Again - ShigaDabi

1 Tatuagens, piercings e olhos azuis


Notas iniciais
Então, eu tava escutando a música Again - Lenny Kravitz quando tive essa ideia. * au sem poderes; * a família Shimura está viva; * Dabi NÃO é um Todoroki;

Gemendo aborrecido, Tenko acorda com o som chato de um celular tocando em algum lugar bem próximo, às cegas enfia a mão sob o travesseiro e procura pelo aparelho barulhento. Quando não encontra nada, ele estende o braço para a mesinha-de-cabeceira de má vontade e tateia fazendo vários objetos caírem no chão com um ruído confuso que termina de despertá-lo.

Ele xinga sob a respiração e abre os olhos ainda pregados de sono, mas se arrepende no mesmo instante, o lugar está iluminado demais para ser confortável. Franzindo o nariz, pisca – uma, duas, três vezes – até se acostumar com a claridade ofensiva e os seus olhos pararem de arder, com algum esforço sua visão clareia e foca só para descobrir que este não é o seu quarto.

Num pulo se senta numa posição ereta, agora alerta olha para todos os lados ansiosamente tentando identificar onde está, mas sem sucesso. Não há sua bagunça habitual de roupas largadas no chão, nenhum estojo de jogos esquecido aleatoriamente por aí e nem marcas adesivas antigas de pôsteres que foram arrancados das paredes. Não, nada disso.

As paredes são de um tom profundo de azul, os poucos móveis têm um ar simples e minimalista que chamam a sua atenção, tudo é organizado em seu devido lugar. Bem, exceto pelas coisas que acabou de derrubar ao lado da cama; um relógio digital, um cinzeiro de porcelana e suas cinzas.

O lugar também está bem longe de ser o quarto da sua amiga, Himiko, e perceber isso faz o seu pescoço pinicar como se milhares de insetos estivessem sob sua pele, mordendo e beliscando. Precisa lutar contra a vontade de erguer as mãos e arranhar até sentir o alívio que isso traz, até a pele ceder sob as unhas e começar a sangrar. Numa tentativa de se distrair, agarra os lençóis e esfrega o pano suave entre os dedos inquietos.

Sua cabeça gira e dói, a garganta seca deixa um gosto desagradável na boca e um mal-estar no estômago o obriga a respirar pelo nariz; detesta vomitar e é muito bom se puder evitar o ato desagradável de colocar suas entranhas para fora. Bem, está de ressaca e isso não é nem uma surpresa tão grande.

A próxima coisa que nota é que está completamente nu sob o lençol escuro e isso só pode indicar uma coisa, mas ainda não está mentalmente preparado para confirmar essa óbvia suspeita. Acordar num quarto estranho de ressaca, com o corpo todo dolorido e um leve desconforto nos quadris, não precisa de muito esforço mental para juntar A e B.

Gemendo exasperado Tenko aperta os olhos, tanto de pânico quanto por causa da dor latejante no seu cérebro, e apoia a testa na palma da mão tomando um tempo para lembrar o que, caralhos, aconteceu na noite passada e como foi parar ali. Porra, onde me meti agora?

Bem, tem certeza que ele e Himiko saíram. Isso já é o suficiente pra saber que alguma merda iria acontecer, sempre acontece, mas este não é o ponto. Havia uma nova boate que ela não parava de falar sobre durante todo o mês, dizia o quão legal e incrível era, e que ele precisava conhecer de qualquer jeito.

Não estava particularmente animada com essa ideia, mas por insistência dela acabou cedendo, apesar de odiar multidões, lugares barulhentos e pessoas. Não necessariamente nessa ordem. Mas estava devendo isso depois que a loirinha o ajudou a se livrar de Chisaki semanas atrás.

Ele se arrumou com alguma ajuda muito necessária da amiga e comentários provocativos da sua irmã, e os dois partiram rumo a tal boate que fica em Musutafu. A viagem até lá foi preenchida principalmente por Himiko tagarelando cheia de energia e a fila, quando finalmente chegaram lá, parecia não ter fim. Felizmente, ou infelizmente dependendo do ponto de vista, conseguiram entrar sem grandes problemas.

Como o esperado, o lugar estava lotado. A batida eletrônica ensurdecedora e as luzes coloridas que piscavam por todo lado o deixavam tonto e confuso, a loirinha teve que agarrar a manga da sua jaqueta para não se perderem um do outro no meio da multidão de corpos suados ligeiramente embriagados. Ali dentro estava abafado e ele procurava a todo instante um lugar onde pudesse sentar e ficar a noite toda sem chamar a atenção.

Depois de várias olhadas acabou encontrando um cantinho escuro perto do bar, onde ninguém iria notar um cara magricelo e antissocial se estão mais preocupados em conseguir suas bebidas rápidas. Toga até tentou arrastá-lo para o meio da agitação, mas se recusou a abandonar o seu refúgio e fazer papel de bobo tentando dançar, se contentou em assisti-la se afastar para se divertir na pista de dança. Uma parte muito pequena da sua consciência se sentiu um amigo horrível e egoísta por deixar a garota sozinha, mas a ignorou bem rápido, antes de tomar qualquer decisão estúpida que o faria se arrepender mais tarde.

As coisas só ficaram suportáveis após sua quarta dose de gim-tônica, quando já se sentia menos deslocado por estar ali e curtia a música discretamente sentado na sua banqueta segura. Mas isso só durou até Himiko lhe entregar uma bebida doce, depois disso havia uma pista de dança, um corpo quente pressionado ao seu e o par de olhos mais azuis que já viu.

E é onde as suas memórias dessa noite terminam.

Puxando os cabelos escuros ele inspira fundo praticando um exercício de respiração, consegue sentir sua ansiedade subindo lentamente pela garganta, pronta para sufoca-lo a qualquer instante. Lembra que precisa se acalmar e manter o controle da situação, não é como se tivesse cometido um crime, só transou com um cara que nem conhece. Porra, ele nem era mais virgem pra poder justificar essa crise de ansiedade infundada e todo o drama desnecessário.

Leva dois ou três minutos para acalmar as batidas rápidas do seu coração, suas mãos ainda tremem um pouco, mas consegue respirar normalmente de novo e isso é um grande sinal positivo. Conseguiu evitar o pior, não seria nada bonito ter uma crise real na casa de um completo estranho.

Inspirando fundo, com os olhos fechados e as mãos relaxadas sobre os joelhos, decide que já é hora de verificar o cara ao seu lado, para assim poder sair dali rapidinho. Não quer simplesmente ir, de algum jeito isso parece errado e algo no fundo da sua mente diz que vai se arrepender amargamente mais tarde se não der uma olhada nele. Sabe que o seu cérebro estúpido não vai dar paz, então, só por descargo de consciência vai espiar.

Com muito cuidado gira o corpo e apoia as mãos sobre o colchão se inclinando sobre o corpo ainda inerte, não quer correr o risco de acordá-lo também e deixar essa situação mais estranha e constrangedora do que já sente. Se possível, prefere sair de fininho sem chamar a atenção de ninguém, voltar para casa e seguir com a sua vida simples e despreocupada. Ou nem tanto.

De onde está tudo o que consegue ver são os cabelos escuros e bagunçados sobre o travesseiro, há piercings dourados presos a orelha e linhas roxas de uma tatuagem que desce pelo pescoço e ombro. Por um instante fugas sentiu a curiosidade de saber até aonde elas chegam e que tipo de desenho é – uma tribal talvez? –, mas balança a cabeça afastando bem rápido esses pensamentos intrusivos. Antes de se tornar um enxerido, sai da cama para procurar as suas coisas e se vestir.

Pelo menos não é um cara esquisito com o dobro da minha idade, pensa aliviado enquanto recupera as suas roupas do chão e as coloca o mais rápido que os seus membros desengonçados permitem. Passa as mãos pelos cabelos negros numa tentativa de parecer menos desgrenhado, agarra o celular e sua jaqueta antes de caminhar até a porta na ponta dos pés, para enfim escapar dali.

— Ei, você não precisa fugir assim.

Tenko quase solta tudo o que carrega nas mãos e sua alma sai do seu corpo ao escutar essas palavras. Com o fôlego na garganta, olhos vermelhos arregalados e o lábio inferior preso entre os dentes, ele considera sair correndo sem olhar para trás, fugir dos erros sempre foi a sua maneira de lidar com as coisas, afinal. Entretanto, suas pernas travam no lugar feito blocos de concreto e o seu corpo se move sozinho na direção da cama desarrumada para, enfim, matar aquela fagulha de curiosidade que não se apagou.

E, porra, agora ele deseja ter fugido.

O cara está sentado na cama coçando a nuca de maneira preguiçosa, os seus cabelos são uma bagunça de fios negros que cobrem a testa; o lençol escorregou até os quadris revelando uma frente tonificada e marcada com o que parece ser um tipo de tribal entrelaçada com chamas escuras. E, puta merda, ele tem piercings nos mamilos, que chamam a atenção na luz da manhã (ou será tarde?)!

Merda, é tudo o que consegue pensar sentindo o rosto esquentar de vergonha. Ele ainda tenta ignorar a enxurrada de informações recém adquiridas e manter os olhos acima do pescoço do rapaz, mas isso se mostra sendo mais uma escolha errada hoje. Aqueles olhos, os olhos mais azuis que ele já viu na porra da sua vida, o encaram de volta com meia-pálpebras, sonolento, mas tão intensos quanto na noite passada.

Tremendo, sente um arrepio descer pela sua espinha e precisa reprimir um gemido involuntário que nasce na sua garganta seca e ameaça escapar pelos lábios frouxos. Aparentemente, o seu cérebro não consegue lembrar de nada, mas o seu corpo traidor, sim. Droga!

— Posso preparar café se você quiser.

O estranho tatuado oferece, numa voz rouca de sono e tão atraente que faz os pelos de todo o corpo do Shimura se erriçarem, suas pernas fraquejam quando engole seco. Por um instante considera que não faria nenhum mal voltar para aquela cama confortável, curtir mais alguns momentos com esse homem bonito e, quem sabe, não descobre se a noite valeu mesmo a pena ou se agora está com dores por nada. A oferta é tentadora.

Já está atrasado para chegar em casa mesmo, vai ter que ouvir a bronca do seu pai e preocupação na voz da sua mãe de qualquer jeito, algumas horas a mais não fazem tanta diferença assim, certo? E também, não é todo dia que esse tipo de coisa acontece, devia aproveitar e...

Não!, balança a cabeça para clarear os pensamentos, não pode ficar. Precisa chegar rápido em casa. Se der sorte vai conseguir evitar o sermão do seu pai até a noite; sua mãe vai entender se explicar, ela sempre o entende; e se for esperto consegue escapar do interrogatório inevitável da sua irmã. Merda, Hana nunca vai deixa-lo em paz se descobrir sobre isso. Está tão ferrado!

Com um suspiro resignado, encolhe os ombros e sorri cheio de constrangimento. – Preciso ir.

— Você é quem sabe. – O moreno diz, indiferente, dando de ombros antes de voltar a cair sobre a cama com um ruído abafado.

Tenko concorda com um aceno de cabeça hesitante, mesmo que estranho não consiga vê-lo desse ângulo, com passos silenciosos desliza para fora do quarto e fecha a porta com um pequeno click antes de se apressar para sair correndo dali sem ver nada além da porta. Já no elevador, se recosta na parede de metal frio e solta o ar preso nos seus pulmões num longo suspiro cansado. Sim, tudo o que quer agora é voltar para casa.

Quando a descida começa e ergue a cabeça se recompondo, encontra o seu reflexo desgrenhado no espelho. Algo se agita no seu peito, mas acha que é apenas sua ansiedade novamente, o corroendo pelas bordas, e só respira fundo para se acalmar. Não fez nada de errado, não precisa carregar uma culpa que não existe.

O caminho de volta é lento e nebuloso, mas ele culpa a ressaca que sempre o deixa menos atento a sua volta. Ainda sentia a dor de cabeça, a garganta seca e dolorida, então passou em uma farmácia para conseguir analgésicos e depois numa cafeteria onde comprou um copo grande de café quente como muito creme e leite. Os seus olhos brilharam para os donuts de chocolate na vitrine, mas o seu estômago revirou com a ideia de ingerir qualquer coisa sólida.

A plataforma na estação de trem estava movimentada, mas o vagão em que entrou continuou praticamente vazio por causa do horário. E ele pode, ou não, ter cochilado no assento durante os 30 minutos de viagem, embalado pelos movimentos suaves e rangidos de metal. Foi revigorante.

Quando chega em casa sua mãe não está e o seu pai já saiu para ir trabalhar, boas notícias. Suspirando aliviado deixa os ombros relaxarem e quase sente mais leve, pensou por um instante pequeno que a sorte estaria do seu lado dessa vez, ledo engado. Hana, sua irmã mais velha, está prostrada na sala de estar, o esperando feito um cão-de-guarda; sentada no sofá ela finge interesse na revista de culinária da sua mãe. Hana nem sabe como cozinhar.

Assim que escuta o som da porta, ela ergue os olhos e lhe dá aquele sorriso largo e desagradável do “gato que comeu o canário escondido”, mas ele a ignora friamente, retira os sapatos no genkan com calma praticada e os chuta para o canto. Vai lidar com eles mais tarde, depois que dormir e talvez comer alguma coisa.

Lamentavelmente, Hana não é do tipo que larga o osso. Sua mente, filha da puta e muita criativa, começa a criar várias alternativas do que sua irmã vai fazer em seguida. Não consegue evitar o gemido interno só de imaginar o que ela vai aprontar dessa vez para conseguir as respostas que quer.

— Estou em casa. – diz laconicamente quando seus olhares se cruzam.

— Bem-vindo de volta. Onde você estava? Mamãe ficou preocupada. – ela diz num tom alegre demais para alguém que, supostamente, deveria estar preocupada com o irmão mais novo que desapareceu sem um aviso prévio.

Tenko mantêm a expressão em branco, a ignora e começa a subir as escadas contando dois degraus de cada vez, se apressando. – Com Himiko. – responde com naturalidade ouvindo os passos suaves o acompanhando de perto. Isso não é exatamente uma mentira, tecnicamente ele esteve com Himiko, então não sente nenhum pingo de culpa por omitir qualquer outra informação; tipo um moreno tatuado e com piercings. É para o bem da sua saúde mental e convivência tranquila naquela casa!

— Hum, se divertiu na boate?

— Não. Pessoas demais e muito barulho.

— Legal. Estava pensando em ir com umas amigas na próxima semana.

— Boa sorte com isso. – murmura afastando os cabelos do rosto com um ar cansado, mas extremamente feliz por ver a porta do seu quarto logo ali na frente, só quer desmaiar na sua cama e esperar essa merda de ressaca passar.

— Ei, o que é essa marca vermelha no seu pescoço? – Hana pergunta cheia de curiosidade e, com um dedo insolente, agarra a gola da camiseta preta e puxa.

Reagindo por reflexo, sua mão voa para cobrir o pescoço exposto, com os olhos arregalados e cheios de pânico assiste um sorriso largo e malicioso se formar nos lábios rosados da sua irmã. Demora três segundos, depois disso, para entender que caiu numa armadilha ardilosa. Merda, xinga internamente sentindo todo o seu rosto ficar vermelho e esquentar de vergonha; sem perder a batida ele dispara pelo corredor num rompante até o quarto. Hana o segue, mas Tenko consegue bater a porta na cara dela com um estrondo que ecoa pela casa.

— Alguma hora você vai ter que sair daí, Tenko. – ela canta cheia de uma alegria sádica do lado de fora, quase soando como uma ameaça.

— Eu não contaria com isso! – responde aborrecido, se deixa cair sobre a cama afundando nos cobertores macios e cobre o rosto com o travesseiro para abafar um gemido alto, exasperado. Não acredita que caiu num truque tão barato e estúpido.

♫•*¨*•.¸¸♪

Ele deve ter adormecido, porque a próxima vez que abre os olhos um celular está tocando perto da sua orelha. Isso dá uma sensação de déjà-vu que prefere empurrar para algum canto no fundo da sua mente. O toque é diferente do seu habitual, mas não se atenta a isso, imaginando que Toga mexeu novamente nas configurações, Aquela merdinha intrometida. De má vontade agarra o aparelho irritante e sem olhar atende.

— O que é? – pergunta, aborrecido, sua voz sai num grunhido rouco e arranhado.

— Ei, é Dabi.

Sem pestanejar Tenko se senta sobre a cama, os olhos bem arregalados enquanto esquece como se respira. Conhece essa voz, não sabe como, mas simplesmente conhece e sabe bem a quem pertencem, o cara tatuado!

Sua mente é um caos e todos os sinais de alerta disparam junto de milhares de perguntas, tudo ao mesmo tempo, e ele acha difícil processar toda a merda de forma ordenada. Sem perceber, sua mão livre alcança a garganta e suas unhas raspam a pele sensível e já cicatrizada ali. Como? Quando deu o seu número para ele? Antes ou depois de transarem? Por que o seu cérebro estúpido não consegue lembrar nem mesmo disso?

— Você saiu com tanta pressa que nem tivemos tempo para conversar. – O estranho, Dabi, diz de forma casual e Tenko imaginá-lo com um sorriso de lado injustamente sexy.

— Como conseguiu o meu número? – é a primeira pergunta que escapa da sua boca, se sente ansioso e agitado, o seu coração está disparado e tem quase certeza de que está tremendo. De excitação ou ansiedade? Não faz ideia.

Uma meia risada vem do outro lado da linha e isso causa arrepios agradáveis por todo o seu corpo, inconscientemente lambe os lábios nervoso. Isso é injusto, corpo traidor de merda!

— Você está com o meu celular, se não percebeu ainda.

Isso faz Tenko voltar a respirar e franze as sobrancelhas confuso afastando o aparelho da orelha, mas sua expressão se transforma numa carranca aborrecida bem rápido. Com os lábios franzidos solta um gemido infeliz, aquele não é o seu celular. Com toda a certeza ele nunca usaria uma capa tão brega com estampa de chamas azuis brilhantes. E aquilo é um adesivo fosforescente? Mas que porra é essa?

— Merda. – lamenta alto o suficiente para o moreno do outro lado da linha escutar.

Dabi solta uma risada soprada e áspera. – Então, eu não faço tanta questão, mas se você quiser o seu celular de volta podemos nos encontrar mais tarde?

— Parece que não tenho outra escolha. – resmunga fazendo beicinho para ninguém e suspira derrotado. – Tudo bem, onde?

— Vou te mandar a localização.

Sem muito mais o que fazer, o Shimura concorda se recostando na cabeceira da cama. Uma parte sua se parabeniza pelo feito estúpido do ano enquanto a outra quer se enfiar num buraco e morrer. Está preste a desligar e se sufocar com o travesseiro e gritar as suas frustrações, quando o tal Dabi o impede com uma pergunta:

— Ah, mais uma coisa. Qual o seu nome?

Piscando surpreso Tenko deixa seu cérebro processar a pergunta simples num ritmo lento, é um eufemismo dizer que não esperava por nada disso, mas o fez se sentir um pouco menos incomodado com a falta de informações. Significa que o outro também não lembra de muita coisa da noite passada, ou que não se preocupou em dar o seu nome. O que, não sabe dizer se é melhor ou pior do que esquecer tudo, mas não se sente como o único idiota ali. Menos mal.

E ainda assim. Morde o canto do lábio, tentando decidir se deve ou não responder. Se por um lado torna a situação meio esquisita quando era pra ser só mais uma transa casual, por outro eles já foderam, pior que isso não pode ficar. Certo? Além disso, vai ser mais estranho ainda encontra-lo de novo sem ter um nome e não quer ser esse tipo de babaca.

— É Tenko. Shimura Tenko.

— Certo, Tenko— Dabi diz de um jeito que soa animado e faz coisas para o estômago já sensível do Shimura. – Te vejo mais tarde.

Quando a chama é encerrada Tenko está deitado de costas na cama, os olhos vermelhos arregalados feito pratos encaram o teto do seu quarto e um pequeno sorriso treme nos cantos dos seus lábios secos. Merda, ele vai mesmo se encontrar novamente com o cara dos piercings nos mamilos? Quais as chances disso acontece? E pensando nisso, em quais outros lugares Dabi tem piercings?

— Vou ter que descobrir por mim mesmo. – murmura com uma risada incrédula rolando no colchão.

Notas finais
Então, o que acharam desse meu surto da madrugada? Espero que tenham gostado. Confesso que eu gostei MUITO de escrever, achei que a escrita fluiu bem já que não foi algo planejado. Tava pensando em uma continuação possível continuação, mas isso vai depender da minha inspiração. Até a próxima! ~Kissus~