Notas iniciais
Minha primeira one-shot de Angel Beats! Espero que gostem (:

Havia um som abafado no ambiente. Não sabia dizer exatamente o que era, mas com certeza havia um som! Um som agradável, apesar de abafado. Aos poucos, o som começou a ficar claro e pude distinguir uma melodia tocada em um piano, leve, mas animadora, bastante agradável.

Após alguns segundos apreciando a melodia me dei conta de algo: meus olhos estavam fechados. Eu simplesmente não conseguia abri-los, minhas pálpebras estavam pesadas demais para isso. Após muito esforço consegui abrir meus olhos com dificuldade, mas me arrependi no mesmo momento: o ambiente em que me encontrava estava com uma claridade absurda!

- Ah, você acordou! Estava demorando, não acha? – uma voz desconhecida se pronunciou. Uma voz doce, parecia a de um anjo. – Como se sente?

Foi então que me dei conta, ainda enxergando com dificuldade, que eu não conhecia o lugar em que estava. Estava deitado sobre grama, em um jardim. O céu estava num tom de azul tão claro que chegava a incomodar meus olhos ainda sensíveis. Ao longe havia um prédio, com estrutura parecida com a de um colégio interno, e a poucos metros de mim havia um piano. Sim, um piano! Por que raios havia um piano num jardim, sem qualquer tipo de cobertura? E sentada em um banco em frente ao piano havia uma garota. Uma garota albina, com olhos dourados usando algo que lembrava um uniforme escolar, mas um pouco mais formal, um chapéu de passeio, e parecia ser bem baixinha, ela trazia um sorriso no rosto, bem discreto e olhava para mim.

- Confuso, Otonashi-kun?

- O-Onde estou? Quem é você? – minha voz saiu rouca, parecia que eu não a usava há algum tempo. – Por que estou aqui?

- Você está na pós-vida, Otonashi-kun. Meu nome é Tachibana Kanade, sou seu anjo da guarda. E bom, você está aqui porque...

- Espera aí! Pós-vida? Anjo da guarda? Você está querendo dizer que...

- Exatamente.

- Não pode ser! Isso é alguma brincadeira de mau gosto? – perguntei começando a me irritar.

- Não, Otonashi-kun. Se lembra de alguma coisa? – perguntou com serenidade. Isso nas suas costas são mesmo asas?

Vasculhei minha memória procurando alguma informação útil, mas tudo o que entrei foi nada, minha mente estava em branco!

- Entendo. – falou observando-me atentamente. Eu devia estar parado encarando-a com cara de bobo. Observando-a melhor, ela era muito bonita, parecia mesmo um anjo, com traços realmente delicados e levemente tímidos. Apesar de eu não estar entendendo nada do que estava acontecendo, me sentia bem por tê-la por perto, sei lá, sua presença era reconfortante, me sentia mesmo na presença de... Um anjo.

- Como? – foi tudo o que consegui perguntar, ainda tentando me lembrar de algo.

- Um acidente de metrô. Desculpe-me, Otonashi-kun, não consegui fazer nada para protege-lo. – abaixou a cabeça e pude ver lágrimas escorrendo de seu rosto. Kami-sama, ela estava mesmo triste! Por mim?

- Não se preocupe. – disse ainda processando a informação.

Então eu estava morto. Morri em um acidente de metrô, estou na minha pós vida, na companhia de meu anjo da guarda e não me lembro de nada.

Certo, se estou na minha pós-vida, nesse lugar cheio de luz e paz, eu não deveria me sentir em paz? Por que essa sensação de que tem alguma coisa errada? Tudo bem, eu morri, mas isso não é algo natural, apesar de esta não ter sido a causa, de acordo com Kanade?

- É normal se sentir confuso no começo, Otonashi-kun. – falou tentando reconfortar-me, vendo minhas expressões estranhas.

- Não é isso, tem algo errado.

- Não tem nada de errado, Otonashi-kun, seus problemas de sua vida na Terra acabaram, você está aqui agora.

- Então por que estou com uma sensação horrível de que há algo errado?

- Como? – surpreendeu-se.

- Eu... Não sei o que é, mas sinto que tem algo errado.

Ela nada disse, apenas ficou me encarando com um misto de preocupação e curiosidade em sua face angelical.

Ao longe pude ver uma garota de longos cabelos rosados, com duas mechas presas em um par de maria-chiquinhas. Ela estava por cima de um rapaz de cabelos azulados que parecia ter perdido uma luta contra ela. A garota gargalhava enquanto puxava os braços do rapaz e os prendia em suas costas. Por um segundo fiquei preocupados com a situação, mas logo percebi que não se tratava de uma briga séria, parecia mais uma luta entre irmãos ou melhores amigos, então me acalmei. Olhando bem, o rapaz que estava na desvantagem parecia estar até se divertindo e a risada da garota era inocente e brincalhona.

Então um estalo veio em minha mente. Essa garota que gargalhava, sua risada, me era muito familiar, apesar de eu nunca ter visto essa garota em minha vida. Essa risada parecia muito com a de alguém que eu conheço, mas quem?

- Otonashi-kun, você está bem? – Kanade perguntou me olhando preocupada.

Então outro estalo e tudo veio a minha mente. TUDO! O acidente, o desespero, minha vida antes do acidente, meus objetivos, minha irmã... Minha irmã!

- Kanade, eu preciso voltar! – falei desesperado, me levantando e lhe agarrando os ombros com certa força. – Tem alguém que precisa muito de mim, Kanade, eu preciso voltar!

Espantada com minha reação, ficou alguns segundos me encarando com uma expressão confusa.

- Não pode, Otonashi-kun, você está morto. – falou ainda surpresa.

- Eu preciso, Kanade-chan, por favor! Há uma pessoa que precisa muito de mim, eu preciso voltar, sou a única esperança dela! Minha irmã precisa de mim.

Hatsune. A risada daquela garota me lembrou de minha irmãzinha, que estava internada em um hospital com uma doença rara. Minha companhia e meu apoio eram as únicas coisas que a mantinham forte para poder lutar contra a doença, não posso abandoná-la agora!

Após alguns segundos me encarando, Kanade abaixou os olhos e deu um sorriso triste.

- Esperei tanto tempo para tê-lo junto a mim, Otonashi-kun, tanto tempo... Você é um bom garoto. – Olhou para mim com os olhos aguados. Me senti mal, não esperava que isso fosse magoá-la. – Sei que é contra as regras e que sou a última pessoa que deveria permitir isso, mas tudo bem, pode voltar. – Secou as lágrimas antes que as mesmas caíssem e abriu um sorriso.

- Obrigado, Kanade-chan! – abracei-a com toda a força que tinha e pude ouvir uma risada doce.

- Esperei por muito tempo, posso esperar mais, mas tem que me prometer duas coisas, Otonashi-kun.

- O que?

- Jamais dizer a alguém sobre mim ou esse lugar – falou com um semblante sério – e não abandonar a Hatsune-chan em momento algum! – abriu um sorriso angelical novamente.

Abracei-a novamente.

- Prometo, Kanade-chan. Nunca vou te esquecer.

- Sei disso. – disse ainda me abraçando. – Promete que vai voltar para mim?

- Prometo!

Kanade ficou na ponta dos pés, e ainda assim, não era alta o suficiente, abaixei minha cabeça e ela beijou-me a testa. Logo em seguida voltou a se posicionar em frente ao piano e retomou a melodia que tocava antes de eu acordar.

- Bom retorno, Otonashi-kun.

[...]

- Não é possível! – gritou uma voz desconhecida. – Ele voltou a ter pulso!

- É um milagre!

Abri lentamente os olhos e vi que estava deitado em um chão frio. Logo a minha frente havia um vagão destruído e várias pessoas no chão, com diversos médicos as atendendo.

- Como se sente, garoto? – um médico me perguntou.

- Um pouco dolorido, mas bem. – respondi ainda tentando processar o que houve.

- Você tem um ótimo anjo da guarda, hein? Que sorte, garoto!

- Obrigado, realmente, eu tenho um ótimo anjo da guarda.

Obrigado por tudo, Kanade-chan.

And I'd hope you might take me back inside

When the time is right — Afterlife, Avenged Sevenfold

Notas finais
Espero que tenham gostado (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!