After the storm
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Todas as minhas roupas estavam jogadas no chão. Teatralmente, eu estava estirada no chão do closet, com uma toalha enrolada em minha cabeça, abraçando meu corpo que estava envolvido em um roupão. Meus seios inchados pulavam de todos os meus sutiãs e na última noite, chorei quando Harry acidentalmente esbarrou em um deles. Eu não havia me olhado com muita atenção nos últimos dias, estava muito ocupada tentando convencer alguma equipe a preparar um jantar de última hora para mim. Agora, faltando poucas horas para nossas famílias e amigos chegarem, já havia experimentado quase todas as minhas roupas e não havia gostado de nada. Minha cintura já não era mais tão fina quanto eu me lembrava e meus seios não cabiam em meus decotes. Harry estava na sala com a decoradora porque eu havia chorado e gritado um pouco com ele. Era péssimo me sentir tão sensível, mas não conseguia controlar. O tic-tac irritante de meu relógio de pulso me obriga a levantar. Minha lingerie me aperta e eu me esforço para não enfiar a mão na calcinha para tirá-la de minha bunda. Por que eu só comprava calcinha fio-dental? Era uma grande idiota! Pendurado em um cabide havia um macacão de calças que eu nunca havia usado. Era um daqueles modelos largos, que se usava com uma blusa por baixo e tinha uma faixa do lado, para amarrar e marcar a cintura. Coloco uma blusa coladinha no corpo e de mangas longas, na cor branca já que o macacão é vinho. Meu laço fica pendurado frouxo ao lado de minha cintura.
Me sento em frente a minha penteadeira, que já não era mais a mesma. No lugar de perfumes importados e maquiagens de todos os tipos, havia vários frascos de remédio. Eu tomava Ácido Fólico para auxiliar no desenvolvimento do bebê, Cálcio que era fundamental para a formação dos ossos do bebê, Ferro por conta de minha anemia avançada, Vitamina D, C e B6, Zinco e Ômega 3. Fora os remédios para enjoos. Tiro a toalha de minha cabeça e ligo o secador. Com a ajuda de uma escova, seco meu cabelo. O resto da semana tinha sido muito corrido. Harry havia se encontrado com um Rony furioso, incrédulo por só saber de nossa volta pelos jornais. Já eu precisei lidar com minha mãe e Hermione, que me ligaram furiosas por eu não ter contado que Harry e eu tínhamos voltado. Precisei pedir desculpas muitas vezes para ambas pararem de me xingar. O convite para o jantar era uma forma de oficializar mais uma vez nossa união. Aquilo não deixava de ser verdade. Fiz os convites, recebi as confirmações e então contratei um buffet. O cardápio teria como entrada creme de alho-poró com bacon, como prato principal filé mignon ao molho gorgonzola com talharim na manteiga de ervas e a sobremesa seria cheesecake de frutas vermelhas. A surpresa seria que em cada pratinho de sobremesa, viria um teste de gravidez de farmácia (que tinha sido higienizado, é claro) e uma frase que eu mesma escrevi em bandeirinhas: comam tudo, não quero ficar barriguda sozinha. A atividade de fazer xixi em vários testes de gravidez tinha sido divertida, no final das contas. Harry fez questão de sentar no chão ao lado do vaso sanitário e vibrava a cada dois risquinhos que aparecia no aparelho.
Com meu cabelo seco e penteado, faço uma maquiagem leve, coloco um brinco longo e um batom vermelho. Calço um tênis branco e desço as escadas em direção a nossa sala, que estava irreconhecível. Uma mesa enorme estava no canto, coberta com uma toalha branca e enfeitada com jarros de girassóis, que além de ser minha flor favorita, tinha sido a flor de meu buquê quando nos casamos. A mesa estava posta, pronta para receber os convidados. Havia girassóis em toda parte, enfeitando nossa sala. Alguns balões dourados também estavam espalhados pelo cômodo, assim como algumas velas iluminavam o ambiente. A decoradora distribuiu algumas de nossas poltronas em um canto da sala, para conversamos até o jantar ser servido. Procuro Harry pela sala, mas não o encontro. Tínhamos contratado dois garçons e um caminha em minha direção com um drink cheio de frutas.
— Boa noite, Sra. Potter. Seu marido pediu para lhe entregar isso. Não se preocupe, ele nos informou que a senhora está grávida. Vamos providenciar mais algumas bebidas sem álcool.- eu pego a taça que ele estende em minha direção de cima da bandeja, tomando um gole.
— Obrigada, Tom.- aperto meus olhos para enxergar o nome do rapaz em seu crachá, já que estou sem óculos.
— A senhora gostaria de algum aperitivo?
— Estou bem, obrigada.- ele acena com a cabeça e me deixa sozinha.
Aprecio nossa mesa, que estava tão organizada e linda com aquelas flores e velas. No total, haviam doze lugares, o que significava que a esposa do padrinho de Harry também estaria presente. Ela se chamava Anastácia, era simpática e muito educada, mas não frequentava eventos familiares com muita frequência. Ela havia perdido os pais quando era muito jovem e não tinha nenhum familiar por perto. Trabalhava em um bar quando conheceu Sirius. Acredito que ela achava todo aquele glamour dos Potter's uma baboseira e se compararmos com sua história de vida, era de se torcer o nariz mesmo. Gostava dela, de qualquer forma. Neville e Luna também tinham confirmado presença e embora Harry tivesse ciúmes de Neville, ele adorava Luna. Todos frequentávamos a mesma faculdade, íamos as mesmas festas e etc. Uma mão pesada pousa em minha cintura e eu viro meu corpo. Com a mão livre, Harry segura uma taça de vinho, que era uma das bebidas que decidimos servir. Ele estava usando uma calça social cinza e uma camisa de mangas longas xadrez.
— Oi, ruivinha. Você está linda.- trocamos um selinho rápido e percebo que Harry fala devagar.
— Não precisa pisar em ovos para falar comigo, amor. Estou bem agora. Desculpe por ter gritado mais cedo.- ele sorri, mexendo no cabelo que nunca está arrumado.
— São os hormônios da gravidez, eu entendo. O porteiro ligou, meus pais estão chegando.- pela primeira vez desde que saí do hospital, me sinto enjoada.
— Ah, que bom.- nesse momento a campainha toca e Harry se afasta, indo atender a porta. Lílian entra, tirando o sobretudo logo depois de abraçar o filho. Ela está usando um vestido longo discreto azul marinho, que fica justo em seu corpo e combina com o terno do marido. Tiago também abraça o filho e percebo que ele está usando uma gravata. Eles sempre andavam assim, vestidos como se fossem para uma festa de gala.
— Gina, querida! Como você está linda! Sentimos tanto a sua falta.- sorrio para minha sogra, retribuindo o abraço apertado que a mesma me da.
— Você também está linda, Lílian. Olá, Tiago. É bom ver vocês também.- meu sogro afaga meus ombros e Harry para do meu lado.
— Vocês querem vinho ou preferem outra bebida? — Harry nos conduz até o lugar onde a decoradora organizou as poltronas e nós nos sentamos ao lado um do outro.
— Aceito uma taça de vinho, sua mãe é minha motorista particular hoje.- eles piscam um para o outro, o que faz Harry me encarar revirando os olhos. Eu aperto delicadamente seu braço, repreendendo o gesto.
— Vocês não vão ficar? Organizamos os quartos de hóspedes para vocês e meus pais também, já que ambos moram longe.- eu falo, enquanto agradeço ao garçom pelo segundo drink que ele me trás. Dessa vez era de abacaxi. Harry pega mais uma taça de vinho também e pede para que o garçom traga alguns petiscos.
— Não, querida. É muita gentileza sua mas conseguimos uns dias em uma pousada aqui perto.- ela encara minha bebida e ergue a sobrancelha discretamente, mas finjo não perceber.
— Ah, tudo bem, então.- abro um leve sorriso e bebo um gole de meu suco.
— Vão passar uns dias na cidade? — Harry pergunta encarando os pais.
— Na verdade, Harry, vamos sim. Quero avaliar alguns projetos com você e Sirius essa semana, então aproveitamos para nos hospedar nesse hotel. É longe para dirigir todos os dias.- Tiago fala enquanto da um longo gole em sua bebida.
— Algum problema? — quando Harry fala, sua voz sai dura, mas percebo que seus ombros estão tensos.
— Não sei, mas descobrirei.- Tiago olha para mim, o que me faz corar ligeiramente.
— Como assim, descobrirei? Se você está vindo passar a semana inteira na empresa é porque algo de errado você viu. Gostaria apenas que me comunicasse qual é o problema.- a voz de Harry agora está um pouco mais alterada, e eu encaro minhas mãos em meu colo, desconfortável com a situação.
— Bem, os jornais andaram falando bastante sobre você. Tentamos entrar em contato diversas vezes e sua secretária sempre dizia que você estava ocupado. Estou preocupado com o rumo para o qual você está levando nossa empresa.- Tiago bebe tranquilamente seu vinho enquanto fala. Meu rosto está queimando. Harry não havia me falado que andava ignorando os pais.
— Os jornais andaram fazendo bastante fofoca sobre a minha vida, sobre o meu casamento e sobre a minha esposa. Mas enquanto isso, eu estava lá dentro fazendo o meu trabalho.- Harry coloca a taça de vinho em cima da mesa e cruza as mãos sobre as pernas. Mordo meu lábio inferior, desejando que o chão se abrisse e que eu coubesse dentro dele. Não queria participar daquela briga.
— Será? Tenho minhas dúvidas sobre isso. Você sempre foi assim. Sempre permitiu que qualquer coisinha te abalasse.- Tiago fala friamente e Lílian arfa, encarando o marido. Sinto meus olhos arderem, porque eu entendia que a coisinha a qual ele se referia era eu. Agora não, hormônios. Agora não, eu repetia mentalmente.
— O que está querendo dizer com isso? — manchas vermelhas começam a surgir no
pescoço de Harry.
— Me desculpe, mas sempre achei que o casamento de vocês dois seria a sua ruína.- aquelas palavras me atingem como um tapa na cara. A sala fica em silêncio. Depois do que parece ser um longo tempo, coloco minha taça de suco em cima da mesa e me levanto.
— Gina, querida, Tiago não quis dizer isso.- Lílian também se levanta e caminha em minha direção, mas me afasto quando ela tenta segurar em meu braço.
— Ele quis sim, mãe. Ele quis dizer exatamente isso, porque ele é um cretino que só se importa com ele mesmo. Escute, Tiago, limpe a porra da sua boca antes de falar do meu casamento. E pense bem se quer mesmo ofender Gina, porque no momento estou me lixando se você é meu pai.- Harry também está de pé, os punhos cerrados ao lado do corpo encarando o pai.
— Ora, seu moleque, veja bem como fala comigo ou eu...
— Ou você o que, Tiago? Vai me bater? — o rosto de Tiago está vermelho e ele bufa de raiva.
— Não, mas posso demitir você da Potter Enterprises.— Harry continua com os punhos cerrados, parado a poucos centímetros do pai. Lílian se coloca entre os dois, as mãos espalmadas no peito do marido, pedindo em voz baixa para que ele pare de falar absurdos. Meus pés parecem ter sido pregados no chão e não consigo sair do lugar. Harry solta uma risada sarcástica.
— Não precisa ter o trabalho. Eu me demito.- eu não estava gostando nada do rumo daquela conversa. Meu estômago está embrulhado e sinto que vou vomitar a qualquer momento. Meu jantar estava sendo um fracasso.
— Vamos nos acalmar, queridos. Por favor.- Lílian parece desesperada, a cabeça não para de se mexer, porque ela encara um ao outro com rapidez.
— Essa mulher está fazendo a sua cabeça. Só me faltava essa. Além de ser uma caipira sem jeito, agora vai te impedir de trabalhar? Deve ser mesmo muito insegura para não entender que negócios são negócios.- cubro minha boca com as minhas mãos quando Harry acerta um soco no nariz do pai, que automaticamente começa a sangrar. Ouço um grito, até perceber que sou eu quem estou gritando. Aquilo basta para me tirar de meu transe e agarro o braço de Harry, cravando minhas unhas no mesmo. Não consigo puxar Harry para muito longe, mas ele me encara quando começo a falar.
— Chega, Harry, pare agora! Pelo amor de Deus.- lágrimas quentes escorrem pela minha bochecha e ele segura em minha mão. Lílian está em choque, ajudando o marido a tentar estancar o sangramento. A blusa branca social de Tiago está toda salpicada de sangue. Ninguém fala nada por um tempo, mas Harry não tira os olhos de mim, secando cada lágrima que escorre pelo meu rosto. Eu conhecia aquele olhar, era como um pedido de desculpas.
— Tiago, vá embora da minha casa.- Harry fala um tempo depois e o pai não diz nada. Ele apenas sacode a cabeça, num gesto de desapontamento. Encaro o chão quando ele me olha, incapaz de falar qualquer coisa diante de tudo o que aconteceu. Ele caminha em direção a porta, a mão segurando o nariz ensanguentado. Lílian olha para o filho e depois para mim.
— Eu sinto muito.- ela não me olha quando aquelas palavras são ditas, mas afaga meu braço e acaricia o filho antes de sair correndo atrás do marido.
Fico um longo tempo parada, de pé para Harry, que continua em silêncio. Ele me envolve em um abraço apertado, sussurrando pedidos de desculpas e dizendo que tudo estava bem agora. Eu não conseguia acreditar que tudo aquilo tinha acontecido. Sempre soube que meus sogros não iam muito com a minha cara, especialmente Tiago, mas não fazia ideia de que ele me odiava tanto. Era inacreditável também o que Harry havia feito. Ele havia me defendido com tanto vigor que eu não poderia não ficar feliz com isso. Acaricio suas costas, tentando demonstrar agradecimento com aquele gesto, por ele ter me defendido, por ele entender que eu não era nada do que o pai havia me acusado.
— Me desculpe, meu amor. Me desculpe por tudo o que aconteceu.- Harry sussurra em meu ouvido e eu apenas concordo com a cabeça.- Vou pedir para os garçons um suco de maracujá para você se acalmar. Volto logo.
Me sento em uma poltrona e percebo que minhas mãos estão tremendo. Acaricio minha barriga, pedindo desculpas para meu bebê, tentando tranquiliza-lo de que tudo
estava bem. Harry volta um tempo depois e me entrega um copo grande de suco, me fazendo beber tudo. Ficamos em silêncio, na verdade eu mesma não sabia o que dizer. O som da campainha preenche a sala de modo exigente. Me encaro no espelho da sala. Fora os olhos levemente borrados pelo rímel, minha maquiagem continuava intacta. Ninguém iria perceber nada, eu repetia para mim mesma quando ouvi o som alto da risada de Luna. Conseguia ouvir mais vozes misturadas, e aos poucos a sala ia sendo preenchida por nossos convidados.
— Pimentinha, que saudades! — Neville me abraça, se afastando um pouco para que Luna faça o mesmo.
— Amiga, que roupa linda que você está usando.- ela alisa o tecido de meu macacão, me deixando levemente desconfortável com o toque.
— Olá, pessoal. Também senti saudades, Nev e seu vestido de ursinhos também está lindo, Luna.
Rony é o terceiro a surgir na sala, carregando uma garrafa de vinho. Hermione vem
logo atrás e está vestindo uma calça jeans com botas e uma blusa de tricot. Ela segura um tabuleiro nos braços e demora um longo tempo me encarando.
— Maninha, quanto tempo, hein? Trouxemos umas coisinhas para o jantar.- ele me abraça e me entrega a garrafa de vinho. Agradeço, entregando a garrafa para Harry, que se aproxima de mim.
— Trouxe umas tortinhas para comermos de aperitivo. Você sabe como seu irmão come, principalmente quando está bebendo.- retribuo o abraço de minha cunhada, rindo quando ela fala de meu irmão.
— Obrigada, Mione, devem estar deliciosos.
— Sentem-se, vou pedir para o garçom servir algo para bebermos.- Harry fala e saí da sala, me deixando sozinha com nossos convidados. Nos sentamos nas poltronas, observando Rony e Neville que estão discutindo sobre algum jogo.
Harry volta um tempo depois com Tom ao lado. Ele segurava duas bandejas, uma com bebidas e outra com aperitivos. Os meninos agradecem ao pegar suas respectivas taças. Hermione também pega uma. As conversas são divertidas em minha sala. Era muito difícil não rir com as piadas de meu irmão, e então junto com Neville, ficava ainda mais complicado. Harry está distante, o maxilar cerrado enquanto encara o copo. Diferente dos outros, ele está bebendo uísque. Meus pais, Sirius e Anastácia chegam pouco tempo depois. Agora a sala está cheia, e não consigo acompanhar todas as conversas. Aperto a mão de Harry ao meu lado. Ele me olha, dando um sorriso discreto. Percebo que os nós de seus dedos estão vermelhos e inchados, e ele esconde atrás do copo quando me vê olhando para ali. Depois de muitas taças de vinho, decidimos servir o jantar. Todos estão escolhendo seus lugares a mesa. Harry segura minha mão para me ajudar a levantar e Sirius para ao nosso lado com Anastácia.
— Onde estão seus pais, filho? — Sirius pergunta a Harry, que me olha.
— Longa história, Sirius. Vamos conversar depois, não quero estragar ainda mais a minha noite.
— Aconteceu alguma coisa grave? — Sirius insiste.
— Meu bem, Harry já disse que vocês conversam depois. Venha, vamos jantar. É uma
noite especial para todos nós.- Anastácia pisca em minha direção e eu sorrio, agradecida. Caminhamos juntos até a mesa.
Me sento ao lado de Harry, que aperta minha coxa por baixo da mesa. Ele deposita um beijo em minha testa. Os garçons começam a servir a entrada e a mesa fica em silêncio por um momento, enquanto todos comem. Hermione me encara por um tempo, e reconheço pela testa enrugada que ela está cheias de perguntas para me fazer. Faço uma careta para ela, que volta a comer e prestar atenção na conversa de Neville e Luna sobre o casamento.
— Está tudo bem? — Harry pergunta baixinho para mim.
— Sim. E com você?
— Fora minha mão que está latejando e o fato de estar nervoso agora que está
chegando a hora da sobremesa, está tudo bem, sim.
— Também estou.- confesso, me sentindo enjoada mais uma vez. Meu pai chama nossa atenção, levantando da mesa com a taça de vinho em uma mão.
— Bem, boa noite, senhoras e senhores. Gostaria de dizer algumas palavras para Gina e Harry. Filha, minha querida, quando você chegou em nossa casa, vestindo aquele moletom cinza que embora lhe traga conforto, não combina em nada com a pessoa divertida e feliz que você é, me senti muito mal. É triste quando nossos filhos acabam se perdendo pelo caminho, porque nem sempre nós, pais, podemos ajudar. E eu vi o quanto você estava sofrendo. E Harry também, porque em todos esses anos de convívio nunca vi essa cara pálida tão cheia de olheiras.- sorrio para meu pai, enquanto toda a mesa cai na gargalhada.- Se sua mãe não tivesse me chutado por baixo da mesa naquele dia, eu teria dito que sua escolha estava errada, porque eu vejo que o que vocês tem é algo puro e verdadeiro, e sempre foi. Mas eu também teria lhe dito que tudo passa e tudo o que acontece, sempre deixa uma lição. Fico feliz que vocês tenham encontrado o caminho de volta um para o outro. Um brinde, a minha menina e a Harry, meu amado genro.- estou soluçando quando erguemos nossas taças, encostando uma nas outras.
Agradeço a meu pai e Harry me ajuda a secar as lágrimas. Os garçons distribuem as sobremesas nesse momento. Ouço várias exclamações quando aos poucos, nossos convidados entendem a mensagem. Gostaria de ter gravado aquela cena, porque cada um tinha uma expressão diferente enquanto encarava o teste. Minha mãe chorava copiosamente enquanto meu pai encarava o teste com a testa franzida, como se não entendesse o que era aquilo. Hermione grita eu sabia do canto da mesa enquanto Luna come um pedaço do cheesecake, sorrindo para o teste que ela segura com a mão livre. Sirius é quem está mais perto de Harry e o abraça, exclamando o quanto estava feliz por seu filho se tornar pai. A relação que os dois tinham era linda, era realmente de pai e filho. Anastácia é a primeira a levantar e me abraçar, acariciando minhas costas e me dando os parabéns de forma maternal. Vou passando de abraço em abraço, todos vibrando felizes com a novidade. Rony e Neville me pegam no colo e me jogam para cima, fazendo meu estômago embrulhar. Harry ordena que me ponham no chão, mas não de forma grosseira. Minha mãe e meu pai me abraçam, o que me faz chorar. Meu pai acaricia meu cabelo enquanto minha mãe repousa sua mão em minha barriga. Eles sussurram o quanto estão felizes pela menininha deles. Harry também está chorando, mas de forma discreta enquanto abraça o padrinho mais uma vez. Gostaria que aquela situação de mais cedo nunca tivesse acontecido, porque ele com certeza estava sentindo falta dos pais ali também.
— Que tal um brinde? Ao bebê e aos papais.- Neville fala enquanto ergue sua taça. Harry funga um pouco, mas segura sua taça com firmeza.
— Eu gostaria de dizer umas palavras antes, Neville.- todos encaram Harry e eu me arrumo no abraço de meus pais para encarar meu marido.
— Claro.- Neville diz, abraçando Luna.
— Não vou me alongar, prometo. Só queria compartilhar com vocês, nossos amigos e nossa família, o quanto estou feliz. Me casar com Gina foi a melhor escolha que fiz em toda a minha vida. Não consigo expressar apenas em palavras o quanto eu amo você, Gina e o quanto sou grato por ter você. Você e esse bebê são a minha família, as únicas pessoas que preciso ter em minha vida. Sei que hoje não saiu da forma como você planejava, mas espero que esteja feliz. Então quero propor um brinde a minha amada, inteligente e minha fonte inesgotável de inspiração, minha Gina. E a esse bebê que cresce todos os dias dentro de você, fruto do nosso amor.- ele ergue sua taça e todos brindam. Me solto do abraço de meus pais com delicadeza e caminho até meu marido, que deposita um beijo leve em minha testa.
Depois de muito choro, risadas e mais taças de vinho, nossos convidados vão embora. Estou radiante, porque todos ficaram muito felizes com a novidade. O incidente com Lílian e Tiago quase some de minha cabeça. Os garçons são os últimos a irem embora, já que deixam toda a cozinha organizada. Harry está em nosso quarto, de pijamas e com cubos de gelo apoiados em sua mão machucada. O discurso que ele fez me deixou claro que ele não queria mais conversar sobre o assunto, mas eu ainda estava ponderando se realmente não íamos mais falar sobre. Já estou de banho tomado e de camisola quando passo no quarto de hóspedes para desejar boa noite a meus pais. Ninguém perguntou por Lílian e Tiago, mas acredito que todos perceberam que algo estava errado. Graças a Deus, todos eram muito educados para perguntar sobre.
— Olá, mamãe. Vocês estão confortáveis? Querem mais alguma coisa? — falo baixinho para não acordar meu pai que está roncando ao lado de minha mãe.
— Oi, querida. Não, estou bem. Seu pai então, nem se fala.- ela ri e eu também, coloco
a mão na maçaneta para fechar a porta mas ela me chama.
— Sim, mamãe? — olho para ela, que se acomoda na cama.
— Eu já sabia, sabe. Sobre a gravidez.- encaro minha mãe com a testa franzida.
— Harry contou para a senhora? Não acredito que aquele fofoqueiro fez isso.- ela ri, balançando a cabeça.
— Vi você vomitando meu cozido a noite. Quando você estava lá em casa. Você nunca
foi de passar mal.
— E por que não me disse nada? — cruzo meus braços e ela se cobre, me dando as costas.
— Porque tudo tem o seu tempo para ser revelado.
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