After Real
4 Capítulo 4 - Extra
Notas iniciais
É com um movimento leve na cama que me desperto. O quarto ainda está escuro, nenhuma fresta de luz passa pelas cortinas que balançam com o vento então presumo que ainda seja madrugada.
Coço meus olhos com os nós dos meus dedos e tateio a cama a procura de Peeta. Percebo que ele não está na cama e não há nenhuma luz no banheiro. Onde ele poderia estar?
Arrasto-me até a beirada do colchão macio e coloco meus pés no chão frio à procura de um chinelo. Sinto a borracha no vão abaixo da cama e logo o ponho em meus dedos.
Abraço meu corpo coberto por uma blusa um tanto mais grossa que peguei de Peeta já sabendo que a noite seria fria quando o céu fez-se tão cinzento quanto meus olhos na manhã anterior.
— Porque está aqui em baixo? — questiono vendo o loiro enchendo a bancada da cozinha com ingredientes retirados da geladeira.
— Oh Katniss! — ele se surpreende ao ver-me na escada. Desço os últimos degraus faltantes aproximando-me dele que aparenta agitação. — Eu precisei levantar.
— Pesadelo ou flashback?
Peeta trata seu sono como a mais frágil das borboletas. Como padeiro ele dorme cedo para acordar cedo e ter energia para trabalhar na manhã seguinte. Se nosso despertador não tocou é porque não está na hora de levantar.
— Katniss... — ele tenciona o corpo e apresso-me para ficar perto dele. Tomo seus ombros em minhas mãos e acaricio sua pele cheirosa.
— Você pode me contar. Não precisa guardar as coisas para si.
Encontro seus olhos azuis brilhantes ainda no escuro do recinto, a luz vinda da geladeira aberta como única fonte de iluminação.
— Eu tive um pesadelo e... não foi só esta noite. Tem sido frequente e eu começo a te apertar em meus braços ainda dormindo. — conta circundando minha cintura com seus braços fortes. — Eu achei que iria acabar te machucando você então decidi levantar.
— Você podia ter me acordado.
— Você também tem pesadelos. Não posso te tirar de um sono bom só porque eu tive um ruim.
Esse é um dos problemas que temos em nossa relação. Peeta está sempre disperso e pronto para me ajudar quando preciso de atenção, mas ele acaba querendo me poupar de ajuda-lo também como se ele não merecesse esforços meus para deixa-lo mais confortável. Eu posso fazer com que ele se sinta melhor, posso retribuir o que ele faz por mim, porém o loiro parece querer passar por tudo sozinho como se fosse uma maldita punição.
— Você precisa aprender que eu não me importo em acordar se isto fizer com que sinta-se melhor. Entende? Tem de deixar eu fazer as coisas por você também, Peeta. Um relacionamento não é feito concretamente se vier apenas de uma das duas partes. — agarro seu rosto com meus dedos. Seus olhos fixam-se nos meus, a porta da geladeira si fecha lentamente e a escuridão possui a cozinha.
— Tudo bem, eu só queria...
— Entendo. — interrompo. — Só quero que me prometa que vai me pedir ajuda sempre que precisar.
— Eu prometo.
Sorrindo Peeta aperta minha cintura com mais força e levanta meu corpo até que eu consiga sentar na bancada fria de mármore, as coisas que estavam ali se afastando para que eu fique em seu lugar.
— Ainda é cedo. Vim prepara o café da manhã para gente. Nunca comemos em casa e sim na padaria. Você pode fazer o favor de voltar para a cama e se fingir surpresa quando eu levar nossa comida? — pergunta ele com um belo sorriso no rosto.
— Café da manhã na cama?
Envolvo seu pescoço com minhas mãos, sua cintura com minhas pernas e os cabelos de sua nuca em meus dedos.
— Isso mesmo. — responde.
— Só seja rápido. Não quero ficar sozinha pelo tempo que ainda temos para desperdiçar.
— Pode deixar.
Puxo sua cabeça um pouco para cima com um leve beliscão em seu pescoço. Risco seu nariz com o meu e ele ri da ação boba antes que eu coloque minha boca na sua.
É estranho ver o quanto Peeta me liberta e o quanto nos conhecemos. Temos o livre-arbítrio para fazermos e falarmos o que quisermos quando sentimos vontade. Não há restrições e podemos ser nós mesmos para com o parceiro. Temos limites, claro, mas sabemos respeitar e encontrar a linha limitadora que diferencia o certo e o errado com facilidade.
— Não cozinhe no escuro. — peço quando ele solta meu lábio inferior de seus dentes.
— Sim, senhorita.
Luto para me soltar de seus braços quentes e desço da bancada ascendendo a luz do lugar antes de voltar para o segundo andar.
[...]
— Vamos dividir o último morango. — Peeta anuncia colocando a pequena mesa portátil de madeira no chão e trazendo consigo a fruta vermelha entre os dedos.
— Quero a parte maior.
Ele ri.
— Gulosa.
Ele engatinha até meu corpo deitada e coloca a parte mais fina da fruta entre os lábios medianos para em seguida se inclinar para mais perto de meu rosto. A parte larga do morango já sem as pequenas folhas verdes.
Com minhas mãos pouco acima da cintura de Peeta, o loiro passa o morango gelado e úmido por meus beiços delicadamente antes de me deixar morder o alimento agridoce.
Poucas mastigações depois seus lábios grudam-se nos meus. O beijo delicado misturado aos restos vermelhos ainda não engolidos, sua língua quente explorando minha boca, seus dentes puxando meu lábio sempre que abro espaço para o ato acaba deixando todo o nosso contato ainda mais feroz.
Seu corpo subindo e cobrindo o meu faz pontinhos brancos preencherem minha visão quando sua mão espalma em minha coxa esquerda, apertando-a forte e possessivamente, marcando-me como sua e de mais ninguém. Deixo meus dedos colocarem-se em baixo de sua camisa e o calor acaba alastrando-se por meu corpo coberto quando toco sua pele morna e sinto a boca de Peeta saindo da minha para cair em meu queixo e pescoço.
Os instintos humanos me possuem e é impossível reter um som para fora de mim. Som este misturado a inovação dos atos e as sensações gostosas provocadas em mim.
Procuro sua boca quando eu sinto a minha secar e Peeta não me decepciona com um toque duro, mas ainda assim gentil. Sua mão leva minha perna para sua cintura e não perco tempo em deixa-la cair em seu quadril.
— Katniss... — Peeta chama abaixando o corpo e deixando algo duro em minha barriga.
Afasto meu rosto do seu por alguns pequenos milésimos para conseguir colocar ar em meus pulmões. Meu parceiro, porém, é ávido e agitado acabando por caminhar sua boca para minha orelha e suas mãos para as minhas que logo são levadas para perto da cabeceira. Estou presa na cama com o peso e a devoção sedutora de Peeta.
Mas o despertador toca.
Isso quebra nosso momento.
Peeta se desculpa várias vezes e corre para o banheiro. Ainda estou ofegante pelo momento e, sem conseguir segurar, um sorriso leve apossa-se de meus lábios. Peeta e eu somos um casal finalmente. Não é incrível?
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