Afterlife

5 Rick – Luxúria


Fazia muito tempo que não o via. Eu me sentia tão feliz por estar ali podendo tê-lo comigo. Não importava se cada dia naquele lugar fosse um inferno. Com ele, qualquer coisa poderia ser transformada em paraíso.

Michael dormia, e eu, ainda sentado na cama, observava-o. Novamente passei minha mão em seu rosto, podendo sentir sua pele. Eu queria muito ser abraçado por ele. Meu coração apertou, e eu recolhi minha mão, levando-a ao meu peito, e desviei meu olhar. Levantei-me, e comecei a andar pelo cômodo, pensativo. Meus olhos começaram a se encher de lágrimas. Engoli em seco e reprimi todo e qualquer sentimento de tristeza atrelado àquilo que estava ressurgindo.

Comecei a ouvir gemidos baixos. Virei para Michael. Ele estava se remexendo na cama. Fui até ele.

— Claire... Claire... — ele sussurrava.

Provavelmente estava tendo um pesadelo. Até dormindo se preocupava com a garota. Decidi acordá-lo.

— Michael! Michael, acorde! — Eu mexia em seu ombro levemente.

— Claire?! — ele falou bem alto, erguendo-se de uma vez.

Ao se deparar comigo, acalmou-se, provavelmente tendo percebido que havia apenas tido um pesadelo.

— Você está bem? — perguntei.

— Sim... — ele disse logo após ter voltado a se deitar — Tive um pesadelo.

— Eu sei.

— Há quanto tempo estive dormindo? — ele perguntou, franzindo a testa.

— Algumas horas — respondi.

— Você esteve aqui esse tempo todo?

Respirei fundo. Se eu dissesse que sim ele poderia tanto gostar do gesto, o que talvez nos deixasse mais próximos, quanto me achar obsessivo, o que não seria nada bom. De qualquer forma, respondi que sim.

Michael ficou em silêncio. Mas, para minha felicidade, eu havia dado a resposta certa.

— Você tem sido uma boa pessoa — ele disse — Já poderia até chamá-lo de amigo.

Dei de ombros e sorri levemente. Por dentro, eu sorria brilhantemente.

— Acho que estou precisando de um banho — Michael falou, fazendo uma feição de quem acabara de cheirar algo azedo.

— Sim — eu disse — Você realmente — enfatizei — está precisando de um banho.

Ele riu de leve.

— Como funciona isso aqui? — Michael perguntou, erguendo-se lentamente.

— Há quatro banheiros, porém são divididos entre quatro alas de prisioneiros. Temos que dividir entre nós mesmos.

— Terei que tomar banho com outras pessoas? — Ele não estava nada animado para isso.

— Sim... — Fiz semblante de pena — Mas eu sei um horário no qual normalmente não há ninguém.

— Quando? — Mostrou-se interessado.

— Daqui alguns minutos.

— E onde arranjamos novas roupas? — ele perguntou.

Apontei para a outra cama, a qual tinha duas das vestimentas.

— Eles sempre trazem logo cedo — eu disse.

Dentro de pouco tempo, fomos ao banheiro. Michael ainda estava cansado e com dores musculares, então o ajudei a andar até lá. Infelizmente, o banheiro não estava completamente vazio como eu disse que estaria, mas pelo menos a pessoa a usá-lo não estava nos chuveiros.

— Obrigado novamente — ele disse. Eu sorri.

Alguns segundos depois, Michael, que ainda não começara a fazer nada, perguntou:

— Você vai tomar banho também?

Ele com certeza não me queria ali.

— Oh, desculpe — pedi — Não queria te deixar constrangido, só pensei que pudesse precisar de alguma ajuda.

— Para tomar banho? — ele indagou com um tom de sarcasmo.

— Você está cansado e com dores...

— Posso dar conta de um banho — Michael disse. — De qualquer forma, isso não seria estranho para você?

— Não — respondi prontamente — Já estou acostumado com o estilo de vida daqui. E também não recusaria ajuda a um amigo em necessidade.

— Obrigado, de qualquer jeito — ele disse.

Sorri para ele.

— Vou ficar do lado de fora te esperando.

— Ok.

Poucos minutos depois, entrei novamente no banheiro e fui até os chuveiros. Michael ficou alerto ao ouvir os passos e se virou de uma vez, cobrindo seu pênis. Eu pude ver seu corpo completamente nu — não que já não tivesse visto —, mas tive que desviar o olhar rapidamente.

— O que foi?! — ele perguntou, não apreciando minha presença.

— Desculpe... Um dos guardas me viu do lado de fora e perguntou o que estava fazendo. Disse que estava te esperando, mas ele me mandou vir tomar banho, pois, segundo ele, estou fedendo. E, não sei se já notou, mas não é muito bom negar nada a esses guardas — Obviamente não havia guarda nenhum. Estava mentindo.

— Oh... Ok.

Ele continuou me olhando. Até que eu comecei a me despir, e ele resolveu se virar e retomar seu banho. Deixei dois chuveiros entre os nossos, pois seria inteiramente estranho se eu ficasse do lado dele tendo outros. Enquanto eu me banhava, admirava discretamente cada parte do perfeito e delicioso corpo de Michael, que já não cobria mais nada como anteriormente.

Ele olhou para mim algumas vezes, pude notar, porém deve ter sido para ver se eu o fitava. Ou talvez ele pudesse estar interessado. Não havia como eu ter certeza, e era por isso que eu tomava meu banho da forma mais sedutora — sem deixar óbvio — possível. A cada segundo que se passava eu só ficava mais excitado. Tentei tirar a luxúria da minha cabeça para não demonstrar minha excitação em uma ereção.

Notas finais
Por favor, deixem comentários (críticas são bem vindas, porém por favor as façam direito, não somente "tá ruim" ou algo do tipo)! Ajudarão muito! Obrigado!