Notas iniciais
Olá! Penúltimo capítulo de After the Rain. Boa leitura!

Algum tempo depois, nós chegamos na mansão de Mai.

O portão da casa se abriu para nós e Jiro entrou com o carro. Depois disso, o portão foi se fechando e Jiro estacionou o carro na garagem.

Jiro desligou o carro, abriu a porta do lado dele e depois a bateu.

Ele deu a volta pela frente do carro e abriu a porta do meu lado.

"Senhorita, por favor..."

Desci do carro e depois disso, ele bateu a porta. Mai saiu pelo lado do motorista e fechou a porta.

Então, eu entrei com Mai e Jiro na mansão.


Chegando no andar superior...

Fomos recebidos pelos pais de Mai que trajavam seus hobbies, um vermelho e um preto respectivamente, e estavam de pantufas nos pés.

O casal parecia preocupado. A mãe de Mai estava com uns bobs na cabeça e máscara de pepino no rosto.

O pai da mesma também estava com máscara no rosto.

"Jiro! Mai! Onde vocês estavam? Está tarde!", a mãe de Mai exclamou.

"Mai, isso são horas de voltar para casa? São...uma da manhã!", o pai exclamou.

"Pai, mãe, agora não! Nós temos uma hóspede. E eu sei o que faço!", Mai contestou.

"Senhor, senhora, a senhorita Mai me pediu para que eu a levasse até um bar, e eu apenas fiz o meu trabalho.", Jiro explanou.

O pai de Mai suspirou.

"Tudo bem, Jiro. Muito obrigado. Deixe que eu cuido do resto. Pode se retirar.", o mesmo demandou ao empregado.

"Sim, senhor. Com licença.", Jiro cumprimentou e foi se retirando dali.

Eu e Mai ficamos à sós com os pais dela.

"E quem é essa garota, Mai? Sua namorada?", a mãe estranhou.

"Mai...você arranjou outra namorada? Eu já falei para você namorar garotos!", o pai se invocou.

"Pai, eu já falei que eu não me interesso por garotos. E ela é minha amiga. O nome dela é Shizuka Murakami. Ela vai ficar aqui por uns dias...os pais dela estão viajando.", Mai tentou convencê-los.

"Eu entendi. Vocês não me querem aqui. Eu vou embora...", falei ainda chorosa.

"Não, Shizuka. Você vai ficar aqui comigo.", Mai me censurou.

"Bem, não seria má ideia você ir embora...", o pai de Mai praguejou...

"Por favor, senhor, senhora...eu não tenho para onde ir...a Yakuza está me procurando...", ok, eu não consegui arranjar uma desculpa melhor para convencê-los.

"A Yakuza?! Mai! Você está namorando alguém da Yakuza?! Você sabe o que isso acarretará? Nós não queremos problemas com a máfia.", o homem murmurou.

"Pai! Eu não estou namorando ninguém da Yakuza. Vocês não conseguem ver que a pobrezinha não tem um lugar para ficar...dá um desconto.", Mai o convenceu.

"Vamos fazer o seguinte, por hora ela fica aqui com a gente. Depois vocês podem me dar o castigo que vocês quiserem.", a mesma sugeriu.

A mãe de Mai suspirou.

"Tudo bem...mas você vai ter que nos contar a história toda, moçinha...", a mesma balbuciou.

Eu achei que ela estava falando com Mai, mas a mesma jogou um olhar de desconfiada para mim.

"Tudo bem. Eu juro que eu vou contar..."

Nós então fomos para a cozinha da casa e lá, enquanto a mãe de Mai preparava o café, eu sentei junto com Mai e explanei a minha história, claro, eu apenas omiti a parte de Noriko, pois eu não sei se eles aceitariam como a Mai aceitou.

"Então...você passou por tudo isso?", o pai de Mai retrucou.

"É muito triste o que você está passando...", a mãe da mesma analisou.

"Bem, eu na verdade sou modelo e...eu tenho faltado no trabalho por causa de toda essa situação..."

Os pais de Mai ficaram espantados ao saberem que eu era modelo...

"Você é modelo?!", eles exclamaram juntos com os olhos arregalados.

"Você é modelo? Você não me falou sobre isso...", Mai retrucou.

"Eu fiquei com medo de como você reagiria. Desculpa, Mai. Desculpa", me desculpei com Mai e os pais dela.

"Você é daquelas modelos top?", o pai de Mai quis saber.

"Não, eu sou modelo fotográfico. Eu faço fotos para capas de revistas...mas, eu aceito qualquer tipo de trabalho...", explanei.

"Papaizinho, eu tive uma ótima ideia!", Mai voltou para o pai.

"O que seria, Mai?"

Mai foi até o pai e sussurrou a ideia que teve.

"Sim. É uma ótima ideia. Muito bem pensado...", o pai da mesma dizia enquanto acenava a cabeça positivamente.

Mai então fez uma pausa e se afastou do pai. A mãe dela logo ficou curiosa para saber o que a filha tinha em mente.

"O que você cochichou com o seu pai, Mai?"

Mai foi até a mãe e sussurrou no ouvido dela a ideia. A mesma reagiu como o pai.

"Ótimo! Sim, eu adorei a ideia. Conta mais!"

Mai foi sussurrando até as últimas palavras e depois disso fez uma pausa.

A mãe de Mai fez uma reflexão sobre o que tinha ouvido.

"Então...o que você disse aos dois, Mai?", eu perguntei.

"Bem, já que você é modelo e o meu pai é dono de uma empresa de celulares, eu pensei que ele podia fazer umas fotos para um novo outdoor dos celulares da empresa dele com você. ", Mai me contou.

"E nós vamos fazer o ensaio no seu estúdio.", o pai de Mai acrescentou.

"Que ótimo! Obrigada senhor, senhora...?"

"Ah, que cabeça a minha. Eu fui gritando antes de cumprimentá-la. Muito prazer, o meu nome é Shigeru Kurosaki.", ele se apresentou.

"Muito prazer, senhor Kurosaki.", retribui.

"Por favor, apenas me chame de Shigeru.", o mesmo corrigiu.

"E eu sou a mãe da Mai, meu nome é Mako Kurosaki. Muito prazer, Shizuka?", a mãe de mai cumprimentou.

"Sim. Muito prazer.", agradeci reverenciando o casal.

"Bom, a conversa está muito boa, mas está tarde, logo eu terei que acordar...", Shigeru logo começou a bocejar.

"Tem razão! Vamos dormir. E Shizuka, eu acho que está tudo bem, você pode dormir aqui conosco. Você dormirá no quarto da Mai. Mai, mostre a ela o seu quarto.", Mako retrucou.

"Sim, mãe. Obrigada por deixar a Shizuka dormir aqui..", Mai replicou.

"Ela é uma boa moça. Então ela pode dormir aqui, mas...não pense que vocês terão a nossa benção para namorar assim tão cedo.", Mako falou ríspida.

"Mãe!", Mai exclamou.

"Sua mãe está certa, Mai. Apesar de eu ter que admitir que você escolheu bem a sua pretendente, você não terá a nossa benção tão cedo.", Shigeru rebateu.

"Mas, mãe! Pai!", Mai esperneou e bateu o pé no chão.

Então Mai cruzou os braços e fez biquinho.

Eu fui consolá-la.

"Mai, está tudo bem. Eu estou saindo de uma relação complicada, e eu acabei de te conhecer...vai levar um tempo até nós conseguirmos a benção dos seus pais, mas...eu não tenho pressa. Eu vou continuar tentando. Por hora, eu me contento com apenas amizade...", explanei.

Mai pensou um pouco e então deixou a birra de lado.

"Tudo bem. Me desculpe, acho que eu estou apressando demais as coisas. Eu aceito ser sua amiga, Shizuka.", a mesma declarou.

"Certo. E eu aceito ser a sua amiga, Mai.", e então abri um sorriso para ela.

Mai não se conteve e me deu um abraço. Eu a abracei e fiz um agrado na cabeça dela.

O casal, Shigeru e Mako ficou nos admirando de longe.

"Elas são tão fofinhas. E agora elas são melhores amigas...", Mako suspirou..

"Sim. Eu gostei muito da Shizuka. Aquelas outras garotas que a Mai trouxe para casa...elas eram tão...plebéias. Mas, dessa vez a Mai acertou na escolha. Digo, a garota é modelo. Ela pode ser uma grande ferramenta com a influência certa, isso é, minha companhia.", Shigeru comentou.

[...]

Então Mai me levou para conhecer o quarto dela. Quando entrei lá, eu vi uma cama enorme, com uma roupa de cama toda rosa, as paredes eram da mesma cor da cama, haviam dezenas de bichinhos de pelúcia espalhados pelo lugar, parecia que eu estava numa loja de bichinhos de pelúcia.

Em um canto do quarto, havia uma maquete de uma casa de bonecas feita a mão. No outro, um computador todo decorado com adesivos "fofos".

E um armário que tinha as portas pintadas de rosa também.

Sobre a cabeceira da cama, havia um coração de luz neon rosa. Eu tive a impressão que eu estava em um motel, misturado com uma loja de bichinhos de pelúcia.

"Nossa!", espantei.

Mai foi até o interruptor, atrás do criado — mudo perto da cama e ligou o coração de neon. O quarto todo foi iluminado por uma luz rosa que refletia nas paredes da mesma cor, fazendo-as brilhar intensamente.

"Então, o que você achou do meu quarto?", Mai quis saber...

"Caramba! Parece o quarto da Barbie.", comentei.

"Ah, eu tenho algumas Barbies de quando eu era pequena. Elas sempre foram minhas amigas nos momentos difíceis da minha vida...", Mai adicionou.

"Elas devem estar por ai, em algum lugar..."

"Sério, Mai? Você parece uma Barbie com esse quarto todo rosa.", brinquei.

"Rosa é a minha cor favorita. Se tiver alguma coisa rosa, eu vou querer.", Mai justificou.

Mai parecia ser uma garota patricinha, toda mimada. Também, com um pai como Shigeru que pode dar tudo o que ela deseja...não, eu não estou julgando-a.

Aos poucos Mai foi ficando sem energia e logo estava gesticulando, tentando evitar a canseira.

Foi então que ela resolveu me chamar.

"Vem, vamos dormir juntas essa noite. Tire a sua roupa e deixe apenas a roupa de baixo. Se quiser dormir pelada, também pode. Eu durmo assim algumas vezes, meus pais ficam horrorizados, mas eu não ligo. Sabe como é, usar sutiã o dia inteiro me deixa toda dolorida, e eu sinto que as minhas delícias não crescem muito. Eu queria ter seios como os das atrizes americanas..."

Mai parecia uma Barbie falante.

"Eu sei que elas colocam silicone nos seios delas..."


A mesma então se virou para mim.

"Você acha que eu devo por silicone nos meus seios?"

Deus! Essa garota é hiperativa? A bateria dela já não acabou?

"Eu não sei, Mai...eu também estou começando a ficar com sono.", balbuciei já abrindo um bocejo logo depois.

"Você quer ver os meus seios? Eu te mostro. Você pode tocá-los se quiser...", Mai me atiçou.

Eu fiquei sem comentar. Estava muito cansada...

Então Mai foi se despindo e só deixou os seios a mostra para eu ver.

"Olha para eles. Você quer tocá-los? Eu deixo. Vem..."

"Mai..."

Mai então puxou uma das minhas mãos e a colocou sobre um dos seios dela.

"O que acha? Acha que eu devo mesmo por implante nos seios? Você gosta da textura deles?", Mai encheu a minha cabeça com aquelas perguntas.

Eu não queria ser grossa com ela, então procurei reagir de forma educada e simples.

"Mai, os seus seios são muito bonitos...eu não acho que você precise parecer com alguém que você não é...para quê? Se você ficar pensando assim, você vai parecer um homem preocupado com o tamanho do pênis...", disparei minha resposta.

"Eu sei...é só que eu sou mulher, e eu me preocupo muito com eles, porque eles são desse tamanho, e geralmente os homens preferem seios grandes...acho que isso deixa eles mais excitados...", Mai comentou.

"Mai...o homem que não vê nada além dos seios de uma mulher, não pode ser um bom partido...", deixei ela refletindo nisso.

Ela então ficou refletindo no que eu disse.

"Eu acho que entendi o que você quer dizer..."

"Vamos dormir, Mai. Está tarde, e eu não me importo se vamos dormir juntas ou não...só...vamos dormir, está bem?"

"Tudo bem.", Mai consentiu.

Mai acabou tirando o resto da roupa e ficou completamente nua.

Eu de certa forma estava tão cansada...mas tão cansada, que me senti desconfortável usando as minhas roupas íntimas. Resolvi ficar pelada também.

Então fui para a cama com Mai. Eu fiquei no lado direito e ela ficou no lado esquerdo da cama.

Mai me abraçou e nós fomos dormir de conchinha debaixo do lençol.

Chuva

Eu a sinto na ponta dos dedos

Eu a escuto na minha janela

O seu amor está caindo como

Chuva

Lave a minha tristeza

Leve embora a minha dor

O seu amor está caindo como chuva

Quando seus lábios estão queimando os meus

E você demora para me dizer como se sente

Quando você escuta as minhas palavras

E eu sei que você escutou, sei que é de verdade

A chuva é o que o trovão traz

Pela primeira vez consigo escutar o meu coração cantar

Me chame de tola, mas eu sei que não sou

Eu vou ficar parada aqui fora no topo da montanha

Até sentir a sua

Chuva

Então nós fechamos nossos olhos e dormimos.

[...]

Na manhã seguinte, nós duas estávamos juntas na cama. Nós nos revirávamos várias vezes na cama. Tentávamos dormir mais um pouco. Eu desejava estar nos braços de Mai...

Eu acho que Mai conseguiu me fazer esquecer Noriko, Sarah, enfim, tudo o que havia acontecido anteriormente. Eu me sentia segura com ela. Eu queria estar com aquela mulher e não mais com uma qualquer como a Reiko que só via uma maneira de se aproveitar de mim...com Sarah foi a mesma coisa...ela pareceu amigável no começo, mas logo mostrou uma faceta que eu desconhecia...talvez eu não conhecesse assim tão bem a estrangeira. E isso me pegou de surpresa.

Mas, por outro lado, eu acho que eu soube a hora de dizer "Chega! Eu não quero mais isso!"

Os raios de sol entraram pela janela do quarto de Mai, nos iluminando.

Comecei a ouvir passos e quando abri os olhos, eu vi a mãe de Mai, vestida com o seu hobby, entrando no quarto para acordar a filha.

"Bom dia, Mai! Hora de acordar!"

Acho que ela não percebeu que eu estava dormindo no lado direito da cama.

Eu fechei um dos meus olhos e deixei o outro aberto.

"Bom dia, Mako!", eu a cumprimentei.

"Shizuka? Onde está a Mai?", Mako inquiriu.

Voltei para Mai, e então eu vi ela se encolhendo e se cobrindo toda com a sua parte do lençol. Ela parecia querer ficar dormindo.

"Me deixa dormir mais um pouco, mãe!", Mai balbuciou.

"Mai! Está na hora de acordar!", Mako exclamou.

"Só mais 5 minutos, por favor!", a mesma pediu.

"Mai..."

Então eu tentei convencer Mako a me deixar falar com Mai.

"Mako, deixa eu falar com ela. Vá tomar o café, nós logo iremos para lá."

"Okay, Shizuka...", Mako consentiu.

Assim que Mako se retirou do quarto, eu fui falar com Mai.

A mesma então abaixou o lençol e pôs sua cabeça para fora. Seu cabelo estava todo desgrenhado e ela deu uma leve ajeitada nele.

"Mai...dormir com você foi ótimo. Mas, está na hora de nos levantarmos.", retruquei.

"Eu sei, mas eu queria dormir mais um pouco. Estava tão bom dormir com você...", Mai se queixou.

"Eu sei, Mai. Olhe pelo lado bom, pelo menos a sua mãe não te pegou pelada dessa vez. Apesar de que você não se importa com isso...", suspirei.

Mai tentou processar aquela nova informação. O cérebro dela devia ser do tipo que demora para pegar no tranco, e ainda era manhã...

"Bem, olhando por esse lado, é mesmo.", a mesma concluiu.

"Então, vai por mim, levante-se da cama e vista algo...", eu a aconselhei.

"Okay. Eu digo o mesmo para você...", Mai rebateu.

"Eu sei. Eu também vou me vestir, calma.", exclamei.

"Ok. Posso fazer uma coisa antes de me levantar?", ela quis saber.

"O quê, Mai?"

"Eu só queria provar as suas tetas um pouquinho..."

"Você quer o quê?"

"Eu queria chupar os seus seios...de repente me deu uma vontade louca de fazer isso...e considerando que eu não durmo com uma garota já faz um bom tempo até você chegar..."

"Está bem...", falei um pouco relutante.

Eu sabia que isso logo acabaria em sexo antes do café...então tentei moderá-la.

"Só seja rápida. Eu não quero perder o café da manhã por sua causa..."

"Ok. Eu vou só dar umas lambidinhas e umas chupadinhas de leve..."

"Apenas faça isso logo, Mai!", eu a cortei.

"Ok!"

Joguei o lençol para longe de mim, deixando minha nudez aparente e esperei por ela.

Mai se arrastou até mim e então fez o seu trabalho. Eu acariciei as costas dela enquanto ela chupava os meus seios...

Ela parecia um bebê que gostava de brincar com os seios da mãe.

....

Quando se deu por satisfeita, Mai se afastou de mim e foi se retirando da cama. Ela pegou as roupas caídas no chão e as vestiu rapidamente.

Eu sai da cama e fiz o mesmo.

Assim que ficamos prontas, nós pegamos um par de pantufas que havia em um canto do quarto de Mai — A mesma parecia ter uma infinidade de pares de sapatos— e saímos do quarto.

Quando chegamos na mesa do café da manhã, nós cumprimentamos Mako e Shigeru. Uma emprega vestindo o seu uniforme estava com os braços abaixados ao lado da mesa e de pés juntos. Ela parecia ser bastante jovem.

Shigeru se voltou para nós.

"Bom dia, garotas!"

"Bom dia!", dissemos juntas.

"Bom dia!", Mako nos cumprimentou em seguida.

"Vocês duas dormiram bem?", Shigeru quis saber.

"Sim, eu não dormia assim desde...bem, desde que o meu pesadelo chamado Reiko começou, eu acho..", comentei.

"Que bom!", Shigeru avaliou.

"Ah, antes de vocês duas se sentarem, Shizuka, eu gostaria de apresentar a nossa criada, Midori Saotome. Ela trabalha para nós desde quando Mai era uma garotinha...", o mesmo explanou.

"Entendo. Muito prazer.", eu a cumprimentei.

"Muito prazer", a mesma devolveu.

"Se tiver algum prato de sua preferência que você gostaria de comer no café da manhã, por favor, peça à ela. Eu estou certo de que ela irá prepará-lo com muito prazer. Certo, Midori?"

"Sim, senhor. Você gostaria de algo específico ou o que está na mesa lhe agrada?", Midori quis saber.

Na mesa havia um café da manhã tipicamente ocidental, pão, ovos, bacon, manteiga, café em uma jarra, chá...

"Eu acho que não precisa, Midori. Eu acho que tem comida até demais...Obrigada", eu a agradeci.

"Ok. Aproveite o seu café da manhã.", Midori retrucou.

"Obrigada"

Eu e Mai nos sentamos a mesa e antes de comer a refeição, agradecemos pela comida.

"Obrigada pela comida", dissemos juntas.

Então começamos a nos servir.

"Então, garotas...como foi a noite de vocês? Vocês não fizeram "aquilo", fizeram?" , Shigeru nos interrogou enquanto pegava mais uma fatia de pão da cesta na mesa e passava manteiga.

"Aquilo?", fiquei um pouco confusa, mas é porque o meu cérebro ainda não havia acordado. Eu sabia que ele devia estar se referindo ao sexo.

"Acho que o meu pai quer saber se transamos ontem à noite. E a resposta é não, pai!", Mai respondeu no meu lugar.

"Que bom...", Shigeru balbuciou.

Eu então vi Mako dar uma cotovelada no marido. O mesmo então se voltou para a esposa.

"O que foi, querida?"

"Tenha modos à mesa, querido. Agora não é uma boa hora para se perguntar sobre isso...", Mako se queixou.

"Desculpa...Mas, você sabe, depois de tantas garotas que Mai trouxe para dentro dessa casa, achei que dessa vez não seria diferente, porque as outras acabaram em...você sabe, "aquilo"..", Shigeru justificou.

Mako revirou os olhos. Parecia que ela não estava de bom humor para discutir aquilo na mesa do café da manhã...

Ou ela simplesmente não se importava com o que a filha fazia, porque depois de tanto tempo, ela acabou se acostumando com as preferências de Mai.

Mako e Shigeru continuaram a comer a refeição e eu e Mai apenas ficamos bebendo café e comendo um pouco de omelete.

"Depois do café, eu vou direto para o trabalho...", Shigeru balbuciou.

"Eu te acompanho, querido...", Mako comentou com o mesmo.

Mai então fez uma pausa e me explicou que a mãe dela trabalhava junto com o pai como secretária dele, já que ele parecia gostar de escolher bem os seus funcionários e confiava na mulher o bastante para tê-la como sua secretária.

"Bem, pelo menos o meu pai não se envolve em nenhum assédio sexual na empresa, já que está trepando com a mamãe.", Mai comentou.

"Mai!", o casal exclamou junto. Pareciam bastante invocados com o comentário de Mai...

"Desculpa. Eu só...gostaria de ter um irmãosinho...vocês poderiam providenciar um, não é?", Mai brincou.

"Mai...nós sempre quisemos que você tivesse um irmão, ou uma irmã...nós até tentamos...mas, acabou não rolando...", Mako argumentou.

"Bem, tentem de novo! Por favor?", Mai fez uma cara de pidona.

"Mai...não é assim que as coisas funcionam entre um homem e uma mulher. Depois de uma certa idade...", Shigeru interrompeu a si mesmo.

"...a sua mãe na verdade, sempre quis que você tivesse uma irmã. E eu queria que você tivesse um irmão, porque...eu não entendo como funciona esse mundo de vocês, mulheres...e ter um filho homem seria ótimo para a família...", o mesmo continuou.

Eu comecei a gargalhar, mas logo parei. E se achassem que eu estava ofendendo eles com as minhas gargalhadas?

"...Você quis dizer bom para os negócios. Porque você confia na sua esposa, mas não confia em mim. Não é mesmo?", Mai se invocou.

"Mai!", Shigeru se invocou.

"É verdade, não é?", Mai rebateu.

Mako interveio antes que a briga começasse.

"Vamos parar com isso, vocês dois! É de manhã e estamos tomando o café da manhã. Deus! Agora não é uma boa hora para brigar..."

Eu me levantei da mesa e tentei cuidar da Mai.

"Mai, calma. Senta ai e toma o café..."

"É verdade, Shizuka. É por isso que o meu pai não aprova o fato de eu ser lésbica. Porque se eu tivesse uma irmã, na cabeça dele, ela provavelmente seria uma também. Agora, se fosse um irmão...", Mai contestou.

"Bem, se você tivesse um irmão, ele também poderia ser Gay, é a mesma coisa. Não que eu conheça nenhum gay, mas...é tecnicamente a mesma coisa.", eu explanei.

"Você está defendendo o meu pai?", Mai desconfiou.

"Eu não estou defendendo ninguém, Mai. Eu só estou sendo realista.", eu justifiquei.

"E o que você sabe sobre isso, Shizuka? Você só teve experiência com garotas, não é mesmo?", Mai me contestou.

"Bem, eu também tive uma experiência com garotos, mas...nenhuma com um cara que seja Gay...me desculpa, mas você entendeu o que eu quis dizer..."

Mai estava tão furiosa... ela parecia não conseguir se conter. Ela estava como uma bomba, prestes a explodir.

A mesma já ia começar a chorar, quando o pai dela fez uma revelação em meio aos prontos e aos berros.

"É verdade! Nós consultamos todos os médicos por um diagnóstico seu assim que você nasceu, todos os testes deram o mesmo resultado. Nós pagamos os médicos para refazerem os testes várias vezes, sempre dava o mesmo resultado..."

Ficamos chocadas ao ouvir aquele fato sobre Mai. Logo a mãe da mesma se levantou da mesa e continuou a história.

"Sim, é isso mesmo. Todos os médicos disseram que você, minha querida Mai, era lésbica. Então eu e o seu pai tentamos fazer outro filho na esperança de que esse não fosse homossexual...eu queria mais uma menina, e o seu pai queria um menino. Ele achava que com um menino seria diferente e ele poderia assumir os negócios da família...Me desculpa, Mai...", a mesma então começou a chorar arrependida de revelar aquele fato.

"Mãe...eu...", Mai começou a choramingar...

Mai então resolveu se retirar dali as pressas.

"Mai, onde você vai?", eu inquiri.

"Eu acho que eu vou fazer compras, isso sempre me anima quando eu estou assim...você quer vir comigo? Seria bom, já que você entende como eu me sinto. Mas, eu vou entender se não quiser..."

"Mai....está bem, eu vou com você.", falei sem pensar direito.

Eu achei que acompanhar Mai poderia fazê-la se sentir melhor. Isso foi o que eu pensei depois de dar aquela resposta tão abrupta.

"Tudo bem. Eu preciso...nós precisamos trocar de roupa antes.", Mai balbuciou com uma voz chorosa.

"Tudo bem."

Ela então pegou a minha mão e foi me levando para o quarto dela.

[...]

Quando chegamos no quarto, Mai abriu as portas do armário e foi jogando algumas roupas que ela aparentemente não estava afim de usar, na cama. Eram todas muito bonitas e todas de grifes famosas, para os mais humildes aquelas roupas eram cara demais, mas para alguém como Mai, elas eram baratas..

A mesma só se conteve quando achou um vestido rosa curtinho com um laço preto de cetim na gola e um suéter branco com uma camiseta listrada em preto e branco em um cabide na arara do armário dela.

As outras roupas haviam formado uma enorme pilha na cama da mesma.

Mai então me mostrou as roupas que iríamos usar para ir as compras.

"O que acha? Eu ainda vou ver uma calça e uns sapatos para nós."

"Mai...essas roupas devem ser muito caras para se jogar fora...", eu comentei.

"Eu sei. Eu vou te emprestar o suéter e a camiseta listrada, se quiser, é sua...acho que eu enjoei dessa roupa. Listras não combinam comigo...", Mai balbuciou.

"Você está falando sério?", aquilo parecia ser bom demais para ser verdade.

"Sim, quer saber? Pode ficar. É seu. Eu tenho uma porção de roupas mesmo...", ela rebateu.

Uma porção de roupas que ela aparentemente não dava muito valor para elas. Mai parecia me oferecer a roupa como se estivesse fazendo caridade a um indigente.

"Obrigada...", eu agradeci relutante.

"De nada. Vista isso ai enquanto eu visto a minha roupa.", Mai falou como se eu fosse uma empregada dela.

"Mai, eu não sou sua empregada. Mas, eu vou vestir essa roupa e eu agradeço por me dá-la, mesmo eu achando que você não devia se preocupar comigo, e sim com você mesma. Emocionalmente você parece não estar bem.

"Cala-te! Só veste a roupa que eu te dei, está bem? Eu não estou afim de qualquer discussão no momento.", Mai esbravejou.

"Tudo bem.", consenti...

[...]

Depois de nos vestirmos com aquelas roupas, Mai resolveu ir atrás de uma calça ou saia e um par de sapatos para nós.

Ela então foi vasculhando as gavetas e avaliando as opções de calça, saia e sapatos..

Quando ela se deu por satisfeita, pegou as peças escolhidas e as colocou sobre a cama.

Mai havia pego uma calça jeans, um sapato de salto rosa. Uma saia pregada preta, e um sapatinho de boneca da mesma cor para mim.

Nós então fomos vestir as peças e logo ficamos prontas.

Mai então avaliou o meu visual.

"Hmm...acho que você está bem bonita nessa roupa...", ela comentou.

"E eu? Como eu estou?"

"Você está ótima, Mai...", repliquei.

"Então vamos..."

[...]

Nós fomos para a garagem onde o mordomo estava encostado no carro preto.

"Pretende ir a algum lugar, senhorita Mai?", o mesmo retrucou.

"Sim, nos leve para Tóquio. Eu estou precisando fazer compras, e a Shizuka vem comigo."

"Sim, senhorita.", o mordomo a reverenciou...

Então, o mesmo abriu as portas do carro para nós entrarmos e nós entramos. Depois ele as fechou e entrou no carro, fechou a porta do lado dele e ligou o motor.

"Por favor, coloquem os cintos de segurança.", o mesmo pediu enquanto ele colocava o cinto dele.

Nós colocamos o nosso cinto de segurança e então ele começou a guiar o carro. Ele então apertou um botão no controle do portão que ficava numa parte perto do câmbio e o portão foi se abrindo.

Quando o portão estava totalmente aberto, nós saímos.

Na rua, o mordomo fechou o portão da casa de Mai e arrancou.

[...]

Nós deixamos o carro estacionado perto de uma estação de metrô e pegamos o trem para Tóquio.

Chegando lá, fomos andando pelas ruas olhando as lojas, até que Mai viu uma butique de uma grife e resolveu entrar.

Nós entramos na loja e fomos atendidos pela vendedora.

Mai disse que gostaria de ver algumas roupas e que ela iria pagar tudo com o cartão de crédito nível platinum do pai dela.

A vendedora assentiu e foi nos mostrar algumas roupas que haviam chegado e nós fomos experimentar cada uma delas no provador da loja.

Mai acabou levando várias roupas e quem pagou com o cartão foi o mordomo dela.

A vendedora fez a nota e entregou as várias sacolas de roupas para nós.

Pegamos as sacolas e fomos para a estação de metrô mais próxima.

Depois de pegarmos o metrô, saímos e o mordomo ficou de pegar o carro para nós.

Fomos para a rua e esperamos o mesmo voltar com o nosso carro.

[...]

Assim que o mesmo chegou com o carro, ele estacionou na guia e desceu do mesmo. Então ele pegou as sacolas que havia deixado no banco do passageiro e depois as nossas, e as colocou na parte de trás do carro. Então o mesmo fechou o compartimento.

Nós entramos no carro e fomos embora dali.

Dentro do carro, o mordomo foi conversando com a gente enquanto guiava o veículo.

"Então, senhorita Mai. Como está se sentindo?"

"Melhor. Fazer compras sempre me anima."

"Que bom."

"Mai...não importa o que os outros digam ou pense sobre você, eu sempre vou estar com você. Eu te amo...muito mesmo.", declarei.

Mai voltou sua atenção para mim.

"Obrigada, Shizuka. Eu acho que nós somos ótimas parceiras...", ela comentou.

"Você pode confiar em mim."

"E você pode confiar em mim."



Notas finais
Espero que tenham gostado. ^^ Até o próximo!