After a long time
1 Capítulo único
Notas iniciais
Na verdade apenas para deixar essa pequena história que permeava meus pensamentos.
(Essa história se passa depois do final da 3ª temporada)
Sherlock já fora avisado. À espera de seu retorno para, finalmente, partirem, todos esperavam silenciosamente dentro do carro. Ao ver o avião enfim voltar, John, há muito inquieto, se voluntariou a acompanhar Sherlock de volta ao veículo, mesmo não sendo um longo percurso. Andando calmamente em sua direção, não pôde evitar o sorriso ao vê-lo mais uma vez. Estendendo os braços, disse:
- Então, bem vindo de volta — E o abraçou. Ao constatar, mais uma vez, a total falta de reciprocidade ante seu ato, comentou:
- Já reparou que sempre que eu te abraço você nunca retribui? Se não te conhecesse diria que não gosta. Se quiser que eu pare é só me di... — John já se distanciava quando percebeu os braços de Sherlock se movimentando, e, lentamente, envolvendo seu corpo. As mãos, os dedos do detetive, que, num primeiro momento, hesitavam em tocar o corpo de John, agora estavam pressionados fortemente contra suas costas, intensificando o abraço. Sherlock segurava o amigo como se quisesse compensar por todas as vezes que desejou abraçá-lo mas não o fez.
- Ok, um pouco mais forte do que eu imaginava... — John disse, seguido de um quase inaudível — ...mas tudo bem.
Após alguns instantes dessa inusitada demonstração de afeto, com o calor de seus corpos fazendo-o corar, John percebeu que Sherlock estava trêmulo, o coração mais acelerado que o normal e que, quando o abraço finalmente se desfez, mantinha o olhar fixo em algum ponto do chão, perdido em pensamentos. E... aquilo era um suspiro? Sherlock havia mesmo acabado de suspirar?! Isso o preocupou, e o motivou a perguntar:
- Sherlock, você está bem?
Como resposta obteve apenas um suave aceno positivo. Quando os olhares finalmente se encontraram, John percebeu que aqueles lindos olhos que profundamente o encaravam apresentavam um tom levemente avermelhado; cogitou perguntar se Sherlock estivera chorando, entretanto, antes que pudesse proferir qualquer palavra, seus pensamentos foram interrompidos.
- John — Sherlock parecia extremamente aflito, e falhava miseravelmente em tentar esconder — o que eu deveria ter te dito, de verdade, é que...
Por que era tão difícil dizer? Por que era tão difícil conseguir expressar seus sentimentos? Tantas preocupações, tantas dúvidas borbulhavam em sua cabeça nesse momento. E John não sentisse o mesmo? Talvez isso o fizesse perde-lo, provavelmente para sempre. Mas a sensação que a pouco havia sentido, de deixar John, pelo que achava ser a última vez, e não ter lhe dito o que realmente sentia, era horrível, angustiante, não queria passar por aquilo outra vez. Então respirou fundo e disse, de uma vez:
- ... John Hamish Watson, eu te amo.
Pronto, agora estava feito, não havia mais volta. Sherlock sabia que, de um jeito ou de outro, muita coisa mudaria a partir desse dia, e isso o apavorava. John, que estava consideravelmente surpreso, conseguiu pronunciar apenas um:
- Oh, Sherlock.
Antes de beijá-lo. Foi quando Sherlock soube que, sim, John sentia o mesmo por ele, e, nesse momento, foi tomado por uma imensa alegria. Num movimento rápido o trouxe pra perto de si e se entregou totalmente, ao momento, a John, àquele beijo, tão intenso, tão urgente, porque, ah, só Deus sabe há quanto tempo eles esperavam por isso.
Separaram-se apenas quando o ar se fez necessário. Ambos sorrindo timidamente, a respiração ofegante, em seus olhares um misto de ternura, alegria e desejo, mas também muita dor e insegurança sobre o que estava por vir.
Quando John enfim se deu conta do que havia acabado de acontecer, exclamou, com grande pesar:
- Ah meu Deus, tomara que Mary não tenha visto isso!
- Ela e Mycroft estão em pé do lado de fora do carro, é claro que eles viram! — Mesmo sem ter sequer olhado Sherlock pôde afirmar. E num tom quase malicioso continuou — Acho que você vai ter que se explicar mais tarde.
Notas finais
De qualquer modo, espero que tenham gostado.
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