Again, But Different
16 The tank sky - Revisado
Notas iniciais
P.O.V. Luciana Santos.
“Queria poder ter dito não para Satã, mas não tive essa escolha”, pensava sentada no sofá de couro enquanto olhava para a TV.
Um barulho acordou-me de meus devaneios, era a porta, provavelmente mamãe e papai.
– Olá querida, – minha mãe disse sorrindo – Passou bem?
– Sim – respondi.
O único problema seria como pedir para minha mãe para que eu vá a um internato, ela ficará triste tenho certeza, mas é preciso.
Decidi pesquisar internatos no Brasil. Subi até meu quarto, liguei meu computador preto da Apple, abri uma página do Stuff and Thoughts — esse site era parecido com o Google de antigamente, mas o próprio Google faliu com a Guerra então foi criado o Stuff and Troughts. Sua página inicial tinha esse visual: o plano de fundo era dourado fraco, seu nome era escrito em um verde escuro, sua barra de pesquisa no centro, a única rede de comunicação que sobreviveu foi o Facebook, mas já era considerado ultrapassado, todos tinham o Talk and Read que era como um Orkut do Google.
Na pesquisa coloquei “Colégios Internos no Brasil” e apareceu uma propaganda de uma escola interna.
“Venha estudar no melhor colégio da América, garantimos que seu filho seja bem educado e tenha um futuro de sucesso. Venha para Ghost.“
Interessante, gostei.
– Lucy, desça para almoçar – minha mãe gritou da cozinha.
Desci a escadas correndo com o papel impresso da escola. Quando cheguei à cozinha sentei-me na cadeira e ofereci o papel à minha mãe que o pegou.
Ela o avaliou.
– Escola interna? – ela perguntou, afirmei com a cabeça. – Parece ser legal – falou com irônia.
Olhei para dentro de seus olhos.
– Por que escola interna agora? – ela perguntou confusa.
Dei de ombros.
– Ok, conversamos depois do almoço – ela falou largando o papel e pegou seus talheres e começou a comer.
Assim que terminei o almoço recolhi meu prato o coloquei na pia e disse:
– Estou indo na Emili!
Subi as escadas correndo peguei a segunda impressão, desci as escadas, abri a porta da sala e fui até a casa de Emili.
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Agora, após alguns meses desde minha partida para o colégio interno me perguntava se conseguiria levar minha vida sem Daniel.
Os pais de Emili não haviam gostado da ideia de um colégio interno, então não a deixaram vir comigo. Ainda lembro-me da guerra que fiz dentro de casa para poder vir para o colégio interno. Cada dia me arrependia mais da minha escola, por que não preferi morrer?
A escola era entediante, não havia feito amigos, apenas colegas, uma dessas era Natália, uma menina simpática loira de olhos azuis claros, e também havia Kendra, morena de pele escura com seu censo de humor, ela me lembrava muito de Emili e isso me deixava mais arrependida de minha decisão. Afastei-me de todos os meios de comunicação que estavam relacionados ao Daniel, pois Emili falava com Paulo, que fala com Gaby e a mesma falava com Daniel.
Minhas professoras novas diziam que eu deveria investir em Língua Estrangeira, pois era ótima em Inglês.
– Lucy, you listen me? (Lucy você me ouviu?) – a professora perguntou.
– No teacher, sorry (Não professora, desculpe) – respondi.
– Ok, I say... (Ok, Eu disse...) – a ignorei completamente.
Penso que elas só disseram sobre eu fazer Língua Estrangeira, pois nesta escola havia o curso. Eu estava tão cansada de minha vida, ela havia mudado tanto de uma hora para outra.
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Nunca pensei que me arrependeria tanto de uma decisão minha em minha vida.
Talvez seja consequência da mudança de minha alma ou algo que desconheço. Sentia tanta falta de Daniel e nossos Anjos da Guarda¹ além de é claro Emili e Mateus. O medo me invadiu repentinamente, estava voltando para Bento, minha cidade fria e úmida, já estava cansada do calor constante de Porto Alegre².
Quando o ônibus parou na Rodoviária meu coração disparou. Será que ele estava lá me esperando, como seria nosso reencontro, alegre ou melancólico?
(Roupa Lucy:http://www.polyvore.com/cgi/set?id=62274561&.locale=pt-br)
P.O.V. Autora
E do ônibus desce uma mulher com lindas curvas e seus cabelos escuros charmosos, ela encantava a todos que a olhavam, parecia ansiosa, o motorista do ônibus desembarcou e foi abrir o maleiro para as retiradas de malas.
O motorista chamava números, e a mulher olhava para os lados freneticamente.
Um homem se aproximou dela e pegou seu pulso, ela pula de susto, mas ficou feliz ao ver o homem, quando o motorista chamou seu número, o homem pegou sua mala vermelha e segue caminho com a mulher e sua mala.
Mas em tudo isso, ela não percebeu que havia um pequeno grupo que a observava de longe.
P.O.V. Luciana Santos.
Estava em frente ao espelho de corpo de meu antigo closet após um banho, observava a imagem refletida, e refletia o quando eu havia mudado desde minha adolescência.
Meus cabelos ainda curtos, mas agora repicados que faziam um volume, meus olhos tão comuns castanhos escuros, que no escuro mais parecia preto do que o próprio castanho, meu nariz tão sem graça, meu lábios rosa claros e volumosos, os ombros trabalhados por conta da natação, meus seios, que desproporcionais ao corpo, eram pequenos, minha cintura fina e bem desenhada, minha barriga seca, e vinha à parte que mais odiava em meu corpo, meus quadris e minhas coxas, meu quadril era grande, e minhas coxas elas eram grandes e roliças muito bem trabalhadas, mas por causa delas tinha sempre de comprar um número a mais de calças para não ficar tão marcada, mas mesmo assim marcava. Também tinha minhas panturrilhas, minhas canelas e meus tornozelos, que não eram pequenos, essa genética de pernas grandes era sempre hereditária, mas minha mãe não havia herdado apenas pernas grandes, ela havia herdado os seios grandes também, coisa que não herdei. Com 1,69 cm e 59 Kg acho que tinha um bom corpo.
– Você é linda minha filha – minha mãe falou aparecendo atrás de mim, aos seus 45 anos ela ainda era linda aos meus olhos. Ela sorriu para mim.
– Não posso me garantir, você é minha mãe – falei sorrindo e brincando como antigamente.
– Ah, minha filha eu senti tanto a sua falta nesses quatro anos – ela me virou e me abraçou chorando, retribui o abraço começando a chorar com ela.
E do lado de fora uma chuva começava a cair.
Era como se o céu agradecesse, mas não era apenas o céu que agradecia, era o coração de outra pessoa, o coração da pessoa que a amava incondicionalmente.
Notas finais
Por favor, comentem ok? Beijocas Alexia Briel.
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