Notas iniciais
Depois de muitos, muitos anos... voltei!

Na verdade apenas para deixar essa pequena história que permeava meus pensamentos.

(Essa história se passa depois do final da 3ª temporada)

Sherlock já fora avisado. À espera de seu retorno para, finalmente, partirem, todos esperavam silenciosamente dentro do carro. Ao ver o avião enfim voltar, John, há muito inquieto, se voluntariou a acompanhar Sherlock de volta ao veículo, mesmo não sendo um longo percurso. Andando calmamente em sua direção, não pôde evitar o sorriso ao vê-lo mais uma vez. Estendendo os braços, disse:

- Então, bem vindo de volta — E o abraçou. Ao constatar, mais uma vez, a total falta de reciprocidade ante seu ato, comentou:

- Já reparou que sempre que eu te abraço você nunca retribui? Se não te conhecesse diria que não gosta. Se quiser que eu pare é só me di... — John já se distanciava quando percebeu os braços de Sherlock se movimentando, e, lentamente, envolvendo seu corpo. As mãos, os dedos do detetive, que, num primeiro momento, hesitavam em tocar o corpo de John, agora estavam pressionados fortemente contra suas costas, intensificando o abraço. Sherlock segurava o amigo como se quisesse compensar por todas as vezes que desejou abraçá-lo mas não o fez.

- Ok, um pouco mais forte do que eu imaginava... — John disse, seguido de um quase inaudível — ...mas tudo bem.

Após alguns instantes dessa inusitada demonstração de afeto, com o calor de seus corpos fazendo-o corar, John percebeu que Sherlock estava trêmulo, o coração mais acelerado que o normal e que, quando o abraço finalmente se desfez, mantinha o olhar fixo em algum ponto do chão, perdido em pensamentos. E... aquilo era um suspiro? Sherlock havia mesmo acabado de suspirar?! Isso o preocupou, e o motivou a perguntar:

- Sherlock, você está bem?

Como resposta obteve apenas um suave aceno positivo. Quando os olhares finalmente se encontraram, John percebeu que aqueles lindos olhos que profundamente o encaravam apresentavam um tom levemente avermelhado; cogitou perguntar se Sherlock estivera chorando, entretanto, antes que pudesse proferir qualquer palavra, seus pensamentos foram interrompidos.

- John — Sherlock parecia extremamente aflito, e falhava miseravelmente em tentar esconder — o que eu deveria ter te dito, de verdade, é que...

Por que era tão difícil dizer? Por que era tão difícil conseguir expressar seus sentimentos? Tantas preocupações, tantas dúvidas borbulhavam em sua cabeça nesse momento. E John não sentisse o mesmo? Talvez isso o fizesse perde-lo, provavelmente para sempre. Mas a sensação que a pouco havia sentido, de deixar John, pelo que achava ser a última vez, e não ter lhe dito o que realmente sentia, era horrível, angustiante, não queria passar por aquilo outra vez. Então respirou fundo e disse, de uma vez:

- ... John Hamish Watson, eu te amo.

Pronto, agora estava feito, não havia mais volta. Sherlock sabia que, de um jeito ou de outro, muita coisa mudaria a partir desse dia, e isso o apavorava. John, que estava consideravelmente surpreso, conseguiu pronunciar apenas um:

- Oh, Sherlock.

Antes de beijá-lo. Foi quando Sherlock soube que, sim, John sentia o mesmo por ele, e, nesse momento, foi tomado por uma imensa alegria. Num movimento rápido o trouxe pra perto de si e se entregou totalmente, ao momento, a John, àquele beijo, tão intenso, tão urgente, porque, ah, só Deus sabe há quanto tempo eles esperavam por isso.

Separaram-se apenas quando o ar se fez necessário. Ambos sorrindo timidamente, a respiração ofegante, em seus olhares um misto de ternura, alegria e desejo, mas também muita dor e insegurança sobre o que estava por vir.

Quando John enfim se deu conta do que havia acabado de acontecer, exclamou, com grande pesar:

- Ah meu Deus, tomara que Mary não tenha visto isso!

- Ela e Mycroft estão em pé do lado de fora do carro, é claro que eles viram! — Mesmo sem ter sequer olhado Sherlock pôde afirmar. E num tom quase malicioso continuou — Acho que você vai ter que se explicar mais tarde.

Notas finais
Como faz muito tempo que não escrevo nada do gênero ainda estou meio enferrujada. Então, desculpa qualquer coisa.

De qualquer modo, espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!