Against All Odds
9 Capítulo 9 - Natal Parte 1
Notas iniciais
New York | Algum ponto próximo ao fim da tarde...
O barulho que era mais ouvido seria o dos chuveiros pela casa, as das portas dos closets, malas, estojos de maquiagem, saltos, sapatos, gravatas, principalmente muito spray que parecia estar fazendo com que o cheiro da comida que vinha diretamente da cozinha fosse, momentaneamente, esquecido. A casa toda parecia estar no mesmo ritmo a não ser por leves gemidos que saíam abafados por um dos quartos, as vezes leves gritos e outras vezes algo abafado que parecia uma respiração totalmente ofegante. O quarto de Rachel estava sendo tomado por eles.
Quem escutasse de fora provavelmente ficaria ultrajado e pensaria que aquilo deveria ser feito mais a noite, ou questionaria se ela estava sozinha ou acompanhada de algum rapaz e aquilo pareceu muito estranho no começo. A porta não ofereceu nenhuma resistência quando houve uma tentativa de ser aberta e os gemidos tornaram-se um pouco mais altos, os olhos correram o lugar e notaram que não havia ninguém na cama e em nenhuma parte visível, os passos levaram a pessoa até o banheiro e abriu a porta de supetão para que pudesse ver algo. Tiro no escuro.
– Uh! – Pode ser ouvido de forma perfeita e seguido de alguns barulhos de móveis se movendo, caminhou até o “lugar secreto” de Rachel e a encontrou deitada ofegante em seu pufe e com ambas as mãos em seu cabelo, seu rosto avermelhado e os lábios entreabertos, um sorriso apareceu em seus lábios. – O que faz aqui? – Perguntou franzindo o cenho, mas seque se moveu de tão cansada que estava e somente deixou um dos braços cair e mordeu o lábio inferior que parecia vermelho de mais.
– Eu não a vi propriamente em dias, Deus... Parece que acabou de fazer certas coisas... – Comentou com um sorriso malicioso brotando em seus lábios, ela girou sobre o pufe e apertou seus braços em seu rosto e abdômen, gemendo baixo em uma revolta, antes de voltar à posição inicial e olhar para o invasor com uma expressão maliciosa, mas envergonhada. Parecia que ela era novamente uma criança. Ergueu a mão direita e movimentou o dedo indicador chamando-o de forma irrecusável, o rapaz deitou-se sobre ela e beijou levemente seu pescoço a fazendo apertar suas costas e envolvê-lo em um abraço. – Eu senti tanto sua falta...
– Você quem decidiu sumir, eu não saí daqui em momento algum. – Reclamou escondendo seu rosto no pescoço dele e deixando que suas mãos começassem a correr pelas costas do homem, apertando seus dedos pelo caminho, massageando levemente até que sentiu um suspiro em seu pescoço e riu baixinho. – Achei que você iria sumir para sempre e me deixar sozinha aqui. – Aquilo saiu de forma lastimosa e parecia que algo faltava ali.
– Eu nunca deixaria você sozinha. Eu te amo. – Comentou e apoiou-se para poder olhar diretamente para o rosto dela, seus lábios acompanharam a testa dela e começaram a descer por sua face, nariz e queixo. – Você é minha princesa, Rach. – Comentou e levou uma mão tocando na ponta do nariz dela de forma carinhosa somente para arrancar um sorriso dela.
– Você voltou para mim e com uma mala extra, huh? – Tocou no assunto e recebeu uma encarada que parecia não estar nada contente com aquele comentário. Os lábios dele se crisparam, mas manteve-se sobre ela sem perder o olhar que era focado no seu e parecia realmente pouco amigável. – Só pode me dizer por que ela, Noah? – Perguntou tentando parecer mais feliz com aquilo e sem deixar o rapaz com raiva dela.
– Achei que haviam se dado bem, Rach... Quinn até te defendeu, vocês conversam, sorriem uma para outra. – Comentou suspirando, parecia triste com o modo como ela estava agindo e levou a mão ao rosto dela afastando seu cabelo dali com um breve movimento. Rachel franziu o cenho com as palavras de seu irmão mais velho. – Você não gostou da minha namorada?
– Ela, definitivamente, não é o que eu esperava, mano. – Rachel passou sua língua sobre os lábios sem saber o que fazer realmente na frente de seu irmão. – Como se conheceram, você nunca falou dela para mim, eu sequer sabia o nome dela ou como ela era, seus telefonemas sempre foram... Breves. – Sua voz estava levemente magoada, pensando, se caso, ele tivesse falado sobre Quinn, talvez ela nunca tivesse caído nas mãos da loira.
– Nós estávamos conversando já tinha algum tempo, alguns amigos em comum de uma época que ela esteve na cidade, trocamos cartas algumas vezes, telefonemas algumas outras e visitamos poucas. – Começou a explicar, mas deixou seu corpo cair ao lado do da morena enquanto fitava o teto, seu braço envolveu-a e ela relaxou a cabeça nele. – Então um dia nós começamos a sair, enquanto eu estava lá... Quinn tem um charme totalmente especial, um olhar que é magnético e aquela voz, ah aquela voz... Simplesmente me enlouqueceu! Eu não pude lutar contra e me deixei levar.
– Então você pediu-a em namoro? – Perguntou sem realmente querer saber, ela conhecia todas as armas de sedução da loira, sabia como ela podia ser envolvente e manipuladora. Poderia apertar seu pescoço até vê-la sufocada sem remorso. – Ela sabia do dinheiro da nossa família ou que você era realmente Noah Puckerman?
– No começo não, mas eu contei-a no dia em que a pedi em namoro. Ela sabia que eu era Noah... Berry... – Rachel sufocou uma risada com aquilo e mordeu o lábio inferior, mas estava tranquila sobre, somente virou a face e observou, como se o pedisse para continuar. – Eu não tive como evitar me apaixonar por ela, deveria conhecê-la, Rae, iriam se dar tão bem. – Aquilo soava como um pedido, como se ele precisasse daquilo para começar a ser feliz e a morena não conseguia negar nada a Puck por muito tempo.
– Eu não sei, realmente... Eu estou com um pouco de receio, sinto muito, maninho. – Seus olhos começaram a se fechar lentamente enquanto ela deixava os lábios entreabertos, não conseguia mais fitar o mais velho, a culpa começou a queimar novamente depois que havia dito, pensando na noite em que passaram juntas. Levantou-se do pufe e colocou as mãos na frente do corpo, os dedos brincando entre si enquanto ela caminhava até a parede contrária e se apoiava.
– Rach? – Tentou chama-la e levantou-se também, notando que havia algo errado com sua preferida, as mãos tomaram-lhe os ombros e a puxou contra seu peito. A mais baixa virou e agarrou sua jaqueta sentindo o couro em seus dedos. – O que houve, princesa? – Perguntou baixo beijando o topo da cabeça e a aninhando a si.
– Me fala mais sobre ela? Me conta tudo, primeiro beijo, primeira transa... Você sempre me contou de suas mulheres, Noah. Me fale sobre ela. – Pediu tentando manter a voz controlada, não sentia nada por Lucy Quinn, mas o sentimento que estava assolando seus pensamentos era medo, medo de perder seu melhor amigo, medo dele nunca mais falar com ela e principalmente medo de ferir o irmão.
– Nos beijamos um tempo depois que nos conhecemos, porque ela duvidou de algo que eu disse. – Franziu o cenho, algo estava errado com aquilo, ela parecia nervosa e estava assustando-o apesar dele saber que ela estava sempre ali por ele, e iria apoiá-lo. – E bem, nossa primeira vez foi muito tempo depois, ela não queria de forma alguma, mas se mostrou uma mulher totalmente diferente do que eu esperava. Ela é... Impressionante, Rae. – Firmou suas mãos entorno da irmã relembrando a ponto de nem sequer se dar conta que ela deixava seu lábio sangrar com a força empregada por seus dentes na mordida.
–
A música estava em um clima agradável, Leroy era um grande apreciador da arte e tinha escolhido aquilo em seus mínimos detalhes, a sala para recepção estava cheia de convidados das mais diversas famílias, conversando, bebendo, alguns atreviam-se a dançar e outros discutiam política e negócios. Era a típica festa de fim de ano fornecida pelos Berry-Puckerman, em momento algum as expectativas eram baixas, mas naquela noite havia um brilho extra pela apresentação da namorada de Noah a sociedade nova-iorquina.
Como praxe todos os olhares voltaram-se para o topo da escada num horário próximo as dez da noite, ambos estavam lá em cima de braços dados e ostentando um sorriso que poderia cativar a qualquer um ali, mas era notável que a mulher não estava usando algo da moda atual, era muito justo, vermelho puro, sem estampa alguma e fez com que alguns presentes começassem a cochichar sobre sua audácia. Era inegável que todos os olhares se dirigiam somente a eles naquele momento e a possessividade com que o homem segurava sua cintura. Hiram caminhou até o pé da escada e aguardou enquanto eles desciam para pegar a mão da mulher e olhar aos convidados.
– Agora que estamos todos presentes, que se deem início as tradições natalinas. – Seu sorriso era inegável e ele beijou a têmpora da filha de coração enquanto Noah mantinha-se composto ao lado dela, mas seus olhos não saíam dos de Quinn que estava próxima ao irmão e a mãe. Russel havia chego naquela tarde e fez questão de notar como a família do genro tinha dinheiro e uma boa conduta, apesar de ainda pensar como dois homens viviam juntos sobre o mesmo teto. Conversava com Leroy sobre a economia local e os negócios que poderiam fazer juntos, sem realmente julgá-lo, havia aprendido muito no passado com alguns erros e jamais os cometeria novamente agora que fora perdoado.
Rachel apertou levemente o braço do pai e arrumou algo que só ela achava de errado no vestido perfeito, pegou uma taça de champanhe e encaminhou-se onde seus amigos conversavam animados. Rapidamente Sam passou seu braço pela cintura delineada pelo vestido e a puxou, deixando que a morena recostasse a ele.
– Como sempre de parabéns, Barbra. – Comentou Kurt com um sorriso leve nos lábios, erguendo a taça como se a cumprimentasse. De uns dias para cá, sua presença sempre era acompanhada pela de Blaine, com quem o rapaz dividia o quarto e, pelo jeito, uma nova amizade.
– Seu vestido é lindo, Rae. Me lembra morangos, eu gosto de morangos, são docinhos. – Comentou Britt enquanto olhava para cima, começando a imaginar a amiga vestindo um morango. Rachel tocou seu braço em um carinho, despertando-a para o mundo real.
– Obrigada, esse ano deu trabalho, meus pais queriam tudo perfeito para a namorada perfeita do Noah. – O tom ácido não passara despercebido por seus amigos, tão bem ela notou isso, que Sam apertou sua cintura em repreensão.
– Menina, o que foi isso? Esse tom venenoso ai está me lembrando da vadia, que é a amiga dela, falando. – Comentou Mercedes levantando o dedo como se estivesse cantando, Kurt acenou com a cabeça e recebeu um tapa do rapaz ao seu lado. – Não precisa bater no meu amigo, admita que ela tem uma língua venenosa que dói menos.
– Santana tem uma família... Peculiar, também é latina e cresceu em um bairro duvidoso. – Comentou Blaine em defesa, alguns presentes acabaram rindo daquilo e da expressão de culpa que ele tinha.
– Eu achei que todos estariam aqui, onde estão Tina, Mike? – Rachel pensou em perguntar sobre Finn, mas primeiro ela seria linchada, depois ela sabia que Leroy havia recebido um memorando sobre o que o gigante havia feito em sua festa, vindo de Noah e havia tirado sua família da lista dando uma desculpa qualquer a quem perguntava. Algo sobre viagem, doença ou morte de parentes, ela não podia lembrar.
– Uh, querida, eles estão ali no canto tentando engolir um ao outro. – Kurt revirou os olhos e apontou em uma direção, Rachel virou-se ainda nos braços de Sam e acabou parando no meio do caminho quando viu a primeira demonstração real pública de afeto que fez seu estômago revirar, Brittany percebeu e fez com que Sam soltasse a amiga para que ela pudesse abraça-la por trás.
– Sabe de uma coisa? Essa festa precisa de bebidas mais fortes. – Comentou o loiro enquanto chamava um dos garçons, todos acenaram e começaram a se envolver em conversas paralelas enquanto ele pedia uma garrafa de uísque e copos com gelo para todos os presentes, um a um foram devolvendo suas taças vazias. Blaine notou que iam ter um momento ali e se afastou indo buscar Santana e Quinn, Sam começou a conversar algo com Mercedes enquanto os outros três se reuniram.
– É tão ruim assim ver eles se beijando? – Kurt não gostou nada da expressão da melhor amiga e começou a mexer no cabelo dela, que atentava contra a época e estava solto e ondulado, brincando com as pontas.
– Não é ruim como se eu visse alguém que eu amo beijando outro, Kurt. – Comentou sabendo que essa era a pergunta que realmente estava correndo a cabeça do rapaz. – Eu só não consigo suportar ainda o fato que ela mentiu para mim e eu estou mentindo para o Noah.
– Você quer contar a ele? Assim esse monstrinho sai de você, Rae. – Comentou a loira enquanto apoiava seu queixo no ombro da amiga, como se fossem um casal de namoradas.
– Ela precisa de um porre, isso sim. – Sobrepôs Kurt enquanto via a bebida pedida por Sam chegar, logo todos estavam reunidos e isso incluía Quinn, Brody, Santana, Noah e o recém casal que insistia em não se soltar. – Eu proponho um brinde ao natal... Época de renascimento, de verdade, de conhecer melhor a si mesmo e principalmente de comer a comida espetacular que o chef desse lugar faz.
Todos riram ali pegando um copo com uma dose dupla da bebida e ergueram batendo-os, mas logo puxaram e deram um gole breve, de Santana que não ligava se a bebida era forte, Puck, Brody e Sam que queriam se mostrar homens e Rachel, que simplesmente queria esquecer aquela noite e assim poderia formar a tal amizade que o irmão queria com sua cunhada sem sentir aquele aperto no peito.
–
Era inegável que muitos dos convidados já não estavam em sua melhor resistência, alguns falavam alto de mais, gritavam coisas totalmente sem sentido ou então riam como se nada no mundo importasse. O jantar era, geralmente, servido às dez e já próximo à meia noite havia uma pequena celebração com presentes simples aos convidados e algumas músicas natalinas sendo cantadas.
Havia passado das onze horas e Rachel estava dançando uma música qualquer que tocava, com Brody, os braços dele estavam presos a sua cintura incrivelmente firmes e ela precisava daquilo, afinal, estava levemente alterada e não podia se deixar transparecer isso e causar alguma vergonha para sua família. Ela era a garota perfeita em uma das famílias mais (seria passível de colocar um não, antes da palavra) tradicionais dali.
– Noah, eu estou preocupada com meu irmão rondando a sua. – Comentou Quinn que dançava próxima, enquanto fazia um carinho leve na nuca do namorado, ele inclinou-se para receber um beijo, mas ela virou o rosto e arqueou uma sobrancelha. – Por que você não o tira de perto dela enquanto eu dou um jeito de fazê-la parecer...
– Menos bêbada? – Perguntou o outro com um riso nos lábios, apertou suas mãos na cintura da namorada e encaminhou-se até Brody e sua irmã, quando chegou perto o outro rapaz soltou um pouco Rachel e Noah beijou-lhe a testa. – Hey, cunhado. Que tal irmos até o bar? Eu tenho uma proposta pra fazer.
Rachel pensou em reclamar, o moreno era quem estava fazendo com que ela parecesse levemente comportada e agora teria que tirar Kurt de perto do outro gay-maravilha ou Brittany que estava conversando em um canto com Santana. Ou talvez achar Sam... Ah não, ele já estava conversando com Mercedes.
– Acompanha-me ao banheiro? – Aquela voz surgindo do nada a fez ficar levemente arrepiada e precisou recuperar o fôlego por um momento antes de virar para a loira e mostrar sua melhor expressão de tédio. Rachel Berry era uma ótima atriz quando era necessário.
– Posso saber o motivo pelo qual me pede isso, Fabray? – Seus olhos correram a mulher, tentando achar algum sentido naquilo, mas ela parecia incrivelmente tranquila, os olhos calmos, um sorriso leve, o vestido azul claro completando o penteado que ostentava com facilidade. Parecia até que eram amigas, daquela forma, uma amiga irritada e a outra desculpando-se.
– Rachel, eu estou vendo que está passando levemente do necessário, eu a vi bebendo essa noite e sei que logo terá sua apresentação com a família, Noah não parou um segundo de falar sobre quão importante isso era e quão linda é sua voz. – Um passo fora dado para frente e um para trás, mantendo a mesma distância. A preocupação parecia genuína na cabeça da alcoolizada Rachel. – Só vamos subir, recuperar você e logo estaremos de volta. Eu prometo.
Aquelas últimas duas palavras convenceram a morena, deixou-se levar e apoiou o braço no que lhe era oferecido, rapidamente caminhavam em direção ao segundo andar e logo ao terceiro, onde sabiam que não seriam incomodadas. Rachel guiou-as diretamente ao seu quarto e respirou fundo assim que abriu a porta, Quinn colocou-a sentada e deu um sorriso leve, como se entendesse que a outra estava cansada, então caminhou até a cama e sentou ao lado dela.
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