Again
5 Por ninguém
Notas iniciais
espero que gostem!
Tomei meu banho e vesti uma camisa limpa cinza grande que parecia uma camisola. Sai do banheiro e me dirigi para cama quando Jaime apareceu sentado no sofá em frente à ela. Estava com um copo de vidro com um liquido avermelho escuro dentro que me fez salivar.
Franziu a sobrancelha e me lembrei de que estava só com uma camiseta, senti minhas bochechas corarem. Levantou-se do sofá e foi em minha direção, parando em minha frente.
- Beba vai se sentir melhor- falou estendendo o copo. Agora sua voz sem raiva alguma, apenas calma e angelical como foi hoje de manha quando acordei.
Peguei o copo com hesitação, mas estava com sede só de olhar. Tomei um gole e pude sentir o quão bom era. Tomei todo o copo em poucos goles. Jaime estava parado me olhando enquanto limpava minha boca do sangue que respingou.
Ele esticou a mão para pegar o copo e nossas mãos se tocaram. Senti sua mão quente contrastar com a minha fria. Olhei para ele e nossos olhos se encontrar, seus lindos olhos cor de oceano. Olhei para sua boca e ele para minha queria beija-lo e pelos seus olhos pude ver que queria o mesmo. Quase o fizemos, mas ele pareceu ver o que estava fazendo e recuou me deixando ali olhando para ele com vontade de me jogar em seus braços.
O que eu estava fazendo? Desejando ser beijada por um desconhecido. Nunca fui de sair beijando todo mundo, na verdade só beijei dois caras em toda minha vida, mas devido a minha falta de memória não sei quem foi ou quando.
Ele se moveu para o lado da cama deixando o copo no criado mudo e foi em direção ao banheiro, flechando a porta atrás de si.
Sentei no sofá do quarto me encostando no encosto de cansada. Pensei em minha perda de memória por assim dizer. Não me lembrava de nomes, endereços, lugares, pessoas, rostos, nada que me disse-se algo sobre minha vida. as coisas das quais me lembrava eram sem importância, como por exemplo as musicas que eu gostava, filmes, comidas, atividades, lugares que eu gostaria de ir, pensamentos que já tive, trejeitos, manias, minha personalidade, coisas que diziam diretamente a meu respeito e a como eu era. Ou seja nada que me levasse a descobrir porque eu sou, como eu sou agora. Mas também não tive muito tempo para pensar, acordei ontem e já me aconteceu tanta coisa, talvez se eu tire um tempo para pensar talvez descubra alguma coisa que não consigo com minha cabeça lotada de coisas.
Cinco minutos depois ele saiu do banheiro e se sentou a beira da cama em minha direção. Estava de calça jeans e camisa branca.
-O que aconteceu exatamente?- perguntou -Com Amanda digo.
Contei toda a historia sobre como ela chegou, sobre ter corrido e sobre o beco. Ele ficou espantado e admirado por ter tido controle de correr.
-Você é mais forte do que eu pensava. Deve se sentir orgulhosa pelo que fez -disse com admiração.
- Não me sinto dessa forma. Pelo contrario, me sinto culpada- disse ao me lembrar da cena- você não viu o que eu vi. Ela estava com medo de mim, medo como se eu fosse mata-la.
- Não deve se preocupar com Amanda, se tivesse feito não seria errado. Ela mereceria muito mais.
— Sei que não é da minha conta, mas o que aconteceu entre vocês dois? -me senti envergonhada em perguntar, mas tinha.
- Conheci Amanda em um bar há quatro anos e meio. Ela era da sua idade na época, e eu era um garoto burro. Começamos a namorar, mas eu nunca gostei dela de verdade. Admito que sentia atração por ela, mas não passava disso. -disse passando a mão em seu cabelo -Quando os anjos descobriram me deram duas opções: ou caia do céu, virando um anjo caído. Ou deixava ela para trás. Não pensei duas vezes em deixa-la, mas parece que ela ainda resiste.
- Os anjos mandam em você?- perguntei -quer dizer, você é um anjo que recebe ordens de outros anjos?
- Existe varias categoria de anjos, eu sou quase um arcanjo que seria os que mandam na ordem, os que ditam regras e leis. Eles são como o papa, todos respeitam e admiram.
- Mas porque eles fizeram você escolher, entre uma coisa e outra?
- Os anjos são muito rígidos. Eles abominam qualquer tipo de ser que não for como eles. Quando pensaram que o sangue poderia se misturar, ficaram loucos. Então me deram um ultimato, ou isso ou aquilo. Amanda não valia qualquer risco, então minha escolha era óbvia.
- Mas você é um anjo e esta me ajudando. Por quê?
- Não sei à resposta para essa pergunta Emily -falou cansado.
- Obrigada — havia acontecido tanta coisa que tinha me esquecido de agradecer por tudo.
-Pelo que? -falou confuso.
- Por salvar minha vida varias vezes- estava ficando envergonhada- não foi por culpa da Amanda que você correu atrás de mim, nem foi por ela que se meteu em uma briga. Foi por minha culpa que isso aconteceu. Já meti você em tanta confusão e vou meter em mais se não for embora- falei me levantando.
- Não! Fique, ainda não tem para onde ir -levantou-se rapidamente, parando em minha frente, segurou gentilmente o meu braço- não foi sua culpa. Nada disso foi sua culpa.
- Mas me sinto como se fosse.- dei uma risada sem humor -Devo ter sido uma pessoa muito legal, para ninguém me procurar. Faz três dias e ninguém me procurou, nem deram falta.
- Mas pelo que eu descobri você era órfã -passou a mão sobre o cabelo- Desculpe, não deveria ter falado assim. Só estava tentando dizer que não tem que se preocupar com os outros. O que importa é você, não os outros.
- E o que eu sou? -essa era a pergunta que estava fazendo para mim mesma desde que acordei. Não pensei em nenhuma resposta que não significava monstro- quer dizer, além de monstro.
- Você não é um monstro.
- Ouvi o que disse do outro vampiro- falei ao me lembrar claramente ele dizer chupa sangue- chupa sangue. É isso que eu sou, um monstro.
- É diferente, ele era um idiota você não é!
- Estou acordada há um dia, e já me sinto cansada por uma vida- era verdade, mesmo não envelhecendo, não me cansando- provavelmente já arrumei confusão por uma.
- Esqueça tudo que aconteceu hoje- percebi agora que estávamos muito perto. Podia ouvir sua respiração, calma e controlada.
- Desculpe, por me lamentar digo- nunca gostei de ser vulnerável, esse era um lado que eu adorava omitir, mas as vezes ele aparece sem que eu possa para-lo -Hoje você foi ver se descobria algo sobre mim. O que achou? -falei me sentando no sofá e ele ao meu lado.
- Você tem 17 anos, seus pais morreram em um acidente de carro quando tinha 10 anos, não se tem registros de com quem você morou nesses 7 anos ou fez nesse tempo, você tinha um amigo que se chamava Kevin Lewis, não tem parentes vivos e não se sabe quem transformou você -falou em um só fôlego.
- Eu tinha um amigo? -pera ai tinha alguém que era próximo meu, mas não me procurou? Que espécie de amigo era ele?
- Sim, mas ele é apenas um mundano e nessa situação só atrapalharia.
- O que é um mundano?
- Alguém do mundo normal, alguém como você era.
- Parece que não tão normal assim- me lembrando do fato que ninguém soube sobre mim por sete anos, o que é muito tempo -como ninguém sabe a onde eu estava por sete anos? Isso é, eu não evaporei do mapa e ressurgi do nada. E esse meu amigo aonde ele esta?
- Isso é uma coisa que eu vou tentar entender, mas seu amigo esta em casa Sá e salvo, e é melhor deixarmos ele em paz antes que arrume confusão. Mundanos tendem a ser chatos.
- Isso parece um pesadelo. Porque não me lembro de nada?
- O mundo não é lindo e perfeito Emily, ele é complicado e triste. Aprenda isso e vivera melhor. -falou tristemente.
- Eu só me sinto perdida. -percebi que estava chorando. Logo esfreguei minhas mãos no rosto. Outra coisa sobre mim, odeio chorar!
- Tudo bem, vamos saber o que ouve. Não se preocupe ok? -disse me abraçando, não recuei.
De certa forma muito estranha me sentia segura com ele, isso aconteceu no beco quando ele me encontrou, na rua a três dias atrás, sempre que estou perto dele esse sentimento aparece.
***
Estávamos abraçados já fazia um tempo, que pareciam segundos. Quando fui sair do abraço percebi que ela havia dormido em meus braços. A peguei no colo levando para cama, a deitei tapando-a. Me sentei do outro lado da cama, e fiquei olhando ela dormir.
Não a ouvia respirar, quase não se mexia, mas mesmo assim era linda. Seus cabelos ruivos cacheados, seus olhos verdes, seu rosto perfeito, tudo a fazia ainda mais bonita.
Sentia-me estranho perto dela, não sei dizer porque mas tudo era estranhamente familiar. O que me deixou extremamente assustado quando a vi, e ainda me deixa, mas agora é um estranho bom. É o tipo de estranho que não sei se conseguiria esquecer. E agora a olhando dormir tenho certeza que não conseguiria. Mas mesmo querendo ficar perto, sei que não posso, é errado te todas as formas, é errado e eu posso me arrepender profundamente por isso. Mesmo assim parece certo, esse é o tipo de errado que parece certo, aquele que te mete em encrenca, mas que vale a pena. É mais ou menos assim que me sinto perto dela.
Senti-me um idiota por pensar isso, quer dizer conheço ela há quase quatro dias. Não tem como me sentir assim em quatro dias, mas como saberia se nunca me apaixonei por ninguém, nem mesmo por Amanda. Toda a minha vida foi em pro de regras e obrigações, sem vontade própria, sem poder fazer o que queria, anjos não podem se apaixonar isso é lei eu não ariscaria minhas assas por ninguém.
Notas finais
Por favor comentem a fic!
beijos anjos! Ate sexta!
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