baixa e quando Rachel levantou e parou na sua frente. Ouve uma respiração conjunta e pela primeira vez em tempo Rachel enfiou-se nos braços da loira, deitando em seu ombro.
– Vamos ficar bem, temos aquecimento e comida... Não se preocupe, vamos passar essa virada de ano bem.
“É o que eu espero”. – era o pensamento em conjunto.
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