Três horas da manhã. A lua cheia e brilhante estava escondida por nuvens escuras e carregadas de chuva. Uma brisa quente passava, enquanto tudo que se podia ouvir era o nada. De repente, um som quebrou o silêncio. Um uivo, logo seguido de um farfalhar de folhas e um grito agudo.

Dentre as árvores de um pequeno bosque ao redor de uma antiga Igreja, saiu correndo uma menina, que tinha a respiração ofegante. Os pés estavam descalços e a grama em que ela pisava estava úmida de orvalho, que às vezes a fazia escorregar.

As roupas dela estavam rasgadas e sujas de terra e folhas. O rosto dela estava vermelho e ela chorava compulsivamente.

Entrou correndo na Igreja e trancou a porta inutilmente atrás de si, já que não adiantaria em nada. Dentro do lugar, estava frio e escuro.

-Luz, luz, luz – ela murmurou para si mesma, com a voz trêmula.

Foi tateando até o altar, onde encontrou um velho lampião e rezou para que ainda funcionasse. Sacudiu o objeto e com alegria notou que ainda havia um resto de combustível nele.

Depois de várias tentativas, uma luz brilhou fracamente na escuridão do interior da Igreja, e um sorriso se formou no rosto da garota. Ela caminhou com cuidado até a porta que levava à torre onde ficava o sino.

A escada rangia com os passos leves dela, e o corrimão já não era mais seguro. Ao chegar no topo, pode observar por uma janela que quase amanhecia e a lua quase havia sumido. Suspirou aliviada e se aproximou do parapeito. Olhou para baixo, e então o viu.

Escondido entre as árvores, tomadas pela escuridão, estava o que lhe causava tanto medo. De longe não se podia ver, mas ela sabia a sua aparência. Os pelos negros, as patas longas e os dentes curvos.

Lentamente, o monstro saiu das sombras. Um arrepio percorreu o corpo da menina e ela deixou o lampião cair e se espatifar no chão, acabando com a luz do local.

-Ele não pode entrar, ele não pode entrar – choramingou.

Um ruído foi ouvido as suas costas e ela se virou rapidamente, encarando as sombras. Em um ato impensado, puxou a corda do sino e rezou para que funcionasse. O som do sino quebrou o silêncio e alguns pássaros levantaram vôo nas árvores próximas. De baixo, pode ouvir um rosnado. E no horizonte, os primeiros raios de sol surgiam.

-Você está bem? – perguntou uma voz rouca ao pé da escada.

-Estou – respondeu, deixando-se cair no chão, respirando profundamente.

-Estou subindo – respondeu a voz.

Ouviu passos pesados sobre a escada, e logo uma cabeça passou pelo alçapão. Era um senhor idoso, que vestia as roupas de um padre, mas que não podiam ser consideradas limpas. Assim que viu seus olhos, deu um pulo. Ela reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar, pois eram eles que a perseguiam a noite inteira.

O homem abriu um sorriso sádico, e terminou de subir os últimos degraus. Ela se sentiu pequena perto dele e logo se encolheu ainda mais, enquanto começava a choramingar novamente.

-É impossível... Não podia entrar... Solo sagrado...

-Até o primeiro raio do nascer do voz – Disse com a voz baixa, aproximando-se dela, esticando as mãos sujas de terra e sangue – E agora você não tem mais para onde fugir...

O grito dela pode ser ouvido a uma grande distância.

FIM!

Notas finais
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