After the Storm
2 Os pais
Notas iniciais
Lanchonetes 24 horas são conhecidas por seus horários, não por sua comida, Piper tinha certeza disso agora. Depois de se esgueirar para o chalé de Afrodite e juntar em uma mochila algumas mudas de roupas, Katoptris, a Cornucópia, alguns dracmas e doláres, pegou um pouco de Ambrosia e Néctar, e encaminhou-se para a colina para encontrar Percy, o qual já a esperava. Seguindo o moreno para um táxi estranho, o qual ela descobriu ser dirigido pelas irmãs cinzentas, em pouco tempo os dois se encontravam nas ruas de Nova Iorque, as quais estavam movimentadas, apesar do horário.
Na cidade que nunca dorme, a ideia do filho de Poseidon era ir visitar a mãe, a qual morava a poucos quarteirões do local onde o táxi os deixou, mas a filha de Afrodite o parou, justificando que, as quatro da manhã não era um bom horário para ir visitar a pobre mulher. Com isso em mente, os dois amigos se encontravam no momento em uma lanchonete 24 horas qualquer, dividindo um prato de panquecas, que estavam bem murchas, e duas xícaras de café, na tentativa de se manterem em pé, agora que a adrenalina havia passado:
— O que vamos fazer agora Percy?
— Eu pensei em irmos para a casa da minha mãe e do meu padrasto, o que você acha?
– Não… eu mal conheço sua mãe Percy… não quero atrapalhar…
— Ah imagine Piper, minha mãe iria adorar você. — ouvindo o moreno, Piper suspirou.
— Mesmo assim Percy… acho que talvez seja uma ideia melhor eu alugar um lugar e nós ficarmos lá juntos.
— Não… não vou deixar você alugar um lugar para nós dois, é injusto eu abusar do dinheiro do seu pai.
— E eu não vou abusar da hospitalidade da sua mãe.
— Então o que nós faremos? Temos que chegar em um acordo…
O vento frio que soprou na lanchonete tinha como significado que a porta havia sido aberta,mas os dois só tomaram ciência disso quando o silêncio foi quebrado.
— Bem, nós podemos sugerir a vocês uma opção?- a voz vinda da porta era melódica e conhecida pelos semideuses. Ali, na frente deles, estava Afrodite, com cabelos escuros e olhos claros, em um belo vestido, e tendo como acompanhante, um Poseidon, que vestia-se como um pescador, algo costumeiro.
— O que… O que fazem aqui? -a voz de Piper era fraca, mas transmitia o cansaço e confusão que a garota sentia.
— Estamos aqui para ajudar, minha filha… nós vimos o que aconteceu no acampamento meio sangue, vimos vocês fugindo…
— E vocês agora querem nos levar de volta para o acampamento? — Percy disse tentando parecer forte e não transpassar o medo em sua voz.
— Claro que não meu filho… estamos aqui para mostrar a vocês a solução…- Poseidon completou jogando um panfleto na mesa dos mais novos, enquanto puxava uma cadeira para si e uma para a mulher ao seu lado, para sentarem na mesa de seus filhos
— O que é isso Lord Poseidon?
— Isso, filha de Afrodite, é um internato, o qual vocês podem frequentar…
— O que… Como assim pai?
— A ideia, pequeno herói, é que vocês dois terminem a escola nesse internato…
— Mãe… eu não sei se isso é uma boa ideia… tem os monstros, os custos, e Percy e eu somos disléxicos.
— Bem, nós vamos bancar vocês, Piper, e manteremos os monstros a distância… de forma que vocês só terão que lidar com a dislexia.
— Pai, por quê?
— Porque o que, meu filho?
— Por que estão fazendo isso? Por que estão nos ajudando? — a resposta veio por Piper, que dividia a confusão com Percy.
— Ah minha querida, vocês fizeram muito por nós, e nós somos péssimos pais, está na hora de fazer algo certo. — com a resposta do deus do mar, Piper respirou fundo. Ela não queria voltar para um internato, mas parecia a melhor escolha, não é? Percy não aceitaria morar com ela em uma casa paga pelo pai dela, e ela não queria atrapalhar a vida do casal Jackson.
— Eu não sei Percy… mas me parece viável…
— Eu… Eu posso repetir o último ano… eu perdi a maior parte dele mesmo, e nós podemos ser da mesma sala… e pelo que diz no panfleto, é bem perto da cidade, e nós podemos visitar minha mãe com frequência…
— Sim, sim, sim!!!- Afrodite se animou- vai ser incrível… Assim que as lojas abrirem vamos comprar roupas para vocês, e vocês irão começar a escola assim que as aulas voltarem.
— Afrodite, se acalme — Poseidon riu — primeiro vamos avisar os pais deles, e depois acertar com o colégio, uma coisa de cada vez… mas, bem, nós estamos felizes que vocês aceitaram…
— Tudo bem pai. — Percy sorriu para o mais velho, enquanto abria a carteira, para pagar pelo que haviam consumido. — Mas bem, acho que agora devemos falar com a minha mãe, já amanheceu e acho que será bom ela saber disso.
— Tem razão Percy- Afrodite sorriu- e bem, enquanto você e Poseidon cuidam disso, eu e Piper temos que ligar para Tristan para avisar das novidades.
E com essa, Afrodite se levantou e levou consigo Piper, arrastando sua filha para fora da lanchonete, e deixando os dois homens sentados, rindo levemente da situação.
— Mulheres… — riu Poseidon levantando-se junto ao filho para seguir a caminho da casa de Sally.
Estando pensativo durante o caminho, Percy não puxou nenhum assunto com o pai durante o trajeto, mas bem, não havia como culpá-lo. Há poucas horas, tudo na sua vida estava normal, havia realizado mais uma missão com louvor, e tudo o que ele queria era beijar Annabeth e ir para cama, Annabeth, porém, já estava ocupada com beijos, para a alegria do herói. A verdade era que, nunca, em toda sua vida, Percy havia imaginado uma cena como aquela, Jason e Annabeth nervosos, Piper chorando e tudo passando em câmera lenta, e bem, o moreno poderia ser lerdo, mas bastou ouvir algumas linhas da conversa dos outros três e ele soube exatamente o que havia ocorrido. Bastou-se algumas linhas da conversa e seu mundo desabou. Ele não quis saber o motivo, para o garoto, não havia nada na terra que justificasse traição, apenas é claro, mal caráter. Em seus mil pensamentos sobre o desabamento de sua vida, Percy quase não escutou a tentativa de quebra do silêncio que Poseidon executou:
— Ah filho, eu sei que é difícil…
— Pai, nós não temos que….
— Eu me lembro da primeira vez que Anfitritre me traiu, eu fiquei enfurecido…
— Pai, por favor… Eu não quero falar disso…
— Tudo bem Percy… Eu só quero que saiba, meu filho, que, se você precisar de apoio, eu estou aqui… Eu posso não ser muito bom nisso, mas, eu sei que você gostava da cria de Atena, e eu sei que situações como essa são bem ruins…
— Eu… Eu amava ela pai, eu amava a Annabeth, mas, sabe de uma coisa, pai? Isso não foi o bastante pra ela… — Percy puxou o ar com força — De qualquer forma, obrigada pelo apoio pai.
— Sempre que precisar, Percy.
Permanecendo o resto do caminho em silêncio, de certa forma, Percy se sentia mais leve. Provavelmente, o apoio do pai perante toda a loucura da traição e da fuga tenha o deixado mais calmo, mas ainda havia um problema a se resolver. Sua Mãe.
Batendo na porta do pequeno apartamento de sua mãe, tudo o que recebeu foi um “Já vou!” gritado pela mulher, de forma que, enquanto ela não aparecia, Percy virou-se para seu pai:
— Pai, o senhor sabe… essa não vai ser uma conversa fácil, e talvez seja melhor eu falar sozinho com ela…
— Você não me quer ai? — Poseidon fingiu-se ofendido — Assim você me magoa, filho. — e então desatou-se a rir.
Com o final da fala do deus do mar, a porta se abriu para exibir uma Sally Jackson já pronta para começar o dia. Ao ver o filho a reação da mulher não foi outra, se não abraçar o garoto:
— Oh Percy, eu estava com tantas saudades meu filho, você não vem aqui a tanto tempo! — Sally murmurava abraçada no pescoço do filho, que aproveitava o carinho. — Mas você não deveria estar no acampamento? E, Poseidon, o que você faz aqui?
— Ah Sally, eu só vim deixar o Percy mesmo. — Poseidon sorriu. — Eu te espero lá embaixo, okay Percy?
Vendo o menear de cabeça do filho, Poseidon se encaminhou para descer, apenas virando rapidamente para os dois á porta:
— E Sally, você continua linda como sempre. — E com um sorriso e uma piscadinha, Poseidon começou a descer a escada.
Ainda vermelha pelo elogio, Sally bateu suavemente no braço de seu filho, o qual gargalhava da situação, e o levou para dentro, indicando o sofá, para que ele se sentasse.
— E então?
— Como assim "e então" mamãe? — Percy perguntou ainda risonho
— Bem, falta uma semana para as férias acabarem e você já voltou… e voltou sozinho. Bem Percy, eu não sei, mas eu pensei que você passaria aqui uns dias antes da faculdade começar, junto com a Annabeth, e agora você está aqui.
— Eu não vou mais para a faculdade, mãe… Eu quero terminar corretamente meu último ano, com as aulas e matérias.- a voz do garoto era praticamente um sussurro, de tão baixa.
— O que? Como assim Percy? Você tinha decidido ir para a faculdade… E agora quer voltar pra escola. Querido, você odiava a escola, por que isso agora? O que a Annie acha disso?
— A Annie, ela… ela me traiu, mãe. -Percy se forçou a falar, pausando ao ver o choque da mãe. — Ela me traiu mamãe, e agora, nada mais tem um sentido, nem o acampamento, nem a faculdade em Nova Roma… eu não quero isso sem ela.
— Ah meu filho. — Sally abraçou o filho tentando consolá-lo, mesmo estando ela própria com certa dor no coração ao saber da traição da menina que havia visto crescer. — Eu sinto tanto, eu… Eu não sabia.- Ela suspirou pegando o rosto do filho entre suas mãos. — Se é o que você quer querido, então eu faço sua inscrição hoje mesmo na Good.
— Sobre isso mãe… eu não quer ir pra Good, eu quero ir para um internato que Poseidon se dispôs a pagar. — a voz de Percy, apesar de baixa, preencheu o cômodo.
— O quê? — Dizer que Sally Jackson estava em choque era pouco. — Você quer ir para um internato? Um internato que seu pai indicou? — A mulher parou para respirar fundo tentando entender o filho e falhando. — Filho eu só… eu não compreendo… na Good, Paul estaria por perto para te ajudar, você moraria em casa, nós nos veríamos diariamente, e você odiou todos os internatos que frequentou. — O olhar de Sally era chateado e confuso e, apesar de esperar por algo assim, Percy se sentiu mal.
Percy se imaginou na vida descrita por sua mãe. Acordar todo dia com panquecas azuis, pegar carona com Paul na ida e na volta, só ter que aturar pessoas chatas o tempo necessário, jantar todo dia com sua mãe e seu padrasto, como uma família a qual ele nunca teve. Bem, com certeza aquilo não seria ruim. Entretanto, um flash de Piper veio em sua mente. A garota estava tão quebrada quanto ele e havia fugido por ideia dele, e diferente de Percy, ela não poderia ir morar com sua família. Ela não tinha a quem recorrer, e a lembrança disso somada ao flash da noite anterior com a pobre menina chorando fez Percy tomar uma decisão. Ele não deixaria nada acontecer a Piper, estaria ao lado dela para protegê-la.
— Eu sei que é difícil mãe, e eu realmente gostaria de morar com você mas… quando Annabeth me traiu, eu não fui o único ferido, e agora, o mais importante é que eu e Piper cuidemos um ao outro e …
— Espera… Piper? Você está me dizendo que Annabeth traiu você e a Piper com o Jason?- O espanto da mais velha era claro. Ela nunca imaginou que a garota que ela conhecia desde a infância havia traído o filho dela com um garoto que ela havia conhecido a pouco tempo, mas que parecia extremamente correto com tudo.
— É mãe… As coisas não andam fáceis não é mesmo? — riu Percy sem humor. — Mas bem, o internato foi uma ideia do meu pai com a mãe da Piper, para que permanecêssemos juntos.
— Filho, eu… Eu entendo, mas, você tem certeza?
— Eu tenho certeza que tenho que proteger a Piper, ela entrou nessa enrascada comigo, e eu não vou deixá-la sozinha. — Sally suspirou, sempre muito leal e cabeça dura.
— Certo, me passe as informações, e eu te matriculo lá hoje mesmo. — A mulher sorriu para o filho.
— Então… Você não está brava?
— Bem, eu amaria meu filho em casa… Mas como eu posso ficar brava quando vejo que meu filho se tornou um homem tão bom, que mesmo magoado pensa nos outros.
— Ah mãe…
— Querido, você é o meu maior orgulho. — Comenta a morena com um abraço no garoto. — Mas aproveitando que você está aqui… o que acha de alguns cookies azuis? Soube que eles curam corações partidos.
— Bem, nesse caso acho melhor eu ligar para Piper e chamá-la também- riu o Jackson mais novo.
— Faça isso sim querido… e avise seu pai que está te esperando lá em baixo que se ele quiser ele pode subir para comer.
— O papai… nossa nem lembrava que ele está lá embaixo me esperando… vou falar com ele. — sorriu risonho, antes de beijar a bochecha da mãe e se encaminhar para a porta.
O Central Park era lindo em qualquer época do ano, mas Piper se encontrava fascinada em sua versão veranil. As árvores e flores em seu equilíbrio, sem excessos nem faltas, era simplesmente lindo. E era pensando nisso que a garota enrolava, sem a menor pressa para falar com a assistente do pai. Sua mãe, ao seu lado, já pensava diferente, querendo que a filha acabasse com isso o mais rápido possível, para irem para compras ou algo do tipo:
— Vamos logo Piper, nós não temos o dia inteiro. — Afrodite resmungou cantarolando.
— Para alguém com a eternidade pela frente, você tem muita pressa em?
— Você está enrolando… e sabe disso. Por que não liga logo e simplesmente fala com seu pai?
— Porque nem vai ser ele que vai atender, vai ser a assistente dele… e não é tão simples, mãe. Você sabe, eu tenho toda a história de furtos que não eram furtos, mas que tiveram como pena ir para a Escola da Vida Selvagem… não sei se posso realmente mudar de escola. — Piper sussurrou. Ela só queria que as coisas fossem mais fáceis.
— Vamos fazer assim. — Afrodite quebrou o pequeno silêncio instalado. — eu limpo a sua ficha e você cuida do seu pai, pode ser?
— Parece bom. — sorriu para a mãe, que piscou fortemente para então afirmar que não havia mais nada a prendendo a sua antiga escola.
— Bem vamos lá. — Respirando fundo, Piper pegou o celular que sua mãe a entregava, e com alguns toques, a voz de Jane foi ouvida.
— Escritório do senhor McLean.
— Jane — Com um revirar de olhos, Piper continuou. — Preciso falar com meu pai, pode passar o telefone pra ele?
— Ele está ocupado. O que precisa tratar com ele, Piper?
— Eu preciso tratar com ele, Jane, então, por favor, só passe para ele.
— Bem, se você não me disser sobre o que se trata, eu serei obrigada a desligar. — comentou a assistente, fazendo Piper bufar.
— Eu quero mudar de escola.
— Você não pode. — a voz de Jane não tinha emoção. — A Escola da Vida Selvagem foi o nosso trato para que você não fosse presa, você não pode sair dela.
— Eu não acho que minha ficha importe tanto assim. — O esforço de Piper para não rir era grande. — Quer dizer, esse tipo de coisa, nem deve estar mais na minha ficha.
— Com certeza, Piper, e unicórnios existem.
— Eu sei que existem, já vi alguns. — Piper afirmou risonha. — Mas bem, se está duvidando, veja se há alguma queixa sobre mim.
— Não preciso fazer isso, sei que sua ficha está cheia de queixas, Piper.
— Então façamos um acordo… se minha ficha estiver manchada, desisto da nova escola, mas, se ela estiver limpa, você vai passar esse telefone para o meu pai agora.
— Trato feito, estou abrindo sua ficha agora. — Jane suspirava vitoriosa. — Abrindo ela agora e … o que? Como…?
— O que foi, Jane? Como minha ficha está? — Piper respirava pausadamente para não cair em risadas.
— Sua ficha, ela está … limpa.
— Eu sei Jane, agora passe para o meu pai. — uma bufada foi ouvido do outro lado da linha, e então fez-se silêncio por um longo período.
— Piper, o que está acontecendo? — a voz de Tristan se fez ser ouvida, e Piper sorriu com isso.
— Pai, oi! Como o senhor está?
— Bem, está tudo bem, querida, mas, o que é tão importante que você precisava falar especificamente comigo?
— Bem, pai, eu quero mudar de escola… E antes que você pergunte, minha ficha está limpa, eu não estou mais presa a Escola da Vida Selvagem.
— Ah bem, acho que não há problemas… Qual a escola em que você quer estudar?
— É um internato pai, um internato perto de Nova Iorque. — Piper respirou fundo, apesar de pouco provável, ela temia uma negativa do pai.
— Nova Iorque? Não é um pouco longe, filha? — A voz de Tristan transparecia uma certa dor que magoou Piper. Infelizmente, não era essa dor o bastante para mudar a ideia da menina.
— Não pai, eu já me decidi. Quero estudar nesse internato, aqui em Nova Iorque. — Piper falava com uma determinação enorme, porém, ao ouvir o pai engolir em seco do outro lado da linha, ela se calou momentaneamente.
O seu pai nunca havia sido presente em sua vida — isso era um fato — mas mudar-se para Nova Iorque tornaria isso ainda mais brutal. O que eram visitas esporádicas de seu pai, com idas a lanchonetes e praias, com conversas e jogos, virariam raros encontros, devido a nova distância imposta. A verdade era, porém, que ela precisava disso naquele momento. Ela precisava se desligar do mundo semideus — envolvendo nisso a Escola da Vida Selvagem, onde tudo havia começado- precisava de um tempo para respirar e se reconstruir. Seu pai sempre havia colocado a carreira em primeiro lugar na vida dele, era hora dela ser egoísta e se colocar em primeiro lugar na própria vida.
— Pai, eu sei que é um pouco longe. — ela recomeçou um pouco mais delicada, quebrando o silêncio. — Mas muitas coisas me aconteceram nos últimos dias, e isso, acredite ou não, é o melhor pra mim.
— Tudo bem Pipes. — Suspirou o mais velho. — Apenas me mande os dados e eu te matrículo.
— Obrigada pai. De verdade.
— De nada querida. Eu amo você.
— E eu amo você papai. — O sorriso de Piper aumentou com sua últimas palavras. Apesar de tudo, ela amava o pai, e não seria a distância que mudaria isso.
Devolvendo o celular para a mãe, Piper murmurou um obrigado pela ajuda com a ficha, sem estender a conversa com a mãe. Ela queria muito não culpar a mãe, verdadeiramente queria, mas era filha da deusa do amor, e estava com o coração partido, e não conseguia imaginar sua mãe como inocente nisso. Quer dizer, quando sua mãe controla o amor, não era para você ter um coração partido, não é mesmo?
— Pode, por favor, parar com isso? — Piper se assustou com a voz de sua mãe, e sua confusão foi imediata
.– O que?
— Pare com isso. — Afrodite disse obvia. — Pare de me culpar por isso. Eu não tenho nada haver com a traição daqueles dois.
— Amh desculpa? É só que, você é a deusa do amor, e bem…
— Eu sei tá… e eu sei que você está com o coração partido querida, mas se quer culpar alguém, culpe aqueles que te traíram. — a deusa encarou a filha- Eu não controlo traições. Achei que isso fosse óbvio observando o número de campistas filhos de Hefesto e Ares.- Riu a mulher.- Mas sabe, se quiser falar sobre isso, eu estou aqui, tudo bem?
— Tudo mãe. — Piper sorriu triste. — Eu só achava que ele era o certo, sabe? Que nós iríamos enfrentar o inferno na terra um pelo outro e acabaríamos como num filme de Hollywood do meu pai. — terminou Piper, limpando as lágrimas que insistiam em cair contra sua vontade.
— Querida, eu sei que dói — ela encarou a garota chorosa a sua frente — mas bem, há coisas que nem eu sou capaz de controlar, e apesar de agora essa parecer a pior dor do mundo, isso vai passar minha filha, sempre passa. — Sorriu amavelmente para a figura contrariada a sua frente.- Só me prometa uma coisa, que não irá se esquecer que, na vida, há males que vem para o bem, coisas boas se vão para outras melhores virem. — ela completou suspirando, enquanto sua filha concordava desacreditada.
Afrodite gostaria de falar mais, ela queria poder contar à filha tudo de bom que o futuro a reservava, o amor avassalador que ela iria viver, a felicidade que iria ter, a paz que iria encontrar. Mas ela não podia, Piper teria que enfrentar a tempestade para chegar no arco-íris. Afrodite sabia, porém, que apesar de seu coração de mãe se apertar agora, tudo iria se compensar no final, e ela mal podia esperar pra isso.
— Tudo bem, já chega. — Comenta Piper se levantando, e assustando a deusa distraída. — Cansei de chorar por esse idiota. Uma nova fase começa agora, e eu não irei levar meu passado comigo.
— Que bom, minha querida. O que acha de irmos encontrar os meninos?
— Claro, mas, onde eles estão?
— De acordo com Poseidon? Na casa de Sally Jackson, e é para lá que nós vamos. — riu a mais velha, que rapidamente se levantou e puxou a mais nova pela mão. Rindo da atitude da mãe, Piper a acompanhou, mas tranquila depois das conversas.
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