Against All Odds
3 Capítulo 3 - Entendendo
Notas iniciais
New York | Dois dias para o Natal
Noah dera um sorriso ao gerente do hotel que indicou-lhe o caminho ao quarto de sua namorada, era uma pena que o sogro não tivesse vindo junto e mantivera-se arrumando mais algumas coisas em New Haven sobre seus negócios, ele não conseguia lembrar o que o homem fazia e aquilo passara despercebido até o momento, mas rapidamente esqueceu quando a porta do elevador abriu revelando o corredor do andar onde a família da amada estava alojada. Caminhou até um dos quartos e bateu suavemente na porta sendo atendido por uma mulher com seus 40 anos e que passou seus braços por seu pescoço dando um beijo em seu rosto.
– Minha sogra! Bom dia! – Ao mesmo tempo em que ele a envolvia pela cintura, em um caloroso abraço, uma voz fora ouvida reclamando no fundo do quarto fazendo Puck dar um suspiro derrotado. – Meu querido cunhado já está pronto? E minha namorada? – Perguntou afastando-se e levando as mãos ao rosto dela em um sorriso.
– Ela ainda está na cama, pelo jeito chegou tarde ao hotel, não veio nos dizer “boa noite” e não estava no quarto quando eu levantei durante a madrugada. – Entregou-a sem o menor problema e afastou-se da porta em um pedido silencioso para que o rapaz entrasse. O rapaz fechou a porta atrás de si e aproximou-se de Brody para cumprimenta-lo e ajudar a sogra a fechar a porta quando a porta de ligação entre os quartos se abriu e revelou uma garota com uma saia cintura alta, azul escuro com bolas brancas e uma camisa branca que só a deixava com o corpo melhor formado. Mesmo com o frio que fazia em New York naquela época do ano, não poderia encontrar a família do namorado de outra forma, levaria então somente um casaco para sair no vento, uma maquiagem leve e um chapéu simples.
– Pressinto que estavam sentindo minha falta e que eu estou pronta antes de todos vocês. – O tom presunçoso fora decisivo e afastou-se da porta enquanto os saltos ecoaram no espaço até que os braços prenderam Noah pelo pescoço e os lábios apossaram-se dos do rapaz com voracidade, sentindo as mãos rudes tomando-lhe a cintura e puxando-a contra si. – Sentiu minha falta? – Perguntou contra os lábios dele antes de liberar-se.
Ele nunca conseguiu controlar a namorada, cada passo dela, cada movimento e cada coisa que fazia era bem pensada e planejada para só deixá-lo entrar quando ela quisesse. O fato do mundo dela não girar ao entorno dele foi o diferencial para que o dele começasse a rodar entorno daquela mulher que o fascinava e mandava nele sem mesmo saber... Ou dissimulando o fato de que não sabia. Havia largado as camisetas coladas, calças jeans e coletes de couro, na maior parte do tempo, somente para se tornar apresentável para ela.
– Você sabe que sim. Estão prontos para nosso primeiro natal em família? – Tentou envolvê-la pela cintura, mas a mulher somente deu um passo para frente e escapou com facilidade se dirigindo ao quarto e chamando-o para pegar sua mala com um “Noah” exigente.
–
A respiração lenta indicava que Rachel estava começando a acordar, tivera uma de suas melhores noites de sono em anos, de tão relaxado que seu corpo parecia estar. Havia dormido de bruços e precisou girar para que pudesse esticar o corpo e bocejar antes de passar a mão pelo cabelo e jogar-se novamente na cama. Algumas batidas na porta a fizeram realmente abrir os olhos e inclinar a cabeça suavemente para o lado.
– Hey, estrelinha. Quase onze horas, deveria levantar-se que logo seu irmão chega. – Aquele não era seu pai e sim Hiram, pai de seu irmão Noah. Sua mãe fora casada com Hiram e teve Noah, alguns anos depois teve Rachel de Leroy e morrera no parto. Unidos pela dor e precisando criar duas crianças pequenas, os homens assumiram a herança da mulher e começaram a cuidar de tudo em prol de seus filhos, que cresceram sem discriminação entre os dois homens e cresceram bem.
– Eu não posso ficar na cama? Eu sei que Puck virá me acordar quando chegar para conhecer a garota da vez, pai. – Reclamou em birra e puxou o travesseiro sobre seu rosto enquanto o abraçava com força, o homem sentou na cama e puxou o travesseiro com uma expressão rígida.
– Não, não. Vai levantando e indo tomar banho ou eu vou chamar seu pai e você sabe que ele não vai ser tão bonzinho. – Todos ali formavam uma família, tratavam-se e cuidavam-se dessa forma. Apesar de tudo, Rachel não era como era fora de casa por ali. Próxima a sua família era só uma garota comum. – Levante, estrelinha. Estaremos lá embaixo.
A família de Rachel não era uma das mais comuns, mas não era mal vista na sociedade pelo extraordinário número de investimentos em NYC e também pelos dois homens mais velhos da família sempre manterem as aparências. Hiram fora o primeiro marido e Leroy o segundo, mas não podiam evitar a morte trágica da mulher, assim como o fato que não conseguiriam criar seus filhos sozinhos, então a união para manter a estabilidade tanto dos Puckerman quanto dos Berry. A mansão comprada passara a ser dividida pelas duas famílias que mantiveram a compostura nas normas tanto de Rachel quanto de Noah e eles começaram a crescer, sua mente fora notando que sua família era diferente e era normal ficar confusos sobre terem dois pais, mas quando tudo fora explicado, decidiram que manter como estava era o melhor ponto.
Rachel levantou-se da cama e agradeceu pelo sistema de aquecimento do lugar funcionar, ou então suas pernas congelariam graças à camisola que usava. Caminhou até seu banheiro e fez sua higiene antes de decidir trocar-se, agora a moda era um pouco mais abrangente, todos comentavam sobre os hippies e vários eventos que aconteceriam, mas ela ainda gostava de usar suas calças que agora eram permitidas e muito mais versáteis que as saias. Colocou uma camisete e a calça de cintura alta, complementou com um salto e um sobretudo, que manteria a morena aquecida, apesar de qualquer adversidade e então se pôs a descer as escadas.
Seu pai e Hiram estavam conversando à mesa e ambos lendo o jornal, aos sábados a família tinha seu costume de levantar mais tarde e apreciar as coisas da vida. A morena mostrava seu lado doce e beijava a face do pai enlaçando o homem, ainda sentado, pelos ombros.
– Eu merecia um prêmio, pai. – Brincou com ele e sentou também começando a servir-se de coisas aleatórias, enquanto uma das empregadas já servia seu chocolate quente. – Terei que tirar meu sábado, mais um deles, para uma namorada de Noah, não sei como você aguenta papai. – Seu tom era acusatório e ela arqueava uma sobrancelha para Hiram a sua frente que riu tomando seu café.
– Rachel, não deveria falar assim de Noah. – Repreendeu Leroy que não notou o riso que tomava os lábios da filha e de Hiram que negava com um aceno por trás de seu jornal.
– Sabe, Leroy, você deveria perder esse seu jeito turrão de ser, já é quase 1970 e você precisa começar a se atualizar... – Começou o mais velho enquanto Rachel segurava o riso e continuava a comer, para também evitar o olhar do pai. – Acho que eu e a Rachel vamos até uma loja e vamos te comprar uma calça boca de sino e alguns coletes com franja! – Animou-se largando o jornal na mesa e batendo palmas, recebendo um olhar confuso de Leroy.
– Calma, pai. Hiram está brincando, você pode continuar com seu estilo de homem chato de negócios. – Rachel fora atrevida e em seguida levou seu pão aos lábios dando uma mordida, com esse leve inclinar deixou o pescoço exposto e os olhos do homem ao seu lado se abriram afastando melhor o cabelo dali e levantando-se em fúria.
– QUEM FEZ ISTO CONTIGO? – Gritou sem deixar tempo para resposta, Leroy Berry parecia uma metralhadora. – FOI O FINN? EU SABIA QUE NÃO DEVERIA TER APROVADO SEU NAMORO COM AQUELE POSTE! – A morena mordeu o lábio inferior, tentando evitar rir pela forma como o suposto namorado fora chamado pelo pai.
– Leroy Berry! Sente-se agora! – Hiram tomou as rédeas em tom ameaçador enquanto era visto os criados sumindo daquela briga matinal pelos costumes da caçula. – Rachel já tem 21 anos e não é mais criança, o que ela faz ou deixa de fazer não interfere em nada... Não me diga que ainda tem em mente fazê-la ficar noiva em um casamento arranjado! – O tom continuava bravo e Rachel só parou de comer quando ouviu a palavra noiva passando os olhos castanhos de um homem para o outro.
– Noiva? Como assim noiva, alguém me explique isso! – Questionava ficando ereta na cadeira e largando a comida no prato enquanto limpava os dedos em um guardanapo. – Imediatamente! – Prosseguiu enquanto um suspiro fora ouvido.
– Estava considerando a hipótese de te colocar em um acordo com Sam Evans, um amigo de Noah e também tem uma família que é bem influente, poderia ajudar nos negócios e... – A expressão de Rachel decaiu, não que ela fosse apaixonada por Finn, ela gostava da mesma coisa que ele gostava, mulheres. Mas de toda forma, ele ao menos a respeitava e estava com ela quando precisavam mostrar sua felicidade ao mundo, conhecia a “vida secreta” da namorada e tal fachada servia para ambos. Sam era um cara legal, fazia piadas e tinha uma mania constante de imitar Elvis e os Beatles, mas não serviria para seus propósitos, ainda mais casados.
– Não consigo acreditar que você me usaria para um acordo de negócios... – Interrompeu com uma voz cansada, magoada pelo que o pai estava falando, sentiu a mão de Hiram na sua para apoiá-la e Leroy já estava pronto para continuar seu discurso quando o mordomo aproximou-se com uma expressão neutra.
– Senhor Noah está presente e trouxe com ele duas mulheres e um outro rapaz, aguardam os senhores na sala.
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